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DADOS, DICAS E RECEITAS DE VIDAS SEM GLÚTEN



quinta-feira, 27 de abril de 2017

Bolos levedos dos Açores sem glúten

Andava há muito tempo para experimentar fazer bolos levedos sem glúten, mas ia sempre adiando. No feriado do 25 de Abril decidi que seria esse o dia. A primeira vez que os provei foram-me trazidos dos Açores por uma boa amiga  e foi amor à primeira dentada. Com a dieta, nunca mais entraram lá em casa até terça-feira passada. Usando a receita tradicional que se encontra em vários sites, adaptei para as farinhas sem glúten (e sem lacticínios) e foi um sucesso redundante: o sabor e a textura são iguais e mantém-se frescos até hoje, dois dias depois. Uma receita que certamente repetirei muitas vezes.

Ingredientes:
300 gramas de farinha Schar Mix B
110 gramas de farinha panificável sem glúten Continente
60 gramas de farinha Schar Brot Mix Dunkel
30 gramas de polvilho doce
2 gramas de psílio em pó
8 gramas de fermento seco
125 gramas de açúcar
2 ovos L
Raspa de meio limão
250 ml de leite vegetal de amêndoa
Sal fino q.b.
125 gramas de margarina Vitaquell (ou manteiga) à temperatura ambiente

Na cuba da sua batedeira, misture as farinhas com o psílio, o açúcar e o fermento até obter uma cor homogénea. Junte os ovos e a raspa do limão e bata um pouco; com a batedeira ligada, vá acrescentando o leite. Por fim, junte a margarina com um pouco de sal fino e deixe bater cerca de 10 minutos até estar tudo misturado. Tape a cuba com um plástico e deixe a levedar entre 1 a 2 horas- preferencialmente, deixe levedar dentro do frigorífico durante a noite.

No final do período de levedação, forme cerca de 10 a 12 bolas e achate-as, dando-lhes a forma de discos em cima de papel vegetal. Tape e deixe levedar mais 30 minutos.

Por fim, coloque os discos numa frigideira anti-aderente e deixe cozinhar em lume brando durante cinco minutos de cada lado. Deixe arrefecer se quiser ou sirva morno, simples ou para barrar.













terça-feira, 25 de abril de 2017

Farinheira sem glúten

Há já algum tempo que sei que a marca Fumeiros da Guarda tem uma gama de produtos sem glúten de nome Ancestral, mas ainda não a tinha encontrado. Nesta, a maior novidade é a farinheira que não existia no mercado sem glúten. No entanto, encontrei-a agora no Pingo Doce a 2,19€ a unidade. Assim e, depois da alheira, temos agora a farinheira para alegria dos celíacos mais a Sul onde esta especialidade é mais conhecida. No entanto, como é feita com pão com amido de trigo sem glúten, não é apta para alérgicos ao trigo. Fica a dica.















segunda-feira, 10 de abril de 2017

Bolachas com pepitas de chocolate: a versão final

Embora já tendo duas receitas de bolachas de pepitas de chocolate no blog, não resisto a publicar a última tentativa e a que melhor reproduziu as bolachas na sua versão com glúten. Talvez o segredo seja o uso da farinha panificável da Schar, talvez seja a longa refrigeração, mas o facto é que estas bolachas saíram perfeitas e são fáceis de fazer. O mais difícil é não comê-las todas de uma vez. A receita é do blog Gluten Free on a Shoestring da fantástica Nicole.


Ingredientes:
105 gramas de farinha Doves Farm White Self Raising
15 gramas de Maizena
120 gramas de farinha Schar Mix B
½ colher de chá de bicarbonato de sódio
½ colher de chá de fermento em pó
½ colher de chá de sal fino
100 gramas de açúcar branco
110 gramas de açúcar mascavado claro
140 gramas de manteiga/margarina (uso Vitaquell)
1 ovo L
1 colher de chá de essência de baunilha
160 gramas de pepitas de chocolate (uso do Mercadona)

Na cuba da sua batedeira, misture as farinhas com o sal, o fermento, o bicarbonato e o açúcar branco. Junte depois o açúcar mascavado e misture com as mãos para desfazer os grumos. Junte a manteiga/margarina à temperatura ambiente e bata bem até obter uma espécie de areia. Acrescente depois o ovo e a baunilha e bata muito bem. Finalize com as pepitas, envolva bem, e, por fim, embrulhe a massa em película transparente. Guarde no frigorífico durante, pelo menos, 24 horas.

