INFORMAÇÃO É PODER

DADOS, DICAS E RECEITAS DE VIDAS SEM GLÚTEN



domingo, 14 de abril de 2013

Bolo de amêndoa

Esta é uma receita simples, inspirada na galega tarte de santiago, e que fica muito bem.
 
Ingredientes:
200 gramas de amêndoas em pó
50 gramas de farinha sem glúten (usei Doves Farm Self Raising)
4 ovos
200 gramas de açúcar
Raspa de meio-limão
½ colher de chá de canela
Açúcar em pó
 
Num recipiente, misture as amêndoas com a farinha e a canela. Reserve.
 
Na cuba da sua batedeira, coloque o açúcar e a raspa de limão e misture com as mãos para que o açúcar fique bastante aromatizado. Junte os ovos e bata até espumar. Por fim, acrescente as amêndoas reservadas e misture com cuidado com uma colher.
 
Coloque numa forma amovível untada e leve ao forno a 180ºC durante 25 a 30 minutos, até dourar. Retire do forno, deixe arrefecer um pouco e desenforme. Decore com açúcar em pó.
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A importância do rastreio em familiares


Imagem retirada da Net
 Quando o meu filho mais velho foi diagnosticado, foi-nos pedido que fizéssemos o rastreio para a doença celíaca, principalmente nós, pais, mas também os avós e tios, se assim pretendessem (irmãos também, mas ele ainda era filho único nessa altura).  Fizeram então os pais e a avó e tia maternas; os restantes familiares não se mostraram interessados. O painel consistia no IgA total, Ac anti-tranglutaminase IgA e Ac anti-endomísio IgA: todos tivemos análises negativas, mas nem sempre esse é o caso.


Uma revisão técnica sobre o diagnóstico e tratamento da doença celíaca afirmava em 2006 que "os familiares de pacientes com doença celíaca estão em maior risco para a doença celíaca do que a população geral. Com base em estudos, em que há confirmação por biopsia relativamente completa, a prevalência é de cerca de 10%, mas pode ser mais elevada se menores graus histológicos forem também considerados. Entre familiares, a maior prevalência de doença celíaca ocorre em famílias com mais de uma pessoa afectada, enquanto que a prevalência entre familiares de segundo grau é mais baixa (2,6% -5,5%) mas, ainda assim, maior do que a população em geral."

Um estudo bósnio de 2011 abordou esta questão: pesquisadores do Centro Universitário de Tuzla, na Bósnia e Herzegovina pediram a 75 pais e irmãos de crianças recém-diagnosticadas com a doença celíaca para participar de um rastreio. Embora nenhum dos familiares relatasse sintomas sugestivos de doença celíaca, 20 por cento positivaram, pelo menos, um dos testes do painel de doença celíaca (foram propostas biópsias para confirmação mas, na maioria dos casos, foram recusadas​​).

Os pesquisadores dizem que os seus resultados estão alinhados com outros estudos e demonstram como o rastreio pode ajudar a identificar um número significativo de indivíduos com formas assintomáticas da doença celíaca. Os pesquisadores também chamaram a atenção para dois participantes do estudo com resultados positivos: a primeira era uma mãe com um histórico de vários anos de infertilidade. Depois de adoptar uma dieta isenta de glúten, ela ficou grávida, o que faz ressaltar a importância do rastreio para ajudar a prevenir complicações graves da doença celíaca não diagnosticada (não tratada), tais como infertilidade. O segundo caso foi o de um irmão de oito anos de idade, que tinha sido testado vários anos antes. Nessa altura, os resultados foram negativos. Mas quando participou na pesquisa, os resultados foram positivos, pelo que estes investigadores recomendam que o teste seja repetido a cada dois ou três anos.

Outros artigos

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Panquecas fofas

Mais uma receita de panquecas, desta vez uma experiência minha, que resulta numas panquecas muito fofas (daí o título). O filho gostou da nova versão, já o pai permanece fiel à receita do costume, o mais novo come tudo desde que seja doce.

Ingredientes:
250 gramas de farinha sem glúten (Doves Farm Self Raising, que já traz fermento e goma xantana)
25 gramas de amêndoas em pó
250 ml de leite/leite vegetal
2 colheres de sopa de sumo de limão
100 ml água
1 colher de sopa de açúcar
½ colher de chá de essência de baunilha
½ colher de chá de bicarbonato de soda
2 ovos L
35 gramas de óleo de coco/vegetal/manteiga derretida

Numa tigela coloque o leite e o sumo de limão e reserve. Caso consiga comprar leitelho (“buttermilk”), use-o na mesma proporção.

Noutra tigela, misture a farinha com as amêndoas, o açúcar e o bicarbonato de soda. Abra um buraco no meio e coloque aí o leite, a água, a essência de baunilha, os ovos e a gordura da sua preferência. Bata com uma vara de arames até obter uma mistura homogénea.

