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DADOS, DICAS E RECEITAS DE VIDAS SEM GLÚTEN



domingo, 21 de dezembro de 2014

Bolo rainha sem glúten

Estando a organizar a ementa de Natal com a minha mãe, esta disse-me que não era preciso fazer bolo-rei porque nunca ficava igual ao bolo-rei com glúten. Fiquei a pensar nisso e se valeria a pena experimentar a receita que a Famalap do blog Cocina Fácil Sin Glúten tinha mencionado no grupo do Facebook 500.000 Recetas para Celíacos. Ela dizia que era fantástica e que valia mesmo a pena... Resolvi experimentar este fim de semana e optei por fazer a versão bolo rainha porque a maior parte das pessoas não gosta da fruta cristalizada.

Em boa hora o fiz: modéstia à parte, ficou excelente, ninguém diria que é sem glúten. Aliás, segundo a minha renitente mãe, estava melhor que os bolos das pastelarias e que queria outro para a noite de Natal! Mais palavras para quê? Experimentem, dá algum trabalho, mas compensa o investimento.

PS: optei por usar leite de amêndoa para ver se a receita se adaptaria a quem não pode consumir lacticínios.

Ingredientes:
Isco
100 gramas de farinha Proceli
85 ml leite morno de amêndoa Provamel
5 gramas de fermento fresco Levital
Desfaça o fermento no leite, junte a farinha, misture bem e guarde num recipiente fechado durante, pelo menos, três horas.

Massa:
100 gramas de farinha Mix B Schar
150 gramas de farinha Proceli
100 gramas de farinha Mix Brot Dunkel Schär
6 gramas de psílio em pó Finax
4 ovos M
100 gramas de sumo de laranja
50 gramas de leite/ leite de amêndoa Provamel
10 gramas de fermento fresco Levital
40 gramas de mel
65 gramas de açúcar
80 gramas de manteiga/ margarina Vitaquell amolecida
Raspa de uma laranja
Raspa de um limao
Algumas gotas de essência de rum Arcolor
Frutos secos a gosto
Canela a gosto
Para pincelar:
1 gema
Leite/ leite de amêndoa q.b.

Tire a manteiga/ margarina do frigorífico e reserve.

Junte as farinhas com o psílio, o açúcar e as raspas da laranja e limão. Reserve.

Na cuba da sua máquina do pão junte o fermento desfeito no leite, o sumo de laranja, o mel e a essência de rum. Acrescente os ovos batidos e, depois, a farinha reservada. Ligue no programa Massa (na minha máquina demora 28 minutos); passados cinco minutos, acrescente o isco; cinco minutos depois, acrescente a manteiga/ margarina amolecida.

No final do programa, coloque a massa numa tigela, tape com um plástico e leve ao frigorífico durante, pelo menos, oito horas.

Passado esse tempo, acrescente à massa os frutos secos e a canela e misture bem. Coloque a massa em cima de papel vegetal oleado com azeite e dê-lhe a forma típica de bolo-rei. Coloque um aro metálico no meio ou uma pequena malga que possa ir ao forno para que o buraco não se feche.



Coloque a massa com o papel vegetal dentro de um tabuleiro e ponha dentro do forno desligado, com uma tijela com água a ferver, durante 1H30 a duas horas para levedar outra vez, mas convém não deixar passar muito tempo, pois se o bolo crescer muito, pode “afundar” ao terminar de cozer.

Terminado esse tempo, pincele com a gema misturada com o leite e termine decorando a gosto com os frutos secos. Vai de novo ao forno pré-aquecido a 200C, passados 5 a 10 minutos reduza para 180C e deixe cozer mais 30 a 35 minutos. Se começar a ficar muito tostado, cubra com papel de alumínio. Quando estiver pronto, faça um arrefecimento gradual; estando morno, pincele com geleia de marmelo aquecida e decore com açúcar em pó.






















sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

"Bollycaos" caseiros

Costuma-se dizer que quem não tem cão, caça com gato... Neste caso, quem não pode comprar bollycaos sem glúten, faz. Podem não ficar exactamente iguais, mas têm chocolate e tudo que leva chocolate é bom!

Ingredientes:
85 gramas de açúcar em pó
85 gramas de leite morno
75 gramas de margarina
5 gramas de fermento seco
1 ½ Ovo L
270 gramas de farinha sem glúten*
6 gramas de psílio em pó
½ colher de chá de goma xantana
1 colher de chá de vinagre
1 colher de chá de mel
1 colher de chá de essência de baunilha
Chocolate Nestlé para culinária
Para pincelar:
1 gema
Leite q.b.

* 170 gramas de farinha Beiker + 50 gramas de polvilho + 30 gramas de farinha de trigo sarraceno + 20 gramas de farinha de amêndoas

Misture as diferentes farinhas com o psílio, a goma xantana e o fermento. Reserve.

Na cuba da sua batedeira, misture o açúcar, a baunilha e o leite. Junte depois a margarina amolecida, o mel, o vinagre e os ovos. Acrescente por fim a mistura de farinhas reservada e deixe bater uns 10 a 15 minutos.

Coloque depois em local morno até começar a levedar e depois coloque tapada com um plástico no frigorífico entre 8 a 12 horas (tento fazer a massa ao fim do dia para ficar no frio durante a noite). Passado esse tempo, divida a massa em pequenas bolas e coloque um a dois quadrados de chocolate no centro, fechando-as em seguida.

