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DADOS, DICAS E RECEITAS DE VIDAS SEM GLÚTEN



sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Doença celíaca e endometriose

Mais um excelente post do blog The Patient Celiac.

"Doença celíaca e endometriose
Imagem retirada da Net
Enquanto estava a “folhear” a base de dados da PubMed (www.pubmed.gov), como sempre faço todas as semanas, deparei-me com uma carta interessante para o editor da revista Archives of Gynecology and Obstetrics, intitulada "Doença Celíaca e Endometriose: Qual é o Nexo?" A endometriose é uma desordem ginecológica comum, que afecta cerca de 10% das mulheres em idade fértil. Implica o desenvolvimento de endométrio, que é o tecido que reveste o útero, em áreas do corpo que ficam fora deste. Os sintomas da endometriose incluem períodos menstruais pesados​​, dor abdominal e pélvica, ciclos menstruais anormais e infertilidade. Embora a causa exacta da endometriose seja desconhecida, as teorias incluem a menstruação retrógrada (células do endométrio do útero a fluirem para trás, para as trompas de Falópio em vez de para o exterior, durante a menstruação), um posicionamento anormal de células estaminais embrionárias na cavidade pélvica que produzem tecido endometrial , e/ou uma doença do sistema imunológico.

A endometriose está associada com os genes HLA-DQ2 e DQ8 (que também estão presentes em aproximadamente 96% dos pacientes com doença celíaca), bem como o gene DQ7, que tem sido associado com a doença celíaca em alguns italianos do sul, da Sicília e da Sardenha.

Dois estudos publicados nos últimos anos demonstraram uma associação entre doença celíaca e endometriose. Investigadores na Suécia (Stephansson, et al.) reviram os registros médicos de mais de 11000 mulheres com doença celíaca em 2011. Foi encontrado um risco muito maior de ter endometriose, comparando com os controlos, nas mulheres com doença celíaca, especialmente no primeiro ano após o diagnóstico de doença celíaca (rácio global de risco de 1,39). Os autores postulam que deve haver um processo inflamatório comum entre as duas doenças. Da mesma forma, investigadores no Brasil constataram que 2,5% das mulheres diagnosticadas com endometriose também tinham a doença celíaca (Aguiar et al, 2009).

A dieta sem glúten foi recentemente recomendada como uma estratégia para controlar a dor da endometriose. Num estudo piloto na Itália, 75% das mulheres com endometriose tiveram uma diminuição nos sintomas de dor após 12 meses na dieta sem glúten. Isto sugere fortemente que a sensibilidade ao glúten e/ou a doença celíaca desempenham um papel na endometriose.

Embora eu não tenha endometriose, tenho interagido com muitas mulheres através das redes sociais que têm tanto a intolerância ao glúten como endometriose. Posso dizer que os meus períodos tornaram-se significativamente mais curtos e menos dolorosos desde que iniciei a dieta sem glúten depois do meu diagnóstico de DC em 2010. Também posso dizer, sem sombra de dúvida, que a minha sensibilidade ao glúten parece fluir com o meu ciclo menstrual. Parece-me que fico mais sensível ao glúten por contaminação cruzada no espaço de 7 a 10 dias antes do meu período, quando os meus níveis de estrogénio estão mais elevados.

Com o tempo, espero que mais pesquisa seja feita que examine a relação entre a doença celíaca e distúrbios ginecológicos. Depois de ler sobre a endometriose, fiz uma pesquisa na PubMed sobre "Doença Celíaca e Síndrome do Ovário Policístico (SOP)" e apareceu um artigo de 2002, publicado na Turquia que não encontrou uma associação entre as duas condições. Tenho a sensação de que, se o estudo fosse reproduzido nos EUA, em grande escala, se demonstraria uma associação entre doença celíaca e SOP.

Para mais informações sobre a endometriose, visite o site da Mayo Clinic. A Rebecca, do blog "Pretty Little Celiac", escreveu também sobre a endometriose neste post de Janeiro de 2013."

