INFORMAÇÃO É PODER

DADOS, DICAS E RECEITAS DE VIDAS SEM GLÚTEN



quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Madalenas de limão

Um clássico que fica sempre bem e que a todos agrada. Essencial para o aspecto tradicional à barco são as formas de madalenas, mas acredito que fique igualmente bem em formas de queques. Dá para cerca de 15 madalenas pelo que congelei metade para consumo posterior. Receita do blog da Marisa Famalap, Cocina facil Sin Gluten:

Ingredientes:
3 ovos
1 gema de ovo
150 gramas de açúcar mascavado
100 gramas de farinha de arroz
50 gramas de farinha maizena
1 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de goma xantana
150 gramas de manteiga
Casca ralada de limão
1 colher de chá de essência de baunilha

Derreter a manteiga e deixar arrefecer.
Bater os ovos, a gema, a casca do limão, a baunilha e o açúcar até obter uma massa espessa.
Juntar as farinhas com o fermento e a goma xantana, misturar bem, e adicionar aos poucos à massa. Juntar a manteiga arrefecida sem parar de mexer.
Ligue o forno a 180ºC. Coloque a massa nas formas das madalenas, previamente untadas, com a ajuda de uma colher e levar ao forno a cozer durante 10 minutos até que tenham subido bem.
Deixe arrefecer fora das formas.
















segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Em Espanha

Dizem que de Espanha, nem bons ventos, nem bons casamentos... Mas este é um dito que está ultrapassado, pelo menos no que aos celíacos e sensíveis ao glúten diz respeito. Fomos a Espanha este fim de semana e aproveitamos o mote para estrear o miúdo mais velho nos meandros da fast-food: aos 5 anos, o meu filho provou uma Happy Meal do McDonalds! Não ficou a olhar para os outros e pode fazer mais do que brincar com o brinde que acompanha este menu, pode comer o hamburguer (para o bem e para o mal). Na loja há várias indicações de que existe pão sem glúten e até o iogurte que vinha a acompanhar a refeição, vinha rotulado "Sin Gluten". O pão era exactamente igual ao hamburguer tradicional que, pessoalmente, não me agrada mas que demonstra um certo esforço por parte da empresa em apresentar uma alternativa semelhante ao original. Tão fácil... senhores da McDonalds Portugal, é assim tão difícil fazer o mesmo cá? É só preciso boa vontade.

As compras no Alcampo correram igualmente bem. Existe uma boa oferta de produtos específicos para celíacos, mas interessa salientar o que se encontra nos corredores "normais". Exemplos: uma caixa de doces de amêndoa rotulados como sem glúten e com o símbolo da Face por 3 euros, assim como uma pasta de dentes para crianças "sin gluten". Ficamos então à espera de Janeiro de 2012 para ver se vai ser assim tão fácil fazer compras cá.
















































sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Testemunho 2


Imagem retirada da Net

Às vezes encontro pessoas que, pelos sintomas que referem ou pela sua história de vida, me parecem "sofrer" de intolerância ao glúten. Afinal, só dez por cento dos cem mil portugueses que se estima ter esta condição é que estão diagnosticados, logo o meu radar está sempre em alerta à procura dos outros noventa mil. Quando me parece encontrar alguém que encaixe no perfil, faço um pequeno alerta, uma chamada de atenção. Invariavelmente, todos com quem falo acham que estou completamente errada, inclusive dentro da minha família onde, pelo próprio diagnóstico do meu filho mais velho, existe o potencial genético. Não torno a repetir o alerta, afinal, o pior cego é aquele que não quer ver. Compreendo que as pessoas não queiram aceitar um diagnóstico que as vá afastar tanto do conforto das suas rotinas, do pãozinho pela manhã, da ida ao café para o lanche.

Para aqueles que querem ver, que querem uma resposta às suas dores, publico mais um testemunho. Foi com estas histórias que fiz o paralelo com o que se passava com o meu filho e o "diagnostiquei". Um testemunho duma jovem mãe publicado no fórum celiac.com, e que ela espera que possa ajudar outros como ela (publico tal como ela escreveu, ainda que haja alguma incorrecção nos dados sobre a DC, porque o que importa reter é a sua luta com o glúten).

