INFORMAÇÃO É PODER

DADOS, DICAS E RECEITAS DE VIDAS SEM GLÚTEN



domingo, 14 de Setembro de 2014

Bolo Vicente

Esta receita foi dada à minha mãe recentemente e aproveitada por ela para um aniversário de família. Ao pesquisar para este post, descobri que é uma receita cabo-verdiana, da ilha de São Vicente, mas que originalmente leva também frutos secos e cristalizados. Assim, na sua versão menos guarnecida, ficou saboroso e fácil de executar.

Ingredientes:
175 gramas de açúcar
250 gramas de margarina/manteiga
270 gramas de farinha Doves Farm White Self Raising (já inclui fermento e goma xantana)
5 ovos L
60 ml de vinho do Porto
1 chávena de açúcar queimado
(2 colheres de chá de fermento caso opte por uma farinha que não leva fermento)

Bata o açúcar com a manteiga/margarina até obter um creme. Adicione os ovos um a um, batendo sempre. De seguida, junte a farinha e o vinho do porto. Por último, junte o açúcar queimado.

Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC até o bolo cozer, durante cerca 40 minutos. Faça o teste do palito para verificar. Retire e deixe arrefecer; opcionalmente pode decorar com uma calda de caramelo.























quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

Carta ao professor

Imagem retirada da Net
No início de mais um ano escolar, aumentam as preocupações dos pais cujos filhos têm restrições na dieta, especialmente se vão para uma escola nova ou se vão ter um professor novo. Para aliviar essa preocupação, a mãe do Jack, a autora do blog Raising Jack with Celiac, já aqui referido, escreveu uma carta tipo minuta para a professora do seu filho a alertá-la para a dieta sem glúten. Pareceu-me uma carta bem estruturada e informativa, pelo que a adaptei ligeiramente e publico-a no post de hoje à laia de minuta para pais que estão a lidar com esta situação.


"Caro/a Professor/a,

Esta carta é para informá-lo de que o/a nosso/a filho/a (nome) tem doença celíaca. A doença celíaca é uma doença autoimune em que, quando o glúten é ingerido, este provoca danos no corpo. Nos últimos anos, o/a (nome) tem seguido um estilo de vida sem glúten. Uma dieta sem glúten para celíacos, é como a insulina para os diabéticos. É o que mantém o/a (nome) saudável.

O glúten é uma proteína que se encontra no trigo, centeio e cevada. Encontra-se também numa grande variedade de alimentos - de biscoitos, pães, massas, cereais, doces, salgadinhos e muito mais. Como a doença celíaca não é uma alergia, o/a (nome) não estará em perigo imediato, mas se ele ingerir glúten devido a contaminação cruzada ou caso coma algo acidentalmente que contenha glúten, ele provavelmente vai sofrer de dor de estômago, assim como fadiga, diarreia e dor de cabeça. (colocar outros sintomas adequados à sua situação)

Como o/a (nome) só tem … anos, ainda estamos a aprender os sinais e sintomas da exposição acidental ao glúten. Assim, precisamos de ter a certeza de que o/a (nome) evita o glúten completamente.

Dito isto, eu quero que o/a (nome) tenha um excelente ano escolar e não tenho nenhuma dúvida de que você também. Gostaria de compartilhar algumas coisas que irão ajudá-lo/a na sala de aula e as informações que me fornecer, vão ajudar-me a preparar-me para os próximos eventos da escola:

Contaminação Cruzada - De migalhas de glúten, a materiais de arte / artesanato, e plasticina (que pode conter trigo) - é importante estar ciente do que rodeia o/a (nome) e a sua superfície de trabalho. Em relação à plasticina, eu posso providenciar uma marca sem glúten assim como os instrumentos para a manusear e que deverão ser mantidos separados dos demais. Devido à contaminação cruzada, por favor, encoraje a lavagem frequente das mãos.

Aniversários – agradecia que me informasse como pretende comemorar os aniversários - se uma vez por mês ou se as crianças serão autorizadas a trazer bolos para os seus aniversários. Isto irá permitir-me preparar-me adequadamente e ter algo para o/a (nome) nos dias em que são trazidas guloseimas especiais. Se as crianças estão autorizadas a trazer bolos, poderia fornecer-me uma lista de aniversários, por favor?

Celebrações especiais - Magusto, Natal, Páscoa, etc.: agradecia que me comunicasse quando irão decorrer, pois irei providenciar a alimentação do/a (nome).

Visitas de estudo – da mesma maneira, agradecia informações antes de qualquer visita de estudo: que actividades irão decorrer (artesanato, etc.) e se haverá guloseimas especiais, para que eu possa enviar algo livre de glúten, se necessário.