Aqueça uma frigideira e coloque colheradas de massa (use a colher de servir a sopa). Quando os cantos estiverem definidos e a massa borbulhar no centro da panqueca, vire-a com uma espátula e deixe cozinhar durante mais um minuto.

Retire para um prato e sirva, quente, com a cobertura que preferir: manteiga, chocolate, canela, xarope de ácer (“maple syrup”), mel, compota… Opcionalmente pode acrescentar canela à massa, ou então frutos como os mirtilos ou bananas, ou ainda pepitas de chocolate.

Esta receita rende 10 panquecas de 10-12 centímetros.



As panquecas da mãe, com mirtilos




sexta-feira, 5 de abril de 2013

Em que momento se instala a intolerância?

Já é sabido que a ingestão de glúten mais a existência de genes que predispõe à intolerância ao glúten são factores necessários para que a condição se instale. O terceiro factor são as condicionantes ambientais e aí, os investigadores ainda não conseguiram identificar o que faz “disparar o alarme”. As teorias são várias: uma gravidez, uma cirurgia, stress emocional, uma infecção gastrointestinal… Não se consegue mesmo saber quando a doença se instalou, i.e., não há uma sucessão lógica de eventos. Apesar de, por exemplo, termos sido operados ao apêndice e de se terem seguido fortes crises intestinais que levaram a um diagnóstico de DC, não se consegue estabelecer uma relação causal- a DC podia ser pré-existente mas só se ter manifestado com sintomas óbvios após a cirurgia.


Imagem retirada da Net

O estudo de 2012 que trago hoje aponta um possível caminho. Este estudo sueco foi feito no âmbito de, na Suécia, se ter dado um grande aumento nos casos de doença celíaca em crianças menores de dois anos de idade. Uma equipa de investigação estudou a possível ligação entre infecções precoces nesse período da vida da criança e doença celíaca, assim como o seu possível papel na explosão de casos de doença celíaca em crianças suecas.

“Infecções precoces estão associadas a risco aumentado para a doença celíaca: um estudo de ocorrência de casos-referentes

Resumo
A doença celíaca é definida como uma "enteropatia crónica do intestino delgado imuno-mediada precipitada pela exposição ao glúten em indivíduos geneticamente predispostos. A Suécia tem experimentado uma "epidemia" da doença celíaca em crianças abaixo de dois anos de idade. A etiologia da doença celíaca é considerada multifactorial, no entanto, pouco se sabe a respeito do risco ou potenciais factores de protecção. Apresentamos dados sobre a possível associação entre o início de episódios de infecção e doença celíaca, incluindo a sua possível contribuição para a epidemia sueca de doença celíaca.

Métodos
Um estudo de ocorrências de casos – referentes de base populacional (475 casos, 950 referentes) com informações sobre a exposição ao glúten obtidas por meio de um questionário (onde se incluía as características da família, alimentação infantil e da saúde geral da criança) foi realizado. Os casos de doença celíaca foram diagnosticados antes dos dois anos de idade, cumprindo os critérios diagnósticos da Sociedade Europeia de Gastroenterologia Pediátrica, Hepatologia e Nutrição. Os referentes foram selecionados aleatoriamente a partir do registo da população nacional depois de cumprirem critérios de correspondência. As análises finais incluíram 954 crianças, 373 (79%) casos e 581 (61%) referentes, com informações completas sobre as principais variáveis ​​de interesse de um conjunto combinado de um caso com um ou dois referentes.

Resultados
Ter três ou mais episódios infecciosos relatados pelos pais, independentemente do tipo de infecção, durante os primeiros seis meses de vida foi associado com um risco significativamente aumentado de doença celíaca mais tarde, e este permaneceu após o ajuste para a alimentação infantil e situação socioeconómica (rácio de probabilidade [OR] 1,5, intervalo de confiança de 95% [IC], 1,1-2,0, P = 0,014). O risco de doença celíaca aumentou sinergicamente se, além de ter vários episódios de infecção, as crianças tiveram grandes quantidades de glúten introduzidas na dieta, em comparação com quantidades pequenas ou médias, após a amamentação ter sido interrompida (OR 5,6, 95% CI, 3,1-10; P <0,001).

Conclusão
Este estudo sugere que ter episódios de infecção repetidos no início da vida aumenta o risco para a doença celíaca mais tarde. Além disso, encontramos um efeito sinérgico entre infecções precoces e a quantidade diária de ingestão de glúten, mais acentuado entre as crianças em quem o aleitamento materno foi interrompido antes da introdução do glúten. Quanto à contribuição para a epidemia sueca de doença celíaca que, em parte, foi atribuída a alterações simultâneas na alimentação infantil, as infecções precoces provavelmente tiveram uma pequena contribuição através do efeito sinérgico com a quantidade de glúten ingerida."

