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DADOS, DICAS E RECEITAS DE VIDAS SEM GLÚTEN



sexta-feira, 5 de abril de 2013

Em que momento se instala a intolerância?

Já é sabido que a ingestão de glúten mais a existência de genes que predispõe à intolerância ao glúten são factores necessários para que a condição se instale. O terceiro factor são as condicionantes ambientais e aí, os investigadores ainda não conseguiram identificar o que faz “disparar o alarme”. As teorias são várias: uma gravidez, uma cirurgia, stress emocional, uma infecção gastrointestinal… Não se consegue mesmo saber quando a doença se instalou, i.e., não há uma sucessão lógica de eventos. Apesar de, por exemplo, termos sido operados ao apêndice e de se terem seguido fortes crises intestinais que levaram a um diagnóstico de DC, não se consegue estabelecer uma relação causal- a DC podia ser pré-existente mas só se ter manifestado com sintomas óbvios após a cirurgia.


Imagem retirada da Net

O estudo de 2012 que trago hoje aponta um possível caminho. Este estudo sueco foi feito no âmbito de, na Suécia, se ter dado um grande aumento nos casos de doença celíaca em crianças menores de dois anos de idade. Uma equipa de investigação estudou a possível ligação entre infecções precoces nesse período da vida da criança e doença celíaca, assim como o seu possível papel na explosão de casos de doença celíaca em crianças suecas.

“Infecções precoces estão associadas a risco aumentado para a doença celíaca: um estudo de ocorrência de casos-referentes

Resumo
A doença celíaca é definida como uma "enteropatia crónica do intestino delgado imuno-mediada precipitada pela exposição ao glúten em indivíduos geneticamente predispostos. A Suécia tem experimentado uma "epidemia" da doença celíaca em crianças abaixo de dois anos de idade. A etiologia da doença celíaca é considerada multifactorial, no entanto, pouco se sabe a respeito do risco ou potenciais factores de protecção. Apresentamos dados sobre a possível associação entre o início de episódios de infecção e doença celíaca, incluindo a sua possível contribuição para a epidemia sueca de doença celíaca.

Métodos
Um estudo de ocorrências de casos – referentes de base populacional (475 casos, 950 referentes) com informações sobre a exposição ao glúten obtidas por meio de um questionário (onde se incluía as características da família, alimentação infantil e da saúde geral da criança) foi realizado. Os casos de doença celíaca foram diagnosticados antes dos dois anos de idade, cumprindo os critérios diagnósticos da Sociedade Europeia de Gastroenterologia Pediátrica, Hepatologia e Nutrição. Os referentes foram selecionados aleatoriamente a partir do registo da população nacional depois de cumprirem critérios de correspondência. As análises finais incluíram 954 crianças, 373 (79%) casos e 581 (61%) referentes, com informações completas sobre as principais variáveis ​​de interesse de um conjunto combinado de um caso com um ou dois referentes.

Resultados
Ter três ou mais episódios infecciosos relatados pelos pais, independentemente do tipo de infecção, durante os primeiros seis meses de vida foi associado com um risco significativamente aumentado de doença celíaca mais tarde, e este permaneceu após o ajuste para a alimentação infantil e situação socioeconómica (rácio de probabilidade [OR] 1,5, intervalo de confiança de 95% [IC], 1,1-2,0, P = 0,014). O risco de doença celíaca aumentou sinergicamente se, além de ter vários episódios de infecção, as crianças tiveram grandes quantidades de glúten introduzidas na dieta, em comparação com quantidades pequenas ou médias, após a amamentação ter sido interrompida (OR 5,6, 95% CI, 3,1-10; P <0,001).

Conclusão
Este estudo sugere que ter episódios de infecção repetidos no início da vida aumenta o risco para a doença celíaca mais tarde. Além disso, encontramos um efeito sinérgico entre infecções precoces e a quantidade diária de ingestão de glúten, mais acentuado entre as crianças em quem o aleitamento materno foi interrompido antes da introdução do glúten. Quanto à contribuição para a epidemia sueca de doença celíaca que, em parte, foi atribuída a alterações simultâneas na alimentação infantil, as infecções precoces provavelmente tiveram uma pequena contribuição através do efeito sinérgico com a quantidade de glúten ingerida."