“Nunca vou esquecer as palavras que a minha mãe me disse quando eu tinha sete anos "Temos que deixar a reunião de família para te levar ao hospital." "Hospital? Porquê? Eu sinto-me bem e quero ficar no Kentucky com a minha família!" Mas eu não estava bem. Tinha as amígdalas do tamanho de bolas de golfe e um diagnóstico de mononucleose. E este foi apenas o começo duma saga de doenças que durou toda a minha vida.


Eu sou a única pessoa que conheço que teve mono mais do que uma vez. Tive-a aos 7 anos e novamente aos 14 e 21. Acabei por perder o último mês do meu primeiro ano do liceu porque estava muito doente. Naquela época eu tive mono, infecção por estreptococos e pneumonia, tudo ao mesmo tempo. E, uau! Infecções de garganta? Estas tornaram-se tão comuns que eu nem sequer tinha que dizer ao meu médico quais os sintomas. Lembro-me da minha mãe dizer "Eu acho que é garganta novamente." Eles colocavam o cotonete gigante pela minha boca abaixo e vinha positivo, sempre. Isto até ao momento em que retirei as amígdalas aos 22 anos; elas estavam cheias de pus que se espalhou até ao fundo da minha garganta quando os médicos as cortaram. Tanto que eles disseram que apareceu um cheiro de morte quando fizeram o primeiro corte.


Durante o meu primeiro ano na escola, tornei-me uma "aberração da natureza", que foi o que algumas pessoas, carinhosamente, me chamaram até há alguns meses atrás. A urticária aparecia-me pelo corpo todo. As manchas iam e vinham aleatoriamente. Eu encontrava culpados em tudo, desde o tempo frio, ao álcool, às hormonas, às meias e calças apertadas, e o stress. Apareciam principalmente nos braços e pernas, mas, às vezes, também na barriga. Lembro-me que em algumas ocasiões tive que ir ao centro de saúde para levar injecções de esteroides, porque as minhas mãos inchavam tanto que eu pensava que elas iriam, literalmente, rebentar. Lembro-me também de ser capaz de arranhar a minha pele e uma mancha aparecer. Mas o alergologista disse-me que eu era apenas alérgica a gatos, cães e ácaros. A reumatologista disse que eu também estava bem, embora, num primeiro momento, ela pensasse que eu tinha Lúpus!


Outro problema que tenho enfrentado na vida é o medo de todas as mulheres - a infertilidade. Embora eu esteja agora divorciada do marido com o qual tive a infertilidade, sei agora que não posso culpá-la na relação stressante que tínhamos. Houve aqui uma questão mais profunda a trabalhar por trás o tempo todo. Mas nada pode descrever a dor e agonia de querer tanto uma criança que quase se a pode sentir. E nada pode ser mais desconcertante do que correr todos os centros de fertilidade possíveis, só para ouvir que é " infertilidade inexplicada." Noutras palavras, tudo está a funcionar correctamente… Só não temos nenhuma ideia porque não se concebe. NUNCA pensei que qualquer coisa que eu estivesse a comer me poderia estar a impedir de ter a linda criança  que eu sempre quis.

Lembro-me de, aos 30 anos, acordar uma manhã e não ser capaz de mover o meu corpo. Literalmente, todos os músculos do meu corpo estavam tão apertados que me sentia como uma mulher de 80 anos que nunca saiu da cama. Chorei a cada passo e desmaiei quando dei cerca de oito ou dez. Não iria sequer conseguir pegar no meu filho. Fui levada para as Urgências, onde me disseram que tinha o nível de potássio de um sem-abrigo. Rapidamente fui atendida e despachada, mas, ainda no mesmo mês, seria também diagnosticada com uma deficiência de vitamina D. Não admira que estivesse cansada e fraca como nunca tinha estado!

