No passado sábado, dia 13, começou mais uma temporada do programa da RTP1, Chefs' Academy, que, nesta edição, tem um especial interesse para quem faz uma dieta sem glúten: uma concorrente, a Carina Andrade, é celíaca e quer aproveitar esta sua experiência para divulgar a sua condição, ainda tão pouco falada em Portugal. O programa disponibiliza produtos sem glúten, estando a despensa abastecida com produtos Schar. Será interessante acompanhar e ver as receitas criadas pela Carina, assim como irá gerir os problemas da contaminação cruzada.
INFORMAÇÃO É PODER
DADOS, DICAS E RECEITAS DE VIDAS SEM GLÚTEN
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quinta-feira, 18 de setembro de 2014
segunda-feira, 31 de março de 2014
Primavera sem glúten
Este mês, como se pode ver pelos posts anteriores, tem sido fértil em novidades. Parece que com a chegada da Primavera, o mundo deixa a hibernação de Inverno e a vida acontece, e o mundo sem glúten não é excepção. Estas novidades chegaram-me aos ouvidos no Grupo Viva Sem Glúten Portugal do Facebook.
Novos rótulos Amanhecer
A marca própria Amanhecer do Recheio Cash and Carry (da Jerónimo Martins) já traz rótulos "Sem Glúten" em alguns dos seus produtos, inclusivamente alguns destes têm o logotipo da APC. Da última vez que lá fui, trouxe estes gelados para experimentarmos:
Sol de Inverno e a doença celíaca
Não costumo ver telenovelas, mas quase que apetece começar a seguir a novela da SIC, Sol de Inverno, só para ver o tratamento que vai ser dado a esta trama da história:
"Os dramas na vida de Manel não vão terminar tão cedo e o pior está para vir! Vasco, o filho do contabilista, adoece e os médicos não conseguem perceber do que se trata... O problema surge quando o menino começa a perder peso e a sofre de indisposições frequentes. Ao ver o filho sempre pálida, sem forças e sem a energia que lhe é habitual, Manel fica desorientado. Consulta então vários especialistas e as idas ao hospital tornam-se frequentes. Porém, apesar de todos os esforços, os exames médicos são inconclusivos e não conseguem direcionar os clínicos para um diagnóstico. Manel fica desesperado.
Em pânico, procura então Ana e conta-lhe tudo o que se passa com o menino. Também a gestora fica aflita e sente-se incapaz de ajudar a criança. A verdade é que o antigo casal teme por Vasquinho. O desespero só chega ao fim quando um dos médicos aconselha o menino a fazer testes às alergias e se descobre que ele sofre de doença celíaca. Manel e Ana respiram de alívio, pois passaram-lhe cenários mais graves pela cabeça. Porém, sabem que Vasco irá agora enfrentar uma nova realidade. O menino vai ter de conviver com uma doença crónica e dali para a frente não poderá ingerir alimentos com glúten. Todos os seus hábitos alimentares vão ter de mudar da noite para o dia..." (in Mais Televisão)
Á parte o facto de doença celíaca não se diagnosticar com "testes às alergias" (que pode ser um erro de quem escreveu a notícia, não da novela em si), este desenvolvimento na vida da personagem pode ajudar a divulgar a doença celíaca, os seus sintomas e dificuldades de diagnóstico, assim como a gestão da dieta, informação que, de outra forma, não chegaria ao público em geral. Provavelmente, da próxima vez que disser que o meu filho tem doença celíaca, talvez ouça um "ah, como o Vasco da novela" em vez de "Como?", e isso já é uma evolução, sintomática do aumento de número de diagnósticos e maior visibilidade desta condição.
Vitaminas impróprias para consumo
A cadeia de fast-food Vitaminas, presente em muitos centros comerciais, começou a disponibilizar opções sem glúten. Contudo, um contacto com o seu serviço de Apoio ao Cliente bastou para perceber que não é uma verdadeira opção para celíacos e sensíveis ao glúten que têm de fazer uma dieta estrita:
"Na verdade iniciamos em Março, a comercialização de produtos sem glúten, massa e pão exclusivamente, nos nossos restaurantes Vitaminas.
Relativamente à questão que nos colocou, é que mesmo sendo produtos sem Glúten, não aconselhamos a celíacos, pois operacionalmente não conseguimos garantir a 100%, que não tenham quaisquer vestígios de glúten, devido à sua manipulação e acondicionamento.