Quando tiver passado o período de refrigeração, retire do frigorífico e forme bolas de massa, ligeiramente menores de uma bola de ping-pong. Coloque-as num tabuleiro forrado com papel vegetal com bastante espaço entre elas pois a massa vai espalhar. Leve ao forno pré-aquecido a 160ºC com calor em cima e em baixo, durante aproximadamente 12 minutos, até as bordas começarem a dourar. A meio da cozedura pode ligar a ventilação para ajudar a dourar. Retire o tabuleiro do forno e deixe as bolachas arrefecerem 5-6 minutos e só depois retire-as para uma rede onde acabarão de arrefecer. Guarde numa lata própria para bolachas onde aguentam bem 5 a 7 dias (se resisitirem às investidas de mãos pequenas até lá, claro).

Rende cerca de 30 bolachas de tamanho médio. 






















sexta-feira, 31 de março de 2017

Mais produtos no E. Leclerc

Para terminar em grande o mês de Março, descobri que os supermercados E. Leclerc aumentaram à sua já generosa oferta de produtos sem glúten com novas massas frescas: à semelhança do Continente, também podemos encontrar nesta cadeia francesa massa fresca sem glúten, em formato tagliatelle (2,69€ / 250 gr.), gnocchi (2,69€ / 400 gr.), e massa para pizza (2,30€ / 260 gr.). 

Já comemos os gnocchi e, envoltos em molho de tomate, foram um sucesso lá em casa. Fica a dica.



quarta-feira, 29 de março de 2017

Bolachas simples, sem glúten /sem lacticínios

Hoje deixo aqui esta receita de bolachas que encontrei no blog espanhol Sa Cuina de Na Roser. É uma receita simples que rende saborosas bolachas sem glúten e sem lacticínios, com ingredientes que se encontram facilmente no Celeiro, Jumbo ou no Supercor. 

Ingredientes:
1 ovo L
100 gramas de açúcar/ açúcar mascavado
1 colher de chá de extracto de baunilha
100 gramas de óleo vegetal/azeite 
Uma pitada de sal
1 colher de chá de fermento em pó
150 gramas de farinha de arroz
50 gramas de Maizena
30 gramas de farinha de coco (eu usei grão-de-bico)
20 gramas de farinha de trigo-sarraceno
1/2 colher de chá de goma xantana

Misture as farinhas com o fermento, o sal e a goma xantana. Reserve.

Bata o ovo com o açúcar até obter um creme, e junte depois o óleo e a baunilha sem parar de bater. Adicione de seguida a farinha reservada e bata até obter uma bola de massa lisa. Deixe a massa descansar no mínimo 30 minutos no frigorífico.

Divida a massa em duas metades e estire cada uma entre duas folhas de papel vegetal polvilhadas com farinha de arroz, até uma espessura de 5-7mm. Corte as bolachas com o formato que preferir e leve ao forno pré-aquecido (calor em cima e em baixo, sem ventilação) a 180ºC durante aproximadamente 15 minutos, até dourar. 

Rende 30 a 32 bolachas.



























sábado, 18 de março de 2017

Massa fresca sem glúten

Parece que a Primavera quer trazer não só as flores, mas também mais novidades para as nossas vidas sem glúten: encontrei hoje no Continente massa fresca sem glúten, da marca italiana Casa Milo. São pacotes de 200 gramas que custam 3,29€ nas versões fusilli e maccheroni. Fica então a dica!



terça-feira, 14 de março de 2017

O arsénico na dieta sem glúten

Imagem retirada da Net
Provavelmente, leram recentemente algumas notícias assustadoras sobre como uma dieta sem glúten pode expor o corpo a mais arsénico e mercúrio- metais tóxicos que têm sido associados a um maior risco de doenças cardíacas, cancro e problemas neurológicos.

Estas notícias surgiram no seguimento de um estudo realizado na Universidade de Illinois. As dietas sem glúten tendem a incluir uma maior ingestão de arroz como substituto para o trigo. Devido ao facto do arroz ser cultivado em campos inundados, pode acumular arsénico e mercúrio a partir dos fertilizantes, solo e água, pelo que estes investigadores procuraram investigar as potenciais implicações para a saúde numa dieta isenta de glúten.

