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quinta-feira, 7 de março de 2013

Para além dos anti-corpos


Imagem retirada da Net

A referência à prolactina no estudo divulgado no post anterior enquanto marcador associado aos danos causados pela ingestão de glúten em doentes celíacos, fez-me pensar que seria importante referir outras análises que, não sendo específicas da intolerância ao glúten, podem indicar a sua presença, mesmo quando os marcadores de anti-corpos são negativos.





Prolactina
Um artigo de 1997 aponta para uma correlação entre os valores elevados da prolactina e a DC:
“A prolactina sérica em pacientes com doença celíaca activa foi significativamente maior do que nos outros grupos estudados e nos valores de referência. A prolactina sérica correlacionou bem com o grau de atrofia da mucosa, e com a concentração sérica de anticorpos antiendomísio. A prolactina pode desempenhar um papel na modulação imunitária no dano intestinal da doença celíaca e servir como um marcador potencial para a actividade da doença.”

O mesmo resultado num estudo de 2004:
“Os níveis séricos de prolactina foram estimados em pacientes com Doença celíaca (DC) em dieta contendo glúten, sem restrições (grupo 1), bem como naqueles que seguem uma dieta sem glúten (grupo 2). Hiperprolactinemia foi detectada em todos os pacientes do grupo 1 e um paciente no grupo 2 que tinha atrofia grave das vilosidades. A estimativa de prolactina sérica pode fornecer um marcador adicional de actividade da doença na DC.”

Um artigo de 2005 sobre as doenças auto-imunes e a prolactina:




Colesterol
Nem sempre ter o colesterol anormalmente baixo é bom, como defendem alguns médicos. Se os valores de colesterol se situam abaixo dos valores normais, deve-se pensar em má-absorção de lípidos. Uma hipocolesterolemia deve ser investigada, até porque níveis anormalmente baixos de colesterol podem levar a um risco aumentado de cancro, depressão, ansiedade e parto pré-termo em mulheres grávidas.

Um estudo de 2008 concluía que:
“Pacientes com DC podem mostrar uma alteração no metabolismo lipídico, isto é, colesterol total sérico e colesterol lipoprotaico de alta densidade reduzidos em consequência da má absorção de lípidos e menor ingestão.”

Outro, de 2009:
“No momento do diagnóstico de doença celíaca, os homens tinham um valor médio do colesterol total 21% menor e as mulheres 9% menor, em comparação com a população em geral.”

Mais um estudo de 2009:
“Uma grande prevalência de doença celíaca (DC) foi relatada em pacientes com concentração reduzida de colesterol HDL; o tratamento com uma dieta isenta  de glúten (DIG) parece normalizar o perfil lipídico. A restauração do perfil lipídico em pacientes com DC após o tratamento com DIG pode ser explicada por um aumento na secreção de apolipoproteína tanto pelas células intestinais como pelas reservas de gordura corporal.”

Aqui ficam mais dois estudos sobre esta temática:


Plaquetas
A elevação dos valores das plaquetas (trombocitose) foi um dos achados analíticos quando o meu filho esteve doente no pré-dieta, daí ter considerado relevante trazer estes estudos e artigos que apontam para uma possível ligação entre estas e a DC.

Um estudo de caso de 2002 concluía que:
“Este caso mostra que a associação de sinais hematológicos - trombocitose extrema e anemia severa – considerada típica, num paciente idoso, de doenças mieloproliferativas ou de condições neoplásticas, pode ser devida a doença celíaca; logo, a doença celíaca também deve ser considerada como um dos possíveis diagnósticos.”

Outro estudo de caso de 2008:
"Trombocitose extrema poderia surgir no caso de deficiência de ferro secundária à doença celíaca."

Ao mesmo tempo, a Fundação Livestrong escreve que “Plaquetas elevadas são uma das muitas alterações laboratoriais que podem ser esperadas na doença celíaca, caracterizada por uma reacção inflamatória ao glúten alimentar que danifica o intestino delgado.” A Clínica Mayo defende um ponto de vista similar em que afirma que “As causas da trombocitose reactiva incluem: inflamação, tais como aquela provocada pela artrite reumatóide, doença celíaca, doenças do tecido conjuntivo ou doença inflamatória do intestino.”


