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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Lavar os dentes sem glúten

Soube há pouco que está à venda nas lojas Minipreço uma marca de pasta de dentes para crianças sem glúten e sem açúcar. Não sendo da marca Dia, ainda assim a um preço muito simpático: 1,19€. Existe nas versões de "3 a 6 anos" e "maior de 6 anos". Por mais que não tenha encontrado até agora uma pasta de dentes que diga claramente que contém glúten, com as crianças (e não só) mais vale prevenir do que remediar, especialmente quando são estas que, pela inexperiência, estão mais atreitas a engolir a dita pasta.



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Cosméticos sem glúten


Imagem retirada da Net

Frequentemente, alguém pergunta se é necessário usar cosméticos sem glúten. A resposta não é fácil e depende do grau de sensibilidade ao glúten ou até do tipo de condição associada ao glúten que se tem, pois a ligação é óbvia no caso da dermatite herpetiforme ou alergia ao glúten, mas não na doença celíaca. No entanto e apesar de haver quem afirme que glúten nos cosméticos não afecta os doentes celíacos, o facto é que há pessoas que afirmam fazer reacção se usarem produtos "contaminados". Este artigo  americano aborda o assunto de forma esclarecedora, expondo os diferentes argumentos que se debatem.

"São necessários os cosméticos sem glúten?

Sempre que Afton Jones usava maquilhagem nos olhos, estes ficavam inchados, pesados, e a lacrimejar. Uma noite, ela optou por um look mais natural e não teve queixas. "O que acontecia era que o meu rímel tinha glúten", diz Jones, uma nativa do Texas de 20 e poucos anos e que, desde então, fundou o site glutenfreemakeupgal.com, que analisa produtos sem glúten. Jones tem doença celíaca, que é caracterizada por uma resposta imune hiperactiva ao glúten. Isso leva a sintomas tais como dores de estômago, inchaço, diarreia crónica e anemia, podendo danificar o intestino delgado e impedindo a absorção adequada de nutrientes. "Depois disso, tudo se encaixou e fui à caça de cosméticos sem glúten ", diz ela. "A erupção que eu tinha no rosto desapareceu, e os meus olhos deixaram de estar pesados e cansados."

Não há cura para a doença celíaca, que é tipicamente gerida eliminando o glúten, uma proteína encontrada no trigo, cevada e centeio, assim como muitos aditivos alimentares comuns. Mas quem sofre, como Jones, está a descobrir que pode haver mais uma alteração, para além das mudanças na dieta, no estilo de vida sem glúten: o glúten é sorrateiro. Como Jones descobriu, este  pode estar também à espreita na maquilhagem e nos produtos de higiene pessoal que formam parte dos seus cuidados diários. É usado para dar liga e ajudar os ingredientes a unirem-se, assim como acrescentar humidade aos produtos através de óleos derivados do glúten.

"Batom, gloss, anti-séptico bucal, pasta de dentes, todos podem desencadear uma reacção em pessoas com doença celíaca", diz Alice Bast, fundadora e presidente da Fundação Nacional para a Consciencialização Celíaca (NFCA). "Se você é sensível ao glúten, deverá usar cosméticos e produtos de higiene sem glúten. Mesmo que não sinta quaisquer sintomas, pode estar a causar danos ao seu interior." Este conselho, apesar de aceite por muitos, ainda está longe de se tornar a norma. Os especialistas estão divididos sobre se os doentes celíacos devem evitar cosméticos que contenham glúten. Alguns insistem que os cosméticos sem glúten previnem crises, enquanto outros suspeitam que a quantidade de glúten na composição é pequena demais para provocar problemas reais. Não há nenhum protocolo padrão e a questão permanecerá obscura até existir mais investigação.