Outra questão que não gosto de partilhar, mas que acho que é importante falar agora  abertamente é da depressão que me afectou ao longo da vida. Desde os 10 anos, quando aprendi o que era o suicídio pela primeira vez. Assim que soube o que era, eu queria fazê-lo. Embora nunca houvesse uma boa razão para eu sequer pensar nisso (não que haja sempre). Quer dizer, claro que tive alguns relacionamentos maus e amigos traidores, muito drama, mas nada digno de acabar com a minha própria vida. No entanto, porque é que eu não conseguia afastar essa sensação que tinha? Além disso, experimentei a sensação mais terrível que já tinha tido quando tive o meu primeiro ataque de pânico aos 31 anos. Sinceramente, pensei que estava a morrer: a hiperventilar e a ter um ataque cardíaco ao mesmo tempo. Isto aconteceu durante um acampamento de férias com a família que se tornou muito stressante devido à falta de sono. Mas ainda assim, um ataque de pânico? Eu tinha a certeza de que nunca iria acontecer comigo.

Avancemos para este ano de 2011. O meu filho de três anos estava a ter um momento muito difícil na creche. Ele fugia, não ficava quieto, corria, andava de triciclo fora do passeio e tentava atropelar as outras crianças, atirava lama aos miúdos, fugia de mim quando eu tentava apanhá-lo, chutava e gritava quando o tentava pôr dentro do carro, e, pior – fazia cocó e xixi nas calças. Passei muitas noites a chorar, a pensar que tinha errado terrivelmente enquanto mãe. Então, durante a Primavera, fui observar o seu comportamento. Foi tal como os professores tinham explicado, excepto que eu notei uma coisa. Ele tornou-se uma criança totalmente diferente depois de ter comido a sua refeição. Assim, fiz o que qualquer mãe em negação da possibilidade de autismo ou transtorno de défice de atenção faria: fui para casa imediatamente e comecei a pesquisar na internet quais as alergias alimentares que ele poderia ter. E foi então que o encontrei.

Glúten.

Glúten!

Uma simples palavra.

Uma palavra simples que mudou toda a nossa vida.


Eu não conseguia parar de ler. Tudo o que li foi como se o mundo inteiro se abrisse para mim pela primeira vez. Cada palavra que li tornou-se uma resposta para o meu filho. E, ainda mais, uma resposta para mim. Todas estas coisas: défice de atenção, autismo, a doença, a urticária, a infertilidade, as carências de vitaminas, a depressão, e o ataque de pânico - todos eles poderiam derivar de problemas com o glúten! Eu não podia acreditar. Durante 25 anos sofri querendo saber o que havia de errado comigo. Durante 25 anos pensei que nunca haveria uma resposta. E durante 25 anos gastei tanto dinheiro! Fui a médico atrás de médico. Nenhum deles me disse que algo que eu pudesse estar a comer podia ser prejudicial no interior e no exterior. E pior – que me pudesse estar a matar.

Então comecei a pensar sobre a minha família e, olhando para trás, sobre algumas das coisas que a todos nos tinham causado problemas ao longo dos anos. Diabetes, problemas de tiróide, problemas de estômago, cancro, doenças cardíacas, comportamentos autistas, doenças de pele, problemas em ganhar ou perder peso, osteoporose e esquizofrenia - todos eles podem ser ligados à sensibilidade ao glúten, intolerância ao glúten e doença celíaca. Eu fiquei chocada! Então, quase imediatamente, antes mesmo de contactar um médico, coloquei o meu filho a fazer a dieta sem glúten. Duas semanas depois, no entanto, decidi marcar uma consulta para ele ser testado para a doença celíaca.

Quando falei ao médico sobre as mudanças incríveis que o meu filho tinha tido em apenas duas semanas, as minhas esperanças foram frustradas quando soube que ele tinha de voltar a consumir glúten para que o teste fosse feito. Esta foi de partir o coração, porque ele tinha tido muito poucas birras e tinha a certeza que tinha parado de fazer xixi e cocó nas calças. Notei também que o que eu achava que era apenas uma barriga redonda, tinha realmente desaparecido. Ele estava tão inchado há tanto tempo que eu achei, com toda a certeza, que o glúten era o culpado. E, quase no mesmo dia em que voltou a consumir glúten, o inchaço e a obstipação voltaram e as birras seguiram-se pouco tempo depois. Fiquei chocada, portanto, quando os resultados dos testes para a sua doença celíaca deram negativo.