No entanto, convém lembrar que uma alteração nestas análises pode ter outras causas para além da intolerância ao glúten e que convém que a situação seja avaliada por um médico especialista bem informado.

Outros artigos:
Prolactin May Be Increased in Newly Diagnosed Celiac Children and Adolescents and Decreases after 6 Months of Gluten-Free Diet

terça-feira, 5 de março de 2013

As crianças, o glúten, a depressão

Imagem retirada da Net
Um típico adolescente melancólico e sorumbático pode, por vezes, esconder um jovem clinicamente deprimido. E uma depressão pode, em certos casos, resultar de uma intolerância ao glúten não tratada. Um estudo sueco* de larga escala comparou mais de 13 mil pessoas com doença celíaca à população em geral e concluiu que aqueles com a doença tinham um risco acrescido em 80% de sofrerem de depressão.
A depressão, entre intolerantes ao glúten, pode afectar tanto os adultos como as crianças: este estudo aponta para uma taxa de 8% em rapazes e de quase 14% em raparigas. A explicação para esta ligação poderá prender-se com a má-absorção de nutrientes que provoca deficientes níveis dos diversos elementos que promovem o bem-estar emocional. Este pequeno estudo finlandês de 2005, que publico hoje, aponta nesse sentido e abre caminho para mais pesquisa na área do impacto do glúten sobre o estado mental de adultos e adolescentes.

“A dieta sem glúten pode aliviar sintomas depressivos e comportamentais em adolescentes com doença celíaca: um estudo prospectivo de acompanhamento ao estudo de casos

Resumo
Tema
A doença celíaca em adolescentes tem sido associada a um aumento da prevalência de depressão e dos transtornos disruptivos do comportamento, particularmente na fase antes do tratamento dieta. Foram estudados os possíveis efeitos de uma dieta isenta de glúten nos sintomas psiquiátricos, sobre o perfil hormonal (prolactina, função tireoidiana) e em grandes concentrações de aminoácidos neutros séricos em adolescentes com doença celíaca a iniciar uma dieta isenta de glúten.

Métodos
Nove adolescentes com doença celíaca, com idade entre 12 a 16 anos, foram avaliados através de uma entrevista semi-estruturada K-SADS de Diagnóstico de Presente e de Vida, assim como variadas escalas de sintomas. Sete deles foram seguidos aos 1, 2, 3, e 6 meses, em dieta isenta de glúten.

Resultados
Pré-dieta, os adolescentes portadores de doença celíaca com depressão tinham rácios significativamente mais baixos de triptofano / aminoácidos (CAA) e concentrações de triptofano livre, assim como níveis significativamente mais elevados de prolactina na manhã da biópsia em comparação com aqueles sem depressão. Uma redução significativa dos sintomas psiquiátricos foi encontrada aos três meses de dieta isenta de glúten em relação à condição basal do paciente, que coincide com a reduzida actividade da doença celíaca e dos níveis de prolactina, e a um aumento significativo nas concentrações séricas de aminoácidos.

Conclusão
Embora os resultados da análise de aminoácidos e os níveis de prolactina em adolescentes sejam preliminares, suportam descobertas anteriores em pacientes com doença celíaca, sugerindo que a disfunção serotonérgica, devido à deficiente disponibilidade de triptofano, podem desempenhar um papel na vulnerabilidade a doenças depressivas e comportamentais também entre os adolescentes com doença celíaca não tratada.”

*Ludvigsson JF, Reutfors J, Osby U, et al. Coeliac disease and risk of mood disorders--a general population-based cohort study. J Affect Disord. 2007 Apr;99(1-3):117-26.

Outros artigos:



segunda-feira, 4 de março de 2013

Conselhos para uma dieta sem glúten em crianças

Hoje publico um artigo recente que saiu no The Washington Post sobre como iniciar uma dieta sem glúten em crianças. Apesar de este artigo incluir dicas já dadas anteriormente, este jornal dá mais alguns conselhos muito interessantes.