Deixe levedar de novo, cerca de uma hora, pincele depois com a mistura de gema e leite, e leve ao forno pré-aquecido a 200ºC. Passados 10 minutos, reduza para 180ºC e deixe cozer mais 10 a 15 minutos até as bolas adquirirem um tom dourado escuro. Desligue o forno e faça um arrefecimento gradual. Pode congelar algumas, pois recuperam toda a sua “glória” após descongelamento.


































domingo, 14 de dezembro de 2014

Biscoitos para o chá

Nestes dias frios, o que mais apetece é um chá quente a aquecer a tarde. E nada melhor a acompanhar do que biscoitos secos e pouco doces para molhar no chá... como estes.

Ingredientes:
300 gramas de farinha Doves Farm white self-raising
65 ml de azeite morno
65 gramas de açúcar
2 ovos grandes
1 colher de sopa de aguardente/cachaça
Para pincelar:
1 clara
Açúcar em pó q.b.

Na sua batedeira, bata os ovos com o açúcar até obter um creme fofo. Aqueça o azeite 30 segundos no microondas e junte aos ovos. De seguida, acrescente a colher de aguardente.

Acrescente a farinha aos poucos até obter uma bola de massa. Unte as mãos com azeite e molde os biscoitos em forma de argolas. Pincele os biscoitos com a clara previamente misturada com o açúcar em pó.

Coloque-os num tabuleiro forrado com papel vegetal e leve ao forno previamente aquecido a 220C até estarem dourados, cerca de 15 minutos. Depois arrefecem no tabuleiro mais uns cinco minutos e passam para a rede para acabarem de arrefecer. Guarde numa lata para se manterem frescos.




sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Últimas sobre a DC em crianças

Imagem retirada da Net
No blog The Celiac Patient, a sua autora, a Jess, médica neonatologista e celíaca, faz um excelente trabalho em manter-nos actualizados sobre o que há de mais recente na pesquisa da doença celíaca. O seu último post é disso exemplo e sai no seguimento de um workshop em que ela participou recentemente, organizado pelo University of Chicago Celiac Disease Center, gerido pelo Dr. Guandalini. Segundo Jess, estes são os pontos a reter:



  1. A incidência de doença celíaca está definitivamente a crescer. Em 1990, 5,2 / 100.000 americanos tinham doença celíaca. Em 2010 são 19,1 / 100.000.
  2. O aumento de doença celíaca parece ser multifactorial e pode estar relacionado com o uso de antibióticos, a dieta ocidental, a eliminação do H pylori de tracto gastrointestinal, nascimento por cesariana, práticas de alimentação infantil, e as reduzidas exposições a infecções durante a infância. A conclusiva via comum p oarece ser uma mudança na microbiota (equilíbrio bacteriano), ou disbiose, em indivíduos geneticamente predispostos.
  3. (O Dr. Guandalini) enfatizou que o glicofosfato, também com o nome de marca "Round Up", não causa doença celíaca, e usou isso como um exemplo da desinformação que se encontra online.
  4. As crianças que carregam duas cópias do gene HLA-DQ2 estão em risco muito elevado de desenvolver a doença celíaca. Dos 5 aos 6 anos, 40% das crianças homozigóticas para DQ2 têm autoimunidade celíaca, e aproximadamente 25% têm doença celíaca. Eu perguntei especificamente ao Dr. Guandalini sobre a importância da auto-imunidade celíaca (anticorpos celíacos positivos) vs. a doença celíaca e foi-me dito que esta precisa de ser levado tão a sério tal como a doença celíaca nas crianças, ou seja, essas crianças também precisam de fazer a dieta sem glúten.
  5. Todos os seguintes distúrbios estão associados à doença celíaca: refluxo gastroesofágico, esofagite eosinofílica, convulsões, asma, cálculos renais, síndrome das pernas inquietas, sarcoidose, psoríase, vitiligo, trombocitopenia púrpura idiopática (TPI), miocardiopatia dilatada idiopática, hiperparatireoidismo e esclerose múltipla.
  6. Com base em estudos recentes, o aleitamento e a duração do aleitamento materno, não parecem ter qualquer efeito sobre a prevenção ou o atraso no desenvolvimento da doença celíaca. A amamentação aquando da introdução do glúten não parece também fazer diferença.
  7. Além disso, com base em pesquisas recentes, o momento ideal para introduzir o glúten numa criança é aproximadamente aos 6 meses de idade. Retardar a introdução de glúten até após os 12 meses não impede a doença celíaca em crianças, assim como a introdução precoce (4-6 meses).
  8. As crianças podem ser diagnosticadas com doença celíaca sem serem submetidas a uma endoscopia e biopsia, se apresentar os seguintes: sintomas, um nível de anticorpos IgA TTG 10 vezes superior ao normal e um título de anticorpo IgA EMA positivo. Se o EMA IgA for negativo, então deve ser realizada uma biópsia do intestino delgado para confirmar o diagnóstico.
  9. Não existe um método confiável para detecção de anticorpos da doença celíaca a partir de amostras de fezes.
  10. A maioria dos médicos repete os anticorpos TTG IgA nas crianças após 3-4 meses na dieta sem glúten. Os níveis de IgA TTG diminuem em 75% das crianças após 3 meses de dieta, mas podem demorar mais tempo a normalizar, especialmente se o valor tiver sido muito alto no altura do diagnóstico.
  11. As crianças que são diagnosticadas com a doença celíaca devem ter as seguintes características monitorizadas: nível de vitamina D, hemograma completo, estudos de ferro, estudos da função da tireoide, e acompanhamento minucioso do seu crescimento (peso, altura e índice de massa corporal).
  12. As crianças com doença celíaca evidenciam uma cura do intestino delgado mais rápida em relação aos adultos. Quase 90% apresenta remissão após um ano com dieta isenta de glúten.
  13. As crianças que estão em risco de doença celíaca, mas não têm sintomas, devem ser rastreadas ao terceiro ano de vida e, em seguida, a cada três anos (obviamente antes, se os sintomas se desenvolverem) - coloco isto em negrito porque esta é uma pergunta cuja resposta tive uma grande dificuldade em encontrar durante anos.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Presentes sem glúten

