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DADOS, DICAS E RECEITAS DE VIDAS SEM GLÚTEN



terça-feira, 9 de julho de 2013

Férias italianas


Este blog anda um pouco parado, mas por uma boa razão: férias de Verão. Este ano decidimos passar uns dias por terras transalpinas, sendo que o destino escolhido foi-o, em parte, pela grande disponibilidade de produtos sem glúten em Itália. Além do interesse histórico e cultural, tivemos que ter em conta que poder fazer uma rotina o mais próxima possível ao habitual também é, em si, uma experiência inesquecível. E se nos vamos lembrar sempre das pontes de Veneza, também é certo que nos vamos lembrar sempre da pizza sem glúten que comemos em Florença e que rivaliza com qualquer boa pizza com glúten. Assim como nada bate o sorriso de uma criança que pode comer um gelado com cone de bolacha no meio de uma piazza italiana, uma criança que tinha mais de 30 sabores à escolha e que estava indecisa com tantas opções. Tutti senza glutine!

Para fazermos um roteiro sem glúten, foi essencial a consulta do site da Associação Italiana de Celíacos (AIC), onde se pode pesquisar quais os locais de restauração onde se pode comer sem glúten, através do seu projecto “Alimentação Fora de Casa”. Também encontrei várias informações em blogs, pelo que acabei com um ficheiro de quatro páginas com locais de interesse para quem segue uma dieta sem glúten. Faço então um apanhado dos sítios que visitamos:

Veneza
O Hotel que a agência de viagens marcou em Veneza foi o hotel Tintoretto, de três estrelas, simples, mas numa localização óptima visto que se situava junto a um supermercado Billa, a uma gelataria Grom e uma loja de produtos para celíacos chamada Mea Libera Tutti. Esta pequena loja, perdida nas ruelas de Veneza, é um ponto de referência e deve ser a primeira paragem para quem faz uma dieta sem glúten visto que os donos, pais de um menino celíaco, simpaticamente indicam quais os locais seguros para comer.
Vendem também cones de gelado sem glúten que pedimos para usarem na gelataria Grom; aparentemente isso era contra as regras, mas a senhora que nos atendeu engraçou com os miúdos e recheou-os com o gelado da sua preferência (esta cadeia de gelatarias tem um poster que identifica os alergénios nos seus produtos, mas não disponibiliza cones sem glúten).
Ficamos também fãs da cadeia de gelatarias Stickhouse, onde todos os gelados são sem glúten e muitos sem leite, sendo que quase todos os gelados são servidos em pauzinho, como se fossem um epá ou perna de pau.
O hotel não estava na lista dos hóteis sem glúten de Veneza, mas solicitamos pequeno-almoço apto aquando da reserva e, de facto, colocaram alguns doces sem glúten na nossa mesa. Levámos então pão que tínhamos comprado na Mea Libera Tutti.
Para comer sem glúten, Veneza não tem tanta oferta como outras cidades italianas, mas, ainda assim, conseguimos fazer todas as refeições em segurança:

Da Poggi, Rio Terrà de La Madalena, 2103 Cannaregio: um pequeno restaurante onde se pode escolher todos os pratos do menú, à excepção dos fritos, sendo que os pratos de massa são todos preparados com fusilli sem glúten.
Ristobar San Polo, S.Polo 2024: este local tem um menú sem glúten onde se pode escolher, entre outros, empadas de massa folhada, tortellinis, e tiramisu.
Osteria All’Ombra, Sestiero Cannaregio 5603: um snack-bar com menú sem glúten que disponibiliza as refeições prontas da Schar e Morgan’s; no dia em que lá estivemos, tinham esgotado várias das opções, pelo que acabou por ser uma refeição algo restrita.
Não fomos a este restaurante, mas foi bastante recomendado, apesar de caro:

Florença
Na velha cidade dos Médici, ficamos no hotel Lombardia, outro hotel com uma localização excepcional, perto da estação de caminhos de ferro e vários restaurantes com menús sem glúten. Mais uma vez, o hotel não está na lista de hóteis sem glúten, mas foi-nos oferecido pão, tostas e bolachas aptos à dieta ao pequeno almoço. Aqui não encontramos tantos supermercados como em Veneza, mas, em contrapartida, as opções a nível de restauração são várias:

Ciro and Sons: um restaurante que nos deixou saudades- toda a carta pode ser feita sem glúten e sem leite, nalguns casos. Fomos lá duas vezes porque queríamos experimentar a tão famosa pizza sem glúten, e como era preciso reservar, voltamos no dia a seguir. Confirmamos que a pizza era mesmo muito boa, tão boa que tivemos receio que os miúdos a comessem por ser igual a uma pizza com glúten. Todos os pratos que comemos estavam muito bem confeccionados.
Da Garibardi: este restaurante disponibiliza um menú sem glúten à base de massas e pizzas. A comida é agradável e o serviço é simpático, mas o restaurante anterior está uns degraus acima.
Stare Bene Senza Glutine: é a pastelaria/padaria que todos gostávamos de ter perto de casa- pão, os mais variados doces e salgados, disponíveis na hora, tanto e com tão bom aspecto que o miúdo mais velho queria provar tudo. Só não dá para os intolerantes à lactose pois quase tudo ou leva leite ou leva manteiga.
Antica Gelateria: segundo o meu filho mais velho, o "melhor gelado de chocolate do mundo". Uma pequena e antiga gelataria, mas pronta a servir necessidades modernas, com cones sem glúten e mil e um sabores à escolha.

Havia outras opções que não visitamos por falta de tempo:

Roma
O hotel em que ficamos em Roma não é de todo recomendável, pelo que caso desejem visitar esta cidade, será melhor verificar esta lista de hóteis sem glúten. Tinha contudo a grande vantagem de ficar perto da estação de comboios Termini onde existem dois supermercados: o Conad e o Despar. A nível de restauração, as opções são imensas mas nem todas se situam no centro de Roma.

Pasticceria Napoleoni: a nossa primeira paragem em Roma- igual a muitas pastelarias portuguesas, mas com uma área reservada aos produtos sem glúten. O nosso almoço consistiu então em focaccia, sandes de mortadela e cachorros-quentes, tendo por sobremesa, deliciosas tartes de fruta. As opções eram várias (todas com lactose), a dificuldade estava na escolha. E tudo com um atendimento muito simpático.
Voglia di Pizza: uma pequena tasca moderna onde comemos a segunda melhor pizza de Itália, segundo as nossas humildes pessoas. Pude espreitar na cozinha que a farinha escolhida para a sua pizza tão fina quanto saborosa, é a Mix B da Schar. O atendimento é simpático e os pratos de massa também são bastante agradáveis.
La Pilotta da Mario, Via di Porta Cavalleggeri 35/37 (perto da praça de São Pedro): o menú deste restaurante inclui pratos de massa sem glúten e quaisquer outros que naturalmente não contém glúten. O atendimento é rápido e simpático, mas não está na lista da AIC.
Pantharei: localizado perto do Pantheon, arriscamos neste restaurante que, apesar de estar na lista da AIC, nos pareceu mais virado para os turistas que preocupado com restrições alimentares. Mas, de facto, apresenta um menú sem glúten de massas (usam a marca Le Veneziane) que estavam muito saborosas. O serviço também é simpático e os preços não são muito caros.
Gelateria Fatamorgana: um dos pontos altos gastronómicos da viagem. Visitamos a loja situada perto do nosso hotel, na Piazza Degli Zingari, uma praceta pequenina situada num bairro familiar onde as famílias se juntam para comer gelado. Todos os sabores são sem glúten e muitos deles também sem leite; os cones são sem glúten e sem leite. Há dos sabores mais tradicionais aos mais arrojados, mas todos feitos com ingredientes artesanais. Tão bons que tivemos que repetir.

Outros recomendados, mas que não visitamos:
Buccianti (Via Giustiniani, 18)

Notas soltas:
Parece-nos que há um trabalho muito grande de informação e formação da AIC junto da restauração pois as gelatarias que visitamos exibiam todas os procedimentos da não contaminação: mudança de luvas aquando da preparação do gelado, colheres próprias e, sempre que possível, o recurso a embalagens por estrear de gelado. A cadeia Blue Ice anuncia gelados sem glúten mas perguntamos em duas lojas e em ambas nos disseram que os gelados são engrossados com goma de alfarroba e guar, mas há risco de contaminação cruzada.