Imagem do The Washington Post
"Elaine Taylor-Klaus iniciou a filha Bex na dieta sem glúten há 8 anos e meio, depois de um nutricionista ter sugerido que a menina irritável e sensível poderia ter uma sensibilidade ao glúten. Duas semanas após ter eliminado o glúten da sua dieta, Bex, agora com 18 anos, revelou-se uma criança diferente.
O filho de Melissa Berardi, Anthony de cinco anos, estava a definhar há dois anos atrás. Era extremamente pequeno para a sua idade, diz ela, e vomitava constantemente. Acontece que ele tinha a doença celíaca. Berardi, de Bellwood, Pensilvânia, mudou a dieta dele e diz que Anthony tornou-se uma criança saudável.
Seja por doença celíaca diagnosticada ou suspeita de sensibilidade ao glúten, muitos pais estão a mudar os seus filhos para dietas sem glúten. Os pais com pouco tempo podem sentir-se avassalados pelo pensamento de uma grande reformulação alimentar para as suas crianças, já de si esquisitas com a comida (e mudanças, em geral). Mas comer sem glúten não tem de ser assustador.
"Os pais estão com medo de tentar porque parece que seria muito difícil", disse Taylor-Klaus, uma formadora em Parentalidade, de Atlanta. "Eu era um desses pais. Eu não estou a dizer que não é difícil. Mas [a Bex] tornou-se tão mais fácil de gerir que a troca foi mais vantajosa do que eu pensei que seria. "
A vantagem é ainda mais pronunciada em crianças com a doença celíaca, uma incapacidade para digerir o glúten, uma proteína encontrada em produtos que contêm trigo, cevada ou centeio. Esta afecta cerca de uma em cada 100 pessoas na Europa e América do Norte, de acordo com o National Institute of Health. A Clínica Mayo estima que o número de pessoas afectadas quadruplicou nos últimos 50 anos, embora a razão não seja clara.
Não existe tratamento para a doença celíaca - que pode causar diarreia, inchaço e obstipação em alguns pacientes e alterações de humor e sintomas neurológicos noutros - mas pode ser gerida eliminando o glúten da dieta.
Aqui estão algumas sugestões de especialistas e pais de crianças numa dieta sem glúten sobre como tornar a mudança mais fácil para si e para o seu filho.

Consulte um médico
John Snyder, chefe da divisão de Gastrenterologia, Hepatologia e Nutrição no Centro Infantil Médico Nacional em Washington, disse, por correio electrónico, que os pais devem consultar um médico antes de mudar a dieta de uma criança, para garantir que esta continua a receber a nutrição adequada.
Há muitas razões para os pais considerarem colocar uma criança a fazer uma dieta isenta de glúten, incluindo alterações de humor, eczema e transtornos do espectro do autismo. Mas se acha que o seu filho pode ter a doença celíaca ou uma grave intolerância ao glúten, é importante testá-lo antes de mudar a dieta dele. "O teste para a doença celíaca só é eficaz se a criança estiver numa dieta que contenha glúten", disse Snyder.

Seja um detective
Só porque um rótulo ou menu diz que algo é isento de glúten não significa que seja seguro para os celíacos, disse Jerry Malitz, presidente da organização Metro Celiac, em Washington. Além de ler os ingredientes, os pais precisam de verificar como são preparados e armazenados os alimentos. As batatas fritas podem ser rotuladas como sem glúten no menú, Malitz disse, porque são feitas com batatas. Mas se forem preparadas numa frigideira que tenha sido usada para anéis de cebola ou camarão frito que foram revestidos com farinha, pode haver contaminação cruzada.
"Um alimento pode ser isento de glúten, mas nada na sua preparação, armazenamento ou qualquer outra coisa ser isento", disse Malitz. "Isso é um problema muito grande."
O mesmo serve para verificar os rótulos no supermercado. Mesmo se algo estiver rotulado como isento de glúten, Malitz disse, os pais precisam de olhar para onde e como o alimento foi preparado para decidir se é seguro.