Neste estudo, identificaram 73 pessoas (com idades entre os 6 e 80 anos) que relataram fazer uma dieta sem glúten entre 2009 e 2014, e testaram sangue e urina. Os investigadores descobriram que, em média, essas pessoas tinham quase o dobro da concentração de arsénico na urina e 70% de níveis de mercúrio mais elevados no sangue, em comparação com as pessoas que não fazem dieta isenta de glúten.

Os investigadores concluíram que pode haver consequências não desejadas da dieta. Contudo, vale a pena salientar que este estudo foi relativamente pequeno. Também não se analisou se o arroz era a principal fonte de metais nas dietas das pessoas. Além disso, não sabemos qual o impacto específico destes níveis de arsénico e mercúrio- as quantidades destes minerais tanto em quem faz a dieta sem glúten como em quem não faz foram muito menores do que as associadas à toxicidade por arsénico ou intoxicação por mercúrio.

Assim, as pessoas que comem bastante arroz e produtos à base de arroz, típico de uma dieta sem glúten, estão em maior risco, assim como bebés e crianças, devido ao seu tamanho reduzido. As mulheres grávidas devem também estar preocupadas com a exposição fetal ao arsénico no arroz. Como podemos diminuir esse risco numa dieta isenta de glúten?

Dez sugestões para diminuir a exposição ao arsénico numa dieta isenta de glúten (daqui)

1. Lave bem o arroz, ou demolhe durante algumas horas, até a água sair limpa- isto parece diminuir o índice de arsénico até 25-30% pois este é solúvel em água.

2. Outros grãos: alterne o arroz na sua dieta com outras alternativas tais como quinoa, amaranto, milho, trigo-sarraceno e milho painço.

3. No caso de dietas infantis, introduza frutas ou legumes como primeiro alimento, em vez de papas de arroz. Puré de ervilhas, bananas ou abóbora são uma óptima escolha. Escolha uma papa infantil sem arroz caso não esteja a amamentar, e evite dar leite vegetal à base de arroz como alternativa ao leite animal.

4. Alterne ou substitua produtos de doçaria que têm arroz ou farinha de arroz como ingrediente principal: por exemplo, em vez de tostas de arroz, use tiras de cenoura, curgete, pepino ou pimento, combinados com hummus ou outro molho para um lanche saudável, ou escolha bolachas sem farinha de arroz.

5. Leites vegetais: escolha alternativas de leite feitas a partir de ingredientes que não sejam o arroz, como amêndoa, soja, cânhamo, noz, aveia ou coco.

6. Limite a ingestão de sumos de maçã: testes nos EUA encontraram níveis mais elevados de arsénico em sumos de maçã, logo reduza as quantidades deste sumo na sua vida diária. 

7. Substitua o xarope de arroz integral: um estudo da Universidade de Dartmouth concluiu que o xarope de arroz integral pode ser uma fonte escondida de arsénico. Se estiver a usá-lo como adoçante, escolha, em vez disso, o açúcar de cana orgânica, xarope de ácer, mel ou stevia.

8. Verifique o seu abastecimento de água local: se contiver arsénico, considere adquirir um sistema de filtragem de água.

9. Cozinhe o arroz com grandes volumes de água, e depois escorra-o: isto pode reduzir o arsénico até 50%, mas, infelizmente, também irá eliminar os nutrientes que são solúveis em água, tais como as vitaminas do complexo B. Compense a redução de nutrientes, certificando-se de que os ingere com uma dieta equilibrada.

10. Escolha o tipo/marca de arroz que tenha menores níveis de arsénico (confira com a marca ou consulte as recomendações dos relatórios das associações de defesa do consumidor).



domingo, 12 de março de 2017

Diagnóstico caseiro

Encontra-se à venda um teste de diagnóstico para a doença celíaca nas farmácias portuguesas chamando Veroval. Testa a presença dos anticorpos antitransglutaminase IgA e afirma ter uma exactidão de 98%. É um teste semelhante aos testes da glicémia o que envolve picar um dedo. O seu preço ronda os 21 euros. 

