INFORMAÇÃO É PODER

DADOS, DICAS E RECEITAS DE VIDAS SEM GLÚTEN



segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"Corintias" sem glúten

Com a descoberta desta receita, lembrei-me das bolachas Corintias, da Triunfo. Uma bolachinha crocante, com um leve sabor a canela e a quantidade certa de corintos. Experimentei a receita já que tinha todos os ingredientes à mão; a farinha de coco não é muito acessível, mas penso que possa ser substituída por farinha de arroz, sendo que, nesse caso, já não cumpre o seu preceito original que é ser apta para uma dieta sem cereais. O resultado final é só ligeiramente semelhante ao das Corintias, talvez mais a nível de sabor, pois esta é uma bolacha mais doce e mais densa. Aconselhável para os mais gulosos.

Ingredientes:
115 gramas de manteiga derretida
150 gramas de mel
150 gramas de amêndoas em pó
30 gramas de farinha de coco
1 1/2 colher de chá de canela
1/2 colher de chá bicarbonato de sódio
Sal fino
100 gramas de corintos

Misture a manteiga e o mel. Adicione as farinhas, a canela, o bicarbonato e o sal. Misture bem. Envolva então na massa os corintos, mexendo até estes estarem distribuídos uniformemente.

Coloque a massa em bolas achatadas num tapete de silicone ou tabuleiro forrado com papel vegetal, com dois centímetros de distância entre porções. Vai ao forno pré-aquecido a 160ºC durante 13 a 15 minutos (consoante gostar das suas bolachas mais ou menos crocantes) até que as bordas estejam douradas.

Deixe as bolachas arrefecerem fora do forno, mas sem as retirar do suporte onde as cozeu. Deverá obter 24 bolachas.



















domingo, 4 de dezembro de 2011

Gifflar ou croissants suecos

Já há algum tempo que queria experimentar com uma receita de croissant, mas não com a receita tradicional à base de massa folhada, pois esta parece-me difícil de obter. Se calhar até não é, mas aquelas voltas todas que se tem de dar à massa depois de incorporar a manteiga, parece-me um trabalho hercúleo. Assim, procurava um croissant tipo brioche que encontrei no blog da Ana, uma portuguesa que vive na Suécia, o anasbageri. A receita é bastante acessível e os (mini) croissants que obtive ficaram saborosos, especialmente se comidos mornos... no dia seguinte, lá precisam de uma voltinha de 20 segundos no micro-ondas para recuperar a sua antiga glória, mas isso não é defeito da receita, é a falta que o glúten lhe faz. Fiz meia receita para experimentar, ainda que mantivesse a quantidade de ovo, pois não há "ovo a mais" para um produto sem glúten.

Ingredientes:
300 gramas de farinha 
8 gramas de fermento seco
1 Ovo
75 gramas manteiga sem sal
30 gramas de açúcar
¼ de colher de chá de sal
150 ml leite (a 38ºC)


Misture o fermento com a farinha e reserve.

Na cuba da sua batedeira misture o leite com a manteiga derretida, o sal, o ovo e o açúcar. Misture bem, e vá acrescentado aos poucos a farinha. Trabalhe a massa durante cinco minutos.

Divida a massa em duas ou três partes iguais, dependendo do tamanho de croissants que quer fazer, e estenda-a em discos com 30 cms de diâmetro (para croissants mais pequenos, 50 cms para croissants médios) Corte a massa em oito triângulos iguais. Espalhe o recheio e enrole a massa começando na parte mais larga do triângulo.

Deixe os croissants levedarem durante 60 minutos em local morno e tapados com um pano húmido. Terminado este tempo, os croissants deverão ter duplicado de tamanho. Pincele os croissants com o ovo batido e coza no forno pré-aquecido a 225º C durante 8 a 10 minutos.

Retire para uma rede de arrefecimento.


Depois de levedar


















Já na fase do arrefecimento

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Advento sem glúten

Com a chegada do 1º de Dezembro, lembrei-me do calendário do Advento que tanto sucesso fez lá em casa o ano passado. Procurei nos supermercados habituais, mas o único calendário que encontrei sem glúten foi o dos Gormitti que, para além do desprazer pessoal que me causam, não me pareceu personificar correctamente o espírito natalício. A salvação veio com o IKEA: descobri um calendário do Advento personalizável, que posso rechear com os chocolates da nossa preferência e que é reciclável, por 7,99€. 