Finalmente, se tiver alguma dúvida sobre a dieta do/a (nome) ou tem uma pergunta sobre se ele/a pode comer um determinado alimento, por favor, não hesite em telefonar-me. (Fornecer número de telefone)

Se gostaria de saber mais sobre a doença celíaca, pode consultar os seguintes links:
(inserir links)

Muito obrigado pela sua colaboração!

Atenciosamente,

(assinatura)"

segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

Panificação sem glúten Atrian

Descobri recentemente os produtos de panificação sem glúten da empresa Atrian. Esta empresa, especializada em massas congeladas, tem várias linhas de produção, entre as quais se inclui uma linha de produtos sem glúten. Vende especialmente para hoteleria e restauração, mas vende também a particulares nos seus cinco pontos de venda em Portugal: Vila do Conde (sede), Aveiro, Lisboa, Faro e Ponta Delgada (contactos no site). Enviam informações e lista de preços por e-mail.

O único local que sei que vende estes produtos a retalho é o Supermercado Apolónia, no Algarve. Esperemos que com um pouco mais divulgação e demonstrações de interesse, mais locais passem a disponibilizar estes produtos. Ainda não os provei, mas acho positivo este aumento da diversidade (ainda reduzida) na panificação sem glúten.































segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Livro "Gluten Freedom"

Em final de férias, trago hoje um resumo da leitura feita durante as mesmas: Gluten Freedom, o mais recente livro do Dr. Alessio Fasano, uma referência para quem gosta de estar actualizado sobre as novidades do mundo sem glúten.

Desde que o meu filho mais velho foi diagnosticado com doença celíaca que tenho vindo a seguir o trabalho deste cientista, que tem estado sempre na vanguarda do conhecimento que se tem sobre a doença celíaca e sobre outras condições associadas ao glúten. Aliás, o Dr. Fasano foi dos primeiros médicos a considerar que havia algo mais para além da doença celíaca, e foi ele e a sua equipa que convencionaram o que é e como se pode diagnosticar uma sensibilidade não celíaca ao glúten. Sendo assim, e ainda que tenha sido uma agradável leitura, não acrescentou ao que já sabia sobre estas condições. Inclusive, algumas das histórias de vida que refere no livro já as tinha mencionado quando veio a Braga em Maio para a 2ª Reunião de Doença Celíaca.

É, contudo, de leitura obrigatória para os que não foram à dita Reunião e se iniciam agora nesta aventura, ou que, por uma razão ou por outra, ainda desconheçam muito do que se passa dentro dos seus corpos quando o glúten lá entra. Nele, o Dr. Fasano resume, de uma forma muito acessível ao leigo que o lê, como evoluiu o conhecimento sobre o glúten nas últimas décadas, em paralelo com a sua chegada aos Estados Unidos da América para trabalhar enquanto pediatra gastrenterologista, e o trabalho desenvolvido pelo seu Centro de Doença Celíaca da Universidade de Maryland.

Ao longo dos 16 capítulos, o Dr. Fasano, com a ajuda de elementos da sua equipa e pacientes, explica como é que o glúten se torna problemático, como se pode viver bem com uma dieta sem glúten em todas as etapas da vida, e quais as perspectivas futuras ao nível da prevenção e tratamento. Traz receitas dadas por pacientes e receitas italianas do seu receituário familiar.

Deita abaixo alguns mitos da doença celíaca: explica que esta é uma doença crónica, auto-imune, que não se cura e que pode aparecer para além das idades pediátricas. Que o facto de se nascer a partir de uma cesariana ou não se ser amamentado quando se introduz o glúten na dieta pode ser uma factor de risco para desenvolver doença celíaca, por questões de alteração da microbiota intestinal. Que as condições associadas ao glúten não ficam só pelo intestino, o cérebro reage e muito ao glúten.

Explica também a ligação do glúten às questões da auto-imunidade e que uma dieta isenta de glúten, sem haver necessariamente uma doença celíaca concomitante, pode remitir ou ajudar alguns casos de pacientes com outras doenças auto-imunes. No entanto, não resolve todos os casos, e a ciência ainda não percebe qual o mecanismo exacto por trás deste facto.

Sendo assim, aqui ficam 16 boas razões para ler este livro (para já, apenas na sua versão original em Inglês).