No entanto, eu não acreditei. Mesmo que ele não tivesse a doença celíaca, não havia nenhum médico no mundo que me pudesse convencer de que ele não era sensível ao glúten. O mesmo aplicava-se também ao meu caso. Tínhamos tido demasiados resultados positivos com a dieta sem glúten em nós. Eu não só não tive mais urticária, como também perdi a minha alergia de sempre a animais domésticos! E os pensamentos suicidas e outras questões ficaram num passado que, agora, eu não entendia! Sabia que precisava de fazer mais pelo meu filho, por mim e pela minha família, e obter algumas respostas.

Foi quando encontrei o Enterolab. Não me lembro onde li sobre isso pela primeira vez, mas havia histórias atrás de histórias on-line sobre como uma pessoa que teve resultados negativos para a doença celíaca com o seu médico, teve depois resultados positivos com o Enterolab. Chorei quando li os depoimentos no site. Havia tantas pessoas que soavam exactamente como eu. Foi quando soube que tinha de ser testada por eles. Mas que teste escolher? Havia dois que eu realmente queria - o teste celíaco e o teste de predisposição genética. O problema era: eu não tinha 400 dólares para fazer os dois testes.

Assim, depois de um exame de consciência, optei só pelo teste genético. Sabia que se eu tivesse pelo menos um gene, então havia uma hipótese que o tivesse passado para o meu filho. O teste genético ia ser uma resposta para ele e para mim. Sendo assim, paguei cerca de 200 dólares e o kit de teste foi enviado para a minha casa. Tudo o que eu tinha que fazer era passar o cotonete no interior de cada bochecha, colocar a colheita de volta no recipiente, e enviá-la por correio expresso. Saberia o nosso destino em menos de três semanas.

E, como prometido, a menos de duas semanas a contar a da data em que recebi o meu kit, chegaram os meus resultados. Não só eu tinha um gene para a sensibilidade ao glúten, como também tinha outro para Doença Celíaca. Isso significava que cada um dos meus progenitores me tinha passado um gene que me daria a doença celíaca ou a sensibilidade ao glúten. No que a mim me respeitava, eu não precisava de um teste à doença celíaca. Tenho os genes, o que significa que vou ter a doença em algum momento da minha vida se não a tivesse já. E também significou, definitivamente, que passei um dos genes para o meu filho. Assim, a sensação que tive ao longo deste tempo todo era verdade. E agora tenho paz no meu coração e uma esperança saudável nos nossos futuros. E posso dizer a todas as pessoas que achavam que eu era louca ou que exagerava "eu bem te disse!"

Mas porque estou a partilhar isto tudo? Acho que é porque quero que todos ouçam a minha história, porque sei que há alguém lá fora que é igualzinho a mim. Sei que alguém que lê isto tem sofrido com algumas ou todas as coisas que eu mencionei. Ou talvez haja alguém que está à procura de informações como eu estive, e se depare com as minhas divagações. Lembro-me de ter lido em algum lado que alguns cientistas estimam que 94% da população tem a doença celíaca ou sensibilidade ao glúten. O problema é que eles, simplesmente, não sabem disso ainda. Então, se já se perguntou sobre você ou alguém da sua família, peço-lhe para cuidar da sua saúde. Lembre-se que não há comida no mundo que seja mais importante que a sua vida e a vida da sua família. Obrigada por ler! E, se há algo que eu possa responder ou fazer para ajudá-lo na sua jornada, então não hesite em contactar-me! Namaste!”

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Crepes chineses

Uma ida ao restaurante chinês quando se é intolerante ao glúten não é fácil, por causa do ubíquo molho de soja que contém trigo. É pouco provável que usem a versão Tamari do molho de soja que, não tendo glúten, é muito mais cara do que a versão corrente. Logo, a possibilidade de se ser contaminado é elevada. Daí a minha alegria ao deparar-me com esta receita de crepes chineses que, ainda que não seja fiel ao original, chega bastante perto. É feita com folhas de papel de arroz à venda no Jumbo ou em qualquer mercearia chinesa que fique no eixo Almirante Reis - Martim Moniz. O Tamari vende-se no supermercado do El Corte Inglés ou no Superbio. O recheio pode ser este que vem na receita ou qualquer outro adaptado aos gostos de cada um. E como não é frito, engorda menos.