Outros artigos:

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Cada vez mais informação

Nada como começar o mês com notícias fresquinhas: a Visão de hoje traz um artigo de quatro páginas intitulado “A Moda da Dieta Sem Glúten”. Apesar do meu receio inicial de que a reportagem teria sido feita no modo “super-dieta de Hollywood para emagrecer”, a Visão fez prevalecer o seu espírito jornalístico e acaba por ser um artigo bastante completo onde se aborda tanto a doença celíaca como a sensibilidade ao glúten não-celíaca. Inclui mesmo uma pequena entrevista ao Dr. William Davis, o autor do famoso livro “Wheat Belly” e duas receitas, assim como fala com médicos, nutricionistas, doentes celíacos e empresas que vendem produtos sem glúten.

Vale principalmente porque é mais um artigo sobre esta temática tão ignorada, ou seja, mais uma oportunidade para que a informação chegue a quem dela precisa. 

Esta tendência é crescente e isso nota-se no maior cuidado que os fabricantes têm em informar da isenção de glúten nos seus produtos, quando há apenas dois anos atrás isso não acontecia. Encontrei recentemente duas marcas que passaram a incluir um símbolo Sem Glúten nos seus produtos e “assim, grão a grão, a galinha enche o seu papo”. Ora vejam:



Molho para Bolonhesa Pingo Doce






















Maionese Vianeza
















quarta-feira, 27 de março de 2013

Sem Glúten, Com Saúde

Existe no Facebook um grupo chamado Viva Sem Glúten Portugal que visa a partilha de experiências e informação entre intolerantes ao glúten. Dessa partilha nasceu a ideia de reunir as experiências de vários membros, assim como informações sobre as características clínicas das condições associadas ao glúten e a sua dieta respectiva, num livro que se apresenta agora com o título "Sem Glúten, Com Saúde". Está disponível para download gratuito e o objectivo é que chegue ao maior número de pessoas para promover a consciencialização sobre a intolerância ao glúten.

A todos os que participaram, muito obrigada pela partilha de experiências e conhecimentos!

(clique para download - seleccione Ficheiro/ Transferir)

segunda-feira, 25 de março de 2013

Páscoa sem glúten 2013

A aproximação desta data leva muitos dos que seguem uma dieta sem glúten a procurar as empresas que asseguram a isenção de glúten nos produtos típicos de época. Como sei que os meus miúdos nesta altura só pensam na Caça aos Ovos (bem, pelo menos o mais velho), a minha preocupação é encontrar pequenos ovos de chocolate sem glúten (que não da marca Kinder para não arruinar a carteira). A tarefa não é fácil e até hoje só encontrei da marca Zaini, no Continente, uns ovos dos "Cars". Mas sendo os únicos a ostentar as palavrinhas "Gluten Free", foram esses que comprei.


















Para os coelhos da Páscoa, a opção recai sobre a Riegelein, disponível em vários hipermercados:















Para o folar e pão-de-ló, como sempre, optei pela Coisas Kom Sentido. Mas não podia deixar de pôr as mãos na massa e fazer estes biscoitos em forma de coelho que tanta animação causaram lá por casa.

Ingredientes:
100 gramas de farinha de arroz
100 gramas de farinha sem glúten (usei Doves Farm Self Raising White Flour)
100 gramas de maizena
100 gramas de farinha de amêndoas (aka amêndoas em pó)
80 gramas de açúcar em pó
¼ colher de chá de goma xantana
¼ colher de chá de sal
125 gramas de manteiga/margarina à temperatura ambiente
1 ovo L
Raspa de meio limão
1 colher de chá de essência de baunilha

Misture bem as farinhas com a goma xantana e o sal. Reserve.

Na cuba da sua batedeira, bata a manteiga/margarina amolecida com o açúcar até obter uma mistura cremosa. De seguida, junte o ovo e bata bem até atingir uma côr homogénea. Junte a raspa do limão e a baunilha e bata de novo.

Por fim, junte a mistura de farinhas e deixe a máquina bater até ter uma bola de massa lisa e que não cola às mãos. Envolva-a em plástico transparente e deixe no frigorífico durante, pelo menos, três horas.

No fim desse período, retire a massa do frigorífico e forme pequenas bolas de massa que deve dispor num tabuleiro forrado a papel vegetal. Forme bolas mais pequenas para as orelhas que deverá alongar e colocar no topo da “cabeça” do coelho. Com um palito faça uma marca no meio das orelhas e com o mesmo palito faça os olhos. Se visitar o site da receita original, há fotos a exemplificar estes procedimentos.