Este kit caseiro substitui um diagnóstico médico? Não. Este teste é ideal para as pessoas que querem fazer o rastreio para doença celíaca, mas cujos médicos assistentes recusam-se a pedir as análises. Um resultado positivo não elimina a necessidade de mais testes e um resultado negativo não elimina a possibilidade de se ter doença celíaca. Além disso, não é apto para pessoas com deficiência de IgA, celíacos seronegativos ou sensíveis ao glúten. Mas pode ser o primeiro passo para chegar a um diagnóstico.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Livro "Five Go Gluten Free"

Boas notícias para quem era/é fã dos livros d' Os Cinco e faz uma dieta sem glúten: a editora Quercus Publishing publicou recentemente "Five Go Gluten Free", ie, os cinco fazem a dieta sem glúten. Este volume faz parte de uma nova colecção de livros d' Os Cinco em versão para adultos, com as mesmas personagens a enfrentarem aventuras ligeiramente diferentes, sendo que este livro em particular aborda a temática da dieta sem glúten. Na página da editora, encontramos o seguinte resumo do enredo:

"Os livros de Enid Blyton são amados em todo o mundo e a colectânea Os Cinco tem sido o favorito eterno dos seus fãs. Agora, nesta nova série de Enid Blyton para Adultos, George, Dick, Anne, Julian e Timmy enfrentam um novo desafio: é possível obter um bom chá das cinco sem glúten?

Julian, Anne, Dick, George e Timmy há dias que se sentem enjoados. Nada parece funcionar e, com os seus médicos perplexos, são levados a experimentar vários expedientes para se curarem. Julian encontra na Net um auto-diagnóstico de cancro do pâncreas, gripe das aves e Doença de Creutzfeldt-Jakob. Anne decide que os métodos antigos são os melhores e decide fazer um exorcismo - o que incomoda toda a gente e causa uma desarrumação. Dick consulta um feiticeiro que se auto-intitula de "homeopata" ("soa ligeiramente a sociopata, Dick!"), mas é o George que descobre que precisam de iniciar uma dieta de exclusão, pelo que entram num mundo de produtos estupidamente caros e difíceis de encontrar…

Perfeito para quem gosta de Deliciously Ella, Amelia Freer e o Naturalista - bem como quaisquer parceiros relutantes que estão a contragosto a espiralizar courgettes para o jantar."

Escrito por Bruno Vincent, este livro está disponível online na Wook em Inglês, por 10,04€.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Detecção de glúten com o sensor Nima

Comecei a ver desde Janeiro vários artigos partilhados sobre um novo sensor de glúten para uso caseiro chamado Nima. Já há alguns anos que se anunciava e começou a sua comercialização no ano passado. Parece um sonho, não é? Podermos comer em qualquer lado, em segurança, sabendo se a comida tem ou não glúten.

A ideia em si é óptima: no restaurante, ou em casa, coloca-se uma amostra da comida em questão dentro de uma cápsula que se insere no aparelho e em três minutos aparece um smiley, ou um aviso de “gluten found”. No entanto, levantam-se inevitavelmente várias reservas:

1- O custo- o aparelho custa 279$ e cada cápsula 6,08$. Não é uma quantia propriamente módica, fora do alcance de muitos celíacos, sem falar ainda de que se vende apenas (para já) nos EUA.

2- Não serve para analisar alimentos tais como produtos fermentados/hidrolisados, álcool, cosméticos ou medicamentos e tem limitações na análise de produtos com alto teor de gordura ou em pó.

3- Que quantidades detecta? Não se sabe bem, lendo o que a própria empresa escreve no site-“Os testes internos demonstram que o Nima é sensível a 20 ppm para uma amostra de alimentos comummente testados. O Nima não é um teste quantitativo, mas está programado para detectar a 20 ppm. Os resultados variam de acordo com os alimentos testados, o tamanho da amostra e o uso do produto. O Nima é um rastreio e não um teste absoluto - testes numa porção da comida podem não detectar glúten noutra parte do prato”.

4- O tamanho/peso/diluição da amostra irá afectar o seu resultado. Mais uma vez, no site da empresa, “O Nima não é um teste quantitativo, por isso não irá fornecer medidas específicas de ppm numa amostra, apenas “isento de glúten”, “pouco glúten” ou “alto glúten”. Pouco glúten é menos de 1,5% de glúten em peso. Dados os diferentes pesos possíveis da amostra, pouco glúten pode estar entre 20 e 15.000 ppm. Pode, em raras ocasiões, detectar menos de 20 ppm. Um resultado de “alto glúten” equivale a mais do que 100 ppm. Estes intervalos, novamente, dependem do peso da amostra.”