Ingredientes:
1 chávena de massa vermicelli de arroz
½ colher de chá de óleo de sésamo
¾ chávena de cenoura ralada
½ chávena de cebolinho cortado em tirinhas
½ chávena de castanhas de água, escorridas e cortadas em pedaços pequenos
½ chávena de reventos de bambu, escorrido, cortado em tiras
½ chávena de couve chinesa ralada tipo caldo verde
2 colheres de chá gengibre fresco ralado
1 colher de chá de molho de soja sem glúten
4 colheres de sopa de óleo vegetal
8 folhas de papel de arroz
150 gramas de carne de porco moída

Cozinhe a massa vermicelli durante 3 minutos em água a ferver. Escorra.

Coloque numa tigela grande e misture o óleo de sésamo, os legumes, gengibre, molho de soja e reserve.

Pré-aqueça o forno a 230ºC. Coloque o óleo vegetal numa tigela pequena. Mergulhe uma folha de papel de arroz em água morna por 15 a 30 segundos, até que esteja macia. Em seguida, coloque-a num prato e pincele a sua superfície com um pouco de óleo. Coloque 1 / 8 do recheio na parte inferior do papel de arroz e enrole, formando pequenos “travesseiros”.

Faça o mesmo com as restantes sete folhas. Coloque numa forma coberta com uma folha de papel alumínio untada.

Vai ao forno no tabuleiro inferior durante 15-20 minutos, virando uma vez a meio da cozedura. Sirva com molho de ameixa, molho de peixe ou molho de soja.





segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Livro "Vida sem glúten - (sobre)vivendo em comunidade"

Já tinha visto na site da APC e foi-me agora deixada a sugestão pela simpática Raquel Benati da ACELBRA_RJ. Esta associação publicou um livro que está disponível para download em PDF no seu site, e que é um exemplo de como se pode fazer a nossa parte e ajudar toda uma comunidade a (con)viver melhor com a sua condição de intolerância ao glúten. De depoimentos a receitas e informações várias, este livro é de leitura essencial. Parabéns pela iniciativa!

domingo, 7 de agosto de 2011

Doença celíaca e a infertilidade



Imagem retirada da Net

No seguimento do post anterior com a entrevista da Dra. Vicente e do comentário dela sobre a DC e a infertilidade, aproveito para postar um artigo do site do New York Times em que uma médica responde a uma questão sobre esta ligação. Isto porque nem sempre as pessoas (médicos incluindo) sabem desta causalidade e convém divulgar. Também porque me lembro da história de uma jovem rapariga que, com 24 anos, estava em menopausa precoce, sem razão aparente, e querendo engravidar, não conseguia nem com todos os tratamentos que a sua parca economia familiar lhe permitia realizar. No forum em que li a sua história, queixou-se a dada altura de aftas dolorosas e constantes... fez-se um click na minha cabeça: menopausa precoce e aftas, dois sintomas da DC. Respondi ao seu post e disse-lhe que deveria fazer o despiste da doença, mas respondeu-me a dizer que tinha pesquisado na Net e não lhe parecia que encaixasse no perfil... não sei se chegou ou não a abordar a questão com o médico dela, pois entretanto deixou de aparecer no forum. Eu vou continuar a tentar passar a mensagem.

"Os Alimentos Podem Contribuir para a Minha Infertilidade?
Pelo THE NEW YORK TIMES
Fevereiro 2010

A Dra. Sheila Crowe, professora na divisão de Gastrenterologia e Hepatologia do departamento de medicina da Universidade da Virgínia, aderiu recentemente à Consulta do Blog para responder a perguntas dos leitores sobre a doença celíaca, uma desordem digestiva muitas vezes esquecida que causa danos ao intestino delgado quando o glúten, uma proteína encontrada no trigo, cevada e centeio, é ingerido. Milhões de pessoas têm doença celíaca, mas a maioria não sabe disso, em parte porque os sintomas podem ser tão variados. Aqui, a Dra. Crowe responde a uma leitora preocupada com as ligações entre a doença celíaca e infertilidade.