Os chocolates que os miúdos lá vão encontrar diariamente, até ao Natal, são os bombons Daim, uma descoberta recente, deliciosa e sem glúten. O IKEA também os vendia até há pouco tempo, mas já não os encontrei; em alternativa, pode-se comprá-los no Continente.


Imagem retirada da Net










Para quem já anda a stressar com os preparativos para uma mesa de Natal sem glúten, infelizmente, este blog não é uma grande ajuda. Nem os miúdos, nem eu, somos fãs da maior parte dos doces da época, pelo que a única receita que costumo fazer é a dos sonhos. Contudo, há ajuda sob outras formas: para quem gosta de cozinhar, pode ir ao blog da Susana Fernandes, o Viver Sem Glúten, que ela tem inúmeras receitas para esta altura; quem não quiser cozinhar, pode contactar a loja Coisas Kom Sentido que já está a aceitar encomendas para doces de Natal, tais como bolo rei tradicional, bolo rei de chocolate, aletria, rabanadas, sonhos, filhoses, tronco de Natal, entre muitas outras coisas, sem glúten e sem leite. Ficam, então, as dicas.


Um instrumento de diagnóstico em projecto


Imagem retirada da Net

O projecto CD Medics parte da premissa que o rastreio da população é a única maneira de identificar a maioria dos pacientes com Doença Celíaca (DC). A serologia por si só não é suficiente, pois os falsos negativos são frequentes. A tipagem HLA, sem mais testes, também poderá mostrar falsos positivos, pois pode apontar para indivíduos que, eventualmente, podem não desenvolver a doença celíaca. Para os investigadores deste projecto, uma combinação de serologia e tipagem HLA é a única maneira definitiva de rastrear a DC; um diagnóstico combinado para rastrear os doentes sintomáticos, silenciosos e latentes que aponta para uma especificidade e sensibilidade de 100%.

Assim, estão a procurar desenvolver um instrumento user-friendly para uso no contexto dos cuidados primários que vai proporcionar melhores oportunidades para o diagnóstico precoce e permitir a monitorização periódica do cumprimento da dieta livre de glúten. Além disso, uma versão final do dispositivo poderia encontrar aplicação na monitorização residencial permitindo ao médico de família seguir a reacção dos seus pacientes à retirada do glúten da dieta e do cumprimento da mesma, controlando os níveis de anticorpos.

O seu website é bastante esclarecedor quanto aos objectivos do projecto e possui informação muito relevante do estudo da doença celíaca. Deixo aqui um excerto do Boletim nº 90 da Associação de Celíacos de Madrid que faz referência a este projecto.

“Cumprem-se três anos desde o início do projecto CD-medics. Falta apenas um ano para o final deste projecto multidisciplinar europeu que começou em Fevereiro de 2008 com o objectivo de criar, no prazo de 4 anos, um dispositivo de pequeno tamanho, a baixo custo e de fácil uso, que pode diagnosticar a doença celíaca a partir de uma gota de sangue e sem biopsia intestinal.

O projecto de CD-medics é liderado pela Dra. Ciara O'Sullivan, que lidera o Grupo de Nano Biotecnologia e Bioanálise da Universidade Rovira i Virgili de Tarragona. No total, envolve 20 instituições localizadas em dez países europeus. Estes incluem universidades, hospitais, centros de pesquisa, empresas de software, empresas de tecnologia, empresas de média e associações de doentes. É financiado pelo 7 º Programa-Quadro da União Europeia e, em menor medida, por capitais privados.

Em que consiste este novo dispositivo de diagnóstico?
O dispositivo de diagnóstico concebido pela CD-medics é projectado para ser instalado e utilizado nas consultas de cuidados primários. Terá a capacidade de realizar, a partir de uma gota de sangue, uma análise serológica para detectar a presença de anticorpos específicos para DC, e genética, que vai determinar se há risco de DC, detectando a presença dos alelos HLA envolvidos. Os resultados serológicos e genéticos, juntamente com a história médica e familiar do paciente, tornarão possível obter um diagnóstico preciso, sem recorrer à biopsia intestinal. A análise genética pode ser utilizada isoladamente para determinar se há ou não predisposição genética em grupos de risco, tal como um recém-nascido numa família onde o pai, a mãe ou um irmão tem DC. Por outro lado, a análise serológica, por si só, permite controlar o cumprimento correcto da dieta sem glúten.