Neste blog:

domingo, 13 de Julho de 2014

"Cozinha para todos"

Notícia desta semana que dá conta de mais opções sem glúten a nível da restauração nacional.






Grupo Hoti Hotéis apresenta “Cozinha para Todos”

O Grupo Hoti Hotéis tem em curso um projecto pensado para “restringir as restrições alimentares”, denominado “Cozinha para Todos”.

O objectivo, com base numa carta inspirada na gastronomia mediterrânica, é dar resposta a todas as exigências causadas pela exclusão de alimentos nas refeições, mas sem que haja qualquer limitação de sabor.

Os hotéis do Grupo (Meliá Braga Hotel & SPA, Meliá Ria Hotel & SPA, Meliá Madeira Mare, Tryp Lisboa Oriente, Tryp Lisboa Aeroporto, Tryp Colina do Castelo, Tryp Porto Centro, Tryp Porto Expo, Soleil Peniche e Hotel da Música) vão apresentar diversas opções, com destaque para a aposta nos sabores certos para que vegetarianos, celíacos, diabéticos e intolerantes à lactose não tenham motivo para não desfrutar de uma refeição sem preocupações.

Esta abrangente carta pretende garantir que, cada momento à mesa de uma unidade Meliá, seja sinónimo de degustação de produtos saudáveis e saborosos.

Delfim Filho, director de Operações Norte do Grupo Hoti Hotéis, comenta o projecto “Cozinha para Todos”: “No caso das restrições alimentares, entendemos que as unidades hoteleiras e respectivas equipas de F&B devem estar preparadas para qualquer eventualidade. Quem procura os nossos serviços não espera encontrar limitações, espera encontrar soluções”.

sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Milaneza sem glúten

Este mês de Julho traz-nos a nova variedade de massas da marca nacional Milaneza: massas isentas de glúten, nas suas versões espirais e esparguete. Encontrei-as no Pingo Doce em embalagens de 500 gramas, custo 1,99€ (conheço quem as tenha comprado também no Continente). Na sua composição figura apenas farinha de milho. Ainda não experimentei, quando o fizer, actualizo o post.



quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Repercussões da moda da dieta sem glúten

Imagem retirada da Net
O artigo recente do jornal norte-americano Washington Post que trago hoje retrata uma realidade ainda distante em Portugal: o lado negro da dieta sem glúten, em que aqueles que fazem a dieta por motivos de saúde são ridicularizados e comparados aos adeptos das dietas da moda que a fazem (mal, na maior parte do tempo) porque sim. Esperemos que não chegue a tanto no nosso rectângulo de terra junto ao Atlântico.

"Começou a repercussão contra a dieta sem glúten
As crescentes fileiras de americanos que adoptam dietas sem glúten têm dado origem a uma outra tendência emergente: aquela das pessoas que acham tudo isto uma patetice. (…)

David Klimas tem um amigo que, recentemente, passou a comer sem glúten, um desenvolvimento que este agente imobiliário de 46 anos confirma revirando os olhos. Ele acha que a moda da dieta sem glúten é apenas uma moda passageira, promovida pelas empresas de alimentos "como uma forma de ganhar dinheiro": "na década de 50, todos tinham úlceras", diz ele. "Depois, foram os problemas nas costas. Agora, é o glúten."