Pouco se sabe sobre quanto glúten exatamente é que os produtos cosméticos contêm, e quanto é preciso para causar efeitos secundários nocivos. Algumas pessoas são tão sensíveis que podem até experimentar sintomas após a ingestão de um pouco de batom contaminado com glúten, enquanto outros não (em média, estima-se que uma mulher consuma quatro quilos de batom ao longo da vida). Os especialistas acreditam que o glúten não pode ser absorvido diretamente através da pele. Mas, se um produto que contém glúten, tal como uma loção ou um protector solar, toca na boca e nos lábios, este pode ser ingerida dessa forma. E algumas pessoas desenvolvem reacções na pele devidas à maquilhagem porque também têm uma alergia a trigo ou a outros cereais.

Na reunião anual do Colégio Americano de Gastrenterologia no ano passado, os pesquisadores apresentaram um estudo de caso de uma mulher de 28 anos que conseguiu, com sucesso, controlar a sua doença celíaca através da dieta. No entanto, depois de experimentar um novo creme para o corpo, ela desenvolveu uma erupção cutânea pruriginosa nos braços, assim como distensão abdominal e diarreia. Assim que parou de usar o creme, os sintomas desapareceram. Um estudo recente publicado no Jornal da Academia de Nutrição e Dietética, por outro lado, testou quatro conhecidos produtos para os lábios e duas loções feitos com ingredientes que continham glúten. Os pesquisadores descobriram que estes tinham "um nível não quantificável ​​de glúten". Ainda que isto sugira que esses produtos não contêm glúten suficiente para causar problemas, o tamanho da amostra não era suficientemente grande para tirar conclusões definitivas, diz a autora do estudo, Tricia Thompson, uma nutricionista e autora de O Guia da Nutrição Sem Glúten.

Ainda assim, muitos especialistas concordam que os cosméticos sem glúten não prejudicam e podem ajudar a manter os sintomas afastados. Se são ou não necessários, continua a ser uma questão pessoal e, provavelmente, varia de pessoa para pessoa. Jones, por exemplo, descobriu que para ela, a isenção completa é essencial. "O glúten, na minha pele, tem uma reacção quase instantânea", diz ela, acrescentando que abandonou o seu champô com glúten após achá-lo culpado pelas bolhas dolorosas que desenvolveu no couro cabeludo. "Eu não posso sequer ajudar a arrumar a cozinha depois das refeições, porque se eu tocar em algo que contenha glúten, ganho urticária nas minhas mãos ou uma horrível erupção cutânea. Os cosméticos sem glúten têm permitido que a minha pele e corpo se comportem normalmente."

E se todos os doentes celíacos optarem por cosméticos sem glúten? Não há uma resposta certa. "É uma decisão muito pessoal que as pessoas precisam de tomar", diz a nutricionista Nancy Patin Falini, que actua no conselho consultivo científico e médico do NFCA. "Não há qualquer conhecimento científico definitivo sobre este assunto ainda. Algumas pessoas querem estar absolutamente certas de que tudo o que colocam nos seus lábios é isento de glúten, talvez porque os seus sistemas imunológicos são hipersensíveis. Para outros, não é uma preocupação tão grande. "

Ao tomar uma decisão, pense em quantas vezes usa maquilhagem. Recusa-se a sair de casa todos os dias se não estiver maquilhada? Cosméticos sem glúten podem ser um investimento mais vantajoso do que se apenas usa batom em ocasiões especiais. Um punhado de empresas começou a fornecer a comunidade da doença celíaca e da alergia ao glúten. Marcas como Hourglass, Lavanila e Alterna, por exemplo, oferecem produtos sem glúten na Sephora*. E todos os produtos da Afterglow Cosméticos são isentos de glúten-tanto a mãe e a irmã da fundadora Kristin Adams têm a doença celíaca, e ela acredita firmemente na importância dos produtos sem glúten.

Se um produto não está explicitamente rotulado como isento de glúten, leia o rótulo cuidadosamente, pois o glúten pode aparecer em muitos ingredientes diferentes. Evite aqueles que contenham trigo, cevada, malte, centeio, aveia, Triticum vulgare, Hordeum vulgare, Secale Cereale, e Avena Sativa. Também é importante entrar em contacto com o fabricante para confirmar se o produto contém glúten, diz Bast: "É demorado, mas quando encontrar uma marca que funciona para si, pode mantê-la", diz ela. "Há trabalho de casa que precisa de ser feito para nos mantermos saudáveis."