Faça os seus alimentos
Embora os produtos sem glúten estejam muito mais facilmente disponíveis agora do que eram há alguns anos atrás, estes são mais caros do que os seus congéneres tradicionais.
Os pais podem economizar comprando a granel ou comprando os grãos inteiros e processá-los em casa. Cindy Miller, de Boring, Oregon, usa um moinho para moer as suas farinhas favoritas.
"Não é preciso muito tempo para moê-los", disse Miller, cujo filho, Lucas, tem 17 anos e segue uma dieta isenta de glúten porque os médicos notaram que ele não estava a crescer adequadamente e suspeitaram que ele pudesse ter a doença celíaca. "Pode colocá-las no frigorífico e usa à vontade para fazer o pão de milho, os cereais de pequeno-almoço quentes ou panquecas."
Kelly Courson, uma técnica de saúde holística, em Nova Iorque, que tem a doença celíaca e escreve o blog Celiac Chicks, recomenda que as famílias que estão acostumadas a comer muito pão invistam numa máquina de fazer pão. "Você pode ter os ingredientes medidos e prontos a usar em sacos de plástico de maneira a que só tenha de acrescentar fermento e água", disse Courson. "Ajuda muito se tem que contar os tostões."

Faça reservas
Mantenha uma reserva de bolachas ou queques sem glúten no congelador de casa e no refeitório da escola ou escritório, para que o seu filho possa ter um “miminho” nas festas de aniversário.
"Antecipe para onde vão e o que podem vir a precisar", disse Taylor-Klaus. Todos os três filhos de Taylor-Klaus e o seu marido fazem uma dieta isenta de glúten por várias razões, incluindo eczema e dificuldade de concentração. "Antecipe o que pode fazer para normalizar esta situação por eles, para que não sintam que são diferentes de todos os outros. Pode ser uma sobremesa diferente, mas ainda assim é uma sobremesa. "
Stephanie Epstein de Gaithersburg também faz mimos especiais para seu filho Jeremy, de oito anos, para levar às festas. "Certifique-se de que tudo o que envia para a criança é uma sobremesa com muito bom aspecto, de modo que, mesmo sabendo que os outros estão a comer algo diferente, seja uma sobremesa à maneira", disse Epstein, que muitas vezes decora bolinhos de Jeremy com guloseimas. "Assim, as outras crianças vão querer o que ele tem, o que o faz sentir-se bem."

Coloque a escola do seu lado
Fale com o professor do seu filho e a enfermeira da escola, especialmente com crianças mais jovens, e peça a sua ajuda. Maria Roglieri de Sleepy Hollow, Nova Iorque, conta que a enfermeira na escola da sua filha tratou para que ela falasse com os pais de outras crianças sem glúten, para compartilhar informações.
A filha de Roglieri, Sara Friedman, de 16 anos, escreveu o "Guia Sem Glúten para Washington, DC," quando tinha 13 anos, e Roglieri editou o livro. A doença celíaca de Sara foi diagnosticada quando ela tinha seis anos. Roglieri sugere também procurar que a escola coloque um grupo de duas ou mais crianças sem glúten juntas na mesma turma, para que estas tenham um amigo com restrições dietéticas semelhantes.
Epstein disse que os professores têm ajudado o seu filho a fazer a transição para uma dieta isenta de glúten. "Eles dão recompensas por bom comportamento na escola, e uma das recompensas foi almoçar pizza com o professor. Ela pediu pizza para toda a mesa ", disse Epstein. "A sua professora especificamente pediu pizza sem glúten para [o Jeremy]… Ela até comeu a pizza com ele. Mostrava-lhe assim que não há problema em fazer uma dieta sem glúten. Todos somos diferentes, por razões diferentes. "

Dê uma uma oportunidade aos alimentos não processados
As crianças são notoriamente fastidiosas quando se trata de alimentos, e quase tudo do que é rotulado como amigo das crianças em restaurantes é carregado com glúten: nuggets de frango, massa com queijo, hambúrgueres e cachorros quentes ou esparguete com almôndegas.
Apesar de existirem versões sem glúten da maioria dessas receitas básicas para miúdos, Kelly Dorfman, nutricionista em Potomac, acha que o foco de uma dieta sem glúten deve ser em alimentos integrais, não processados. Abasteça-se de frutas, vegetais, sementes, nozes, carnes, queijos e outros alimentos saudáveis, em vez de se focar nas versões sem glúten dos seus alimentos processados favoritos, disse Dorfman. Esta sugere fazer um vegetal diferente por noite durante duas semanas e dizer ao seu filho que ele tem de dar duas dentadas pelo menos, para ajudá-lo a acostumar-se a comer alimentos variados.
"Eles não têm que adorá-los, têm apenas que os tolerar", disse Dorfman, autora de "O que Está o Seu Filho a Comer". "Eventualmente, se eles comerem muitas vezes, começam a gostar."