Coloque o tabuleiro no frigorífico durante uns 10 minutos enquanto o forno aquece a 160ºC para enrijecer um pouco a massa. Vai ao forno (sem ventilação) durante 10 a 12 minutos, não mais porque senão a massa começa a partir. Retire e deixe as bolachas no tabuleiro durante 20 minutos para que não se desfaçam. Retire depois e deixe arrefecer em cima de uma rede.

Esta receita rende 22 unidades.


















quarta-feira, 20 de março de 2013

Diagnóstico em crianças com sintomas atípicos

Este mês tem sido muito rico em novos e interessantes artigos sobre condições associadas ao glúten. Devem ser os ares da Primavera! O artigo de hoje foi escrito por uma gastrenterologista pediátrica americana e aborda alguns pontos a ter em consideração no diagnóstico de doença celíaca em crianças, especialmente em casos atípicos que se vão tornando a norma ultimamente.

"Reconhecendo a Doença Celíaca em Crianças

Sou a Dra. Ritu Verma. Sou gastrenterologista pediátrica e directora do Centro para a Doença Celíaca no Hospital Infantil de Filadélfia. Vamos falar um pouco sobre a doença celíaca hoje.

Como sabem, a doença celíaca é uma doença auto-imune, e é uma condição genética que aparece em famílias. A pergunta é: Como é que se pode diagnosticar realmente a doença celíaca? Isto começa primeiro, claro, estando consciente do potencial para a doença celíaca e, logo, em pensar sobre os sintomas. São os sintomas clássicos que quase todos conhecem: A criança está a perder peso, e tem uma barriga inchada e diarreia. Mas, em geral, nos dias de hoje, o diagnóstico é mais frequente em crianças que não têm os sintomas clássicos. Eu geralmente digo: pense sobre a doença celíaca e nos sintomas não-clássicos, pensando da cabeça aos pés.

Por isso, considere uma criança que tem alopecia, problemas de tiroide, dores de cabeça crónicas, osteoporose ou osteopenia precoce, elevação das enzimas hepáticas, anemia, obstipação, dores nas pernas, dores nas articulações - uma série de sintomas que não são os sintomas clássicos vistos frequentemente em crianças com diagnóstico de doença celíaca. Se uma criança tem um sintoma específico que não é explicado por nenhuma outra doença ou condição, deve pensar-se na doença celíaca.

Além das crianças com estes sintomas, deve também considerar as crianças que têm diabetes tipo 1. Quase 10% - 20% das crianças que têm diabetes tipo 1, também têm a doença celíaca. Por isso, é preciso fazer rastreios a essas crianças. Crianças com síndrome de Down e síndrome de Turner também têm uma maior predisposição genética. Hipotiroidismo e muitos das outras condições auto-imunes reumatológicas devem fazer pensar também na doença celíaca.

Porque é uma condição genética e ocorre em famílias, os rastreios precisam de ser feitos em familiares: parentes de primeiro e de segundo grau. Há uma maior predisposição para a doença celíaca nestes familiares, independentemente da presença ou ausência de sintomas específicos.

Como é que se começa realmente a triagem? É claro, primeiro registamos os sintomas e, de seguida, obtém-se um exame de sangue. O que implica o exame de sangue? O teste de sangue inicial é o doseamento da imunoglobulina total A (IgA). É preciso ter a certeza de que o nível de imunoglobulina é normal. Se o nível de IgA é anormalmente baixo, então não pode contar com os anticorpos tradicionais e precisa de fazer outros anticorpos específicos, tradicionalmente os anticorpos da transglutaminase tecidular; anticorpo antiendomísio e, agora, mais recentemente, a gliadina deamidada. Estes são todos exames de sangue.

Os anticorpos estão elevados em crianças ou adultos com doença celíaca activa. Em situações de deficiência de IgA, pode-se obter as suas versões IgG. Naturalmente, um gastrenterologista ajudaria a fazer a determinação de quais anticorpos a obter.

O exame de sangue é um filtro. É extremamente importante que, se o exame de sangue não está normal, se referencie o paciente para um gastrenterologista, sem mudar a dieta antes da consulta.

O último ponto que eu quero esclarecer é que o diagnóstico precoce destas crianças é extremamente importante. Se uma criança é diagnosticada depois dos 10 anos de vida, a hipótese de que venham a desenvolver outra doença auto-imune é de quase 25%, logo os exames de sangue e um diagnóstico precoce é fundamental."