Existe um vídeo em que se simula o funcionamento no interior do dispositivo.

Estará o dispositivo disponível para uso quando o projecto terminar?
Assim que o projecto termine irá ser implementado o plano de exploração do novo dispositivo; para que tal aconteça, é essencial que haja uma procura social e rentável para as empresas que serão responsáveis ​​pela sua produção e distribuição assim como nos sistemas de saúde dos países em que será utilizado.”

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Lúpus e o glúten


Imagem retirada da Net
O Lúpus é definido como uma doença multi-sistémica em que o sistema imunológico ataca os próprios tecidos do corpo, causando danos em órgãos vitais. Tanto o Lúpus como a intolerância ao glúten são doenças camaleónicas; são ambas difíceis de diagnosticar porque podem “andar à boleia” de outras doenças auto-imunes, reproduzindo os seus sintomas.




Sintomas de Lúpus podem incluir:
Fadiga extrema
Articulações inchadas ou dolorosas
Febre inexplicável
Dores musculares
Anemia
Erupções cutâneas
Aftas
Problemas nos rins
Depressão

Em 2001 foi realizado um estudo que demonstrou que 23 por cento dos indivíduos com Lúpus testavam positivo para anticorpos anti-gliadina. Tal significa, à luz do que se sabe hoje, dez anos depois, que um em cada cinco pacientes com lúpus seria sensível ao glúten mas não doente celíaco pois as biopsias estavam normais. O estudo determinou então que aqueles 23 por cento eram falsos positivos, mas pode-se argumentar agora que um paciente em cada cinco que estava diagnosticado como tendo lúpus, poderia, na realidade, ser apenas sensível ao glúten.

Outros estudos apontam para esta ligação:


Junto, neste post, um testemunho de Margaret Romero, uma enfermeira especializada em Saúde da Mulher, que foi diagnosticada com Lúpus, mas que viu os seus sintomas desaparecerem com uma dieta sem glúten.

"Hoje eu sou saudável, energética e livre de dor, mas não foi sempre assim. Há alguns anos atrás, fiquei aflita com uma intensa dor muscular e inchaço nas articulações, que me levaram ao hospital. Só quando descobri que tinha uma grave intolerância ao glúten é que fui capaz de reverter todos os meus problemas.

Os meus sintomas começaram com uma dor nas articulações que variava de local. De seguida, as articulações começaram a doer mais. Os meus pés estavam tão inchados que os sapatos mal serviam. Os sintomas pioraram rapidamente: sangue na urina, palpitações e falta de ar. Fui para as Urgências. Depois de ser avaliada, precisava de ser vigiada, mas não havia camas disponíveis para internamento. Resultado: fui aerotransportada para outro hospital noutro estado. Fui, então, diagnosticada com nefrite por lúpus com envolvimento de múltiplos órgãos.

Três hospitais mais tarde e uma série de medicamentos depois, fui acolhida pela família pois o meu corpo exigia cuidados permanentes. Eu precisava de ajuda para sair da cama, lavar o cabelo e até para andar. Tinha uma névoa imensa no pensamento e a depressão, rapidamente, se instalou. O que se estava a passar com o meu corpo? Pensava em terminar com a minha vida nos meus piores dias, quando estava deitada na cama a chorar sozinha. Os dias e as semanas passavam, e eu pensava o que é que havia acontecido com este corpo meu, alimentado a alimentos orgânicos, sumos, água engarrafada e suplementos vitamínicos.  

Apercebi-me que as minhas articulações quase gritavam depois de quase todas as refeições. Pedi um teste genético para a doença celíaca à minha especialista. Ela disse: "Não desperdice o seu dinheiro!" Encontrei o teste on-line e encomendei-o. Eis que descubro que tinha dois genes da sensibilidade ao glúten, um de cada progenitor. Foi naquele instante que me tornei “sem glúten” e, no espaço de dias, a névoa no cérebro começou a clarear, e as articulações e dores musculares começaram a diminuir. Essa foi a minha salvação e o nascimento de uma fanática do “sem glúten”.

Tenho vindo a perceber esta viagem como um presente, e a minha missão é divulgar a ligação entre o glúten e o lúpus ou, possivelmente, outras doenças auto-imunes. Eu tenho grandes razões para reconhecer o poder dos alimentos nutritivos, que, literalmente, salvaram a minha vida. Agora, compartilho a minha história com grupos de apoio ao lúpus em Nova Iorque.