Quase todos os supermercados disponibilizam uma área de produtos sem glúten, mas alguns dividem os produtos sem glúten pelas prateleiras "normais" pelo que é preciso estar atento. Ficamos fãs dos produtos sem glúten da Galbusera, principalmente das bolachas de água e sal (que conhecemos no Da Poggi em Veneza), e do pão de forma da Dietary Specials que em nada deve ao Panrico.

A TAP disponibiliza refeições sem glúten; basta mencionar o pedido na altura da reserva. Ficamos agradavelmente surpreendidos com a qualidade das suas refeições sem glúten: para além de sermos servidos primeiro, pareceu-nos que as refeições sem glúten eram melhores escolhas que as opções "normais".




sábado, 29 de junho de 2013

Um aniversário com açúcar

Recentemente, o meu filho fez anos. Estando eu limitada em tempo livre, de pronto a sua avó e tia se ofereceram para que não lhe faltasse um bolo apto e tão apetecível quanto os bolos dos outros meninos. Com a ajuda da pasta de açúcar da marca Sweet Art (que exibe um grande símbolo Sem Glúten nas embalagens e cujo site é bastante explicativo sobre as suas aplicações), as duas fizeram uma pequena obra de arte, especialmente tendo sido o primeiro bolo deste tipo.
O bolo é de chocolate com recheio de ganache, feito com farinha Doves Farm White self Raising, com base nesta receita. É um bom exemplo de que, com boa-vontade e alguma cratividade, uma dieta sem glúten não tem que ser aborrecida. Obrigada!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Novo e-livro sobre DC e Sensibilidade ao Glúten

Já está disponível para download gratuito um livro editado por Amado Salvador Pena e Luis Rodrigo Saéz, dois conhecidos especialistas em condições associadas ao glúten. Dividido em 25 capítulos, aborda as mais variadas questões relacionadas com esta temática, com a participação de vários investigadores da área, espanhóis e ibero-americanos. Como tal, está escrito em Espanhol, mas é de fácil compreensão e muito útil para quem se interessa por esta temática.

Pode ser descarregado aqui, seleccionando a opção "Export as PDF". 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

31: receitas | bloguers | dias

Há uns tempos atrás, recebi um email da Magda, autora do blog Mum´s the Boss, " onde se escreve, num tom leve sobre coisas muito sérias:  Felicidade, Educação e Parentalidade Positiva, com o mote 'a mão que embala o berço é a mão que embala o mundo'". Este contacto trazia uma proposta irresistível pela utilidade que pretendia: fazer um e-book de receitas para os 31 dias do mês com receitas fáceis e rápidas, de modo a facilitar o dia-a-dia da mulher "moderna".

Ora a culinária sem glúten nem sempre é fácil e rápida, mas achei que poder passar uma receita de pão sem glúten e que ficasse bem, era igualmente relevante. Daí que a minha participação, entre as 31 bloguers que aderiram ao projecto, seja de uma receita de pão tipo bijou sem glúten. Nem todas as receitas são sem glúten, mas a maioria é facilmente adaptável, logo este livro acaba por ser útil a qualquer pessoa. O e-book pode ser descarregado aqui. Parabéns Magda pela ideia e pelo trabalho que está excelente!

No caso da minha receita em questão, surge porque um pão sem glúten nunca será igual a um pão com glúten, exactamente porque é esta proteína que faz do pão aquilo que ele é. No entanto, pode-se usar vários métodos para simular as mesmas condições de que um pão com glúten usufrui. O resultado será diferente, mas será na mesma um pão saboroso. Para tal, nesta receita, socorri-me de alguns “truques”:

1- Esta receita leva duas misturas panificáveis sem glúten: a Schar Mix B é essencial, pois permite melhores resultados com receitas de pão; a segunda mistura pode variar de marca, desde que os seus ingredientes sejam principalmente amidos (de milho, batata, mandioca…). Uma mistura para pão integral não iria funcionar, pois o alto teor de fibras produz uma textura mais densa, enquanto o pão desta receita resulta numa massa leve.
2- A farinha de grão-de-bico, sendo rica em proteínas, complementa as misturas panificáveis, pobres em nutrientes. Na farinha de trigo é o glúten a proteína que sustém o fermento, logo nas receitas de pão sem glúten é necessário dar outro tipo de “alimento” ao fermento, neste caso a proteína do grão-de-bico.
3- O gengibre funciona como um melhorante caseiro nas receitas de pão, primeiro porque ajuda a preservar a textura do pão, e, segundo, porque funciona também como alimento para o fermento.
4- O ácido ascórbico, o nome científico da conhecida vitamina C, é um reconhecido antioxidante e cria um ambiente acidíco no qual o fermento prolifera. Caso não o encontrem à venda, pode-se substituir por 1 colher de chá de sumo de limão.