Para quem está sem ideias sobre o que oferecer a quem faz uma dieta sem glúten, ficam aqui algumas dicas para todas as bolsas e todas as idades (clicar na foto para ampliar).



segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Corn Flakes sem glúten

Para os mais distraídos, a Kellog's já tem no mercado português corn flakes sem glúten. Ainda não são os Rice Krispies, mas já são uma boa opção para o pequeno almoço sem glúten. Encontram-se na maioria dos supermercados a 1,99€.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Como sobreviver a um Natal sem glúten

Imagem retirada da Net
O Natal, que se aproxima a passos largos, é uma época de emoções opostas: tanto pode ser uma grande alegria, como pode causar profundas depressões... Isto é válido para quem não tem restrições alimentares, mas quando se tem que acrescentar à equação uma dieta sem glúten o resultado pode ser desastroso- ou não. Ficam aqui algumas dicas para garantir umas festas felizes.

Traga a sua comida: quer faça ou compre algo sem glúten, garanta que traz alguma comida para si, de modo a não correr o risco de não ter nada para comer, ainda que tenha explicado ao anfitrião as suas restrições alimentares. Mas traga algo mesmo saboroso, algo que habitualmente lhe agrade, para não ficar com pena de não pode comer os pratos que estão na mesa- da mesma maneira, os outros convivas poderão verificar que é possível manter uma dieta sem glúten e comer “coisas boas”;

Reinvente os clássicos: no seguimento da dica anterior, ponha as mãos na massa, literalmente. Tente fazer as receitas a que associa o Natal, mas na versão sem glúten, de modo a não começar a abominar as festas do fim de ano. Não será bem a mesma coisa, mas será bom na mesma; por outro lado, pode criar novas tradições- um bolo brigadeiro em vez do bolo-rei? Afinal, há muita gente que não gosta dos doces típicos da época, sejam sem glúten ou com glúten;

Cuidado com os excessos: com restrições ou sem restrições, não abuse. Comer muito ainda que sem glúten, não o vai safar da azia e da dieta a pão e chá dos dias seguintes;

Não tenha receio de dizer “Não”: se algum prato lhe parece suspeito de conter glúten, ainda que lhe digam que não, ainda que seja um prato preparado pela avó e que levou horas a fazer, agradeça e recuse. Lembre-se que quem não faz esta dieta, por mais que lhe explique, não conhece todas as suas variantes. Se não compreenderem, pense que isso é um problema deles, não seu. Antes ser “esquisitinho” no Natal, do que um “esquisitinho” com diarreia;

Cuidado com a contaminação cruzada: em cozinhas partilhadas, o risco é conhecido, mas numa festa repleta de mãos, como é habitual no Natal, é preciso ter cuidado. Mantenha a sua comida separada e protegida de eventuais migalhas “voadoras”;

Não se deixe levar pelo espírito do Natal: com a excitação da festa, pode baixar a guarda… Basta uma distracção e a “factura” a pagar será alta. Ou pode ser tentado a “prevaricar”, só esta vez. Não o faça se não estiver preparado para enfrentar as consequências no seu organismo;

Os presentes envenenados: inevitavelmente, alguém lhe irá oferecer um presente com glúten- chocolates com vestígios, uma vodka aromatizada… Habitue-se, não dê atenção ao caso, agradeça e passe a oferta a quem merece e não precisa de fazer uma dieta sem glúten. Não leve a mal, pois quem não faz uma dieta sem glúten não tem em mente estes “pequenos” detalhes que fazem todo a diferença a quem os conhece;

Prepare-se mentalmente: em primeiro lugar, relaxe. Em segundo lugar, esteja preparado. Haverá muitos pratos tentadores e oportunidades de sabotar a sua dieta. Esteja atento e previna isto de antemão. Por fim, tenha uma atitude positiva. Baixe as suas expectativas: pode escolher preocupar-se em demasia e deixar-se incomodar por coisas fora do seu controle, ou pode optar por passar umas festas de arromba- escolha a última opção, vale bem a pena.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Desabafo

Imagem retirada da Net
Quando penso que as coisas estão a melhorar, apercebo-me que, afinal, a mudança está a ser mais lenta do que pensava: falei a um colega meu sobre a doença celíaca quando me referiu os problemas de saúde que a esposa tem tido a nível da tiróide, anemia, depressões e um historial de abortos. Como bem sabe quem lida com a doença celíaca, tudo isto pode ser um sintoma desta condição... O meu colega disse que a esposa, a quem já fizeram inúmeros exames sem nenhuma resposta em concreto, iria a uma consulta à médica de família esta semana. Ora, a senhora doutora, quando confrontada com a hipótese de doença celíaca, disse a seguinte pérola de sabedoria: "Nem pense nisso, a sua esposa já é adulta, logo não pode ter doença celíaca!"