Faça-o em família
Iniciar uma dieta sem glúten com o seu filho, pelo menos durante o primeiro mês, pode facilitar a transição para uma nova dieta, disse Dorfman. "Você não quer que a criança se sinta como há algo de errado com ele", disse Dorfman. "Esta é apenas uma coisa estranha na vida moderna. Fazer juntos, ajudando o vínculo familiar desta forma, é muito importante. "
Epstein disse que, embora o seu marido, Brian, seja celíaco, o resto da família não comia sem glúten até Jeremy ser diagnosticado no último Verão. Agora todos comem sem glúten em casa, e ela e a sua filha Lauren, de cinco anos, comem glúten apenas quando estão fora. "Nós não podíamos ter "Esta é a comida do papá e do Jeremy e esta é da mamã e da Lauren'", disse Epstein. "Eu não posso deixar a minha filha tenha uma coisa e não deixar que ele tenha, porque isso não é justo."


domingo, 3 de março de 2013

Bolo de laranja e azeite

Um bolo ideal para tomar com chá numa tarde fria. Fácil e rápido de fazer.
 
Ingredientes:
Raspa de uma laranja
2 ovos L
175 gramas de açúcar
100 ml azeite
175 gramas de farinha sem glúten
1 colher de chá de goma xantana
2 colheres de chá de fermento em pó
1/4 colher de chá de sal
90 ml leite
 
Misture a farinha com o sal, a goma xantana e o fermento. Reserve.
 
Na cuba da sua batedeira, coloque a raspa da laranja, junte os ovos, misture e deixe descansar durante 10 minutos para que os óleos da casca “perfumem” os ovos. Depois, ligue a batedeira em velocidade baixa e junte o açúcar aos poucos e, de seguida, o azeite em fio. Alterne depois a farinha reservada com o leite. Bata até obter uma massa homogénea.
 
Coloque a massa na forma untada (eu usei uma frigideira de ferro fundido que pode ir ao forno) e leve a forno pré-aquecido a 160ºC durante 50 a 60 minutos, até dourar.
 
Transfira para uma rede de arrefecimento e quando estiver frio, decore, se quiser, com raspas de laranja e um glacê de laranja (100 gramas de açúcar em pó com uma colher de sopa de sumo de laranja).
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Pão Saloio na Bimby

Como o prometido é devido, aqui está a conclusão do post anterior da Ana Pimenta sobre Pão, desta vez a sua versão do pão saloio.

Pão Saloio na Bimby

Uma mesa não está completa sem um pão saloio, de mistura, para fatiar!

Ingredientes:
100 ml de água gaseificada + 400 ml de água gaseificada morna (Lidl)
Fermento fresco caseiro (fornada pão bijou – Schar Mix B) (ou opcionalmente 7g a 14 g de fermento seco ativo Doves Farm: quantidade a dosear consoante condições de optimização da levedação)
5 gramas de açúcar de coco Iswari. (Pode substituir por outro açúcar de preferência não refinado. O de coco tem o menor índice glicémico. Ou agave)
5 gramas de leite em pó Aptamil pepti junior (opcional)
1 ovo M batido

200 gramas de amido de milho (Maizena)
100 gramas de farinha panificável sem glúten (Schar Mix B)
100 gramas de farinha trigo-sarraceno (Werz)
100 gramas de farinha de arroz (Doves farm)
9 gramas de sal marinho
15 gramas de psílio em pó (Finax)

1 clara de ovo e uma colher de sopa de água ligeiramente batidas
Farinha sem glúten q.b. para enfarinhar

Coloque no copo da Bimby 100 ml de água gaseificada, o fermento e o açúcar. Programe 1 minuto, 37ºC / velocidade 1. Deixe repousar 5 minutos. Se usar fermento seco ativo deve espumar.