Outros artigos:

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Cada vez mais informação

Nada como começar o mês com notícias fresquinhas: a Visão de hoje traz um artigo de quatro páginas intitulado “A Moda da Dieta Sem Glúten”. Apesar do meu receio inicial de que a reportagem teria sido feita no modo “super-dieta de Hollywood para emagrecer”, a Visão fez prevalecer o seu espírito jornalístico e acaba por ser um artigo bastante completo onde se aborda tanto a doença celíaca como a sensibilidade ao glúten não-celíaca. Inclui mesmo uma pequena entrevista ao Dr. William Davis, o autor do famoso livro “Wheat Belly” e duas receitas, assim como fala com médicos, nutricionistas, doentes celíacos e empresas que vendem produtos sem glúten.

Vale principalmente porque é mais um artigo sobre esta temática tão ignorada, ou seja, mais uma oportunidade para que a informação chegue a quem dela precisa. 

Esta tendência é crescente e isso nota-se no maior cuidado que os fabricantes têm em informar da isenção de glúten nos seus produtos, quando há apenas dois anos atrás isso não acontecia. Encontrei recentemente duas marcas que passaram a incluir um símbolo Sem Glúten nos seus produtos e “assim, grão a grão, a galinha enche o seu papo”. Ora vejam:



Molho para Bolonhesa Pingo Doce






















Maionese Vianeza
















quarta-feira, 27 de março de 2013

Sem Glúten, Com Saúde

Existe no Facebook um grupo chamado Viva Sem Glúten Portugal que visa a partilha de experiências e informação entre intolerantes ao glúten. Dessa partilha nasceu a ideia de reunir as experiências de vários membros, assim como informações sobre as características clínicas das condições associadas ao glúten e a sua dieta respectiva, num livro que se apresenta agora com o título "Sem Glúten, Com Saúde". Está disponível para download gratuito e o objectivo é que chegue ao maior número de pessoas para promover a consciencialização sobre a intolerância ao glúten.

A todos os que participaram, muito obrigada pela partilha de experiências e conhecimentos!

(clique para download - seleccione Ficheiro/ Transferir)

segunda-feira, 25 de março de 2013

Páscoa sem glúten 2013

A aproximação desta data leva muitos dos que seguem uma dieta sem glúten a procurar as empresas que asseguram a isenção de glúten nos produtos típicos de época. Como sei que os meus miúdos nesta altura só pensam na Caça aos Ovos (bem, pelo menos o mais velho), a minha preocupação é encontrar pequenos ovos de chocolate sem glúten (que não da marca Kinder para não arruinar a carteira). A tarefa não é fácil e até hoje só encontrei da marca Zaini, no Continente, uns ovos dos "Cars". Mas sendo os únicos a ostentar as palavrinhas "Gluten Free", foram esses que comprei.


















Para os coelhos da Páscoa, a opção recai sobre a Riegelein, disponível em vários hipermercados:















Para o folar e pão-de-ló, como sempre, optei pela Coisas Kom Sentido. Mas não podia deixar de pôr as mãos na massa e fazer estes biscoitos em forma de coelho que tanta animação causaram lá por casa.

Ingredientes:
100 gramas de farinha de arroz
100 gramas de farinha sem glúten (usei Doves Farm Self Raising White Flour)
100 gramas de maizena
100 gramas de farinha de amêndoas (aka amêndoas em pó)
80 gramas de açúcar em pó
¼ colher de chá de goma xantana
¼ colher de chá de sal
125 gramas de manteiga/margarina à temperatura ambiente
1 ovo L
Raspa de meio limão
1 colher de chá de essência de baunilha

Misture bem as farinhas com a goma xantana e o sal. Reserve.

Na cuba da sua batedeira, bata a manteiga/margarina amolecida com o açúcar até obter uma mistura cremosa. De seguida, junte o ovo e bata bem até atingir uma côr homogénea. Junte a raspa do limão e a baunilha e bata de novo.

Por fim, junte a mistura de farinhas e deixe a máquina bater até ter uma bola de massa lisa e que não cola às mãos. Envolva-a em plástico transparente e deixe no frigorífico durante, pelo menos, três horas.

No fim desse período, retire a massa do frigorífico e forme pequenas bolas de massa que deve dispor num tabuleiro forrado a papel vegetal. Forme bolas mais pequenas para as orelhas que deverá alongar e colocar no topo da “cabeça” do coelho. Com um palito faça uma marca no meio das orelhas e com o mesmo palito faça os olhos. Se visitar o site da receita original, há fotos a exemplificar estes procedimentos.