Pão Bijou
Ingredientes:
250 gramas de farinha Schar Mix B
200 gramas de farinha panificável SG (marcas Jumbo, El Corte Inglés, Procelli,…)
50 gramas de farinha de grão-de-bico (marcas Doves Farm, Bauckhof)
5 gramas de sal fino
½ colher de chá de gengibre em pó
430 ml de água com gás
25 gramas de fermento fresco (1 cubo da marca Levital)
1 colher de chá de açúcar
¼ colher de chá de ácido ascórbico/ vitamina C (marca Doves Farm)
2 colheres de sopa de azeite
Para pincelar
Água
Azeite

Aqueça a água com gás, coloque metade na cuba da sua batedeira e a outra metade num copo. Neste, dilua o açúcar primeiro e depois o fermento, mexendo bem até estar totalmente dissolvido. Coloque o copo num local morno durante 10 minutos até obter um dedo de espuma.

Entretanto, misture bem as farinhas com o sal e o gengibre até obter uma cor homogénea, i.e., até que nenhum elemento sobressaia. Reserve.

Junte o fermento à restante água na cuba da batedeira, mais o ácido ascórbico e o azeite. Acrescente as farinhas e deixe a batedeira amassar durante cinco minutos em velocidade média.

Enquanto isso, ligue o forno a 50ºC durante três a cinco minutos para criar um bom ambiente para a levedação. Desligue o forno e coloque dentro a cuba com a massa, tapada com um pano húmido, durante 30 minutos.

No final desse período, enfarinhe bem a bancada de trabalho e as mãos com farinha sem glúten, e vá retirando colheradas de massa que deverá manusear até obter bolas de tamanho médio. Coloque-as num tabuleiro forrado a papel vegetal e leve de novo ao forno morno para levedar mais 20 minutos aproximadamente.

Ao terminar a segunda levedação, faça cortes no centro das bolas de massa e pincele-as com uma mistura em partes iguais de água e azeite. Coloque um pequeno recipiente com água na base do forno para humidificar o ambiente e ligue o forno a 200ºC, com calor por baixo, durante 25 minutos. Deixe mais cinco ou dez minutos com calor por baixo e por cima, até os pães estarem ligeiramente dourados.

Retire os pães do forno e deixe arrefecer se quiser congelar alguns; senão, comem-se melhor quentes ou mornos (como qualquer pão sem glúten). O pão sem glúten congela muito bem, pois ao descongelar mantém as propriedades do pão recém-feito.

Caso lhe sobre pão, ou a receita não corra bem (o que é normal quando nos iniciámos na panificação sem glúten) pode sempre torrar e triturar para obter pão ralado sem glúten.

Esta receita rende à volta de 12 unidades.




sexta-feira, 14 de junho de 2013

DC com análises negativas- um testemunho

Nem sempre as análises de anticorpos para doença celíaca vêm positivas, aliás, diria mesmo que raramente vêm positivas. Isto porque existe DC mas com serologia negativa e biópsia positiva, ou não existe DC, mas existe sim sensibilidade ao glúten não-celíaca. Esta última, nos dias que correm, ainda só pode ser diagnosticada pela resposta positiva à dieta, com resolução de sintomas e, preferencialmente, com melhoria noutro tipo de marcadores. Logo, e a menos que haja análises claramente positivas, não se pode ficar apenas pelo resultado da analítica quando os sintomas sugerem o contrário.

Tenho acompanhado alguns casos de pessoas que fazem as análises para DC, que são invariavelmente negativas, e os seus médicos fecham a porta à hipótese de uma condição associada ao glúten, ficando estas pessoas sós com os seus problemas. Este testemunho que encontrei recentemente de uma jovem espanhola chamada Sara García, e que escreve o blog Tarragona Sin Glúten, mostra como a biópsia é importante perante análises negativas.