Como é possível que uma médica, responsável por uma população variada, esteja tão desactualizada sobre uma condição comum e sobre a qual já se vai falando nos meios de comunicação social? Porque é que o Ministério da Saúde não emite uma directiva para o diagnóstico de doença celíaca, tal como fizeram as suas congéneres argentina, brasileira, espanhola ou inglesa? Quantos celíacos estão por diagnosticar porque há outros médicos desinformados como a médica em questão? Não percebo porque é que, num país em crise, o Estado gasta dinheiro em tratamentos e medicamentos para doenças que são apenas sintomas de doença celíaca, que exige somente que se faça uma dieta sem glúten.

Desculpem lá o desabafo, mas hoje tinha que ser.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

As variadas formas da doença celíaca

O post de hoje traz um artigo muito actual e interessante que saiu esta semana  na Reuters Health sobre um estudo italiano publicado este mês na revista BMC Gastroenterology sobre a evolução na apresentação que a doença celíaca tem sofrido nos últimos anos.

"A doença celíaca, mostrando-se com muitas formas e em todas as idades

Imagem retirada da Net
Um conjunto de sintomas clássicos da doença celíaca já não reflecte o perfil dos pacientes diagnosticados mais recentemente, de acordo com um novo estudo italiano. Em vez disso, os médicos precisam de ter outros sintomas em conta e analisar a possibilidade de doença celíaca, mesmo quando os pacientes não se encaixam na velha imagem desta condição, dizem os investigadores.

"Tem sido um fenómeno gradual desde a década de 1970 em que menos pessoas apresentam a diarreia clássica, mas mais com uma apresentação não-clássica ou silenciosa, tanto em adultos como em crianças", disse o Dr. Peter Green, que não esteve envolvido no estudo. "Realmente não sabemos porque uma pessoa está com diarreia e outros apresentam-se com dor abdominal ou osteoporose", disse o Dr.Green, director do Centro de Doença Celíaca da Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

O Dr. Umberto Volta e os seus co-autores escreveram na revista BMC Gastroenterology que há apenas 15 anos atrás, a doença celíaca ainda era pensada principalmente como uma intolerância alimentar pediátrica rara, cujos sinais mais comuns eram diarreia e danos intestinais diagnosticados através de uma biópsia.

A doença é agora conhecida por ser uma doença auto-imune, causada por uma incapacidade em tolerar a proteína do glúten no trigo, cevada e centeio. Em pessoas com doença celíaca, comer glúten, normalmente, provoca inflamação da mucosa intestinal e faz com que seja difícil absorver nutrientes.

As pesquisas mostram que mais de um por cento das pessoas no mundo têm a doença, mas a maioria pode não sabê-lo, destacam os autores do estudo. O diagnóstico baseia-se num teste de sangue para detectar sinais de resposta imune anormais, tais como anticorpos, bem como, em alguns casos, a biópsia.

Com os seus colegas, o Dr. Volta, um professor de medicina na Universidade de Bolonha, em Itália, e vice-presidente da Comissão de Ética do Hospital Universitário de St. Orsola Malpighi, estudou os doentes celíacos diagnosticados ao longo de 15 anos nesse hospital. O estudo envolveu 770 pacientes, 599 deles do sexo feminino, diagnosticados entre 1998 e 2007. Cerca de metade foram diagnosticados durante os primeiros 10 anos do período de estudo e os demais nos últimos cinco anos, indicando um aumento acentuado nas taxas de diagnóstico.

Entre todos os pacientes, 610 pessoas, ou 79 por cento, tinham sintomas quando foram diagnosticados. Mas a maioria dos seus problemas não era a diarreia e perda de peso anormal, mas sim questões "não-clássicas" como inchaço abdominal, osteoporose e anemia. A diarreia era um sintoma em apenas 27 por cento dos pacientes.

Na verdade, os sintomas clássicos tornaram-se menos comuns ao longo dos anos, passando de 47 por cento dos pacientes durante os primeiros 10 anos a 13 por cento nos últimos cinco anos. Entretanto, outros problemas, assim como a falta de qualquer doença significativa relacionada, um aumento de mais de 86 por cento.

"A mudança mais notável na apresentação clínica da doença celíaca ao longo do tempo tem sido a redução da diarreia como o principal sintoma e o aumento progressivo de outros sintomas gastrointestinais não-clássicos (como prisão de ventre, inchaço abdominal e hábitos intestinais alternados, bem como refluxo gastro-esofágico, náuseas, vómitos e dispepsia) ", disse o Dr. Volta por e-mail à Reuters Health.

"Uma grande proporção de pacientes com doença celíaca não apresentam qualquer sintoma gastrointestinal, mas exibem manifestações extra-intestinais, tais como a anemia por deficiência de ferro, osteoporose inexplicável, anormalidades nos testes de função hepática e abortos recorrentes", disse.

A doença mais comum associada com doença celíaca foi a doença da tireoide. Apenas metade dos pacientes tinham danos intestinais graves, e 25 por cento tinham danos parciais.

Recentemente, mais pacientes são diagnosticados através de exames de sangue. Isto pode ser um factor responsável pelo padrão em mudança dos sintomas típicos, disse o Dr. Volta, porque os pacientes são diagnosticados mais cedo, antes que o glúten exerça o seu dano. "Os efeitos do glúten não eram tão graves ainda", disse. "A história de doença celíaca foi radicalmente alterada pela descoberta dos anticorpos relacionados com a doença celíaca, que identificam muitos casos de baixa suspeita."

O Dr. Green concorda que o teste melhorou muito o diagnóstico da doença. Disse que no Reino Unido qualquer pessoa com deficiência de ferro ou enxaqueca é testado para a doença celíaca. Enquanto a maioria dos especialistas conhece os sintomas variados da doença celíaca, mas outros médicos podem não conhecer, disse. O Dr. Green salientou que, nos Estados Unidos, apenas 17 por cento das pessoas com a doença são realmente diagnosticadas.