De fato por receio de poder existir alguma contaminação cruzada (pese embora tenha sido dada formação aos colaboradores para a evitar, bem como tenham sido adquiridos os utensílios próprios e exclusivos para uso com estes produtos), não aconselhamos o seu consumo a celíacos, apenas a clientes que pretendam efetuar uma dieta sem glúten, sem ter por base questões de saúde.
Esta opção, reiteramos, traduz-se no fato de não nos ser possível assegurar que não possa existir um erro na manipulação desses produtos por um dos nossos colaboradores (de entre as centenas de colaboradores que temos) e que tal possa resultar na contaminação do produto que é algo que não podemos sequer correr o risco de acontecer, uma vez que a nossa principal preocupação é a saúde e satisfação dos nossos Clientes.
Agradecemos a sua preferência, esperando que compreenda esta situação."
É o dar sem dar, o "gaste o seu dinheirinho connosco, mas, se ficar doente, não temos nada a ver com isso". É uma opção apenas para os que se baldam à dieta porque acham que não há consequências ou para quem faz a dieta por moda. É pena que assim seja, pois já vimos neste blog exemplos de como é possível vender sandes isentas de glúten sem obrigar a a grandes acomodações. Assim, a imagem que a empresa transmite, a meu ver, é "podíamos fazer melhor, mas não estamos para nos chatear".
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Gente Sin Gluten TV
Espanha dá mais um passo em frente na melhoria de vida dos seus celíacos e sensíveis ao glúten: nasce este mês um canal de televisão online dedicado a este segmento da população e à dieta sem glúten. Intitulado de Gente Sin Gluten TV, define-se como um canal que traz:
"- Emociones, experiencias, sensaciones... La vida de los celíacos y sensibles al gluten.
- Valor social, componente estético, rigor informativo.
- Donde se detecta interés para la población celíaca está Gente Sin Gluten TV.
- Canal de conexión entre empresas y consumidores de productos y servicios sin gluten."
Y viva a Espana!
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Doença celíaca na Praça da Alegria
O programa da manhã da RTP, Praça da Alegria, trouxe hoje mais um pouco de reconhecimento aos doentes celíacos: na rubrica Haja Saúde, foram convidados o Dr. Francisco Pestana Araújo, médico internista, e Sofia Crisóstomo, mãe de um menino celíaco. Para quem não viu, pode ver esta rubrica através do seguinte link, que se inicia aos 14 minutos do vídeo:
sexta-feira, 30 de março de 2012
A tiróide e o glúten
No episódio desta semana da série de televisão Dr. House (que irá repetir hoje, às 22.20 horas no canal Fox), o caso tratado foi de um homem diagnosticado com uma tiroidite e doença celíaca. Esta associação é uma das mais estudadas e das mais reconhecidas, como se pode ver por esta lista que se segue:
Autoimmune thyroid diseases and coeliac disease.
Prevalence and clinical features of celiac disease in patients with autoimmune thyroiditis: cross-sectional study.
Antithyroid Antibodies and Thyroid Function in Pediatric Patients with Celiac Disease
High Proportions of People with Non-Celiac Wheat Sensitivity Have Autoimmune Disease or Anti-nuclear Antibodies.
Antithyroid Antibodies and Thyroid Function in Pediatric Patients with Celiac Disease
High Proportions of People with Non-Celiac Wheat Sensitivity Have Autoimmune Disease or Anti-nuclear Antibodies.
Apesar de haver indivíduos que conseguem fazer regredir uma tiroidite (ou diminuir o seu impacto) com uma dieta isenta de glúten, estes não são a maioria, pois uma vez iniciada a doença auto-imune, é difícil fazê-la desaparecer. No entanto, este caso italiano é um caso de sucesso:
"Associação incomum de tiroidite, doença de Addison, falência ovárica e doença celíaca numa mulher jovem
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| Imagem retirada da Net |
A coexistência de doenças endócrinas auto-imunes, em particular doenças auto-imunes da tiróide e doença celíaca (DC), foi noticiada recentemente. Apresentamos aqui o caso de uma mulher de 23 anos com um diagnóstico de hipotiroidismo devido à tiroidite de Hashimoto, a doença auto-imune de Addison e falência ovárica prematura espontânea com cariotipo normal. Considerando a estreita associação entre doenças auto-imunes e DC, decidimos procurar pelo anticorpo IgA anti-endomísio (EmA) no soro.