Doença Celíaca, infertilidade e abortos

P. Pode explicar a ligação entre doença celíaca e infertilidade? É mais provável ser infértil se tivermos doença celíaca?
Melanie

R: Sim, infertilidade ou a incapacidade de engravidar, parece ser mais comum em mulheres com doença celíaca não tratada, com base numa variedade de estudos feitos em diferentes países. Outros problemas ginecológicos e obstétricos também podem ser mais comuns, incluindo abortos e nascimentos prematuros. Homens com doença não tratada podem também enfrentar problemas de fertilidade. Embora estes problemas nem sempre foram reconhecidos como sendo relacionadas com a doença celíaca por médicos e outros profissionais de saúde, esta situação começa a mudar.
Está reportado que mulheres com doença celíaca começam a ter períodos mais tarde e param de menstruar mais cedo do que a média. Elas também sofrem mais frequentemente de amenorreia secundária, uma condição na qual a menstruação começa, mas depois pára. Juntos, esses distúrbios menstruais levam a menos ovulações, o que resulta numa menor probabilidade de engravidar. Factores hormonais e má nutrição também têm um papel nesses problemas.

Para os homens, os problemas podem incluir espermatozóides anormais - como número, a forma alterada, e a função reduzida. Homens com doença celíaca não tratada também podem ter níveis mais baixos de testosterona.

Claro que, para homens e mulheres, a frequência das relações sexuais afecta a fertilidade. Se alguém se sente mal pela doença celíaca não tratada, a actividade sexual pouco frequente pode contribuir para o problema. Um estudo italiano sugere que as relações sexuais ocorrem com menos frequência quando um dos parceiros tem a doença celíaca activa em comparação com casais em que a doença celíaca do parceiro estava a ser tratada.

Quando uma mulher com doença celíaca activa concebe, outros problemas que podem surgir durante a gravidez incluem abortos e bebés pequenos por causa do parto prematuro ou atraso de crescimento in útero. Estas condições são mais comuns em mulheres com doença celíaca não tratada, apesar de os abortos poderem ter muitas causas e ocorrerem em até um quarto de todas as gestações. No entanto, eu recomendaria que se uma mulher tem abortos repetidos ou é incapaz de conceber, deve-se considerar a sua triagem para a doença celíaca pelo teste de anticorpos.

Na verdade, existem muitas causas de infertilidade, abortos e bebés pequenos além da doença celíaca não diagnosticada, e alguns estudos têm falhado em demonstrar que os riscos destes problemas são, na verdade, aumentados pela doença celíaca não tratada. São necessários estudos maiores e mais bem elaborados.

Ainda assim, a minha própria experiência clínica sugere que a infertilidade e os bebés pequenos ou prematuros são mais comuns em mulheres com doença celíaca não tratada do que aquelas sem doença. Tenho a certeza que alguns dos nossos leitores podem compartilhar as suas próprias experiências a este respeito. E a boa notícia é que com o tratamento adequado, com a dieta sem glúten e correcção de deficiências nutricionais, o prognóstico para as futuras gestações é muito melhor."

Estudos sobre a infertilidade e a DC:
Fertility disorder associated with celiac disease in males and females: fact or fiction?
Reproductive Changes Associated with Celiac Disease
Endometriosis, Coeliac Disease May Be Linked
Let's talk about celiac disease and infertility
Doença Celíaca e Infertilidade
Celiac disease: an underappreciated issue in women’s health
Celiac disease linked to miscarriages and preterm deliveries
Increased rates of pregnancy complications in women with celiac disease
Celiac disease and reproductive disorders: meta-analysis of epidemiologic associations and potential pathogenic mechanisms
Non-coeliac gluten sensitivity and reproductive disorders.
Celiac disease and reproductive disorders: meta-analysis ofepidemiologic associations and potential pathogenic mechanisms
Latest Study Says Celiac Disease Reduces Ovarian Reserves

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Entrevista

Publico aqui uma entrevista que li na revista espanhola Factoría Sin Gluten, uma revista para intolerantes ao glúten feita por quatro jovens universitárias, estudantes de Comunicação Social. O primeiro número saiu em Maio, mas o segundo número de Junho ainda não saiu pelo que me parece que vai ser uma revista de número único, infelizmente. Esta entrevista que passa bastante informação foi feita à Dra. Vicente do Hospital de Albacete e que está habituada a diagnosticar e tratar a doença celíaca. Publico no Castelhano original já que traduzi-la seria um esforço inglório da minha parte pois qualquer um de nós percebe facilmente a língua de Cervantes.