"Qualquer um pode ter a doença celíaca, é comum e sub-diagnosticada", disse o Dr. Green. "A mensagem que importa passar é que se achar que tem a doença celíaca, não basta começar uma dieta isenta de glúten, tem que ser testado."

O Dr. Volta espera que o estudo lembre aos médicos os muitos problemas que podem sinalizar a doença celíaca. "Espero que os médicos tenham em mente que a doença celíaca é uma intolerância alimentar muito frequente, que deve ser investigada não só em pacientes com diarreia e má absorção manifesta, mas também em pessoas com outros sintomas", disse. "O tratamento com dieta isenta de glúten melhora a qualidade de vida de pacientes sintomáticos e previne complicações em todos os pacientes com doença celíaca, incluindo aqueles sem sintomas", disse também."

Outros artigos:
Extraintestinal manifestations of coeliac disease
Celiac disease patients presenting with anemia have more severe disease than those presenting with diarrhea.
5 Weird Signs You Have Celiac Disease
A large variety of clinical features and concomitant disorders in celiac disease - A cohort study in the Netherlands.
Symptoms and Mucosal Changes Stable During Rapid Increase of Pediatric Celiac Disease in Norway.




segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Bolo de limão com azeite

Um bolo rápido para uma sobremesa rápida e, principalmente, saboroso e com uma textura suave. Cortei as medidas da receita original para metade e deu um pequeno bolo para degustação familiar com a quantidade certa de sabor a limão. Daqui.

Ingredientes:
110 gramas de açúcar
2 ovos M
Sumo e casca de 1 limão
60 ml de azeite
50 ml de leite/leite vegetal
140 gramas de farinha Doves Farm White Self-raising
½ colher de sopa de fermento em pó

Na cuba da sua batedeira, bata os ovos com o açúcar e a raspa do limão até obter um creme pálido. Junte depois o sumo do limão, enquanto a máquina trabalha, e acrescente de seguida o azeite e o leite. Por fim, junte colheradas da farinha previamente misturada com o fermento, e deixe bater até obter uma mistura homogénea.

Ligue o forno a 160ºC e, enquanto este aquece, deixe a massa descansar na forma. Vai então ao forno durante 30 a 35 minutos até cozer e formar uma capa estaladiça. Deixe depois arrefecer numa rede.



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Doença celíaca no adulto: início tardio ou diagnóstico tardio?

Hoje trago um estudo recente que procura elucidar em que momento é que a doença celíaca se instala realmente, aquando do diagnóstico feito na idade adulta: este é um despoletar tardio ou o diagnóstico é que peca por ter demorado?

"Doença celíaca no adulto: início tardio ou diagnóstico tardio?
Imagem retirada da Net
A nossa compreensão da doença celíaca (DC) aumentou enormemente nos últimos anos e muitos factos foram elucidados [1,2], mas a explicação para as variações observadas na idade de início da doença e as suas manifestações ainda estão por definir. A variação acentuada entre os dois tipos de DC (infância vs. adulto) é intrigante pois ambos compartilham um fundo genético comum e gatilho ambiental comum, i.e., o glúten da dieta. O nosso objectivo foi avaliar se os sintomas em pacientes com DC em adulto realmente começam nesta idade (atraso no início da doença) ou os sintomas realmente começam durante a infância, mas não são percepcionados ou ignorados nos primeiros anos de vida (diagnóstico tardio).

O estudo foi baseado na "recolha" de sintomas durante a infância ou seja <14 anos de idade. A constatação de sintomas sugestivos de DC foi avaliada por uma pesquisa por questionário realizado entre Janeiro de 2009 a Dezembro de 2012. Um questionário abrangente destinado a identificar sintomas sugestivos de DC foi desenvolvido e incluiu três domínios: sintomas intestinais (diarreia crónica, atraso de crescimento, desnutrição / má absorção); os sintomas extra-intestinais (anemia, baixa estatura, doenças da tireoide, incapacidade de ganhar peso / altura, doença hepática crónica inexplicável, epilepsia, diabetes mellitus insulino-dependente) e histórico de tratamentos (atenção médica procurada para sintomas intestinais e / ou sintomas extra-intestinais mencionados acima). Além disso, a idade da menarca foi investigada em pacientes do sexo feminino.

De um total de 445 pacientes com DC em adulto que se apresentaram em ambulatório, 370 (83,1%) consentiram na participação. A média de idade dos pacientes com DC em adulto foi 33,36 ± 10,82 anos; 143 eram do sexo masculino. A apresentação clínica nestes pacientes tem sido intestinal em 261 (70,5%) e extra-intestinal em 109 (29,5%). Destes 370 pacientes que devolveram o questionário, 134 (36,2%; 42 homens) admitiu ter experimentado sintomas sugestivos de DC durante a infância. Destes 134 pacientes, apenas 54 (40,3%) deles procuraram tratamento médico para estes sintomas. Sintomas de que se lembravam são apresentados na Tabela 1. De um total de 227 mulheres, 198 (87,2%) foram capazes de recordar a sua idade da menarca, a idade média de 14,9 ± 1,8 anos. Dessas 139 mulheres que não tinham se recordavam de sintomas durante a infância, 120 (86,3%) relatou a sua idade da menarca, a idade média sendo 14,45 ± 2,7 anos.