A abstinência ao glúten tem crescido dramaticamente nos últimos anos. De acordo com uma pesquisa do Grupo NPD, uma empresa de pesquisa de mercado, quase um terço dos adultos dizem que estão a tentar eliminar ou reduzir o glúten, uma combinação de proteínas encontrada no trigo e outros grãos. Este movimento gerou uma indústria de alimentos em expansão no valor de pelo menos 4 mil milhões de dólares e, talvez até, mais de 10 mil milhões - e crescendo. Corredores inteiros nos supermercados são dedicados à dieta. Cadeias de restaurantes, incluindo Bob Evans, Hooters e, impressionantemente, Uno Pizzaria e Grill, oferecem menus sem glúten. Feiras dedicadas a produtos sem glúten surgiram em todo o país. Bares usam ícones no menu para designar as cervejas sem glúten.
(…)

Cerca de 1 por cento da população americana sofre de doença celíaca, de acordo com a Fundação Nacional para a Consciencialização Celíaca. Esta é uma doença confusa na qual o consumo de glúten provoca danos no intestino delgado e interfere com a capacidade do corpo para absorver vitaminas. Outras pessoas são sensíveis ao glúten e têm reacções negativas ao consumi-lo, mas não têm doença celíaca. As pessoas que têm doença celíaca são, muitas vezes, mal diagnosticadas até que a causa dos seus problemas de saúde - que podem incluir problemas digestivos, erupções cutâneas, fadiga, dores de cabeça e dor nas articulações - é identificada. O único tratamento para a doença é desistir do glúten.

Tem havido um esforço concertado para aumentar a consciencialização sobre a doença celíaca, para que aqueles que vivem sem o diagnóstico correcto possam chegar ao fim do seu sofrimento. Mas algumas pessoas acreditam que este impulso levou a que os recém-convertidos ao sem glúten acreditem que têm uma doença que, na realidade, não têm. "Eu realmente acho que ele continua a ler sobre o assunto e convenceu-se de que é intolerante ao glúten", disse Klimas do seu amigo.

A reacção à dieta sem glúten chegou a um ponto alto no mês passado, quando o comediante Jimmy Kimmel comentou no seu show de fim de noite que, em Los Angeles, o glúten é "comparável ao satanismo", e enviou uma equipa de filmagem para perguntar aqueles que fazem uma dieta sem glúten se realmente sabiam o que é o glúten. (A maioria não sabia.) A apresentadora Chelsea Handler e uma descontente Charlize Theron desconstruíram a questão ao vivo após Handler ter enviado cupcakes sem glúten aos seus amigos, onde se inclui Charlize Theron, durante as férias de Natal. "Eu só acho que se vais enviar enviar um presente, que seja agradável", reclamou Theron, que disse que os bolos sabiam "a papelão."

Daniel Leffler, director de pesquisa do Centro Celíaco no Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston, disse que entre 2 a 3 milhões de americanos relatam manter uma dieta isenta de glúten, e cerca de 10 por cento desse grupo tem doença celíaca. O número de pessoas com a doença está a aumentar - dobrando a cada 30 anos, em ritmo com outras doenças auto-imunes como a diabetes tipo 1-, mas o crescimento dessa população é largamente superado pelo aumento explosivo em pessoas que adoptam a dieta por outras razões, incluindo a perda de peso. Isto levou a que Leffler chamasse a isto o paradoxo sem glúten: "A maioria das pessoas que estão em dieta isenta de glúten não têm doença celíaca, e a maioria das pessoas que têm a doença celíaca, não sabem que a têm e não comem glúten."
(…)

Jessie Dankos, gestora de bolsas de 24 anos de idade que vive em Arlington, Virgínia, sentiu-se mal por uma mulher que recentemente encontrou num casamento que tem uma reacção tão grave ao glúten que tem de verificar os rótulos do seu shampoo para ter a certeza de que este não contém vestígios da substância. Mas Jessie Dankos tem menos empatia pela sua colega de quarto que se auto-diagnosticou e que, por vezes, olha ansiosamente para bolos e espera simpatia por não os poder comer. "Mas, depois, às vezes, ela volta para casa dos bares e traz uma fatia de pizza", diz.

