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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Porque há cada vez mais celíacos?

Imagem retirada da Net
Hoje, trago um post sobre um excelente artigo da revista The Scientist de Junho deste ano que, a propósito de um estudo liderado pelo Dr. Edwin Liu que concluiu que a prevalência de doentes celíacos é superior ao que se pensa, faz um apanhado do que de último se tem descoberto neste campo da investigação científica. O artigo é extenso e merece a pena ser lido por quem se interessa por estes assuntos; deixo aqui um resumo dos pontos principais para quem não percebe Inglês.


"Edwin Liu descobriu que a verdadeira prevalência de doença celíaca tinha que ser muito maior - mais de 3% aos 15 anos. "Foi uma surpresa", disse. "Estes números são muito mais altos do que qualquer outros citados nos EUA". Os investigadores que leram o artigo, que foi publicado online no início deste ano na revista Gastroenterology, ficaram igualmente surpreendidos. "Se vir as percentagens, é assustador", diz o Dr. Joseph Murray, um investigador da doença celíaca na Mayo Clinic em Rochester, Minnesota. Certamente, a estatística pode ser específica para a coorte de Denver, ele repara, mas encaixa-se com tendências semelhantes relatadas tanto nos EUA como no resto do mundo.

À medida que o uso da biópsia e outros métodos de diagnóstico melhoraram nas últimas décadas, a doença celíaca tornou-se mais fácil de detectar. Assim, quando os primeiros relatos de um número crescente de casos de doença celíaca nos EUA surgiram no início dos anos 2000, muitos investigadores atribuíram o aumento no progresso no diagnóstico da doença. Mas um exame mais detalhado dos dados sugeriu que haveria mais motivos. "Nós não estávamos apenas melhores em encontrar a doença celíaca", diz Murray. "Havia muito mais para investigar.”

A causa desta tendência aparentemente global continua a ser um mistério, não menos importante porque, enquanto a imunopatologia da doença celíaca tem sido estudada há décadas, permanece por identificar o que faz com que as pessoas desenvolvam a doença em primeiro lugar. Quase todos os pacientes diagnosticados têm mutações em pelo menos um dos dois genes que codificam para o HLA-DQ, um receptor de membrana em células apresentadoras de antígeno que ajuda o sistema imune a distinguir entre auto e não auto, e coordenar a atividade de células T. Mas nem todos os que têm esses genes de risco se tornam celíacos.

Uma coisa em que os investigadores da doença celíaca concordam é que a causa direta do aumento da doença provavelmente reside fora do nosso ADN. "Décadas, é muito rápido para que as mudanças genéticas ocorram", diz o Dr. Liu. "Temos que assumir que isto se baseia em factores ambientais". Os factores que foram mais certamente ligados ao aumento do risco de doença celíaca em crianças geneticamente predispostas incluem parto por cesariana e infecções intestinais por agentes patogenicos, como o reovírus (recentemente implicado num modelo de ratos), embora os seus impactos sejam provavelmente menores, diz o Dr. Murray.

Durante a década de 2000, por exemplo, vários estudos observacionais apontaram para um conjunto de factores alimentares, incluindo a idade da introdução do glúten, como influenciadores no desenvolvimento da doença celíaca. Mas as descobertas sofreram um golpe em 2014, quando dois ensaios clínicos randomizados não conseguiram encontrar qualquer efeito do momento da introdução do glúten. Os estudos também não encontraram evidências de um vínculo com a duração da amamentação.

Uma hipótese mais recente é que a quantidade de glúten consumida, e não o tempo, poderia desempenhar um papel no desencadeamento da doença celíaca em crianças. As reações a essas descobertas foram distintas, no entanto. Um factor agora sob escrutínio em doenças digestivas e outras é o uso humano de antibióticos e, consequentemente, a composição de bactérias que compõem o microbioma intestinal. As bactérias que vivem no intestino desempenham papéis importantes no metabolismo e na regulação das respostas imunes aos alimentos, portanto, para muitos investigadores, esses micróbios são provavelmente suspeitos na patogénese da doença celíaca. No entanto, as evidências circunstanciais acumulam-se e sugerem mais do que um papel passivo para estes micróbios.

Com tantos factores a serem investigados, o Dr. Edwin Liu diz que é improvável que a explicação para um aumento na incidência de doença celíaca seja simples. "Não creio que possamos encontrar um único gatilho ambiental", diz ele. "Será uma combinação.”