Mesmo que não faça alterações ao seu kit de maquilhagem, pode tomar medidas para se proteger. Lave as mãos após a aplicação de qualquer tipo de produto cosmético ou de higiene pessoal. E telefone ao seu dentista com um mês de antecedência a uma consulta para se certificar de que ele usa produtos sem glúten, Bast sugere. Caso contrário, a visita poderia provocar um reaparecimento de sintomas.

"Quando vive com algo todos os dias da sua vida, você tende a descobrir as coisas através de um insuportável processo de erro e tentativa", diz Jones. "Depende mesmo de cada um decidir se os cosméticos sem glúten são para si. Para algumas pessoas, é uma escolha. Para outros, é uma necessidade."

* NT- Informação aplicável apenas aos EUA

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A beleza da pele e o glúten

Imagem retirada da Net
Este artigo que encontrei aborda os efeitos que o glúten pode ter na beleza da pele. Apesar de não ser científico e saltar entre as várias condições que integram o espectro de problemas associados ao glúten, é uma leitura interessante.



“Sem glúten para uma pele melhor?
Os cereais integrais podem ter uma reputação saudável mas têm, com certeza, uma relação complexa para a sua pele.

O trigo é o Jekyll e Hyde do mundo dos cereais. Enquanto este grão omnipresente é nutritivo para a maioria de nós (está repleto de fibras e vitaminas do complexo B), é muito perigoso para o um por cento da população com a doença celíaca.
Quando se trata de pele, o glúten é conhecido por poder causar uma erupção cutânea irritante chamada dermatite herpetiforme nos celíacos (assim como dores de estômago graves e uma série de problemas intestinais) e intolerantes ao glúten, mas um novo livro intitulado "Wheat Belly (Barriga de Trigo)", sugere que os efeitos nocivos que o trigo tem sobre a pele podem ser mais amplos, estendendo-se para o resto de nós, consumidores de trigo.

Poderá este cereal integral, elogiado pelos seus benefícios à saúde, ser um sabotador secreto da pele?

Pedimos aos especialistas que opinassem sobre a ligação do trigo com a pele. O que descobrimos pode complicar a maneira como vê a sua sanduíche.

A dieta não tem tamanho único, e a comida que o faz saudável e radiante pode desencadear uma comichão ou um surto de manchas (para não mencionar uma tremenda dor de estômago) no seu amigo. O trigo pode não apresentar um problema para a maioria da população, mas para um número crescente de pessoas que podem ter uma alergia ou intolerância ao glúten, comer uma tigela de cereais ou uma fatia de pão integral pode afectar a sua aparência.

O trigo é um dos oito alimentos mais alergénicos de acordo com a Mayo Clinic, e as reações alérgicas são propensas a evidenciarem-se na nossa pele.

Mas certamente você saberia se tivesse uma alergia ao trigo? Em "Wheat Belly”, o médico cardiologista de Wisconsin, Dr. William Davis, sugere que, além da intolerância ao glúten, as alergias ao trigo são difíceis de identificar, mesmo com um exame de sangue.

"É expectável que mais de 80 por cento da população tenha problemas com algum componente do trigo, glúten e outros," estima Davis. " Não há exames de sangue para identificar muitos dos componentes do trigo que causam [reações alérgicas]." Na experiência de Davis, um teste de eliminação é a melhor maneira de indicar uma alergia ao trigo. "É difícil de quantificar, mas as pessoas têm melhor aparência [sem glúten]”. Por exemplo, eu tenho uma paciente que tem um rosto vermelho, com inchaços sob os olhos. Ela deixa de comer glúten e, numa a duas semanas, a vermelhidão diminuiu, o inchaço desapareceu e as olheiras melhoraram dramaticamente. Não há nenhum estudo sobre isso, mas eu já vi isso acontecer uma e outra vez ", diz Davis que, reconhecidamente, defende o extremo: eliminar todo o trigo das nossas dietas.