(…) Hannah Glassman, disse que tentou eliminar o glúten da sua dieta durante alguns meses. O seu nível de energia parecia melhorar, disse, mas achou estranho não comer glúten em eventos sociais, como happy hours, onde as pessoas querem compartilhar alguns fritos. Assim, ela tornou-se menos rigorosa e, ocasionalmente, permite-se um pouco de glúten. Neste dia, escolheu uma salada de massa para o almoço. "Provavelmente, vou estar um pouco cansada quando voltar para o escritório", disse ela. "Mas é difícil dizer se é do glúten ou do calor."

Shira Kraft, directora associada de Hemphill Fine Arts e autora do Glutie Foodie, um blog que acompanha as suas aventuras culinárias à volta da cidade, foi diagnosticada com a doença celíaca há quase quatro anos. Ela diz que o movimento sem glúten tem sido uma faca de dois gumes para as pessoas que têm a doença. Por um lado, é óptimo ter mais - e muito mais saborosos - produtos para escolher. Mas também diz que porque tantas pessoas começaram uma dieta sem glúten, a sua condição é, por vezes, levada menos a sério. "Eu certamente sinto que tenho que me defender", diz Kraft, de 31 anos de idade. "Fico envergonhada quando digo que sou alérgica ao glúten, porque sinto que as pessoas reviram os olhos. “Só mais um, a aderir à moda.”

E, embora muitos restaurantes atendam clientes sem glúten, alguns colocam limites sobre o quão longe irão para acomodá-los. Peter Pastan, dono dos restaurantes Etto, Obelisco e 2Amys, traça a linha na pizza sem glúten. Não que as pessoas não a peçam. Elas pedem - quase todas as noites. "É suficientemente difícil fazer uma boa pizza", diz Pastan. Então, ele deu aos seus empregados uma resposta padrão para as investigações sem glúten: "Eles dizem: você está absolutamente certo. Eu compreendo perfeitamente o que me diz, mas o meu chefe é louco e não há nada que eu possa fazer acerca disso. "

Hanson Cheng não presta muita atenção aos inimigos dos sem glúten. Sentindo-se fora de forma há um par de anos atrás, juntou-se a um ginásio CrossFit e passou a fazer a dieta Paleo, que consiste principalmente de carne e legumes. Quando relaxou os seus padrões e tentou comer produtos à base de trigo novamente, notou uma diferença quase imediata. "Poucos minutos depois de comer, senti-me mal do estômago, fiquei inchado e sem energia. Isso só me fez sentir muito mal", diz Cheng, de 33 anos de idade. Assim, tem mantido o seu percurso sem glúten e, em Março, lançou o Green Spoon, um serviço que entrega refeições gourmet sem glúten às portas de 30 a 40 clientes locais a cada semana. Em Maio, a empresa ganhou o prémio de melhor entrada no concurso Taste of Arlington, por um prato de almôndegas mediterrânicas. Os pais de Cheng, que há muito trabalham em restaurantes chineses, estão bastante orgulhosos. E também um pouco perplexos. "Eles gostam que a empresa esteja bem", diz Cheng. "Mas, no fim, ainda gostam de comida chinesa. Eles adoram o glúten. "

segunda-feira, 7 de Julho de 2014

Diagnóstico de adultos

Imagem retirada da Net
Recentemente, no muito interessante blog The Patient Celiac, foi abordada a questão do diagnóstico em adultos e quais as últimas guidelines para o fazer, de acordo com um trabalho britânico de 2014 intitulado "Diagnosis and management of adult coeliac disease: guidelines from the British Society of Gastroenterology". A autora do blog sumarizou as principais conclusões deste longo trabalho que esclarece alguma das mais comuns dúvidas no diagnóstico de adultos.


"1- 6-22% dos casos de doença celíaca são seronegativos. Isso significa que entre 6-22% das pessoas com doença celíaca não têm anticorpos celíacos anormalmente elevados em testes de rastreio, mas têm tecido do intestino delgado anormal na biópsia.

2- Familiares de primeiro grau de celíacos (pais, irmãos e filhos) têm um risco 16 vezes maior de também desenvolverem a doença celíaca se tiverem o teste genético positivo para o HLA-DQ2.