Entretanto aqueça durante um minuto os 400 ml de água restantes no micro-ondas (não deixe que exceda os 40º C). Adicione ao fermento.

Adicione o ovo batido e o leite em pó. Programe 4 segundos / velocidade 2 1/2. Junte o amido de milho. Programe 4 segundos / velocidade 3. Junte as restantes farinhas, o sal e o psílio. Programe 5 minutos: “massa”.

Deixe levedar no copo da Bimby até dobrar de tamanho (40 minutos aproximadamente). Para o efeito abafe bem a Bimby como descrito anteriormente.

Findo este tempo coloque a massa num tapete de silicone ligeiramente enfarinhado e amasse de novo, levemente. Dê a forma que desejar. Se a massa pegar um pouco, molhe as mãos para dar a forma desejada. Pincele com a mistura de clara de ovo e água.

Leve ao forno a cozer a 210º C na prateleira do meio por 30 minutos e junte 4 cubos no tabuleiro do fundo. Reduza a temperatura para 180ºC e coza por mais 30 minutos. Junte nesta altura, mais 4 cubos de gelo no tabuleiro do fundo. Apague o forno e deixe cozer aí por mais 15 minutos. Se ao toque o pão estiver leve é porque está cozido.
Deixe esfriar numa grelha de arrefecimento durante 3 horas antes de fatiar. E cá temos o nosso pão. Bem cozido, fofinho, aromático e saboroso. Uma delícia! Bom apetite!


Notas: Ingredientes à data isentos de glúten e lactose segundo as empresas que os comercializam e / ou rótulos.













Ana Pimenta

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Pão bijou e fermento caseiro

O post de hoje é, como diriam os americanos, um "guest post". Hoje, a nossa já conhecida Ana Pimenta presenteia-nos com a sua receita de pequenas carcaças sem glúten e o fermento caseiro que usa para fazer os seus pães. Este festival de (bom) pão continua amanhã com mais um post, desta vez com uma receita de pão saloio. Obrigada Ana, mais uma vez, pela participação, de certeza que quem visita este blog irá ficar tentado por estas receitas!

Pão Bijou adaptado para a Bimby

“Casa onde não há Pão, todos ralham e ninguém tem razão”

Casa onde não há Pão, todos ralham e ninguém tem razão. Assim diz o ditado popular. Ditado este que ouço desde miúda. Contudo, a Guerra chegou a nossa casa: migalhas, migalhinhas, como combatê-las? Falo, claro está, de migalhas com glúten.

Felizmente, estava uma fantástica receita, já anteriormente publicada neste blog, à espera de sair da minha “pasta das receitas a experimentar”. Simples, prática, com poucos ingredientes e fáceis de encontrar. Adaptei-a à Bimby para facilitar ainda mais.

Desde então que não entram na nossa mesa as malfadadas migalhinhas de pão com glúten. E ouço diariamente: Pão… Pão mamã! Agrada a celíacos e não celíacos. Motivo: crocante, estaladiço, branquinho e sem sabor a ázimo.

Ingredientes:
14 gramas de fermento seco activo (Doves Farm Quick Yeast)*
600 ml de água gaseificada (Lidl)**
1 1/2 colher de chá de sal marinho (9 gr)
530 gramas de farinha panificável sem glúten (Mix B Shar)
1 clara de ovo M levemente batida com uma colher de sopa de água

*Se conseguir condições ótimas de levedação e deixar levedar por 40 minutos, e não 20, poderá usar apenas 7 g de fermento.
** Se diminuir na quantidade da água (ex. 580 ml) obterá bolinhas mais altas e com mais miolo.

No copo da Bimby junte o fermento (14 gr) e a água gaseificada (600 ml). Para ativar o fermento programe 3 minutos / 37º C / velocidade 1. Verifique se externamente o copo da Bimby está morno. Caso não esteja, repita o programa anterior mais um minuto.

Deixe descansar por cinco minutos ou até que espume, cubra durante este tempo a máquina com uma manta polar.