“La Entermedad de las Bolsas del Corte Inglés"
Cuando la Doctora Vicente trabajaba en el hospital de Madrid llamaban así a la enfermedad ya que conllevaba todo tipo de sintomas, al igual que las compras en El Corte Inglés.

Cómo surge la enfermedad?
La gente que la padece está predispuesta genéticamente desde el momento en el que nacen, y en un momento de la vida en el que se introducen los cereales se produce una reacción frente a ellos a la que determinadas personas no están predispuestas. AI absorberlos se produce una reacción de la mucosa intestinal y ese dano es el que produce los sintomas que presenta una enfermedad celíaca, que clásicamente era la diarrea. Cuando yo lIegué a Albacete hace 15 anos, en el primer mes que pasé la consulta diagnostiqué 8 pacientes, en esa época eran muchisimo, estaban etiquetados con enfermedades extranas y nadie sabia lo que tenían. Hoy en dia, gracias a que se hace screening, se diagnostican enfermedades que todavía no han dado síntomas. Sí no se lIeva una correcta dieta, esto puede desembocar en un linfoma.

Sí un celiaco consume glúten, cuánto tiempo puede transcurrir para que aparezcan este tipo de enfermedades malignas?
Habitualmente se diagnostica a los 18 meses, cuando se empieza a introducir el gluten a los bebés. Pero yo tengo enfermos de hasta 72 anos. Porqué a un nino se le diagnostica a los 18 meses y otra persona puede ingerir gluten hasta los 82 anos? Se piensa que es porque en el mecanismo de desarrollo de la enfermedad hay varios períodos: el gluten hace dano directo a la mucosa intestinal (toxicidad directa), a la que le siguen unos cambios inmurológicos que producen, en segunda instancia, una alteración intestinal que conlleva la enfermedad. Otra teoria es que, hay determinados exógenos que desencadenan la enfermedad con un soporte genético, que siempre están ahi, y se piensa que puede haber una infección que despierte la enfermedad y la haga latente.

Podría entonces darse el caso de que una persona esté siempre consumiendo gluten y, de repente, le aparezca la enfermedad y no haya sufrido danos?
Claro, un buen ejemplo son los paciente de 82 anos, son relativamente frecuentes. En el adulto (se considera adulto una persona por encima de los 14 anos), existe la misma prevalencia de la década de las enfermedades, lo mismo de 20 a 30 que de 30 a 40... aumentando la prevalencia de entre 20 a 30 anos. Se hizo un estudio en los colegios de aquí y salieron muchos celiacos. No siempre se hace la prueba a los ninos, sino en las circunstancias en las que sabemos que el síntoma se asocia a la enfermedad celíaca, por ejemplo en los diabéticos, se estudia siempre a los ninos con Sindrome de Down y también a los parientes más cercanos, y en la dermatitis espiciforme, que es una lesión dérmica donde las extremidades pican mucho,  y no se cura con el tratamiento normal que le manda el dermatólogo. En cuanto se cambia su dieta, los sintomas comienzan a mejorar.

Y qué otras enfermedades se asocian?
Se asocia con casi todo. Se ha visto con infertilidad. Las parejas que no puede tener hijos deben estudiar la posibilidad de que exista la enfermedad. Alteraciones de las siques, demencias, alteraciones del comportamiento, determinadas hepatitis, alteraciones dermatológicas, y demás tipos de alteraciones. Cuando yo trabajaba en Madrid lo Ilamábamos la "enfermedad de las bolsas del Corte Inglés" porque es una enfermedad que conlleva de todo.