Outros artigos:
Which Children Should Be Tested For Celiac Disease?
Clinical, Serologic, and Histologic Features of Gluten Sensitivity in Children
Atypical Manifestations of Celiac Disease
Increasing Incidence and Altered Presentation in a Population-Based Study of Pediatric Celiac Disease in North America.

terça-feira, 19 de março de 2013

Biscoitos Crinkle

Não resisti a experimentar esta receita quando a encontrei aqui. O contraste entre o branco e o castanho escuro é perfeito demais para ser ignorado. É uma receita originalmente americana e parece que o "crinkle" vem do aspecto amarrotado que os biscoitos parecem ter. O meu filho mais novo quis comer dois ao pequeno-almoço e só dizia "bom, bom" com as bochechas cheias como um hamster.

Ingredientes:
150 gramas de chocolate preto
60 gramas de margarina/manteiga à temperatura ambiente
100 gramas de açúcar mascavado escuro
2 ovos
200 gramas de farinha sem glúten (usei Doves Farm Self-Raising White Flour )
½ colher de chá de sal
1 colher de chá de fermento em pó (caso a farinha não o inclua)
¼ colher de chá de goma xantana (caso a farinha não a inclua)
1 colher de chá de canela em pó
Açúcar em pó

Numa tigela, misture a farinha com o sal e a canela (coloque também o fermento em pó e a goma xantana caso a farinha por que optou não os inclua já na sua composição). Reserve.

Coloque o chocolate numa tigela e leve ao micro-ondas a derreter em intervalos de 30 segundos. Reserve.

Na cuba da sua batedeira, bata a manteiga com o açúcar até obter um creme. Junte os ovos e bata mais um pouco. Acrescente o chocolate derretido, batendo rapidamente. Por último, junte a farinha e misture até obter uma massa homogénea.

Forme uma bola com a massa, envolva em película aderente e deixe no frigorífico cerca de 30 a 45 minutos. No final desse período, retire e com as mãos levemente untadas em azeite forme pequenas bolas que se passam por açúcar em pó, antes de colocar no tabuleiro forrado com papel vegetal.

Leve ao forno pré-aquecido a 160ºC durante cerca de 12 a 15 minutos. Retire e deixe arrefecer sobre uma rede.

Esta receita rende 25 unidades.



quinta-feira, 14 de março de 2013

Biscoitos de azeite

Mais uma receita de biscoitos, desta vez biscoitos de azeite, tipicamente portugueses, e que são fáceis e rápidos de fazer. Pode-se dobrar a receita para mais quantidade. Têm a vantagem de serem aptos para uma dieta sem glúten e sem leite.

Ingredientes:
2 ovos
65 gramas de açúcar
60 gramas de azeite
280 gramas de farinha sem glúten (usei Doves Farm Plain White Flour)
1 colher de chá de erva-doce em pó
1 colher de sopa de canela em pó
1 ovo tam. S batido para pincelar (opcional)

Numa tigela, misture a farinha com a erva-doce e a canela. Reserve.

Na cuba da sua batedeira, misture os ovos e o açúcar e bata bem até obter um creme esbranquiçado. Junte o azeite e misture bem. Acrescente, por fim, a farinha e amasse com as mãos até obter uma massa maleável mas que não cola.

Molde a massa no formato desejado. Coloque depois os biscoitos num tabuleiro forrado a papel vegetal e pincele com o ovo batido, se quiser um aspecto mais brilhante (eu optei por não usar).

Leve ao forno pré-aquecido a 200ºC durante cerca de 20 minutos. Quando terminar, coloque os biscoitos numa rede de arrefecimento até estarem frios. Guarde numa caixa tipo tupperware já que são biscoitos que se aguentam bem uma semana (se as crianças da casa deixarem, claro).





terça-feira, 12 de março de 2013

Entrevista ao Dr. Luis Rodrigo

Publico hoje uma entrevista muito recente dada pelo Dr. Luis Rodrigo, o  chefe da Gastrenterologia no Hospital Universitário Central das Astúrias ao jornal Espanhol "Diario de Navarra". Parece-me uma entrevista muito interessante e progressiva, ainda que, a meu ver, o entrevistado não se tenha explicado muito bem na parte sobre a dieta sem glúten, onde menciona que o arroz e o milho são os únicos cereais sem glúten. Serão, talvez, os mais comuns, mas não convém esquecer o millet e o sorgo, assim como os pseudo-cereais tais como a quinoa ou o amaranto.