Como defende o GlutenDude (e a própria empresa em resposta a este), o Nima poderá ter o seu valor enquanto auxiliar à decisão de comer ou não, e não como motivo único nessa escolha. Tem as suas falhas e, como tal, deve ser usado com a devida caução… Isto se e quando chegar à Europa. Entretanto, pode ser que comecem a treinar cães em Portugal para a detecção do glúten como a cadela Willow.












domingo, 5 de fevereiro de 2017

A moda da tapioca

Felizmente, há modas que vêm por bem e a moda das tapiocas brasileiras é um bom exemplo. Rápida de preparar, versátil e, ainda por cima, sem glúten (deriva da goma de mandioca)! Para quem não consegue fazer pão sem glúten, a tapioca pode ser uma boa alternativa para o pequeno almoço. 

O único senão é que não é fácil acertar com a receita certa, mas uma vez isso conseguido, não há como falhar. Tive que deitar várias tentativas ao lixo até acertar com a versão ideal: 100 gramas de tapioca hidratada da marca Da Terrinha (disponível no Jumbo)+uma frigideira de 24 centímetros=tapioca.

Ingredientes:
100 gramas de tapioca hidratada
Recheio a gosto (doce ou salgado)

Numa frigideira fria (há quem prepare com a frigideira quente, mas comigo funciona melhor fria) espalhe bem a tapioca de modo uniforme. Ligue o bico do fogão a lume médio; assim que as bordas da tapioca começarem a descolar da frigideira, coloque o recheio em metade da superfície e dobre a tapioca. De seguida, vire a tapioca e deixe cozinhar mais 30 segundos- se deixar mais tempo pode ressecar e ficar quebradiça. Sirva de seguida.



























domingo, 29 de janeiro de 2017

Scones sem glúten II

Apesar de já ter uma (boa) receita da especialidade britânica que são os scones aqui no blog, não resisti a experimentar uma nova receita que encontrei num especial Bolos e Doces da Tele Culinária. Lembro-me com saudades dos scones da Magnólia em Lisboa e esta receita revelou-se um passo certo nessa direcção.

Ingredientes:
200 gramas de farinha Schar Mix B
150 gramas de farinha Doves Farm White Self-raising
85 gramas de manteiga/margarina fria
175ml leite/leite vegetal
3 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
Pitada de sal
Sumo de um limão pequeno
Para pincelar:
1 gema
1 colher de sopa de leite/leite vegetal

Junte o sumo do limão com o leite e reserve.

Na cuba da sua batedeira, junte as farinhas, o sal, o fermento em pó e o bicarbonato e misture bem. Adicione a manteiga/margarina aos pedaços pequenos e trabalhe com as mãos ate obter uma textura de areia. Envolva, por fim, o açúcar.

Faça um pequeno buraco na massa e junte o leite reservado. Bata muito bem. Coloque a massa num tabuleiro forrado com papel vegetal polvilhado com farinha de arroz. Forme um rolo e corte 10 a 11 pedaços de massa com 4 centímetros de altura. Disponha no tabuleiro e pincele com a gema batida com a colher de leite.

Leve ao forno pré-aquecido a 200C durante 10 minutos ate dourar. Sirva os scones simples ou com recheio a gosto.





















quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Novidades sem glúten em Lisboa

Numa visita recente a Lisboa, podemos conhecer alguns locais com produtos sem glúten que aproveito para divulgar. Não sendo locais certificados pela APC, são locais que conhecem a dieta sem glúten e a contaminação cruzada, e podem indicar quais as opções seguras para celíacos, sabendo de antemão quais os riscos em cozinhas partilhadas.

Tapioca oca: servem as famosas tapiocas brasileiras, doces ou salgadas, feitas à base de mandioca, e sumos naturais, num pequeno espaço na rua Dom Carlos I. Aparentemente, com base no que vimos no dia da nossa visita, não têm produtos com glúten, mas convém verificar com as simpáticas funcionárias.

Aripo: neste espaço situado na estrada da Luz servem-se as nossas já conhecidas arepas, petisco venezuelano, e na ementa vem claramente indicado quais os recheios sem glúten. Convém ter em atenção que é uma cozinha partilhada, pelo que convém esclarecer os funcionários da condição de celíacos. Nós optamos por ir por altura do lanche, em que éramos os únicos clientes e a cozinha não estava congestionada com pedidos. Os miúdos ficaram encantados com este lanche.