A positividade do EmA e a presença de atrofia total das vilosidades na biópsia jejunal permitiu o diagnóstico de DC. Com uma dieta isenta de glúten, a paciente mostrou uma marcada melhoria clínica, acompanhada, ao longo de um período de três meses, por uma diminuição progressiva da necessidade de terapias de substituição da tiróide e glândula adrenal. Após seis meses, o soro EmA tornou-se negativo e, após doze meses, uma nova biópsia jejunal mostrou a recuperação completa da mucosa. Depois de dezoito meses com dieta isenta de glúten, os anticorpos anti-tiróide diminuíram significativamente, e nós pudémos suspender a terapêutica substitutiva da tiróide.
Este caso reforça a associação entre a doença poliglandular autoimune e a DC; a identificação precoce destes casos é clinicamente relevante não apenas para o alto risco de complicações (linfoma, por exemplo) inerentes à DC não tratada, mas também porque a DC é uma das causas para o fracasso da terapia hormonal de substituição em pacientes com doença autoimune da tiróide."
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Por falar em médicos
Eis mais notícias do Dr. Oz, que tem trabalhado a favor da divulgação da intolerância ao glúten junto do público americano, através do seu famoso programa e que, em Portugal, passa na SIC Mulher. Desta vez, trago o Dr. Oz em dose dupla: uma entrevista que deu ao canal Fox News acerca da intolerância ao glúten e que serve de prenúncio ao início da nova temporada; o primeiro episódio desta conta com a colaboração de Elisabeth Hasselbeck, uma conhecida apresentadora de TV americana e doente celíaca.
O Dr. Oz revela-se como um acérrimo defensor da dieta sem glúten e afirma, a dada altura da sua entrevista, que, quando um paciente se queixa de que não se sente bem, a sua primeira recomendação é uma dieta sem glúten. Pessoalmente, parece-me extremo se não realizar testes para a doença celíaca antes do início da dieta e estabelecer (ou não) o diagnóstico. Peca por excesso quando tantos outros pecam por falta; eu defendo, como diz o povo, que a virtude deverá estar no meio. Se se pode estabelecer o diagnóstico de DC, é óptimo que haja médicos informados; caso se trate de um caso de sensibilidade ao glúten não-celíaca, por outro lado, é óptimo que haja médicos capazes de aconselhar a dieta quando as análises e/ou biópsia são negativas, mas os sintomas continuam a apontar para o glúten.
Enquanto não temos exemplos destes nos media portugueses, podemos sempre entreter-nos com o exemplo dos outros.
| Imagem retirada da Net |
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
O bom anfitrião
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| Imagem retirada da Net |
Li há pouco um artigo no Daily Mail que abordava a falta de paciência da Martha Stewart para com convidados que abusavam do telemóvel e daqueles com restrições alimentares, como se fossem situações comparáveis. Achei estranho porque já tinha visto receitas sem glúten da D. Marta, exímia dona de casa, mas, provavelmente, queria apenas agradar aos seus espectadores, numa altura em que o número de pessoas a seguir esta dieta aumenta a olhos vistos nos EUA. O problema é que a opinião dela reflecte a de muitos outros que acham que intolerantes ao glúten, à lactose, ou soja, são apenas "esquisitos" com a comida. E são muitos a pensar assim... logo, quando há pessoas que se dão ao trabalho de preparar uma refeição sem glúten por causa do meu filho, a minha gratidão e apreço são a dobrar. Felizmente, ainda são algumas. Um excerto do artigo:
"Quanto às alergias, a sua resposta também não é ambivalente:
'Oh meu Deus! Não pergunte! A minha regra é não perguntar sobre restrições alimentares ", diz ela, claramente avessa a fazer um esforço extra para alguns convidados.
"Tivemos um jantar de caridade – apareceram-nos todos os tipos de restrições. Foi horrível!”, recorda ao jornal.
A cozinheira mestre, aparentemente tão acolhedora e controlada, faz uma concessão menor.
"Você deverá estar semi-preparado", diz ela de acerca dos “esquisitos a comer”. "Mas não se preocupe com isso. Todos podem perder uma refeição. "
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Jennifer's Way
Há umas semanas atrás, o programa do Dr. Oz fez um segmento com a actriz Jennifer Esposito, que foi diagnosticada com a doença celíaca em 2009. Não sendo uma actriz de primeiro plano em Hollywood, é, contudo, uma cara conhecida dos ecrãs portugueses tendo participado em séries como “Spin City” e “Samantha Who” e filmes como “Crash” e “Summer of Sam”.