"Como me detectaram a doença

Tudo começou em 2011... Tive o meu filho em Julho de 2011. A partir daqui, tudo mudou. Aos poucos, comecei a sentir-me mal, em concreto eram "indigestões", mas não tinha desarranjos (o que é habitual num celíaco). Também comecei a perder peso, a cada mês um quilo, e estava muito cansada, exausta, não dormia bem e estava muito, muito sensível.

No início, pensei que estava tudo relacionado com o pós-parto e que a mudança de vida ao ter um filho também me estava a afectar. Mas, aos poucos, percebi que nem sempre tinha tão má digestão, mas sim dependia do que eu comia.

Demorou muitos meses, mas a cada vez que o meu estômago doía, apontava num papel o que tinha comido nesse dia. Por fim, tinha uma lista completa dos alimentos: pão, massas, bolos, doces... Com esta lista, fui à minha médica de família. Ela viu a comida descrita na lista, e a primeira coisa que disse que poderia ser era o glúten. Era a primeira vez que ouvia as palavras “doença celíaca”, e não sabia o que é que ela estava a falar. Explicou-me em traços largos em que consistia esta doença, mas disse que não me angustiasse pois tinha que ser testada.

O primeiro teste que fiz foi uma análise de sangue. Esta análise acusou que o cálcio, ferro e vitaminas estavam no limite normal baixo. Mas o mais estranho é que as análises ao glúten estavam negativas. Isto é, de acordo com a análise não era celíaca. A médica ficou surpreendida e referenciou-me para a consulta da especialidade.

O gastrenterologista pediu-me diferentes testes: lactose, frutose, sacarose. Eu fiz todos: a frutose deu positivo e os outros negativos. A frutose poderia explicar porque alguns alimentos me caíam mal, mas outros não. E, entretanto, estava a perder peso, já tinha perdido sete quilos e continuava sem me sentir bem, e muito, muito cansada.

Finalmente, fui encaminhada para a endoscopia digestiva. A endoscopia foi fácil e rápida, estive sempre adormecida e não me apercebi de nada. Após 10 dias, exactamente a 31 de julho de 2012, recebi os meus resultados: Grau 3a da escala de Marsh. O médico disse-me que o glúten tinha danificado as paredes do intestino e, por isso, este não absorvia nada, logo nem vitaminas, gorduras, cálcio, ou ferro... Nada de nada, tudo o que eu comesse, ia fora. Assim, tinha perdido muito peso. Estava preocupada e ​​perguntei ao médico, “e como é que me posso curar?” ao que ele me respondeu: "é preciso eliminar o glúten da tua vida". Mas isto depois de já ter perdido 10 quilos..."

Outros artigos:
Low serological positivity in patients with histology compatible with celiac disease in Perú

sábado, 8 de junho de 2013

Donuts sem glúten

Aqui está a receita que é sempre um sucesso com os miúdos, aquele doce que é de tão fácil acesso na sua versão com glúten, mas que é raro encontrar apto para uma dieta sem glúten: o donut. Não sendo um alimento saudável, é aquele pequeno luxo que, consumido ocasionalmente, ilumina um lanche para crianças. Usando esta receita como base, adaptei-a também para experimentar um pequeno truque que encontrei recentemente: batatas cozidas e esmagadas. Acrescentá-las a qualquer receita de pão sem glúten, assim como a àgua em que cozeram,  garante uma textura fofa e que permanece húmida durante 2 a 3 dias. Tinha experimentado isto com a receita do pão de forma com sucesso, e quis agora tentar com a receita de donuts. Faz certamente a diferença.

Ingredientes:
200 gramas de farinha Schar Mix B
50 gramas de farinha de grão de bico
100 gramas de batatas cozidas e esmagadas
1 gema de ovo
50 gramas de margarina/manteiga derretida
75 gramas de açúcar
15 gramas de fermento fresco Levital
180 ml de água de cozer as batatas
1 vagem de cardamomo (opcional)

Dissolva o fermento na água de cozer as batatas (já morna). Reserve.

Abra a vagem de cardamomo, retire as sementes que estão no seu interior e junte-as numa tigela com a margarina, o açúcar e a gema.

