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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Últimas sobre a DC em crianças

Imagem retirada da Net
No blog The Celiac Patient, a sua autora, a Jess, médica neonatologista e celíaca, faz um excelente trabalho em manter-nos actualizados sobre o que há de mais recente na pesquisa da doença celíaca. O seu último post é disso exemplo e sai no seguimento de um workshop em que ela participou recentemente, organizado pelo University of Chicago Celiac Disease Center, gerido pelo Dr. Guandalini. Segundo Jess, estes são os pontos a reter:



  1. A incidência de doença celíaca está definitivamente a crescer. Em 1990, 5,2 / 100.000 americanos tinham doença celíaca. Em 2010 são 19,1 / 100.000.
  2. O aumento de doença celíaca parece ser multifactorial e pode estar relacionado com o uso de antibióticos, a dieta ocidental, a eliminação do H pylori de tracto gastrointestinal, nascimento por cesariana, práticas de alimentação infantil, e as reduzidas exposições a infecções durante a infância. A conclusiva via comum p oarece ser uma mudança na microbiota (equilíbrio bacteriano), ou disbiose, em indivíduos geneticamente predispostos.
  3. (O Dr. Guandalini) enfatizou que o glicofosfato, também com o nome de marca "Round Up", não causa doença celíaca, e usou isso como um exemplo da desinformação que se encontra online.
  4. As crianças que carregam duas cópias do gene HLA-DQ2 estão em risco muito elevado de desenvolver a doença celíaca. Dos 5 aos 6 anos, 40% das crianças homozigóticas para DQ2 têm autoimunidade celíaca, e aproximadamente 25% têm doença celíaca. Eu perguntei especificamente ao Dr. Guandalini sobre a importância da auto-imunidade celíaca (anticorpos celíacos positivos) vs. a doença celíaca e foi-me dito que esta precisa de ser levado tão a sério tal como a doença celíaca nas crianças, ou seja, essas crianças também precisam de fazer a dieta sem glúten.
  5. Todos os seguintes distúrbios estão associados à doença celíaca: refluxo gastroesofágico, esofagite eosinofílica, convulsões, asma, cálculos renais, síndrome das pernas inquietas, sarcoidose, psoríase, vitiligo, trombocitopenia púrpura idiopática (TPI), miocardiopatia dilatada idiopática, hiperparatireoidismo e esclerose múltipla.
  6. Com base em estudos recentes, o aleitamento e a duração do aleitamento materno, não parecem ter qualquer efeito sobre a prevenção ou o atraso no desenvolvimento da doença celíaca. A amamentação aquando da introdução do glúten não parece também fazer diferença.
  7. Além disso, com base em pesquisas recentes, o momento ideal para introduzir o glúten numa criança é aproximadamente aos 6 meses de idade. Retardar a introdução de glúten até após os 12 meses não impede a doença celíaca em crianças, assim como a introdução precoce (4-6 meses).
  8. As crianças podem ser diagnosticadas com doença celíaca sem serem submetidas a uma endoscopia e biopsia, se apresentar os seguintes: sintomas, um nível de anticorpos IgA TTG 10 vezes superior ao normal e um título de anticorpo IgA EMA positivo. Se o EMA IgA for negativo, então deve ser realizada uma biópsia do intestino delgado para confirmar o diagnóstico.
  9. Não existe um método confiável para detecção de anticorpos da doença celíaca a partir de amostras de fezes.
  10. A maioria dos médicos repete os anticorpos TTG IgA nas crianças após 3-4 meses na dieta sem glúten. Os níveis de IgA TTG diminuem em 75% das crianças após 3 meses de dieta, mas podem demorar mais tempo a normalizar, especialmente se o valor tiver sido muito alto no altura do diagnóstico.
  11. As crianças que são diagnosticadas com a doença celíaca devem ter as seguintes características monitorizadas: nível de vitamina D, hemograma completo, estudos de ferro, estudos da função da tireoide, e acompanhamento minucioso do seu crescimento (peso, altura e índice de massa corporal).
  12. As crianças com doença celíaca evidenciam uma cura do intestino delgado mais rápida em relação aos adultos. Quase 90% apresenta remissão após um ano com dieta isenta de glúten.
  13. As crianças que estão em risco de doença celíaca, mas não têm sintomas, devem ser rastreadas ao terceiro ano de vida e, em seguida, a cada três anos (obviamente antes, se os sintomas se desenvolverem) - coloco isto em negrito porque esta é uma pergunta cuja resposta tive uma grande dificuldade em encontrar durante anos.


2 comentários:

Ana Pimenta disse...

Muito obrigada Lucente pelo enorme trabalho de tradução deste artigo e habitual escolha sensata e útil dos temas! Partilhado em: “Viva sem glúten Portugal”_Página educativa de acesso livre https://www.facebook.com/vivasemglutenportugal

Lucente disse...

Obrigada Ana!

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