3- Se um paciente tem anticorpos anormalmente elevados da doença celíaca, mas uma biópsia duodenal normal quando a endoscopia é feita (sem sinais de doença celíaca), alguns especialistas recomendam, como passo seguinte, que a endoscopia seja repetida para que as biópsias jejunais possam ser realizadas. O jejuno é a segunda porção do intestino delgado e, normalmente, não é objecto de biópsia quando um paciente é avaliado para doença celíaca. A vídeo cápsula endoscópica também pode ser usada em casos duvidosos.

4- Os relatórios de biópsia devem incluir todos os pontos que se seguem (isto é um pouco técnico, mas importante para aqueles de nós que têm cópias dos nossos próprios relatórios e / ou membros da nossa família):

  • Número de biópsias (incluindo os do bolbo duodenal) e orientação;
  • As características arquitectónicas (atrofia parcial, subtotal normal ou atrofia total das vilosidades);
  • Comentários sobre o conteúdo da lâmina própria (na DC isto são linfócitos, células plasmáticas e eosinófilos, e ocasionalmente neutrófilos, mas criptite e abscessos da cripta devem sugerir outra patologia);
  • Presença de glândulas de Brunner;
  • Presença de hiperplasia da cripta, altura da vilosidade:profundidade de criptas (3:1). A ausência de células plasmáticas sugere uma imunodeficiência comum variável;
  • A avaliação de linfócitos intraepiteliais (LIE)* (com coloração imunocitoquímica para as células T (CD3) em casos duvidosos) é vital.


5- Após o diagnóstico de doença celíaca, os adultos devem ser acompanhados anualmente com todos os seguintes exames: hemograma completo, ferritina, ácido fólico, vitamina B12, cálcio e fosfatase alcalina, testes de função da tireoide e glicose, testes de função hepática, e anticorpos para doença celíaca. Na ausência de sintomas, uma biópsia de seguimento parece ser controversa. A maioria dos especialistas recomenda que seja feita entre dois e cinco anos após o diagnóstico. Definitivamente, seis meses após o diagnóstico parece ser demasiado cedo.

6- No que diz respeito a um desafio de glúten, os autores afirmam: "Para realizar um desafio de glúten, um estudo recente recomenda a ingestão de glúten durante 14 dias com ≥ 3 g de glúten/dia (duas fatias de pão de trigo por dia), para induzir mudanças histológicas e serológicas na maioria dos adultos com DC. O desafio pode ser prolongado por oito semanas, se a sorologia permanecer negativa após as duas semanas."


*Um rácio de 30 ou mais LIE por 100 enterócitos é necessário para definir um grau de Marsh 1.

quinta-feira, 3 de Julho de 2014

Queques de limão e coco

Hoje trago uma receita muito simpática adaptada daqui, que encontrei quando procurava algo rápido que pudesse ser encaixado entre o tratar da casa e fazer o jantar ao final do dia. Além disso, com um bónus: pouquíssimo açúcar que, mesmo assim, convenceu os provadores de serviço!

Ingredientes:
75 gramas de margarina/manteiga amolecida
100ml de sumo de limão
120ml de leitelho
1 ovo
200 gramas de farinha Doves Farm White Self Raising (já traz fermento em pó e goma xantana)
30 gramas de farinha de amêndoa
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
75 gramas de açúcar
75 gramas de coco ralado

Numa taça coloque todos os ingredientes sólidos: farinha, bicarbonato, açúcar e coco. Envolva e reserve.

Noutra taça, junte os ingredientes líquidos: margarina amolecida, sumo de limão, leitelho e o ovo. Misture bem e, de seguida, acrescente os elementos secos. Envolva tudo com uma colher ou com a vara de arames, sem mexer muito, ainda que fiquem grumos na massa.

Coloque colheradas de massa nas forminhas até à altura de 2/3: pode usar formas de silicone, formas untadas ou formas de papel.