Após o diagnóstico, dedicou-se à divulgação da doença e encontra-se a escrever um livro sobre a sua luta para encontrar respostas, assim como um livro de receitas sem glúten. Está a desenvolver uma linha de produtos sem glúten e criou uma organização chamada Jennifer’s Way para educar e promover um estilo de vida mais saudável. No site da organização, apresenta vários conteúdos, inclusive a sua história, que aproveitei para traduzir e reproduzir neste post.
"26 Graus, um dia ensolarado. Eu não tinha reparado em nenhum destes factos naquele dia. Naquele momento, eu tremia, ainda que coberta de suor enquanto estava sentada nua debaixo de uma bata de papel a ser picada e apertada por mais um médico. Tinha acabado de passar a última hora no consultório médico recapitulando cada detalhe do meu historial médico, antecedentes pessoais, antecedentes familiares, sintomas actuais, bem-estar e estado de espírito. Agora, era o momento da verdade, o exame!
Ela verificou a minha pulsação e temperatura, passou as mãos pelo meu corpo, ouviu os meus batimentos cardíacos, tudo de uma forma muito rápida, em cinco minutos. Escreveu algumas coisas na minha ficha, respirou fundo, tirou o estetoscópio e delicadamente colocou a mão nas minhas costas. O meu corpo enrijeceu ao seu toque, mas derreteu de exaustão. Foi isso? Será que ela o encontrou? Um nódulo, um alto, algo inchado que explicaria anos de doença, sem respostas, sem explicação. Era cancro? Eu estava a morrer? E se sim, quanto tempo tinha?
Eu nem sequer me preocupava com os factos naquele momento. Eu estava tão feliz por finalmente ter algumas respostas. Na verdade, consegui por um sorriso no rosto em face à minha desgraça iminente. Olhei para ela com esperança. Ela sorriu de volta, infelizmente, e disse: "Jennifer, você quer se matar?"
Olhei para ela fixamente. Eu não tinha palavras. Apenas lágrimas a rolar pelo meu rosto. Não podia acreditar no que acabara de ouvir. Será que ela, realmente, disse isso? Eu sei que lhe disse que estava deprimida, mas isso foi porque eu estava sempre doente. Isso não deprime qualquer um? Mas matar-me? Era isso que estava escrito no meu rosto? A minha mente corria e o meu âmago gritava.
Eu não tinha acabado de descrever, durante uma hora, o que eram já sintomas debilitantes? Sintomas que carregava comigo, pela minha vida, como um peso que agora parecia igual a 100 toneladas. Dormir cerca de 13 horas por noite e acordar exausta, problemas de estômago constantes, ataques de pânico insanos, dores nas articulações, joelhos débeis, fraqueza extrema, amarelecimento da pele, dores de cabeça intensas, dormência, formigueiro, e cabelos e unhas tão fracas que partiam com um simples toque. Para não mencionar a massa enorme que agora despontava no meu pescoço, logo abaixo da orelha.
Apesar de tudo isso, eu tinha conseguido tornar-me numa actriz de sucesso, trabalhando muito. Quase 15 anos como actriz a trabalhar num negócio impiedoso que faria o homem mais forte desmoronar. Tinha casa própria aos 25 anos de idade. Eu era uma amiga, uma tia, uma madrinha, uma irmã e uma mulher de respeito, aos 35 anos de idade. Tinha viajado para o estrangeiro sozinha. Tive relações boas e más. Chorei, aprendi e recebi. Nunca tive um transtorno alimentar, trabalhei fora e nunca tomei uma droga na minha vida. Aprendi a meditar e desenvolvi um centro espiritual forte. Estive no fundo do poço e sabia contar as minhas bênçãos pelo que tinha e não pelo que não tinha.