Por enquanto, o único tratamento é uma dieta sem glúten. Mas como o foco na doença celíaca se intensificou, também há pesquisa sobre os efeitos dessa intervenção - e os resultados não são encorajadores. Vários estudos sugerem que os intestinos dos pacientes celíacos não são capazes de se curarem completamente, mesmo com a dieta, pois a ingestão acidental desta proteína omnipresente é quase inevitável; mesmo pequenas quantidades podem desencadear sintomas. Além disso, os pacientes acham que a dieta isenta de glúten é difícil de tolerar porque é isoladora e, muitas vezes, impraticável.

Para melhorar os resultados em pacientes com doença celíaca, alguns cientistas estão a explorar maneiras de enfrentar a resposta do intestino celíaco ao glúten e, potencialmente, restaurar a tolerância:

Uma vacina que poderia ajudar a dessensibilizar os pacientes para o glúten através de uma série de tomas;
Atacar o corpo com parasitas intestinais pode ajudar a mitigar os efeitos desta doença auto-imune;
Um comprimido que exigiria que os pacientes continuem com a dieta isenta de glúten, mas serviria para reduzir a gravidade das reações à exposição acidental quando tomadas antes de uma refeição.

Com esses tratamentos alternativos ainda estarem num longo caminho até estarem disponíveis para o consumo comum, muitos provedores de saúde argumentam que a melhoria das taxas de diagnóstico deve ser a prioridade, para ajudar a entender e cuidar melhor do número crescente de pessoas que vivem com doença celíaca. Parte do atraso nas melhorias tem a ver com médicos gostarem de jogar à apanhada com uma gama crescente de sintomas reconhecidos como sinais de alerta. Há também reticência entre os médicos em diagnosticarem esta condição - uma situação que, de forma paradoxal, não foi ajudada pela crescente popularidade das dietas sem glúten e a publicidade em torno do "espectro" de distúrbios relacionados com o glúten."



domingo, 13 de agosto de 2017

Petição FACE

A Face (Federação de Associações de Celíacos de Espanha) lançou uma petição no site wemove.eu, apelando ao Parlamento Europeu que  altere o Regulamento de Execução (UE) n.º 828/2014 da Comissão Europeia. Este documento tem criado muita discussão entre os celíacos devido às várias designações que criou e que vieram eliminar a menção que todos conhecemos de "sem glúten".

Esta petição propõe-se a angariar 5000 assinaturas e, para já, tem pouco mais de 3600. Se concordarem com o texto e objectivo da petição, é só ir ao site e assinar. Este é um assunto que interessa a todos os celíacos europeus. Fica a dica.

"Texto da petição
Remoção da menção de "teor muito baixo de glúten", validada no Regulamento de Execução (UE) n.º 828/2014 da Comissão, relativo às condições para a transmissão de informações aos consumidores sobre a ausência ou reduzida presença de glúten nos alimentos.

Porque é importante
Ao ser diagnosticado com doença celíaca devem-se iniciar uma série de mudanças que devem ser mantidas ao longo da vida:

Mudança nos hábitos alimentares
Manter uma dieta isenta de glúten
Aumento do custo da cesta básica de compras
Leitura cuidadosa dos rótulos dos produtos

Se a leitura dos rótulos dos produtos fornecer todas as informações sobre os ingredientes e/ou matérias-primas fornecidas à população em geral, isto ajuda a escolher correctamente os produtos que serão consumidos.

O problema para o coletivo celíaco surgiu a partir da entrada em vigor do Regulamento de Execução (UE) n.º 828/2014 da Comissão, relativo às condições para a transmissão de informações aos consumidores sobre a ausência ou presença reduzida de glúten nos alimentos.

Neste regulamento define-se a catalogação de produtos com "teor muito baixo de glúten", os quais podem conter até 100 ppm.

Para além disso, no artigo 3.° deste regulamento prevê-se que a informação alimentar pode ser acompanhada pelas seguintes declarações:

Adequado para pessoas com intolerância ao glúten
Adequado para celíacos
Desenvolvido especificamente para pessoas com intolerância ao glúten
Desenvolvido especificamente para celíacos

De acordo com o estudo de Catassi et al. (2007), uma quantidade de 50 mg / kg por dia provoca danos no intestino em pacientes com doença celíaca e impede que o tratamento seja eficaz pelo que não poderão consumir produtos rotulados como "teor muito baixo de glúten".

Estes termos são incongruentes e causam perigo entre o colectivo celíaco ao transmitirem informação que pode induzir em erro ou confusão, especialmente em celíacos recém-diagnosticados.