Hoje, como enfermeira e educadora celíaca, dedico a minha atenção ao diagnóstico de intolerância ao glúten e doença celíaca, bem como ao tratamento e cuidado de pacientes com doença celíaca das aflições que o glúten pode causar, especialmente deficiências vitamínicas múltiplas. Se tem dores articulares ou musculares, problemas de infertilidade, anemia, confusão mental, síndrome do intestino irritável, distúrbio da tiróide, osteoporose, desordem gastrointestinal ou auto-imune, faça o teste (preferencialmente o teste genético) para a doença celíaca. Este pode, em última análise, parar a progressão rápida desta epidemia auto-imune que tem vindo a crescer entre as mulheres.

Hoje sou uma cozinheira sem glúten, saudável e cheia de vida, a trabalhar no meu primeiro livro de receitas sem glúten. Eu apelo às mulheres, especialmente aquelas que sofreram uma doença crónica, para viverem para além do diagnóstico e para terem uma vida plena e fabulosa!"

Mais info:
ARE CELIAC DISEASE AND LUPUS CONNECTED?

sábado, 26 de novembro de 2011

Bolinhos de maçã

Mais uma receita com maçãs, mais uma finalidade para este fruto. Estes bolinhos ficam pouco doces, o que agrada a muita gente, mas não à minha criança mais gulosa: o miúdo mais velho comeu um e não quis mais, logo só mesmo para quem não é fã do açúcar.

Ingredientes:
280g de farinha
160g de açúcar
100g de margarina
Puré de maçã (2 maçãs)
1/4 colher de chá de essência de baunilha

Na cuba da sua batedeira, coloque a farinha e o açúcar e mexa. Junte a margarina em pequenos cubos e, em velocidade alta, bata até formar uma espécie de farofa.

Junte o puré de maçã com a essência de baunilha à massa, envolvendo bem. Embrulhe a bola de massa em película transparente e leve ao frigorífico durante uma hora.

Forme pequenas bolas de massa, com uma colher e coloque no tabuleiro sem grandes espaçamentos. Vai ao forno a 180ºC durante 15minutos, ou até ficarem com as bordas douradas.

Deixe arrefecer numa rede de arrefecimento.

















sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Vermelho e castanho

Mais uma receita de bolachas, mais uma receita da Nicole do Gluten Free on a Shoestring. As fotos no post são suficientemente atraentes para dar vontade de fazer a receita, mas a minha versão acabou por ficar mais colorida. O miúdo mais velho não se cansa de pepitas de chocolate, e, como não tinha muitas airelas (tive que ir ao dicionário para saber como se chamavam os cranberries em Português, não são comuns cá), juntei outro tanto de pepitas. Ficaram engraçadas, bolinhas de massa amarelo claro com pequenos pontos vermelhos e castanhos a espreitarem aqui e ali... ah, e saborosas também.

Ingredientes:
210 gramas de farinha
85 gramas de farinha de milho (usei marca Ramazzotti)
1 colher de chá de fermento em pó
1/4 colher de chá de sal fino
125 gramas de açúcar
75 gramas de airelas (cranberries, em Inglês)
75 gramas de pepitas de chocolate
170 gramas de manteiga sem sal derretida e arrefecida
1 ovo tamanho XL, à temperatura ambiente
1 colher de chá de essência de baunilha

Na cuba da sua batedeira, coloque a farinha, a farinha de milho, o fermento, o sal e o açúcar. Misture os ingredientes secos para combiná-los bem. Coloque as airelas numa tigela pequena, acrescente uma colher da mistura que está na cuba e envolva bem. Reserve.

Adicione a manteiga e o ovo aos ingredientes secos, bata, e junte, por fim, a baunilha. Misture bem. Acrescente as airelas e as pepitas de chocolate à massa, e envolva-os até que estejam distribuídos uniformemente.

Divida a massa em 24 pequenas bolas, e coloque-as com dois centímetros de distância num tapete de silicone ou tabuleiro forrado a papel vegetal. Leve ao forno pré-aquecido a 175ºC e coza até as bordas ficarem douradas, cerca de 12 minutos.

















quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Jennifer's Way

Há umas semanas atrás, o programa do Dr. Oz fez um segmento com a actriz Jennifer Esposito, que foi diagnosticada com a doença celíaca em 2009. Não sendo uma actriz de primeiro plano em Hollywood, é, contudo, uma cara conhecida dos ecrãs portugueses tendo participado em séries como “Spin City” e “Samantha Who” e filmes como “Crash” e “Summer of Sam”.