Coloque o tabuleiro no frigorífico durante uns 10 minutos enquanto o forno aquece a 160ºC para enrijecer um pouco a massa. Vai ao forno (sem ventilação) durante 10 a 12 minutos, não mais porque senão a massa começa a partir. Retire e deixe as bolachas no tabuleiro durante 20 minutos para que não se desfaçam. Retire depois e deixe arrefecer em cima de uma rede.

Esta receita rende 22 unidades.


















quarta-feira, 20 de março de 2013

Diagnóstico em crianças com sintomas atípicos

Este mês tem sido muito rico em novos e interessantes artigos sobre condições associadas ao glúten. Devem ser os ares da Primavera! O artigo de hoje foi escrito por uma gastrenterologista pediátrica americana e aborda alguns pontos a ter em consideração no diagnóstico de doença celíaca em crianças, especialmente em casos atípicos que se vão tornando a norma ultimamente.

"Reconhecendo a Doença Celíaca em Crianças

Sou a Dra. Ritu Verma. Sou gastrenterologista pediátrica e directora do Centro para a Doença Celíaca no Hospital Infantil de Filadélfia. Vamos falar um pouco sobre a doença celíaca hoje.

Como sabem, a doença celíaca é uma doença auto-imune, e é uma condição genética que aparece em famílias. A pergunta é: Como é que se pode diagnosticar realmente a doença celíaca? Isto começa primeiro, claro, estando consciente do potencial para a doença celíaca e, logo, em pensar sobre os sintomas. São os sintomas clássicos que quase todos conhecem: A criança está a perder peso, e tem uma barriga inchada e diarreia. Mas, em geral, nos dias de hoje, o diagnóstico é mais frequente em crianças que não têm os sintomas clássicos. Eu geralmente digo: pense sobre a doença celíaca e nos sintomas não-clássicos, pensando da cabeça aos pés.

Por isso, considere uma criança que tem alopecia, problemas de tiroide, dores de cabeça crónicas, osteoporose ou osteopenia precoce, elevação das enzimas hepáticas, anemia, obstipação, dores nas pernas, dores nas articulações - uma série de sintomas que não são os sintomas clássicos vistos frequentemente em crianças com diagnóstico de doença celíaca. Se uma criança tem um sintoma específico que não é explicado por nenhuma outra doença ou condição, deve pensar-se na doença celíaca.

Além das crianças com estes sintomas, deve também considerar as crianças que têm diabetes tipo 1. Quase 10% - 20% das crianças que têm diabetes tipo 1, também têm a doença celíaca. Por isso, é preciso fazer rastreios a essas crianças. Crianças com síndrome de Down e síndrome de Turner também têm uma maior predisposição genética. Hipotiroidismo e muitos das outras condições auto-imunes reumatológicas devem fazer pensar também na doença celíaca.

Porque é uma condição genética e ocorre em famílias, os rastreios precisam de ser feitos em familiares: parentes de primeiro e de segundo grau. Há uma maior predisposição para a doença celíaca nestes familiares, independentemente da presença ou ausência de sintomas específicos.

Como é que se começa realmente a triagem? É claro, primeiro registamos os sintomas e, de seguida, obtém-se um exame de sangue. O que implica o exame de sangue? O teste de sangue inicial é o doseamento da imunoglobulina total A (IgA). É preciso ter a certeza de que o nível de imunoglobulina é normal. Se o nível de IgA é anormalmente baixo, então não pode contar com os anticorpos tradicionais e precisa de fazer outros anticorpos específicos, tradicionalmente os anticorpos da transglutaminase tecidular; anticorpo antiendomísio e, agora, mais recentemente, a gliadina deamidada. Estes são todos exames de sangue.

Os anticorpos estão elevados em crianças ou adultos com doença celíaca activa. Em situações de deficiência de IgA, pode-se obter as suas versões IgG. Naturalmente, um gastrenterologista ajudaria a fazer a determinação de quais anticorpos a obter.

O exame de sangue é um filtro. É extremamente importante que, se o exame de sangue não está normal, se referencie o paciente para um gastrenterologista, sem mudar a dieta antes da consulta.

O último ponto que eu quero esclarecer é que o diagnóstico precoce destas crianças é extremamente importante. Se uma criança é diagnosticada depois dos 10 anos de vida, a hipótese de que venham a desenvolver outra doença auto-imune é de quase 25%, logo os exames de sangue e um diagnóstico precoce é fundamental."

Outros artigos:
Which Children Should Be Tested For Celiac Disease?
Clinical, Serologic, and Histologic Features of Gluten Sensitivity in Children
Atypical Manifestations of Celiac Disease
Increasing Incidence and Altered Presentation in a Population-Based Study of Pediatric Celiac Disease in North America.
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