Portanto, a fim de proteger o coletivo celíaco para que possa manter o seu tratamento da forma mais eficaz possível, pedimos aos parlamentares para alterarem o Regulamento, eliminando as anteriores definições expostas, mantendo apenas a declaração "sem glúten"."


sábado, 5 de agosto de 2017

Nova Iorque sem glúten

As nossas férias este ano passaram pela “capital do mundo”, Nova Iorque. Este era um destino que estava escolhido há já algum tempo, mas para o qual ainda não tínhamos tido a oportunidade de ir- para além do interesse em visitar a cidade que é Nova Iorque, era também um destino onde, com alguma facilidade, conseguiríamos manter a nossa dieta sem glúten.

Reuni sem problemas (com a ajuda do Google) uma lista de restaurantes e pastelarias onde encontraríamos opções sem glúten: com algumas raras excepções, eram, no entanto, locais com cozinhas partilhadas e que obrigariam a uma vigilância mais apertada. A dificuldade maior foi na selecção porque eram imensos os locais com opções sem glúten. 

Os preços são outra preocupação: Nova Iorque é muito, muito cara, os museus, os restaurantes, os supermercados, os transportes… As poucas atracções a custo zero passam por visitas a lojas como a Lego Store ou a M&M Store, que os miúdos adoram ver, ou passeios pela cidade em Central Park, Highline Park ou a Ponte de Brooklyn, por exemplo. Existem também muitos e bem apetrechados parques infantis, onde os miúdos se divertem e os pais podem descansar as pernas dos vastos quilómetros que se percorrem diariamente para ver esta cidade. Os esquilos nos parques também são um bom entretenimento e grátis!

A nível da hospedagem, nós ficamos num hotel, mas um aluguer de apartamento (pelo airbnb, por exemplo) dá a vantagem de se poder cozinhar e evitar os preços dos restaurantes. Para compras de comida, o local de eleição é sem dúvida o Whole Foods que, apesar de ser mais caro que outros supermercados como o Trader Joe’s ou Fairway Market, possui uma vasta selecção de produtos sem glúten. Tem ainda zonas para refeições disponibilizando condimentos e micro-ondas, onde se pode comer os produtos comprados na loja: foi a nossa salvação num almoço em que estávamos longe de um restaurante com opções sem glúten, tendo preparado sanduíches com produtos adquiridos no supermercado.

A maioria dos hóteis em Nova Iorque com preços médios não disponibiliza pequenos-almoços: uma estadia num hotel que não o faça implica que tenha no quarto um frigorífico e um micro-ondas onde possa guardar e aquecer produtos comprados nos supermercados- ou então tomar o pequeno-almoço fora o que implica mais custos e mais riscos para a dieta. No nosso caso, o hotel tinha pequeno-almoço que, contudo, não incluía opções sem glúten, pelo que levávamos o pão e os cereais e completávamos com os iogurtes, chá, café, fruta, ovos, mel e manteiga de amendoim que o hotel disponibilizava.

Para as deslocações viajamos com a KLM e a Delta Airlines: reservamos antecipadamente as refeições sem glúten a bordo e, perto da data de partida, reconfirmei que as refeições estavam agendadas. Não houve algum contratempo e foram-nos disponibilizadas opções sem glúten durante o voo. Entretanto, devido a um atraso da Delta, perdemos a ligação no aeroporto de Schipjol, em Amesterdão, e acabamos por passar lá mais tempo do que desejaríamos. Procuramos uma opção sem glúten para almoçar e foi quase como procurar uma agulha num palheiro. Contudo, ao pesquisar na Net, apercebemo-nos de que o McDonald’s na Holanda também já disponibiliza pão sem glúten e lá veio a fast food em nosso socorro.

Regressados, finalmente, restam-nos as fotos e as memórias que hão-de perdurar, assim como a certeza de que não nos devemos deixar limitar por restrições alimentares. Como já referi outras vezes, é preciso apenas uma mochila generosamente recheada para qualquer eventualidade, e mais preparação do que o habitual: a lista de atracções a visitar deve indicar quais as opções sem glúten perto de cada uma e definir a priori quais os roteiros a percorrer (para os EUA, a app Find Me Gluten Free é quase imprescindível).

Boas férias!