No momento, porém, era muito difícil contar as bênçãos quando se está cansado demais para sequer ver. Isto parece uma pessoa com uma constituição fraca? Alguém que iria se matar e perder tudo o que tinha alcançado, trabalhado tão duramente? Está a sugerir que os meus sintomas não são reais, como tantos outros antes? Que, de alguma forma, tudo isso é devido ao stress ou, talvez, a algum tipo de desequilíbrio? Já me ofereceram antidepressivos como Valium, Ativan, Klonopin, em número suficiente para começar um cartel de drogas de pequeno porte. Eu tinha sido testada para Lúpus, doença de Lyme, hepatite, artrite reumatóide e uma série de outras doenças. Tudo negativo. Para não mencionar as numerosas colonoscopias, enemas de bário, exames de ressonância magnética, tomografia computadorizada, raios-x, testes de nervos e tanto sangue retirado que poderia ter enchido um rio. Já me disseram que tinha Epstein Bar, síndrome do intestino irritável, fadiga crónica e fui tratada para um parasita que nunca foi realmente encontrado. Para tudo isto, foi-me dado algum tipo de medicação e uma sugestão de ver um terapeuta. Disseram-me que tudo poderia ser um tipo de depressão.
Como é que quando os médicos não conseguem explicar os seus sintomas, de alguma forma, passa a ser algo na sua cabeça? Eu estava tão cansada de explicar e pedir às pessoas para me ajudarem. Eu sentia-me tão ignorada! Eu não sou louca! POR FAVOR, NÃO me mandem embora com uma receita de Valium e o número da sua TERAPEUTA FAVORITA! EU NÃO PRECISO DE ANTIDEPRESSIVOS, PRECISO DE AJUDA !!!!!!!!! Nada, o silêncio, um pequeno suspiro é tudo o que saiu de mim, isso e lágrimas.
Há algo que acontece consigo quando se sente ignorado durante tanto tempo. Você morre um pouco. Eu estava fisicamente, mentalmente e espiritualmente acabada. Estava pronta para aceitar a receita da praxe, juntamente com o diagnóstico de louca e ir embora. Estava farta de lutar por uma resposta e provar a minha sanidade. Então, do nada, ouvi uma pequena voz dizer: "Eu preciso de ajuda. Preciso da sua ajuda, por favor. "
A voz que eu mal reconheci como minha. Foi uma vulnerabilidade que eu nem sequer sabia que existia. Eu implorava pela minha vida com a energia que fui capaz de juntar e deixei a responsabilidade a seus pés. Ela pôs a sua mão na minha mão trémula, olhou-me nos olhos e disse: "Eu vou ajudá-la. Vou descobrir o que está errado. "
Talvez ela realmente me tenha ouvido. É incrível como o espírito humano funciona. Mesmo que eu já tivesse ouvido essa frase antes, de alguma maneira, acreditei nela. Ela levou o que pareciam ser dez frascos de sangue, vesti-me, peguei nos meus 50 quilos e fui para casa esperar.
Duas semanas mais tarde, a médica ligou e disse que eu tinha uma coisa chamada doença celíaca. Disse que era a contagem mais alta que ela já tinha visto. A descarga de adrenalina correu através do meu corpo, oh, tão cansado. "Acharam-no, eu sabia, algo está e tem estado errado". Uma segunda onda de adrenalina: o que raio é a doença celíaca? A médica disse-me que era uma doença digestiva que tinha a ver com o glúten e que eu precisava rapidamente de uma endoscopia. De imediato, ela pôs o meu gastrenterologista ao telefone connosco e explicou as suas descobertas. O comentário dele quando ouviu o que ela tinha a dizer foi "O quê? Realmente? Nunca pensei testá-la para isso… ". Eu fui paciente dele durante cinco anos.
A minha cabeça girava tanto naquele momento que nunca disse o que teria gostado de dizer ao meu gastrenterologista dos últimos cinco anos. Queria dizer algo como isto: "Por que diabo é que eu nunca o ouvi falar DISTO antes". Terminamos a conversa com um número de um nutricionista, instruções para parar de comer glúten, e uma prescrição para um procedimento chamado endoscopia. Fiquei espantada, assustada, feliz e perplexa, tudo ao mesmo tempo. Procurei durante anos para encontrar uma resposta para todas as minhas doenças inexplicadas. Fiz perguntas, boas perguntas aos profissionais. Li tudo o que podia sobre saúde e nutrição. Até comecei uma dieta macrobiótica e vegan, a dada altura. Logo, eu estava ciente da importância da relação entre alimentação e saúde. Por que é eu nem sequer ouvi falar disto, a doença celíaca?? Fui imediatamente à internet e o que eu encontrei, manteve-me colada ao sofá durante horas. Li que tinha uma doença auto-imune e o que acontecia com o meu corpo quando eu ingeria glúten. O dia inteiro e o próximo, percorri a internet para saber "como tratar" e "o que fazer". No pouco que encontrei, tudo dizia a mesma coisa - comer sem glúten. O que diabo significa isso? Eu não conseguia compreender que os restos de massa no meu frigorífico naquele momento já eram. Para sempre.