1ª Parte
O Glúten Entra em Cena
1º Capítulo: o glúten entra no intestino- e noutros lugares
2º Capítulo: novas imagens clínicas da liberdade sem glúten
3º Capítulo: o espectro das desordens associadas ao glúten
4º Capítulo: percebendo o glúten, o intestino permeável e a auto-imunidade
5º Capítulo: ter o diagnóstico correcto
6º Capítulo: o glúten e o seu cérebro

2ª Parte
Aprendendo a Viver Sem Glúten
7º Capítulo: viver bem numa dieta sem glúten
8º Capítulo: a culinária e a gastronomia sem glúten
9º Capítulo: jantar com o Dr. Fasano

3ª Parte
Sem Glúten para Toda a Vida
10º Capítulo: a gravidez e a dieta sem glúten
11º Capítulo: marcos sem glúten na infância
12º Capítulo: navegando a vida familiar sem glúten
13º Capítulo: sobreviver à Universidade sem glúten
14º Capítulo: o glúten nos anos dourados

4ª Parte
Ir para Além do Glúten
15º Capítulo: a prevenção das desordens associadas ao glúten
16º Capítulo: novos tratamentos e terapias

sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

Cones sem glúten

Como falava no post anterior, os meus miúdos gostam dos gelados tradicionais e, a esse nível, encontram várias opções sem glúten na secção dos refrigerados dos supermercados. O que ainda não encontram e que adoram são cones de gelado sem glúten. Já encomendei na Amazon quando esta tinha portes grátis, mas numa embalagem de 12 cones, em média, quatro ou cinco chegavam partidos. Por isso, quando vi esta receita com tão bom aspecto, procurei por uma máquina de cones online (o Lidl, por vezes, vende esta máquina, mas há já algum tempo que não o fazem) e não demorei a entrar em acção. 

Sei que uma receita foi um sucesso quando os miúdos só param de dizer "hummm" quando acabam de comer! Os pedidos de repetição sucedem-se...

Ingredientes:
100 gramas de farinha Schär Mix B
25 gramas de farinha de milho fina A Ceifeira
1 colher de chá de canela em pó
1 ovo
75 gramas de manteiga/margarina à temperatura ambiente
125 gramas de água quente
125 gramas de açúcar mascavado claro
Algumas gotas de essência de Baunilha 


Misture as farinhas com a canela e reserve.

Bata a manteiga com o açúcar até obter um creme. Adicione o ovo e a essência de baunilha, e continue a bater. Incorpore a água quente aos poucos, enquanto bate. De seguida, junte gradualmente a farinha reservada, enquanto continua a bater.

Deixe a massa descansar enquanto a máquina de cones aquece. As restantes instruções vão depender da máquina que tiver: na minha, despejo um pouco de massa no centro do prato (metade de uma colher sopeira), fecho cuidadosamente, e espero um a dois minutos até que a massa fique ligeiramente tostada.

Retire a massa com uma espátula, e rapidamente dê-lhe forma com o acessório de cones (use um pano de cozinha para enrolar para não queimar os dedos).

Deixe arrefecer e recheie com o gelado da sua preferência. Caso sobrem, pode guardar os cones numa lata metálica pois aguentarão crocantes alguns dias.



terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Gelado de morango e coco

Para um Verão alternativo (a nível de temperatura), uma receita de gelado alternativa. Queria experimentar um gelado sem lacticínios e parece que qualquer receita que se procure na Internet substitui os produtos do leite pelo leite de coco. E se isto resulta quanto à textura, o sabor que sobressai invariavelmente é o do coco. Logo, esta receita em que pensei, é saborosa, sem dúvida, mas para quem evita os lacticínios e gosta de coco. Os meus miúdos continuam a preferir os gelados tradicionais.

Ingredientes:
500 gramas de morangos
80 gramas de açúcar mascavado claro
1 colher de sopa de sumo de limão
200ml de creme de coco (usei Tropical Sun Creamed Coconut comprado no Supercor)
1 colher de sopa de rum/cachaça/vodka de batata

Arranje os morangos, limpando-os e cortando-os ao meio. Leve ao lume numa panela juntamente com o açúcar e o limão e deixe cozinhar até os morangos ficarem moles. Retire do lume e vá juntando o creme de coco; quando estiver bem dissolvido, acrescente o álcool. Triture bem e deixe no frigorífico até a mistura ficar bastante fria.

Siga depois as instruções do fabricante da máquina de gelados- na minha máquina, 20 minutos bastaram para obter uma mistura espessa e gelada. Transfira de pois para um recipiente, alise, cubra com papel vegetal (para que não se formem cristais de gelo), tape e leve ao congelador durante 4 horas.



sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

Bilbao sem glúten

De regresso de Paris, parámos na cidade de Bilbao, no País Basco, para conhecer o moderno Museu Guggenheim. A cidade em si merece também uma visita, e uma dieta sem glúten não é desculpa para ficar em casa. 