Na cuba da sua batedeira, misture bem as farinhas e junte-lhe a mistura com a manteiga. Bata bem até obter uma massa areada e acrescente aos poucos a água com o fermento, até a massa ficar homogénea. Cubra a cuba com um pano húmido e deixe a levedar num local morno durante uma hora.

A massa poderá então ser cortada em donuts, mas o ideal é que descanse 12 horas (ou durante a noite) no frigorifíco para melhorar a sua textura. Estique-a então entre duas folhas de papel vegetal até uma espessura de 1,5 centímetro e corte os donuts com um molde específico, como este (não sendo possível use uma malga e uma tampa de garrafa).

Tape os donuts com papel transparente e deixe levedar em local morno até dobrarem de volume. De seguida, frite-os em óleo vegetal não muito quente, um minuto de cada lado, e coloque sobre papel absorvente. Pode decorá-los com uma cobertura de chocolate, uma calda de açúcar ou, simplesmente, com açúcar em pó e canela.

Esta receita rende 16 unidades.

Cobertura de chocolate
Ingredientes:
30 ml de leite/ leite vegetal
55 gramas de margarina/manteiga
10 gramas de geléia de milho/arroz
75 gramas de chocolate em barra
1 colher de chá de essência de baunilha
100 gramas de açúcar em pó

Numa panela, derreta a margarina com o leite, a geléia e a baunilha. Mexa bem, baixe o lume e junte o chocolate até este derreter. Desligue o lume e junte o açúcar em pó, mexendo sem parar até este estar bem dissolvido. De seguida, cubra os donuts, retirando o excesso; caso queira colocar enfeites, espalhe-os de seguida sobre a cobertura de chocolate para que estes adiram bem.










quinta-feira, 6 de junho de 2013

A história da Shannon

Porque nunca é demais lembrar dos efeitos que uma condição associada ao glúten pode exercer na fertilidade, o post de hoje é um testemunho recente de uma jovem americana chamada Shannon que sofre de abortos recorrentes cuja causa parece ser a doença celíaca. Do blog The Daily Diatribe.

"Faz quatro anos em Julho que eu e o meu marido nos casámos. Em Outubro de 2010, descobri que estava grávida. Estávamos muito satisfeitos. Várias semanas depois, abortei a 1 de dezembro de 2010. Eu pensei que o meu mundo tinha acabado. Nenhuma dor poderia ser pior do que aquilo.


Imagem do The Daily Diatribe

Continuámos a nossa jornada para nos tornarmos pais. Depois do meu aborto, o meu período ainda não tinha chegado. O meu ginecologista deu-me um medicamento para que este aparecesse. Mas umas vezes aparecia, outras não. Finalmente, após vários meses nisto, o médico disse para tomar também Clomid para me ajudar a engravidar e funcionou! Os meus ciclos eram tão irregulares que eu não tinha ideia de quando ovulava. Estávamos tão animados, mas com medo de outro aborto. Parece que tive de suster a respiração até ao fim do primeiro trimestre. Então, no dia de Acção de Graças, fiz a ecografia do segundo trimestre para certificar-me de que o bebé era saudável. Foi então que o técnico descobriu que ele não tinha um diafragma no seu lado esquerdo.

Em 6 de dezembro de 2011, fui para a minha primeira consulta no Hospital Infantil de Filadélfia. Estivemos lá 13 horas, e soubemos de um defeito de nascença possivelmente fatal que nunca nenhum de nós tinha ouvido falar antes. O meu filho tinha uma hérnia diafragmática congénita do lado esquerdo. Tinha uma hipótese de sobrevivência de 50%.

Foi-me dito para continuar grávida e divertir-me. Em 6 de abril de 2012 às 9:07, dei à luz um menino com 4,100 kgs e 54 centímetros, a quem demos o nome de Michael Thomas. O Michael não chorou ao nascer, ele não era capaz de o fazer. Os intestinos, estômago e parte do fígado estavam todos na sua cavidade torácica, devido à falta de diafragma. Foi levado para a UCI Neonatal e fui ter com ele uma hora mais tarde. Eu sabia que o prognóstico não era bom porque levaram-me a vê-lo de imediato após a minha cesariana.

Às 4h03, o Michael deixou-nos para estar com os anjos no céu.