Após o diagnóstico, dedicou-se à divulgação da doença e encontra-se a escrever um livro sobre a sua luta para encontrar respostas, assim como um livro de receitas sem glúten. Está a desenvolver uma linha de produtos sem glúten e criou uma organização chamada Jennifer’s Way para educar e promover um estilo de vida mais saudável. No site da organização, apresenta vários conteúdos, inclusive a sua história, que aproveitei para traduzir e reproduzir neste post.

"26 Graus, um dia ensolarado. Eu não tinha reparado em nenhum destes factos naquele dia. Naquele momento, eu tremia, ainda que coberta de suor enquanto estava sentada nua debaixo de uma bata de papel a ser picada e apertada por mais um médico. Tinha acabado de passar a última hora no consultório médico recapitulando cada detalhe do meu historial médico, antecedentes pessoais, antecedentes familiares, sintomas actuais, bem-estar e estado de espírito. Agora, era o momento da verdade, o exame!

Ela verificou a minha pulsação e temperatura, passou as mãos pelo meu corpo, ouviu os meus batimentos cardíacos, tudo de uma forma muito rápida, em cinco minutos. Escreveu algumas coisas na minha ficha, respirou fundo, tirou o estetoscópio e delicadamente colocou a mão nas minhas costas. O meu corpo enrijeceu ao seu toque, mas derreteu de exaustão. Foi isso? Será que ela o encontrou? Um nódulo, um alto, algo inchado que explicaria anos de doença, sem respostas, sem explicação. Era cancro? Eu estava a morrer? E se sim, quanto tempo tinha?

Eu nem sequer me preocupava com os factos naquele momento. Eu estava tão feliz por finalmente ter algumas respostas. Na verdade, consegui por um sorriso no rosto em face à minha desgraça iminente. Olhei para ela com esperança. Ela sorriu de volta, infelizmente, e disse: "Jennifer, você quer se matar?"

Olhei para ela fixamente. Eu não tinha palavras. Apenas lágrimas a rolar pelo meu rosto. Não podia acreditar no que acabara de ouvir. Será que ela, realmente, disse isso? Eu sei que lhe disse que estava deprimida, mas isso foi porque eu estava sempre doente. Isso não deprime qualquer um? Mas matar-me? Era isso que estava escrito no meu rosto? A minha mente corria e o meu âmago gritava.

Eu não tinha acabado de descrever, durante uma hora, o que eram já sintomas debilitantes? Sintomas que carregava comigo, pela minha vida, como um peso que agora parecia igual a 100 toneladas. Dormir cerca de 13 horas por noite e acordar exausta, problemas de estômago constantes, ataques de pânico insanos, dores nas articulações, joelhos débeis, fraqueza extrema, amarelecimento da pele, dores de cabeça intensas, dormência, formigueiro, e cabelos e unhas tão fracas que partiam com um simples toque. Para não mencionar a massa enorme que agora despontava no meu pescoço, logo abaixo da orelha.

Apesar de tudo isso, eu tinha conseguido tornar-me numa actriz de sucesso, trabalhando muito. Quase 15 anos como actriz a trabalhar num negócio impiedoso que faria o homem mais forte desmoronar. Tinha casa própria aos 25 anos de idade. Eu era uma amiga, uma tia, uma madrinha, uma irmã e uma mulher de respeito, aos 35 anos de idade. Tinha viajado para o estrangeiro sozinha. Tive relações boas e más. Chorei, aprendi e recebi. Nunca tive um transtorno alimentar, trabalhei fora e nunca tomei uma droga na minha vida. Aprendi a meditar e desenvolvi um centro espiritual forte. Estive no fundo do poço e sabia contar as minhas bênçãos pelo que tinha e não pelo que não tinha.