RESTAURANTES COM OPÇÕES SEM GLÚTEN
A congénere americana da conhecida pastelaria francesa, serve pequenas refeições e doces ao estilo americano. O serviço é simpático e fica perto do Museu Guggenheim. Tem instalações 100% sem glúten.
Na zona de Hell’s Kitchen, este restaurante italiano serve pizza à base de farinha de grão-de-bico e uma focaccia deliciosa. Também tem pratos de massa. O serviço é muito simpático.
Servem hambúrgueres à la carte na zona de Times Square, sendo que os recheios e os molhos são todos personalizáveis.
Sendo a dona celíaca, o menú é quase todo sem glúten. Comida ao estilo diner americano, tem 4 espaços em Manhattan.
Um restaurante chinês com menú sem glúten perto do Museu de História Natural. Porções generosas e saborosas a acompanhar uma saudade imensa de comida chinesa.
Como o nome indica, este é um restaurante de comida mexicana em que as opções sem glúten estão indicadas no menú (e são muitas). Pode-se escolher guacamole com tortillas para entrada e o mesmo é preparado à nossa frente. Fica na zona de Union Square Park.
Uma pequena loja de take-away, a escassos metros do nosso hotel, permanentemente cheia. O único prato é o Poké, uma receita havaiana à base de atum crú e arroz (também há a versão com frango ou tofu). Quase todas as opções de acompanhamentos e molhos são sem glúten, convém verificar com os funcionários. Várias localizações em Manhattan.
Na zona de Brooklyn Bridge, fica esta pizzaria com dezenas de opções no menú, entre elas a pizza sem glúten. Pizzas grandes e das mais saborosas que já comemos, o serviço é que não foi nada de especial.
Localizado no Gotham West Market, um antigo mercado reconvertido para zona de restauração, disponibiliza comida orgânica, saudável, sem glúten. As doses não são grandes, mas é uma boa opção para quem vai visitar o porta-aviões Intrepid, Sea and Air Museum.
Com várias localizações, a unidade de Hell’s Kitchen decorado ao estilo industrial serve uns saborosos hambúrgueres tão grandes que se come melhor de faca e garfo. O serviço foi agradável.

Outras opções que não visitámos:

PASTELARIAS/LOJAS COM OPÇÕES SEM GLÚTEN
Já acima mencionada, tem alguns doces iguais à loja de Paris, mas aposta mais em muffins, pies e cheesecakes. Contudo, a qualidade é semelhante.
Com uma oferta semelhante à Noglu, e com igual nível de qualidade, peca por não ter zona para sentar.

Outras opções que não visitámos:




quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Novidades do pão sem glúten

Partilho hoje uma notícia do site Celiac.com com novidades que, a serem correctas, permitirão melhorar ainda mais a qualidade do pão sem glúten nas suas diferentes vertentes sensoriais. Contudo, como se costuma dizer, quando a esmola é muita, o pobre desconfia, pelo que teremos que aguardar que o produto esteja no mercado para verificar as suas vantagens.


"Pode uma nova enzima à base de arroz elevar a qualidade do pão sem glúten?

As enzimas estão a desempenhar um papel crescente tanto no tratamento da doença celíaca quanto no fabrico de produtos panificáveis sem glúten.

A DSM apresentou recentemente a sua nova enzima para panificação com base em arroz, Bakezyme, na reunião anual do Institute of Food Technologists (IFT) em Las Vegas. O produto levou dois anos para desenvolver e aperfeiçoar, e promete melhorar a suavidade e a humidade do pão sem glúten.

"Bakezyme é tão eficaz", diz a DSM, "e deixa o pão sem glúten tão macio e tão húmido que poderá competir com pães à base de trigo na textura". Projectado para atender a uma série de necessidades do fabricante, a Bakezyme está disponível em cinco classes de enzimas diferentes: amilase, protease, xilanase, glicose oxidase e amiloglucosidase.

A versão com amilase, uma enzima que evita o endurecimento do pão, por exemplo, manterá a suavidade deste durante nove dias, pelo menos.

Fokke Van den Berg, o gestor de negócios global da DSM para a panificação, diz que a Bakezyme surgiu dos esforços da DSM para enfrentar as duas maiores queixas dos consumidores sobre o pão isento de glúten, a dureza e a secura.

Enquanto a maioria das enzimas para panificação são derivadas do trigo, Bakezyme é feito de microorganismos resultantes de fermentação e adicionados à farinha de arroz, tornando-a adequada para pessoas com doença celíaca e intolerância ao glúten. Como as enzimas são desactivadas durante a cozedura, a Bakezyme é considerada como um auxiliar de processamento e, portanto, não é necessário que seja listado como um ingrediente.

A DSM testou a Bakezyme em dois tipos de massa, aveia e uma mistura de batata e arroz, cada uma exigindo uma formulação ligeiramente diferente para resultados semelhantes.

Além dos ligeiros custos de garantir que a Bakezyme é isenta de glúten, o seu preço global é semelhante aos outros ingredientes enzimáticos, em parte porque é apenas necessária uma quantidade muito pequena. Um quilo de Bakezyme é suficiente para produzir 10 toneladas de pão.

A empresa espera que a maioria da procura venha dos EUA e do Reino Unido, bem como de outros países europeus, ainda que a moda sem glúten também se esteja a espalhar para o Brasil, Turquia e Marrocos, disse Van den Berg."



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