"Todos podem ser celíacos, até prova em contrário

"Todos podem ser celíacos, até prova em contrário", diz o Dr. Luis Rodrigo, médico especialista em doença celíaca (DC), tradicionalmente considerada uma doença da infância, mas que "pode ​​aparecer" em qualquer idade, inclusive 20% dos diagnosticados têm mais de 60 anos. "O record? Um paciente de 90 anos, um pouco tarde, não?"

Na sua opinião, a "enorme lacuna" de especialistas em DC limitou o número de casos diagnosticados. Rodrigo, chefe da Gastrenterologia no Hospital Universitário Central das Astúrias (HUCA), aponta 30 médicos especialistas em Espanha para adultos celíacos e o dobro disso para a infância.

"Eu não estou errado ou a exagerar, a minha opinião é endossada pelo aumento do consumo de produtos sem glúten", enfatiza o especialista perante o "aumento notável" no número de afectados e pela " grande variedade" de novos alimentos sem glúten disponíveis no mercado.

Ele argumenta que a Europa "vai à frente", mas a Espanha "está a juntar-se" pela mão da Sociedade Espanhola de Doença Celíaca (2008), que organiza congressos bianuais. Em Novembro do ano passado reuniu 120 médicos, "metade eram pesquisadores básicos, a outra metade clínicos," uma quantidade "claramente insuficiente para uma população de 47 milhões."

Em cerca de um milhão de celíacos no país, apenas 20% estão diagnosticados, diz o especialista. A intolerância permanente ao glúten faz da DC uma "doença generalizada" que pode levar a "todos os tipos" de distúrbios numa percentagem "muito significativa" da população, uma vez que a prevalência da doença celíaca é de 1 a 3 por cento, “ altíssima "para uma doença.

Dermatites, psoríase, eczema, anemia, diabetes, distúrbios da tireoide, problemas de fertilidade, distúrbios menstruais, aborto, complicações na gravidez, osteoporose, reumatismo, fibromialgia, algumas formas de epilepsia, esclerose múltipla, dores de cabeça e depressão são condições citadas pelo especialista, ligadas à DC, e até "é possível que tenha a ver com algum tipo de cancro."

Vinte anos é o tempo médio que leva um celíaco para ser diagnosticado, um período em que o Dr. Rodrigo relata uma jornada "interminável e muito angustiante" para pacientes que "deambulam por sucessivas consultas com diferentes especialistas", que "não pensam que a doença celíaca pode ser a causa dessas diversas moléstias ".

"Eu faço más digestões, incho muito quando como, tenho azia, vejo-me à rasca na casa de banho e tenho diarreia ou obstipação, ou ambos" são sintomas revelados pelos pacientes, diante dos quais responde o médico, "Vá, não se preocupe, isso são apenas nervos a afectar a digestão ".

Neste cenário, este especialista manifesta que deve-se estar "decidido a mudar a abordagem do problema", apostando em considerar a DC como uma possível causa dos transtornos, o diagnóstico é dificultado pelo "despiste", que "em muitas ocasiões" é gerado pelos testes analíticos quando são "negativos".

Propõe que perante uma má digestão, se procure "intencionalmente" a possibilidade de que o afectado seja um possível celíaco, e especifica "experiência e conhecimento", como requisitos dos patologistas que examinam as biópsias do duodeno, onde “se vê melhor a inflamação”.

"Diagnostica-se pouco, refreia-se muito e desconhece-se o valor de testes que acabam por ser imprecisos", diz o Dr. Rodrigo para resumir a situação actual em que "o paciente anda às voltas com diagnósticos peregrinos".

Quando perguntamos o que seria a solução, responde que "é uma questão de querer", e sugere que a um paciente que está doente, mas cujos provas de serologia e endoscopia são negativas, recomendaria fazer uma dieta sem glúten por um período de seis meses. "O que acontece na maioria dos casos? Uma melhoria notável”.

Propõe consumo subsidiado de milho e arroz, os dois únicos cereais que não contêm glúten, que é encontrado no trigo, centeio, cevada e aveia; e aconselha a desistir de "tudo o que esteja relacionado com estes cereais, pelo que os celíacos não devem beber cerveja "e defende a" dieta dos três P’s: sem padaria, sem pastelaria e sem pizzaria ".

Defensor da comida "saudável e completa", propõe uma "mudança de chip, especialmente para os jovens, acostumados a comer fast food, vista como" boa, bonita e barata ", mas que não é nem boa nem bonita, nem barata, e paga-se muito caro porque se anda a brincar com a saúde”.

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