No entanto, há quem defenda o trigo como uma escolha amiga da pele, graças ao suporte de minerais como o zinco e o elevado nível de vitamina E, um antioxidante, encontrado particularmente no gérmen de trigo. A explicação mais razoável para esta oposição de ideias pode ser que tudo se resuma à sua relação pessoal com este cereal.

Para além de dermatite herpetiforme, acne, urticária, psoríase e dermatite atópica são comuns outras reacções alérgicas ao trigo. E, para alguns, a identificação de uma alergia ao glúten ou ao trigo pode ser o elo que faltava para melhorar a pele. Verifica-se que quando o corpo vê o trigo ou o glúten como um alérgeno, pode tornar-se inflamado e haver uma dificuldade na absorção de nutrientes, os quais podem levar a problemas de pele.

"Foi um pesadelo para descobrir o que estava a agravar o estado da minha pele", diz Amie Valpone, Nutricionista Culinária para a Healthy Apple, que foi diagnosticada com uma intolerância ao glúten. "Eu tomava Accutane (Roaccutan). Tive acne cística, grande e vermelha. A minha pele era horrível. Cerca de um mês depois de eu cortar o glúten a minha pele ficou completamente bem. Agora as pessoas dizem-me que eu pareço muito mais jovem do que parecia. "

Mas além das experiências pessoais, ainda falta a evidência científica. "A ligação entre glúten com acne e eczema não é tão clara", diz Valori Treloar, médico dermatologista em Newton, Massachusetts. Outra possibilidade é que o trigo pode agravar condições auto-imunes existentes, mas não ser o verdadeiro culpado em problemas de pele. "Não se pretende dizer que todas as erupções cutâneas e problemas de pele são causados pelo trigo. Muitos não são. Mas um número incrível é ", diz Davis. "É importante para o consumidor estar ciente de que associação entre o trigo e / ou glúten e as condições da pele é muito comum."

Além disso, mesmo que tenha a pele impecável e não sofra de intolerância ao trigo, você pode querer olhar de perto o tipo de produtos com trigo que consome por causa da sua pele. "O trigo, com o seu índice glicêmico invulgarmente elevado, dispara o açúcar no sangue mais do que quase todos os outros alimentos, desencadeando um pico de insulina maior do que quase todos os outros alimentos", diz Davis. No entanto, pão de trigo 100 por cento integral tem um índice glicêmico muito mais baixo do que os pães mais processados ​​e desencadeia uma resposta mais moderada de açúcar no sangue.

A insulina elevada está ligada ao aumento da produção sebácea, que pode obstruir os poros e levar a crises de acne. Mais, "o trigo pode exercer efeitos de envelhecimento cutâneo, como rugas e elasticidade perdida, através da formação de produtos finais da glicação avançada [AGEs]." Um acúmulo de AGEs no organismo leva a sinais visíveis de envelhecimento.

Ainda assim, há muitas variáveis ​​a considerar antes de culpar o trigo pelas suas linhas finas. "A carga glicêmica do trigo é afectada pela sua forma, preparação e os alimentos que o acompanham quando ingerido", explica Treloar. "Se você comer pão branco com mais nada, a resposta do açúcar no sangue e insulina será rápida e elevada. Durante esse tempo, o açúcar pode ligar-se a determinados aminoácidos no colagénio [a proteína estrutural na pele] e causar distorção na estrutura e função do colagénio. Torna-se uma AGE. "Mas o trigo é apenas um dos alimentos que aumentam os níveis de insulina e que leva à formação de AGE. Os hidratos de carbono do açúcar refinado fazem o mesmo, e, ironicamente, muitos produtos sem glúten feitos com milho, arroz e batata não oferecem uma estabilidade muito maior do açúcar no sangue.

Então isso deixa-nos e à nossa próxima sanduíche onde?

Aqueles que lutam contra acne inexplicável ou erupções cutâneas podem querer explorar uma possível ligação com o trigo. Mas o resto de nós vai ter que decidir, de refeição para refeição e garfada a garfada, se o trigo é amigo da nossa pele ou inimigo."
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