Quando pensei que o meu aborto espontâneo no ano anterior tinha sido o fim do mundo, estava errada. Nenhuma dor se pode comparar à dor de perder um filho.

Vários meses depois de perder o Michael, o meu marido e eu começamos a consultar com um especialista em fertilidade dado que o meu ciclo menstrual nunca foi normal e precisava de alguém para nos ajudar. Tomei medicamentos de fertilidade em formato comprimido e passei dias a injectar-me com hormonas. Finalmente, depois de oito meses, no dia 1 de janeiro de 2013, tive um teste de gravidez positivo. Estava sob supervisão cerrada do meu especialista, mas apesar de o bebé ter uma pulsação forte, os meus níveis hormonais estavam a descer e a 6 de Fevereiro de 2013 tive outro aborto. Tristemente, este não foi tão emocionalmente doloroso como o primeiro ou como perder o meu filho.

Nessa altura, comecei a ficar mais vigilante com o que comia e com as minhas rotinas de exercícios. Perdi cerca de dez quilos num período de dois meses, e no dia anterior ao que teria sido o primeiro aniversário do Michael, tive um teste de gravidez positivo. Pensei que fosse uma bênção de Deus e do meu anjo bebé.

Voltei a estar sob constante supervisão do médico, mas sem sucesso. Cerca de duas semanas depois, abortei novamente. Foi nesse momento que o meu médico me mandou fazer um painel genético com análises sanguíneas. Dezoito frascos depois, tínhamos a esperança de obter alguns resultados. Esta semana recebi um telefonema dele a informar que, nos meus exames, os marcadores para a doença celíaca estavam muito altos. Fui a um gastrenterologista ontem e, após examinar as minhas análises, confirmou que estes eram, de facto, bastante elevados. Ele irá realizar uma endoscopia na segunda-feira para confirmar que tenho doença celíaca.

O que eu não sabia é que há uma forte ligação entre a doença celíaca e aborto/ infertilidade. Aparentemente, mesmo que eu nunca tenha estado fisicamente doente ou que tivesse sinais exteriores de uma questão com o glúten, os meus intestinos estariam tão danificados que o meu corpo não poderia absorver os nutrientes e passá-los para o feto, daí as perdas. Assim, estou a mudar a minha dieta, não só porque tem de ser (e, no fim, vou-me sentir muito melhor e mais saudável), eu estou a fazer isso com a perspectiva de poder ter um filho forte e saudável que vou conseguir segurar nos meus braços mais do que uma vez. Uma criança que chora e que me mantém acordada a noite toda. Uma criança que vai pintar a parede com os lápis. Uma criança que vai precisar de uma apoiante no seu primeiro jogo / claque / bailado. Uma criança que vai voltar para casa depois do primeiro encontro e ter vergonha de me dizer se tudo correu bem, mas, ao olhar para o seu rosto, saberei que ele deu o seu primeiro beijo. Uma criança que vai participar de um baile. Uma criança que eu vou ajudar a planear o casamento e acompanhar até ao altar. Uma criança que vai fazer de mim uma avó. Uma criança que vai ter que enterrar os seus pais, e não um pai a enterrar o seu filho novamente."

Outros posts sobre o mesmo tema:


sábado, 1 de junho de 2013

Cure Your Child with Food, de Kelly Dorfman

Sendo hoje o Dia da Criança, gostava de recomendar um livro que pretende tratar delas: “Cure Your Child With Food” (Cure o seu Filho pela Alimentação) de Kelly Dorfman foi posto à venda nos EUA em Abril deste ano. É o sucessor do seu anterior livro “What’s Eating Your Child?”, lançado em 2011 e aborda as ligações entre padecimentos comuns na infância tais como infecções crónicas de ouvidos, refluxo, dores de barriga, dificuldades com a alimentação, atraso no crescimento, problemas comportamentais e a dieta. A actual geração de crianças tem a maior taxa de obesidade, alergias alimentares, distúrbios comportamentais e emocionais, doenças auto-imunes e problemas de aprendizagem já registada. A autora acredita que isto se deve, muitas vezes, à sua dieta.