O nosso estudo revela que quase um terço dos pacientes com DC em adulto tinha sintomas sugestivos desta, mesmo durante a sua infância. Os sintomas intestinais, como diarreia e dores abdominais, foram mais frequentemente lembrados que os sintomas extra-intestinais. No entanto, apenas 40% dos pacientes que recordam sintomas realmente procuraram aconselhamento médico. Os motivos para não procurar ajuda médica na infância poderia ser uma menor gravidade dos sintomas, natureza intermitente dos mesmos ou a subtileza das manifestações extra-intestinais.

A idade média da menarca em mulheres do norte da Índia é relatada como 13,2 ± 1,09 anos [3]. A idade da menarca foi tardia em pacientes com DC, independentemente da lembrança da presença ou ausência de sintomas(14,9 ± 1,8 vs 13,2 ± 1,09; 14,45 ± 2,7 vs 13,2 ± 1,09, P <0,0001). A menarca tardia aponta para uma DC não diagnosticada. Embora os sintomas incluídos no questionário não são específicos e não são diagnóstico do surgimento da DC na infância, estes podem ser indicativos de um eventual aparecimento da doença nessa idade. Em conclusão, a DC em adulto pode ser realmente um caso de diagnóstico tardio."

Outros estudos:
Delays in Diagnosis of Celiac Disease Worry Experts



segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Pães com Brot-Mix Dunkel

Há uns anos atrás a Schar tinha uma farinha integral que, por razões que desconheço, deixou de ser comercializada. Neste Verão, através de blogues espanhóis, apercebi-me que a Schar tinha reeditado esta farinha, a Brot-Mix Dunkel: não paravam de chover posts com as maravilhas que se podiam fazer com este produto. Uma destas receitas encontrei-a no blogue Cocina Fácil Sin Gluten e tinha tão bom aspecto que tomei uma nota mental que a deveria experimentar quando encontrasse a dita farinha. 
Isso aconteceu este fim de semana quando a encontrei no Celeiro a 5,89€ (5,30€ com o desconto da APC). É mais cara, mas vale a pena: os pães são bastante macios e aguentam bem a passagem do tempo, com um sabor que agrada. Agora, só tenho que aguardar uma incursão a Espanha para comprar mais pacotes a um preço mais simpático. Fica aqui a receita, tal como concebida pela sua autora.

Ingredientes:
350 gramas de farinha Proceli
150 gramas de farinha Brot-Mix Dunkel Schar
5 gramas de sal
4 gramas de fermento seco
10 gramas de psílio em pó Finax
40 gramas de banha
575 ml agua morna

(a farinha Proceli poderá ser substituída pela farinha Beiker mas será necessário ajustar a quantidade de água)

Na cuba da sua batedeira, misture as farinhas com o sal e o psílio. Junte depois o fermento, mexa bem, e junte a banha em pedaços pequenos. Envolva a banha na farinha e acrescente, por fim, a água.

Bata durante 5 minutos, tape com uma touca de banho ou um pano húmido e deixe levedar entre três a quatro horas num local tépido.

No final desse período, ligue o forno a 200ºC. Com as mãos untadas com azeite, forme bolas de massa sem manipular muito; no final, deve obter 11 a 12 bolas para esta quantidade de ingredientes.

Coloque-as num tabuleiro forrado a papel vegetal e leve ao forno durante 10 a 15 minutos a 200ºC e reduza depois para 180ºC durante mais 15 a 20 minutos. Retire do forno quando, ao bater num pão, este soe a oco. 















quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Estocolmo sem glúten

Quando se viaja para Itália fazendo uma dieta sem glúten, pensa-se que dificilmente outro país irá ultrapassar o nível de consciencialização da doença celíaca. Até que se viaja para a Suécia, mais concretamente Estocolmo. Não sei se é pela alta prevalência de doença celíaca entre os suecos, se pela propensão para uma sociedade paritária com igualdade de oportunidades para todos, ainda que a nível alimentar, o facto é que uma pessoa que siga uma dieta sem glúten não passa dificuldades na Suécia.

A ninguém estranha o facto de se perguntar por opções sem glúten e a maior parte das pessoas com quem falámos, na restauração, entendia o que era o glúten e a contaminação cruzada. Ao pequeno-almoço no hotel, de pronto nos foi indicado qual o local dos produtos sem glúten, claramente separado dos demais, e com alguma variedade: três tipos de cereais- muesli, corn flakes e rice krispies, duas variedades de pão, duas variedades de tostas e três variedades de bolachas! Inclusive havia um mini-frigorífico com leites e iogurtes vegetais para os intolerantes à lactose.

Nos supermercados existe também uma abundância de produtos sem glúten, tanto suecos (Finax, Crazy Bakers, Fria) como estrangeiros (Semper, Schar). A rotulagem é frequente, não através do rótulo “Sem Glúten” (em Sueco, gluten fria/ gluten fritt), mas na descrição de alergénios. O que dificulta a sua compreensão é os rótulos aparecerem escritos em Sueco, Norueguês e Finlandês… Convém saber de antemão como se diz em Sueco os alergénios mais comuns.

Vimos alguns ervanários, mas limitámos-nos aos supermercados que estavam abertos mais horas (é normal uma loja estar aberta apenas entre as 10H00 e as 18H00). Mas atenção que a variedade de produtos não se esgota na secção sem glúten dos supermercados: uma visita à secção de congelados e encontramos uma grande variedade de pães, doces, massa-folhada e até massa preparada para bolachas… O meu sonho de consumo, confesso.