En Albacete, en qué ano se comenzaron a diagnosticar los primaros celiacos?
Cuando yo lIegue en 1995, ya existían casos, pero se inició en esa época, porque la gente se comenzó a concienciar. En gente joven, con anemia o falta de hierro, que en mujeres se asocia a menstruaciones abundantes y se esconden detrás de una anemia aumentada, se recomienda hacer la prueba de la cellisquea. A partir de esto hubo una concienciación general por parte de los médicos y nos dimos cuenta de que la enfermedad celiaca podia ser la causante de un gran número de enfermedades desconocidas. Se comenzó entonces con los screening, donde encontramos enfermos que no tienen síntomas. Cuando a un celiaco no le hace efecto la dieta sin gluten, son casos muy severos que suelen ir acompanados de un linfoma.

Se puede dar el caso, aI igual que sucede con la lactosa, de que un nino celiaco pueda volver a tolerar el gluten?
No, es para toda la vida.

De dónde viene la palabra "celiaco"?
La diagnosticó un holandés pediatra que en la Segunda Guerra Mundial observó que sus ninos con diarrea mejoraban coincidiendo con el desabastecimiento de cereales, es decir, desaparecia la diarrea. Pero cuando la cosa comenzó a mejorar y volvieron a consumir glúten, Ia diarrea volvió. Este fue el tema de su tesis doctoral, posteriormente vio que los cereales les hacían dano en la mucosa intestinal, describiendo así el sintoma caracteristico.


EI hecho de que un celiaco no tome pan, supone una falta de nutrientes para el cuerpo?
No, porque no puede tornar unos cereales pero si otros, puede tomar harina de arroz. EI cuerpo no sufre ninguna falta de nutrientes, ya que el organismo se adapta a la nueva dieta del celiaco.







quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Blondie

Não, não é um post sobre os Blondie. Descobri que, como tudo o resto na vida, também na culinária existe um yin e um yang: o tão conhecido Brownie que poderia ser o masculino Yang, tem um Yin, uma loira delícia que dá pelo nome de, como já devem ter imaginado, Blondie. Nunca tinha ouvido falar neste bolo até há bem pouco tempo, mas parece que também aqui há uma grande "mulher" por trás de um grande "homem" . O Blondie é o Brownie sem o chocolate, ao qual se pode juntar o sabor que se pretender, baunilha, canela... a receita que encontrei é a do Blondie com maple syrup (xarope de àcer), aquele líquido que se põe nas panquecas e que parece mel (à venda no Celeiro). A mistura do maple syrup com o açucar mascavado dá-lhe um sabor acentuado a fudge, ou caramelo de nata, como aqueles que se ia comprar a Espanha nos anos 80. Só para quem gosta destes sabores... a receita é da Elisabeth Barbone de Gluten Free Baking.

Ingredientes:
140 gramas farinha de arroz
45 gramas Maizena
45g farinha de arroz glutinoso
1/2 colher de chá de sal
1/2 colher de chá de fermento
1/2 colher de chá de goma xantana
115 gramas manteiga sem sal a temperatura ambiente
150 gramas açucar mascavado escuro
1 ovo tamanho L
175 gramas de maple syrup (xarope de ácer)
1/2 colher de chá de essência de baunilha
Pepitas de chocolate branco (opcional)

Pré-aqueça o forno a 175 º. Unte uma forma tamanho 23x23 (ou 20x26).

Numa tigela misture as farinhas, o sal, o fermento em pó e a goma xantana. Reserve.

Noutra tigela, bata a manteiga e o açúcar mascavado até formar uma pasta grossa. Adicione o ovo e misture até ficar bem combinado.

Adicione agora o conteúdo da primeira tigela. Misture até ficar homogéneo. A massa estará um pouco seca. Junte o xarope de ácer e a baunilha. Misture até a massa estar leve e fofa.

Espalhe a massa uniformemente na forma. Coloquei por cima da massa pepitas de chocolate branco, para decoração. Coza até dourar, cerca de 25-30 minutos. Retire do forno e coloque sobre uma rede para que arrefeça completamente. Quando o bolo estiver frio, corte em nove quadrados.




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