Entrei em contacto com a nutricionista. Ela explicou um pouco melhor e disse-me para imprimir uma lista do que eu não poderia comer e colá-la no meu frigorífico. Também disse que eu precisava de limpar a minha casa, de glúten ou qualquer coisa que tivesse tocado em glúten. Ela recomendou que eu fosse vista de imediato por este "médico espectacular", em Nova Iorque que se especializou nisso. Mas levava semanas, talvez meses para conseguir consulta. Felizmente, ela conhecia-o e disse que iria fazer uma chamada. Recomendou que tomasse alguma vitamina D e sugeriu que eu pudesse sentir uma desintoxicação ligeira. Desintoxicação… a sério?
Imediatamente, saqueei a minha casa. Potes, panelas, torradeiras, todo o conteúdo dos meus armários estava agora no lixo. A minha cozinha estava vazia, excepto para as listas dos alimentos com glúten. Estes papéis que se supunha irem para a porta do frigorífico, cobriam não só este, mas os três armários ao lado. Todos os meus produtos, sabonetes, loções, champôs, pasta de dentes, tudo parecia ter este material, o glúten.
O que restava? Havia alguma coisa lá fora que não contivesse essa substância? E a minha busca começou.
Digo apenas isto, os quatro meses seguintes foram um inferno absoluto. Tentar navegar por este mundo novo era debilitante. Para não mencionar a "desintoxicação ligeira" que a nutricionista disse que eu poderia sofrer. Horrível. Tremores tão graves que o meu corpo todo se movia. Uma névoa no cérebro, cansaço, suores nocturnos, ataques de pânico extremos, sensibilidade à luz, dores articulares, dores de cabeça e, em seguida, neuropatia. Tudo levou a um telefonema para outro médico. Que não me deu respostas. Isto quando fui levada para o hospital pelo o que parecia ser uma reacção alérgica grave a Deus sabe lá o quê, e a enfermeira perguntava-me o que estava a acontecer, que eu disse que achava que estava a passar por uma desintoxicação da doença celíaca. Ela disse: " você tomou o seu remédio?". Olhei para ela, com o meu corpo agitado e a voz a tremer e disse: "não há medicação para a doença celíaca." Ela respondeu: "Oh sim, certo. Espere, e o que é a doença celíaca? "Eu estava num hospital altamente considerado em Miami. O QUÊ? Percebi que estava por minha conta. Não ajudou quando o médico chegou e disse que gostaria de me manter lá durante a noite para controlar a minha tensão arterial, mas não podia porque não tinha nada para me alimentar. Não havia nada PARA ME ALIMENTAR NUM HOSPITAL QUE NÃO CONTENHA GLÚTEN??
Enquanto estava ali a encharcar em suor a bata e os lençóis, percebi que, se eu sobrevivesse a aquilo, teria de fazer algo.
Este site tornou-se uma ideia, porque se ajudar uma só pessoa a se sentir compreendida, ouvida, justificada ou acompanha, então cumpriu o seu propósito. Veja, quando eu percebi a falta grave de informações, e a grande desconsideração geral para com esta doença e as pessoas que dela padecem, eu virei-me para si. Falei com celíacos noutros fóruns, como o que espero que tenhamos aqui. Eles entendem. Lembro-me da primeira vez que senti a neuropatia a chegar. Estava deitada no meu sofá e, de repente, não sentia todo o lado direito do couro cabeludo, depois o lado direito do rosto, e, por fim, os meus braços. Estaria a ter um ataque cardíaco?
Estava tão cansado de ouvir tantas respostas ridículas de médicos ou nenhuma resposta, que decidi me acalmar (embora eu estivesse em pânico) e procurar neuropatia no Google. Encontrei, alguém falava exactamente disso. Era outra pessoa que lidava com a doença celíaca e contava exactamente os mesmos sintomas que eu. Quando abri o link, encontrei um fórum sem glúten para celíacos. O meu mundo mudou. Eram tantos como eu, e sugeriam o que eles tinham feito para se sentirem melhor. Isso é tudo o que queremos. Sentirmo-nos melhor. Comer melhor. Ter melhores opções e ser ouvido.
Eu ouço-o e eu estou aqui para ajudar!
É a minha missão.
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