O meu outro sonho de consumo concretizou-se sob a forma do café-restaurante Under Kastanjen: um local acolhedor, numa pequena praça da parte velha de Estocolmo, gerido por uma cooperativa de jovens que oferece refeições com e sem glúten, sendo que estas últimas são preparadas numa cozinha à parte. No balcão, com a caixa registadora a separar “as águas”, estavam seis a sete opções de bolos, um lado com glúten, outro sem, em recipientes de vidro fechados. Fazem também o seu próprio pão para sandes ou a acompanhar sopa e saladas. O difícil foi escolher…

Também tentámos visitar a Friends of Adam, uma padaria totalmente sem glúten, e famosa neste circuito, inclusive cheguei a ver produtos deles à venda no supermercado Hemkop, na cave do centro comercial Ahlens City. Mas era sábado, 16H10, noite cerrada, e tinham fechado há dez minutos… Na Suécia é preciso ter sempre em atenção as horas de abertura dos estabelecimentos. Mas diz quem experimentou, que é muito boa. Aliás, parece que muitos dos inúmeros cafés de Estocolmo já vendem os seus produtos, de modo a poderem oferecer opções sem glúten aos seus clientes.

No fim disto, devem estar a pensar que custa tudo um “balúrdio”… Nem por isso, considerando que os preços dos produtos sem glúten custam o mesmo que cá, e o rendimento per capita sueco é muito superior ao nosso. O que custa é regressar.

Restaurantes/Cafés onde se encontram opções sem glúten:

Supermercados para compras sem glúten:


























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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Para além do glúten

Imagem retirada da Net
Há uns anos atrás, quando o supermercado Mercadona em Espanha lançou pizzas congeladas sem glúten, comprei duas para experimentar. Das duas vezes, o meu filho ganhou febre após o seu consumo. Nele, este é o único sintoma de contaminação. Um dos ingredientes da pizza era o amido de trigo sem glúten. Considerando que a pizza respeitava a legislação dos 20 ppm, pareceu-me que esse seria o único ingrediente suspeito, e nunca mais comprei produtos que o tivessem. Este artigo recente, que reporta uma pesquisa ainda não conclusiva mas altamente sugestiva, fez-me lembrar as minhas suspeitas de que haverá algo mais no trigo, para além do glúten, que provoca uma resposta imunológica.

“Poderiam as proteínas que não o glúten desempenhar um papel na doença celíaca?
Embora os alimentos sem glúten estejam na moda entre os preocupados com a saúde, eles são necessários para aqueles com doença celíaca. Mas o glúten, o gatilho principal para os problemas de saúde nesses pacientes, pode não ser o único culpado. Os cientistas relatam no 'Journal of Proteome Research” que as pessoas com a doença também têm reações a proteínas do trigo para além do glúten. Os resultados poderão ajudar os cientistas a entender melhor como a doença funciona e ter implicações no seu tratamento.

Armin Alaedini, Susan B. Altenbach e colegas destacam que os sintomas da doença celíaca aparecem quando alguém com a doença come trigo, centeio ou cevada. A investigação demonstrou que o grupo de proteínas conhecidas como o glúten de trigo, que neste compõem cerca de 75 por cento de todas as suas proteínas, provoca uma reacção imunológica em pessoas com doença celíaca. Como resultado, os pacientes experimentam problemas, tais como diarreia, dor abdominal, anemia e deficiências nutricionais. Actualmente, o único tratamento recomendado é evitar completamente os alimentos que contêm glúten. Os cientistas têm ignorado as proteínas que não o glúten, e os poucos estudos sobre o seu potencial papel na doença celíaca têm produzido resultados conflituantes. As equipas de Alaedini e Altenbach quiseram investigar o assunto.
Os investigadores descobriram que um número substancial de sujeitos com doença celíaca e dermatite herpetiforme (uma erupção cutânea associada com a doença) teve uma reacção imune a cinco grupos de proteínas que não o glúten. Os cientistas concluem que a pesquisa actual e futura de tratamentos clínicos para a doença celíaca deve levar em conta as proteínas do trigo para além do glúten.


Resumo

Embora a especificidade antigénica e relevância patogénica da reactividade imunológica ao glúten na doença celíaca tenha sido extensivamente estudada, a resposta imunológica a proteínas do trigo que não o glúten não foi caracterizada. O nosso objetivo foi investigar o nível e especificidade molecular da resposta de anticorpos contra as proteínas que não o glúten de trigo na doença celíaca. As amostras de soro de pacientes e controles foram seleccionados para reactividade ao anticorpo IgG e IgA a um extrato de proteína que não o glúten do cultivar de trigo Triticum Aestivum 'Butte 86'. Os anticorpos foram ainda analisados quanto à reactividade para as proteínas não-específicas do glúten por eletroforese bidimensional em gel e imunotransferência. As moléculas imunorreactivas foram identificadas por espectrometria de massa em tandem. Comparados com os controlos saudáveis, os pacientes apresentaram níveis significativamente mais elevados de reatividade de anticorpo para proteínas que não o glúten. As principais proteínas que não o glúten, alvos do anticorpo e imunorreactivas, foram identificadas como serpinas, purinins, α-amilase / inibidores da protease, globulinas, e farinins. A avaliação da reactividade com as proteínas recombinantes purificadas confirmou adicionalmente a presença da resposta de anticorpos para antigénios específicos. Os resultados demonstram que, para além da reacção imunológica bem reconhecida ao glúten, a doença celíaca está associada a uma resposta humoral forte dirigida a um subconjunto específico das proteínas que não o glúten de trigo.”