No momento, porém, era muito difícil contar as bênçãos quando se está cansado demais para sequer ver. Isto parece uma pessoa com uma constituição fraca? Alguém que iria se matar e perder tudo o que tinha alcançado, trabalhado tão duramente? Está a sugerir que os meus sintomas não são reais, como tantos outros antes? Que, de alguma forma, tudo isso é devido ao stress ou, talvez, a algum tipo de desequilíbrio? Já me ofereceram antidepressivos como Valium, Ativan, Klonopin, em número suficiente para começar um cartel de drogas de pequeno porte. Eu tinha sido testada para Lúpus, doença de Lyme, hepatite, artrite reumatóide e uma série de outras doenças. Tudo negativo. Para não mencionar as numerosas colonoscopias, enemas de bário, exames de ressonância magnética, tomografia computadorizada, raios-x, testes de nervos e tanto sangue retirado que poderia ter enchido um rio. Já me disseram que tinha Epstein Bar, síndrome do intestino irritável, fadiga crónica e fui tratada para um parasita que nunca foi realmente encontrado. Para tudo isto, foi-me dado algum tipo de medicação e uma sugestão de ver um terapeuta. Disseram-me que tudo poderia ser um tipo de depressão.

Como é que quando os médicos não conseguem explicar os seus sintomas, de alguma forma, passa a ser algo na sua cabeça? Eu estava tão cansada de explicar e pedir às pessoas para me ajudarem. Eu sentia-me tão ignorada! Eu não sou louca! POR FAVOR, NÃO me mandem embora com uma receita de Valium e o número da sua TERAPEUTA FAVORITA! EU NÃO PRECISO DE ANTIDEPRESSIVOS, PRECISO DE AJUDA !!!!!!!!! Nada, o silêncio, um pequeno suspiro é tudo o que saiu de mim, isso e lágrimas.

Há algo que acontece consigo quando se sente ignorado durante tanto tempo. Você morre um pouco. Eu estava fisicamente, mentalmente e espiritualmente acabada. Estava pronta para aceitar a receita da praxe, juntamente com o diagnóstico de louca e ir embora. Estava farta de lutar por uma resposta e provar a minha sanidade. Então, do nada, ouvi uma pequena voz dizer: "Eu preciso de ajuda. Preciso da sua ajuda, por favor. "

A voz que eu mal reconheci como minha. Foi uma vulnerabilidade que eu nem sequer sabia que existia. Eu implorava pela minha vida com a energia que fui capaz de juntar e deixei a responsabilidade a seus pés. Ela pôs a sua mão na minha mão trémula, olhou-me nos olhos e disse: "Eu vou ajudá-la. Vou descobrir o que está errado. "

Talvez ela realmente me tenha ouvido. É incrível como o espírito humano funciona. Mesmo que eu já tivesse ouvido essa frase antes, de alguma maneira, acreditei nela. Ela levou o que pareciam ser dez frascos de sangue, vesti-me, peguei nos meus 50 quilos e fui para casa esperar.

Duas semanas mais tarde, a médica ligou e disse que eu tinha uma coisa chamada doença celíaca. Disse que era a contagem mais alta que ela já tinha visto. A descarga de adrenalina correu através do meu corpo, oh, tão cansado. "Acharam-no, eu sabia, algo está e tem estado errado". Uma segunda onda de adrenalina: o que raio é a doença celíaca? A médica disse-me que era uma doença digestiva que tinha a ver com o glúten e que eu precisava rapidamente de uma endoscopia. De imediato, ela pôs o meu gastrenterologista ao telefone connosco e explicou as suas descobertas. O comentário dele quando ouviu o que ela tinha a dizer foi "O quê? Realmente? Nunca pensei testá-la para isso… ". Eu fui paciente dele durante cinco anos.

A minha cabeça girava tanto naquele momento que nunca disse o que teria gostado de dizer ao meu gastrenterologista dos últimos cinco anos. Queria dizer algo como isto: "Por que diabo é que eu nunca o ouvi falar DISTO antes". Terminamos a conversa com um número de um nutricionista, instruções para parar de comer glúten, e uma prescrição para um procedimento chamado endoscopia. Fiquei espantada, assustada, feliz e perplexa, tudo ao mesmo tempo. Procurei durante anos para encontrar uma resposta para todas as minhas doenças inexplicadas. Fiz perguntas, boas perguntas aos profissionais. Li tudo o que podia sobre saúde e nutrição. Até comecei uma dieta macrobiótica e vegan, a dada altura. Logo, eu estava ciente da importância da relação entre alimentação e saúde. Por que é eu nem sequer ouvi falar disto, a doença celíaca?? Fui imediatamente à internet e o que eu encontrei, manteve-me colada ao sofá durante horas. Li que tinha uma doença auto-imune e o que acontecia com o meu corpo quando eu ingeria glúten. O dia inteiro e o próximo, percorri a internet para saber "como tratar" e "o que fazer". No pouco que encontrei, tudo dizia a mesma coisa - comer sem glúten. O que diabo significa isso? Eu não conseguia compreender que os restos de massa no meu frigorífico naquele momento já eram. Para sempre.