O nome de Kelly Dorfman surgiu-me, por acaso, numa pesquisa, ao ler este artigo. O meu interesse no tema que aborda e as críticas que li espicaçaram a minha curiosidade, pelo que resolvi adquirir o livro na Amazon UK. Depois de terminar a sua leitura, acredito que este livro deveria ser de leitura obrigatória para os pais que lidam com qualquer tipo de problemas de comportamento, ou alimentares dos seus filhos. A informação que disponibiliza acaba por poupar incontáveis ​​horas de pesquisa. Oferece também completas check-lists de sintomas para ajudar os pais a perceber se aquela situação se aplica, ou não, ao seu filho.

Segundo a autora: "Há muitos livros informativos sobre nutrição, mas eu reparei que muitos deles eram aborrecidos. Estava determinada a escrever um livro que não fosse apenas útil, mas também divertido. A parte mais fascinante de ser um detetive da nutrição é lidar diariamente com as situações da vida real. Por essa razão, o livro gira em torno de histórias reais de famílias que lutam com problemas de saúde comuns. Eu compartilho as suas histórias, como descobrimos a solução, se a solução delas ajudaria o seu filho e como aplicá-la ".

A premissa básica dos seus métodos assenta na necessidade de os pais se tornarem “detectives”, algo com o qual só posso concordar: afinal, foi porque pesquisei em páginas e mais páginas web que encontrei a resposta para o que afligia o meu filho. Ela defende que a solução para a saúde das nossas crianças não cabe apenas aos médicos, principalmente quando estes não sabem ou não querem saber mais, mas passa também por um envolvimento directo dos pais nas decisões e na pesquisa de alternativas.

O livro está organizado por condição ou conjunto de sintomas, sendo fácil de usar e de ler pois a Kelly Dorfman recorre a uma linguagem descomplicada, mais apta a leigos. Ela consegue abordar doenças graves e doenças vivenciadas por crianças, sem criar receio no leitor. A organização do livro em quatro secções abrange o campo da nutrição infantil, abordando as mais variadas opções de tratamento nos seguintes capítulos:

Capítulos 1 e 2- aqui a autora aborda as questões gerais da importância da nutrição no desenvolvimento infantil e a necessidade dos pais serem um “detectives da nutrição”;
Capítulos 3 e 4- nestas páginas, trata-se dos meninos que não gostam de comer e para os quais a autora preconiza o programa EAT:
E-Eliminar todos os irritantes que possam causar desconforto;
A-Acrescentar um alimento de cada vez;
T-Tentar comer nem que seja apenas um pedaço de cada novo alimento durante duas semanas.
Capítulo 5- como tratar situações de refluxo;
Capítulo 6- a relação de dores abdominais com a ingestão de glúten;
Capítulo 7- o atraso no crescimento e a deficiência em zinco;
Capítulo 8- a obstipação crónica e a influência dos lacticínios;
Capítulo 9- a queratose pilar (“pele de galinha”) e a deficiência de ácidos gordos essenciais;
Capítulo 10- a falta de sono e os suplementos de melatonina;
Capítulo 11- a hiperactividade e a sua relação com o consumo excessivo de açúcar;
Capítulo 12- a bipolaridade e a ingestão de glúten;
Capítulo 13- a ansiedade e a suplementação com aminoácidos e ácidos gordos essenciais;
Capítulo 14- distúrbios alimentares, depressão e o glúten;
Capítulo 15- a relação de causalidade entre infecções crónicas de ouvidos e o consumo de lacticínios;
Capítulo 16- os aditivos tóxicos na alimentação e as perturbações do comportamento e alergias;
Capítulo 17- a dispraxia (um caso de “atraso na fala”) e um programa de suplementos: Omega 3, Vitamina E e Fosfatidilcolina;
Capítulo 18- os transtornos do processamento sensorial;
Capítulo 19- Perguntas mais frequentes.

Ao longo do livro, Kelly Dorfman recorre aos mais variados estudos científicos e opiniões médicas para validar as suas opções de tratamento. Refere sempre a importância da boa suplementação, com produtos e marcas de confiança, assim como da boa alimentação, sempre que possível com produtos orgânicos. Os seus site e blog complementam a informação do livro e são uma via de contacto: enviei-lhe, por email, uma questão relacionada com um capítulo do livro e recebi prontamente a sua simpática resposta. Como é óbvio, a autora recomenda procurar ajuda profissional se os resultados desejados não forem alcançados, mas, pelo menos, a informação no livro dá aos leitores um ponto de partida.


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