Go Natural: um novo conceito da Sonae que adquiriu a cadeia Go Natural, este é um supermercado virado para as opções da alimentação saudável e biológica, situado na Av. 5 de Outubro. Assemelha-se a uma loja Celeiro, com marcas semelhantes, mas num espaço maior e com mais algumas opções. Não sendo propriamente barato, permite usar o cartão Continente e algumas das suas promoções.

Choco & Mousse: não sendo uma verdadeira novidade, esta pastelaria certificada pela APC não pára de aumentar a variedade de produtos sem glúten e é já uma paragem obrigatória nas visitas a Lisboa. A oferta para o Natal e Ano Novo era bastante diversa e não resistimos a trazer a tarte de maçã vegan, sem glúten, que foi um sucesso.


























sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Quantos somos?

Imagem retirada da Net
Começamos o ano com boas notícias: saíram no final do ano passado os resultados do primeiro estudo de prevalência de doença celíaca em Portugal, levado a cabo pela equipa da Dra. Henedina Antunes, do Hospital de Braga. Transcrevo aqui na íntegra o artigo da própria publicado na revista + Vida, do Grupo José de Mello Saúde.


"DOENÇA CELÍACA AFETA 0,7% DOS PORTUGUESES
Um em cada 151 portugueses (ou sete em cada 1000) tem doença celíaca, revela o primeiro estudo nacional sobre a prevalência da doença, realizado no Hospital de Braga, com o selo da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia Pediátrica e o apoio da Associação Portuguesa de Celíacos.

Todos já ouvimos falar da doença celíaca e de produtos sem glúten, mas será que sabemos quantos doentes existem realmente em Portugal? Até agora, ninguém tinha respondido a esta pergunta. Henedina Antunes, responsável pela Unidade de Gastrenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica do Hospital de Braga, dá finalmente a resposta.

De acordo com o estudo coordenado por esta médica pediatra, a prevalência de doença celíaca na população portuguesa é de 0,7%. Curiosamente, é a mesma prevalência calculada pela investigadora na Universidade do Minho há cerca de dez anos, num estudo circunscrito ao concelho de Braga.

Feitas as contas, significa que um em cada 151 portugueses vive com esta doença autoimune, mesmo que ainda não saiba. O resultado não surpreendeu Henedina Antunes, uma vez que a prevalência europeia é de um para 100 ou de um para 200. Muitos, porém, duvidavam que fossem tantos.

“Estes números vêm dar força aos celíacos. Para a Associação Portuguesa de Celíacos, como interlocutora do Estado e das empresas, é importante ter dados nacionais para poder reivindicar”, explica.

Rastrear na adolescência para prevenir em vez de remediar
Ao todo, o primeiro estudo de prevalência nacional de doença celíaca envolveu 1340 adolescentes voluntários, entre os 13 e 14 anos, de escolas de vários pontos do país, designadamente Braga, Viana do Castelo, Vale do Sousa, Viseu, Lisboa, Amadora, Loures, Évora, Faro, Madeira e Açores. 

Porquê fazer o estudo em adolescentes? Henedina Antunes explica: “A adolescência é considerada a melhor fase para este tipo de investigação. Podíamos fazer em crianças muito pequenas mas provavelmente não apanharíamos todos os celíacos, ou podíamos fazer em adultos mas já apanharíamos doentes com osteoporose e outros problemas. Nos adolescentes ainda há a possibilidade de intervir adequadamente para prevenir a osteoporose e outras complicações e conseguimos uma prevalência mais correta.” Mas desengane-se quem pensa que a doença celíaca é uma doença de crianças e jovens. Na verdade, a doença pode surgir em qualquer idade. “O diagnóstico mais tardio que conheço é de uma senhora com mais de 80 anos”, relata.

Hospital de Braga foi fundamental
Neste estudo, o procedimento foi igual com todos os adolescentes. As equipas de investigadores dos hospitais locais, coordenadas por Henedina Antunes, foram às escolas e procederam à colheita das amostras de sangue. As amostras foram preparadas nesses hospitais e transportadas depois para o Hospital de Braga.

Henedina Antunes destaca a colaboração de Alexandra Estrada, diretora do Laboratório de Patologia Clínica do Hospital de Braga, e dos técnicos Francisco Lima e Arsénio Miguel, que foram fundamentais para que o estudo chegasse a bom porto, assim como o apoio dos investigadores de todo o país que muito contribuíram e da empresa que possui os marcadores para a doença celíaca (Thermo Fisher Scientific). Nuno Saldanha, aluno do 6.º ano de Medicina da Escola de Medicina da Universidade do Minho, agora já médico, fez o mestrado integrado com este estudo.