Leve ao forno pré-aquecido a 180.ºC durante 20 a 25 minutos, até dourarem. Desenforme e deixe arrefecer.

Rende cerca de 15 unidades.


domingo, 29 de Junho de 2014

Pão com amido de tapioca modificado

Depois do post em que falei do Expandex, ou amido de tapioca modificado, consegui comprar o produto em questão da Isabel's Gluten Free, o Baking Fix. Fazendo algumas experiências, cheguei a esta receita de pão que muito nos agradou cá em casa. A vantagem? A combinação do Baking Fix com a proteína de ervilha permitiram que o pão se mantivesse mais suave durante mais tempo. Bom, bom seria se o amido de tapioca modificado ficasse mais acessível para todos.

Dicas importantes também para o sucesso de uma receita de pão? O uso de massa velha, a levedação a frio prolongada e a cozedura com a ajuda de uma pedra de forno e recipiente com água.


Ingredientes:
285 gramas de farinha Proceli
100 gramas de farinha de arroz
55 gramas de polvilho doce
40 gramas de farinha de Teff (marca Bauckhof no Celeiro) ou sorgo (marca Bob’s Red Mill)
10 gramas de Isabel’s Gluten Free Baking Fix (IGFBF)
10 gramas de proteína de ervilha (marca Now)
5 gramas de sal fino
1 a 2 gramas de fermento seco para pão
20 gramas de banha/margarina
50 gramas de massa velha
470ml água morna
3 gramas de açúcar
1 colher de chá de vinagre

Na cuba da sua batedeira, junte as farinhas, o IGFBF, a proteína de ervilha e o sal. Misture bem e acrescente o fermento. Coloque depois a banha/margarina e misture o açúcar com o vinagre e a água.

Coloque a água na farinha, junte a massa velha e bata bem, durante uns 5 minutos, até obter uma massa homogénea. Tape com plástico transparente e deixe a repousar no frigorífico durante entre 12 a 24 horas.

No final da levedação, enrole a massa em cima de uma folha de papel vegetal enfarinhada com farinha de arroz, e corte em 12 pedaços. Coloque uma pedra de forno, se tiver, a aquecer a 230°C durante 20 minutos, mais um pequeno recipiente de alumínio com água. Depois desse tempo, retire a pedra e coloque os pedaços de massa aí a cozerem, reduza para 210°C e use apenas calor por baixo durante 15 minutos. Coloque depois calor por cima e por baixo e deixe cozer mais 15 minutos.

Caso não tenha pedra de forno, coloque a massa num tabuleiro com papel vegetal e siga o mesmo procedimento.

Quando o pão estiver pronto, faca um arrefecimento gradual, de modo a manter a crosta estaladiça do pão.




quinta-feira, 26 de Junho de 2014

Resumo da 2ª Reunião Nacional de Doença Celíaca

Mais vale tarde do que nunca: desde a 2ª Reunião Nacional de Doença Celíaca, realizada em Braga a 10 de Maio deste ano, a que assisti, que venho adiando sucessivamente um post sobre o tema. A Reunião já tinha sido objecto de um outro post, em que se fazia anunciar, e agora merecia, à laia de conclusão, um texto com as principais novidades.

O ponto alto da Reunião era, sem dúvida, a presença do Dr. Alessio Fasano, mas todos os palestrantes acrescentaram algo à discussão com as suas apresentações. No entanto, queria salientar os seguintes pontos:

- Das intervenções dos vários médicos presentes, apercebi-me que estes acham que dar um diagnóstico de doença celíaca a um paciente é pior do que condená-lo a uma temporada de trabalhos forçados na Sibéria. Não faltou vontade de me levantar e explicar aos senhores doutores que mau, mau é viver com os sintomas de doença celíaca anos a fio- a dieta sem glúten pode ser e é realizável, saudável, e agradável para a maior parte daqueles que a praticam;