Entrei em contacto com a nutricionista. Ela explicou um pouco melhor e disse-me para imprimir uma lista do que eu não poderia comer e colá-la no meu frigorífico. Também disse que eu precisava de limpar a minha casa, de glúten ou qualquer coisa que tivesse tocado em glúten. Ela recomendou que eu fosse vista de imediato por este "médico espectacular", em Nova Iorque que se especializou nisso. Mas levava semanas, talvez meses para conseguir consulta. Felizmente, ela conhecia-o e disse que iria fazer uma chamada. Recomendou que tomasse alguma vitamina D e sugeriu que eu pudesse sentir uma desintoxicação ligeira. Desintoxicação… a sério?

Imediatamente, saqueei a minha casa. Potes, panelas, torradeiras, todo o conteúdo dos meus armários estava agora no lixo. A minha cozinha estava vazia, excepto para as listas dos alimentos com glúten. Estes papéis que se supunha irem para a porta do frigorífico, cobriam não só este, mas os três armários ao lado. Todos os meus produtos, sabonetes, loções, champôs, pasta de dentes, tudo parecia ter este material, o glúten.

O que restava? Havia alguma coisa lá fora que não contivesse essa substância? E a minha busca começou.

Digo apenas isto, os quatro meses seguintes foram um inferno absoluto. Tentar navegar por este mundo novo era debilitante. Para não mencionar a "desintoxicação ligeira" que a nutricionista disse que eu poderia sofrer. Horrível. Tremores tão graves que o meu corpo todo se movia. Uma névoa no cérebro, cansaço, suores nocturnos, ataques de pânico extremos, sensibilidade à luz, dores articulares, dores de cabeça e, em seguida, neuropatia. Tudo levou a um telefonema para outro médico. Que não me deu respostas. Isto quando fui levada para o hospital pelo o que parecia ser uma reacção alérgica grave a Deus sabe lá o quê, e a enfermeira perguntava-me o que estava a acontecer, que eu disse que achava que estava a passar por uma desintoxicação da doença celíaca. Ela disse: " você tomou o seu remédio?". Olhei para ela, com o meu corpo agitado e a voz a tremer e disse: "não há medicação para a doença celíaca." Ela respondeu: "Oh sim, certo. Espere, e o que é a doença celíaca? "Eu estava num hospital altamente considerado em Miami. O QUÊ? Percebi que estava por minha conta. Não ajudou quando o médico chegou e disse que gostaria de me manter lá durante a noite para controlar a minha tensão arterial, mas não podia porque não tinha nada para me alimentar. Não havia nada PARA ME ALIMENTAR NUM HOSPITAL QUE NÃO CONTENHA GLÚTEN??

Enquanto estava ali a encharcar em suor a bata e os lençóis, percebi que, se eu sobrevivesse a aquilo, teria de fazer algo.

Este site tornou-se uma ideia, porque se ajudar uma só pessoa a se sentir compreendida, ouvida, justificada ou acompanha, então cumpriu o seu propósito. Veja, quando eu percebi a falta grave de informações, e a grande desconsideração geral para com esta doença e as pessoas que dela padecem, eu virei-me para si. Falei com celíacos noutros fóruns, como o que espero que tenhamos aqui. Eles entendem. Lembro-me da primeira vez que senti a neuropatia a chegar. Estava deitada no meu sofá e, de repente, não sentia todo o lado direito do couro cabeludo, depois o lado direito do rosto, e, por fim, os meus braços. Estaria a ter um ataque cardíaco?

Estava tão cansado de ouvir tantas respostas ridículas de médicos ou nenhuma resposta, que decidi me acalmar (embora eu estivesse em pânico) e procurar neuropatia no Google. Encontrei, alguém falava exactamente disso. Era outra pessoa que lidava com a doença celíaca e contava exactamente os mesmos sintomas que eu. Quando abri o link, encontrei um fórum sem glúten para celíacos. O meu mundo mudou. Eram tantos como eu, e sugeriam o que eles tinham feito para se sentirem melhor. Isso é tudo o que queremos. Sentirmo-nos melhor. Comer melhor. Ter melhores opções e ser ouvido.

Eu ouço-o e eu estou aqui para ajudar!
É a minha missão.

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