Optámos por ficar no hotel Tryp Bilbao Arenal Hotel pela sua localização central e, sendo um hotel do Grupo Meliá com acordo com a FACE, providenciava pequeno-almoço sem glúten. O pessoal do hotel foi bastante simpático, em particular a senhora que estava a coordenar a sala de pequenos-almoços que, achando que tinha menos variedade de produtos sem glúten do que o habitual, tentou compensar-nos com uma enorme tortilha de batatas feita na hora que estava deliciosa.

Para jantar, optámos pelo restaurante Batzoki Bilbo Zaharra que fica perto do hotel, onde comemos bem, a um preço médio, e sem glúten, estando o pessoal informado sobre a doença celíaca, pelo que recomendava os pratos aptos do vasto menú que contava várias especialidades bascas. Inclusive tinham pão sem glúten que compravam congelado e aqueciam na hora dentro de um invólucro especial, bastante agradável.

Da lista que compilei na altura, encontrei também os seguintes restaurantes aptos a servir refeições para celíacos:

La Alacena de Laura, C/ Rekakoetxe nº 2 Bajo
Restaurante Don Angelo, Rodríguez Aria Kalea, 15
El Irrintzi,  c/Santa María,8
Restaurante Lopez de Haro,  Obispo Orueta, 2
La Florinda,  Plaza Arriquibar, 4
Etxanobe,  Avenida Abandoibarra, 4
Zortziko, Alameda Mazarredo, 17

O único senão é que não existe (ainda) Mercadona no País Basco...


segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

Paris e Disneyland sem glúten

Bolos comprados
na Helmut Newcake
Depois de Barcelona, parámos em Paris. A cidade das luzes está coberta num post “em trabalho” que vou actualizando quando sei de novos locais onde se pode comer sem glúten, pelo que, neste campo, não tenho muitas novidades.

Lanchamos muito bem tanto no Helmut Newcake, como no Biosphére Café, ainda que tenha sido muito caro, mas achámos que valia a pena o “investimento” porque ocasiões para lanchar fora de casa sem glúten são poucas.

Fizemos um almoço no Thank You My Deer, onde há poucas opções, ainda que sejam todas sem glúten, e com base em sandes e saladas. Há algumas sobremesas, girando entre queques e fatias de bolos caseiros. Contudo, tudo o que provámos era saboroso e o atendimento simpático. O espaço é que é limitado, pelo que pode ter que esperar por uma mesa livre.

Também aproveitámos uma passagem junto ao Louvre para parar na padaria do Eric Kayser (4, Rue de L'Echelle) e experimentar os seus produtos sem glúten. Não oferecendo a típica baguette, existem 3 ou 4 opções de pães sem glúten integrais: o que escolhemos, fazia lembrar ligeiramente a broa de milho- era agradável, mas não deixou saudades. Obviamente, sendo um produto Eric Kayser e sem glúten, foi caro.

Os nossos jantares e pequenos-almoços foram feitos no aparthotel onde ficamos, escolhido particularmente pela sua localização, a uma paragem de metro da Disneyland Paris, um dos objectivos da viagem. A outra grande vantagem deste hotel, além de ficar situado ao lado da dita estação de metro, era ter um enorme hipermercado Auchan por trás, onde havia alguma selecção de produtos sem glúten. “Alguma” é uma vantagem, porque tirando os hipermercados, não encontramos produtos sem glúten em mais locais de compra. Aliás, a França, no aspecto da rotulagem, tem qualquer coisa a aprender com outros países europeus, porque raramente vimos descrição de alergéneos nas embalagens. E se a situação é difícil para aqueles que fazem uma dieta sem glúten, os intolerantes à lactose não têm sorte nenhuma.


Quanto à Disneyland Paris, que fez a alegria dos petizes, é um pesadelo com glúten desde a entrada à saída. No site, há menção de menus sem alergéneos nos seus variados restaurantes, os menus Natama, mas 1)nem todos os restaurantes que tinham estes menus estavam abertos à hora de almoço e 2) os que estavam abertos, não tinham sequer todas as opções de menús: no nosso caso, fizeram-nos pagar à entrada um menú com sopa, prato principal e sobremesa (15€ cada), mas não havia sopa, e a sopa do dia no restaurante era gaspacho… Obviamente, pedimos o reembolso da sopa e não houve qualquer problema da parte dos funcionários. No entanto, estamos a falar de comida congelada, aquecida no micro-ondas e trazida para a mesa na embalagem original… Enquanto todos os outros clientes se refastelavam prato atrás de prato no “Buffet Coma o que Quiser”. Definitivamente, mais vale levar sandes, fruta e bolachas. Parece que a situação na Disneyland em Orlando, E.U.A., é melhor, mas, para já, ficamos pela visita à congénere de Paris. Vale sobretudo a pena pela alegria que traz às crianças.

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