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Hoje na Sábado

A edição de hoje da Sábado traz uma revista extra, por mais 0,50€, intitulada "Dieta para Intolerâncias Alimentares" da nutricionista Lillian Barros. Fica a dica.


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O aumento da doença celíaca ainda surpreende os cientistas

O post de hoje traz um artigo do número actual da revista norte-americana Time e que reúne as pesquisas mais recentes feitas sobre os factores desencadeantes da doença celíaca, algo que já tinha sido abordado aqui. Por coincidência, ou talvez não, a revista New Yorker traz também no seu mais recente número um artigo muito interessante e longo sobre a mesma temática.

"O aumento da doença celíaca ainda surpreende os cientistas
Este é o seu intestino com glúten

Dois novos estudos no New England Journal of Medicine abalaram o mundo da investigação celíaca, ambos provando que os cientistas ainda têm um caminho a percorrer na sua compreensão da doença celíaca e que afecta cerca de 1% da população, quer eles saibam disso ou não.

Um estudo italiano perguntou se a idade em que o glúten é introduzido na dieta pode afectar a probabilidade de uma pessoa desenvolver esta doença auto-imune, pelo que mantiveram o glúten longe de recém-nascidos durante um ano. Para choque dos investigadores, atrasar a exposição ao glúten não fez diferença a longo prazo. Em alguns casos, atrasou o início da doença, mas não impediu as pessoas de a desenvolverem, para a qual não existe cura.

O segundo estudo, com cerca de mil crianças, introduziu pequenas quantidades de glúten nas dietas das crianças amamentadas, para ver se isto promovia uma tolerância ao glúten a posteriori, naquelas geneticamente predispostas à doença celíaca. Também não tiveram essa sorte. Embora ambos estudos tivessem sido excelentemente concebidos e executados, diz o Dr. Joseph A. Murray, professor de medicina e gastrenterologista da Mayo Clinic, em Rochester, foram cada um "um fracasso espectacular."

O que tem o glúten que leva tantas pessoas a contorcer-se de dor? Como poderia o inocente e antigo acto de partir o pão, ser tão problemático para alguns?

É uma pergunta a que os investigadores estão activamente a tentar responder. "Eu acho que a doença celíaca agora é mais uma questão de saúde pública", diz o Dr. Murray. Ele está a pesquisar a proteína do pão há mais de 20 anos e tem visto a incidência da doença celíaca aumentar dramaticamente; esta é quatro vezes mais comum do que era há 50 anos atrás, de acordo com a sua pesquisa, publicada na revista Gastroenterology. Mesmo que os métodos de sensibilização e testes tenham melhorado drasticamente, eles não podem, por si só, explicar o aumento, diz ele.

Cerca de 1% dos americanos têm doença celíaca, e é especialmente comum entre os caucasianos. Há uma forte componente genética, mas ainda não é evidente porque algumas pessoas desenvolvem esta doença e outras pessoas não. Parece afectar pessoas de todas as idades, mesmo que tenham comido trigo durante décadas. E não se pode culpar o aumento do consumo desse item; dados do USDA mostram que não estamos a comer mais disso.

Algo mais no meio ambiente deve ser o culpado, e teorias abundam sobre os possíveis factores, desde cesarianas ao uso excessivo de antibióticos, assim como a hipótese da higiene que sugere que, à medida que o nosso meio ambiente tornou-se mais limpo, o nosso sistema imunológico tem menos que fazer e por isso vira-se contra si próprio- e contra alimentos específicos como o glúten- como uma distração.

Ou talvez haja algo realmente diferente no glúten. A semente de trigo não mudou assim tanto, mas a forma como processamos e preparamos os produtos com glúten mudou sim, diz o Dr. Murray. "Houve alguns pequenos estudos que olharam para as antigas formas de panificação... E que sugeriram que estas não eram tão imunogénicas, não produziam uma resposta imune tão forte como acontece com técnicas de preparação de pão e grãos mais modernas", diz o Dr. Murray.

Um pequeno estudo de 2007 descobriu que o pão sourdough quando fermentado com bactérias, praticamente elimina o glúten, mas precisamos de muito mais pesquisas antes que os verdadeiramente alérgicos possam experimentar uma só fatia que seja.

O Dr. Alessio Fasano, director do Centro de Pesquisa Celíaca e chefe da divisão de gastrenterologia pediátrica e nutrição no Massachusetts General Hospital for Children, foi co-autor do estudo recente sobre a amamentação e o momento da introdução do glúten. Diz que achou os "importantes e imprevisíveis resultados” chocantes. A lição aprendida a partir desses estudos é que há algo para além do glúten no meio ambiente que pode eventualmente fazer tombar as pessoas geneticamente predispostas de tolerantes à resposta imune ao glúten, para desenvolverem a doença celíaca ", diz.

Ele suspeita que isto pode resultar da maneira como a dieta moderna, hiper-processada, influencia a composição das nossas bactérias intestinais. "Estas bactérias comem o que nós comemos", diz o Dr. Fasano. "Temos vindo a mudar radicalmente o nosso estilo de vida, especialmente a maneira como comemos, rápida demais para os nossos genes se adaptarem." O Dr. Fasano espera explorar o microbioma no seu próximo estudo, em que irá acompanhar crianças desde o nascimento e procurar uma assinatura no seu microbioma que preveja a activação dos genes avessos ao glúten, e que levam uma criança a desenvolver a doença celíaca. A esperança, então, é que com uma intervenção através do uso de probióticos ou prebióticos traga os problemáticos intestinos de "beligerantes para amigáveis."

"Isso seria o Santo Graal da medicina preventiva", diz."


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