Acrescente depois a farinha (530 gr) e o sal (9 gr). Amasse durante cinco minutos: Programa “massa”.

Deixe levedar durante 20 minutos ou até a massa duplicar o seu volume. Para o efeito abafe a Bimby. Use por exemplo uma manta polar coberta com 4 sacos de plástico justos, uma segunda manta polar e um saco extra a envolver tudo.

Findo esse tempo, pré-aqueça o forno a 210º C.

A massa, que deverá ter a consistência de um creme espesso, deverá ser colocada em colheradas generosas no tapete de silicone.


Aproveite e faça neste momento o seu fermento caseiro usando uma colher de sopa desta massa.

Modele as colheradas de massa com o pincel molhado na mistura de clara de ovo e água até ficarem redondas.

Leve ao forno na prateleira do meio e ponha 4 cubos de gelo no tabuleiro do fundo. Coza por 20 minutos, a 210º C. Vigie. Em caso de os pães começarem a ficar logo de início muito corados cubra com papel de alumínio.

Passado esse tempo, reduza para 180º C e coloque mais 4 cubos de gelo no tabuleiro do fundo. Deixe cozer por mais 15 minutos. A crosta deve ficar dourada e sólida.

Deixe arrefecer numa rede para bolos antes de fatiar ou delicie-se com um pãozinho morninho acabado de sair do forno. Bom apetite!

Nota: Se desejar pode incorporar cerca de 30g de grãos ricos em nutrientes tal como trigo-sarraceno, amaranto, milho painço, quinoa, arroz integral, sorgo e teff, melhorará o valor nutricional do seu pão e obterá “bolinhas saloias” de sabor diversificado, ricas em fibras, proteínas e aminoácidos essenciais e minerais.










Fermento caseiro

“Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão” versus a Guerra anti-glúten tal como referi anteriormente. Contudo, já os três seres vivos envolvidos no fabrico do pão - o grão, a levedura (Saccharomyces cerevisiae) e o padeiro – trabalham em verdadeira harmonia de modo a levarem a cabo uma complexa teia de alterações químicas e físicas cujo resultado é o produto saboroso e fofo, presente em todas as mesas: o Pão!

Tal como referido anteriormente podemos usar um pouco da massa levedada para criar fermento caseiro.

Para tal basta colocar uma colher de colher de sopa da massa, após a levedação do pão, num frasco de vidro e cobri-lo com um pouco de farinha. Uso trigo-sarraceno ou outra farinha simples, sem agentes espessantes e levedantes incorporados.

As células desta levedura, através dum processo metabólico chamado fermentação, vão consumir os açúcares livres provenientes do amido das farinhas e produzir álcool etílico, um gás (o dióxido de carbono) e vários outros compostos que conferem ao pão o seu fantástico sabor e aroma. O dióxido de carbono (CO2) produzido vai-se acumulando dentro da massa e, se a “liga” tiver a “força” adequada para o reter, vai-se expandindo dada a sua elasticidade. Pode ficar com mais do dobro do seu volume inicial. Nesta massa sem glúten e em particular na farinha Mix B da Shar o agente espessante e aglutinante é a hidroximetilcelulose.

O consumo de pequenas quantidades de alimentos fermentados é aconselhado por nutricionistas regulando a flora intestinal. Melhoramos também o sabor do nosso pão e ainda economizamos.

Para o efeito, deixa-se a levedar perto do forno enquanto se coze a massa do pão (ou ao sol) e enquanto a cozinha estiver quente. Em 15 a 30 minutos leveda dobrando de volume.

Veda-se o frasco com película aderente, na qual se faz 3 furos, e guarda-se num armário escuro e a temperatura amena até ao dia seguinte. Usa-se como fermento (“isco”) de uma próxima fornada de pão, por exemplo, tipo saloio. Se preferir pão ázimo deixe levedar por mais um ou dois dias. Pode congelar e usar após reativar.

Para levedar a próxima fornada de pão necessitará de mais tempo do que se usar fermento fresco comprado ou fermento seco ativo. Contudo, confere um sabor mais agradável ao pão final.














Ana Pimenta
 

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