Um dos papéis do Hospital de Braga foi pesquisar, nas amostras que lhe foram encaminhadas, marcadores de doença celíaca, designadamente o anticorpo antitransglutaminase e IgA total. Cerca de um ano após o início do estudo, chegaram os resultados. “Foram detetados nove casos a nível nacional, dos quais apenas um era conhecido e já estava a cumprir a dieta sem glúten. Oito só souberam porque fizeram o estudo”, refere.

Anemia é o principal sintoma
Efetivamente, a doença celíaca pode levar muitos anos ou mesmo décadas a ser diagnosticada, sobretudo se a pessoa ignorar os sintomas. Os principais são anemia por deficiência de ferro resistente à terapêutica e problemas de crescimento. Cerca de 40% dos celíacos (menos do que antigamente) têm os sintomas clássicos, nomeadamente barriga distendida, diarreia, dores abdominais, irritabilidade e desnutrição.

Henedina Antunes aconselha as pessoas que suspeitem ter a doença a solicitarem a realização de um exame, que é simples e acessível: “O anticorpo antitransglutaminase está disponível nos centros de saúde desde 2012 e custa apenas sete euros”, incita.

Para confirmar a doença, pode ser necessário fazer uma biópsia do intestino através de endoscopia alta com anestesia. “Na biópsia, vê-se mucosa plana. O intestino normal tem uma espécie de dedos que aumentam a superfície de absorção. Nos celíacos, não há esses ‘dedos’. É por isso que eles têm má absorção”, explica.

Só com esta sensibilização será possível diagnosticar os casos que continuam escondidos debaixo do icebergue. Ao todo, haverá apenas uns 15 mil doentes diagnosticados, embora se calcule que haja perto de 100 mil doentes. Henedina Antunes já diagnosticou 154, seguindo atualmente cerca de uma centena.

Depois do diagnóstico, a autora de Manual de Sobrevivência para um Jovem Celíaco lembra que a dieta sem glúten é mesmo para toda a vida, o que está longe de ser um bicho-de-sete-cabeças. “Os celíacos devem ter orgulho e integrar a doença na sua personalidade.”

HEREDITÁRIO: SIM OU NÃO?
Os celíacos herdam um HLA de risco (HLA-DQ2 e DQ8), uma proteína que confere suscetibilidade aumentada para desenvolver a doença. Mas isso poderá nunca acontecer (por exemplo, se jamais contatarem com o glúten, como acontecia antigamente em países asiáticos).

O TRIGO É TODO IGUAL?
As modificações em termos de alimentação têm muito a ver com o aumento dos casos de doença celíaca nos países ocidentais. O trigo agora utilizado tem mais glúten do que antes.

TODOS DEVEM FAZER UMA DIETA SEM GLÚTEN?
Não. “Agora é moda fazer dieta sem glúten não sendo celíaco. Eu sou contra!”, afirma Henedina Antunes. “Os celíacos têm maior risco de ter outras doenças autoimunes, como diabetes ou tiroidite. Por isso, é importante que as pessoas saibam se são celíacas ou não”, avisa. Por outro lado, “os celíacos não gostam que esta seja uma dieta da moda porque não se valoriza tanto a doença e há maior risco de contaminação nos produtos”.

HÁ PRODUTOS NATURALMENTE SEM GLÚTEN?
Sim. Os celíacos podem fazer uma dieta com produtos naturalmente sem glúten, como arroz, milho, batata, legumes, fruta, ovos, peixe ou carne.

OS CELÍACOS NÃO PODEM COMER PÃO?
Hoje em dia não há alimentos proibidos porque já existe farinha sem glúten, embora seja 20 a 30% mais cara. Também já há pizzas sem glúten e menus sem glúten em cadeias de fast food e nos aviões.

OS CATÓLICOS PODEM COMUNGAR?
Agora já existem partículas sem glúten para que os celíacos possam comungar. Henedina Antunes foi instada a fazer um parecer para a Santa Sé sobre o assunto e, entretanto, a Igreja já autorizou.

EXISTE ALGUM CONVÍVIO DE CELÍACOS?

Anualmente, os celíacos diagnosticados no Hospital de Braga têm uma festa que terá a sua 20.ª edição em 2017. É o Hospital de Braga que apoia este evento."


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