- Felizmente, a intervenção da APC, na pessoa da sua presidente, foi bastante enfática na facilidade com que se segue uma dieta sem glúten hoje em dia, e tão exuberantemente positiva que acho até que muitos dos presentes saíram dali tristes por não serem celíacos;

- Aliás, graças ao almoço sem glúten para todos os presentes, muitos já tinham ficado convencidos que uma alimentação sem glúten não tem que ser cinzenta (o pãozinho do coffee break, que seria talvez Valpiform ou Schar, é que não convenceu, mas já sabemos que o pão é o mais difícil);

- Confirma-se que, fora do âmbito dos pediatras e gastrenterologistas, a doença celíaca é uma desconhecida- durante as apresentações de um dermatologista e de um médico de família, ambos declararam que, antes de fazerem a pesquisa para aquele evento, ignoravam a prevalência da doença e as suas manifestações sistémicas. Ambos admitiram também que provavelmente já teriam tido vários celíacos por diagnosticar nos seus consultórios e que falharam no diagnóstico… Mas prometeram que iriam estar mais atentos.

O Dr. Fasano fez duas apresentações, uma sobre a altura da introdução do glúten e a outra sobre as tendências futuras na pesquisa sobre doença celíaca. Os pontos-chave foram:

- A doença celíaca não é uma doença da gastrenterologia, é sim uma doença sistémica;
- Antigamente, era uma doença fatal, pois cerca de 33 a 35% dos celíacos morria das suas consequências;
- Genes e consumo de glúten são essenciais para que a doença dispare, mas não são suficientes;
- Outros factores que se começam a conhecer- o papel da amamentação, cesariana vs. parto normal, a maturidade da parede intestinal, a altura da introdução do glúten e as alterações que trazem ao microbioma intestinal de cada um (o Dr. Fasano alertou para o número de Junho do New England Journal of Medicine em que sairia um estudo sobre este tema);
- Em relação à introdução do glúten na alimentação do bebé, os estudos diferem, pelo que, até agora, só é certo que nunca deva ocorrer antes dos 4 meses;
- Entretanto, a instituição na qual trabalha o Dr. Fasano, o Mass General Hospital for Children, iniciou um estudo intitulado CDGEMM (Celiac Disease Genomic Environmental Microbiome and Metabolomic) que visa estudar o impacto do glúten no microbioma das crianças a longo prazo e a nível internacional;

- Para o Dr. Fasano, o “Leaky Gut Syndrome” (síndrome do intestino permeável) não existe e é um mito propagado pelas medicinas alternativas;
- Para diagnosticar a doença celíaca, deve-se observar a regra dos 4 em 5, ie, estabelece-se quando estão presentes quatro dos 5 seguintes factores- análises positivas, genética positiva, biópsia positiva, sintomatologia e resposta à dieta;
- A doença celíaca, sabe-se agora, é uma doença global e não apenas apanágio dos povos ocidentais, começando a registar-se casos agora na China, onde era uma doença rara, devido à alteração para uma dieta muito baseada no trigo;
- Estão em fase de estudo alguns medicamentos, incluindo o acetato de larazotide, desenvolvido pela equipa do Dr. Fasano, que pretende parar a acção da zonulina. Este progrediu com sucesso através das fases iniciais dos ensaios clínicos com a farmacêutica Alba Therapeutics e, em breve, entrará na Fase III. Esta "pílula celíaca" pode complementar a dieta e ser uma rede de segurança para evitar os danos da contaminação cruzada, mas não será uma alternativa à dieta isenta de glúten.


Resta reconhecer a excelente organização e o empenho pessoal da Dra. Henedina Antunes, gastrenterologista pediátrica do Hospital de Braga, em divulgar e educar a população em geral e os seus colegas sobre doença celíaca. As apresentações podem ser conhecidas em detalhe no libreto “Medicina da evidência na doença celíaca”, lançado durante a reunião.


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