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terça-feira, 5 de março de 2013

As crianças, o glúten, a depressão

Imagem retirada da Net
Um típico adolescente melancólico e sorumbático pode, por vezes, esconder um jovem clinicamente deprimido. E uma depressão pode, em certos casos, resultar de uma intolerância ao glúten não tratada. Um estudo sueco* de larga escala comparou mais de 13 mil pessoas com doença celíaca à população em geral e concluiu que aqueles com a doença tinham um risco acrescido em 80% de sofrerem de depressão.
A depressão, entre intolerantes ao glúten, pode afectar tanto os adultos como as crianças: este estudo aponta para uma taxa de 8% em rapazes e de quase 14% em raparigas. A explicação para esta ligação poderá prender-se com a má-absorção de nutrientes que provoca deficientes níveis dos diversos elementos que promovem o bem-estar emocional. Este pequeno estudo finlandês de 2005, que publico hoje, aponta nesse sentido e abre caminho para mais pesquisa na área do impacto do glúten sobre o estado mental de adultos e adolescentes.

“A dieta sem glúten pode aliviar sintomas depressivos e comportamentais em adolescentes com doença celíaca: um estudo prospectivo de acompanhamento ao estudo de casos

Resumo
Tema
A doença celíaca em adolescentes tem sido associada a um aumento da prevalência de depressão e dos transtornos disruptivos do comportamento, particularmente na fase antes do tratamento dieta. Foram estudados os possíveis efeitos de uma dieta isenta de glúten nos sintomas psiquiátricos, sobre o perfil hormonal (prolactina, função tireoidiana) e em grandes concentrações de aminoácidos neutros séricos em adolescentes com doença celíaca a iniciar uma dieta isenta de glúten.

Métodos
Nove adolescentes com doença celíaca, com idade entre 12 a 16 anos, foram avaliados através de uma entrevista semi-estruturada K-SADS de Diagnóstico de Presente e de Vida, assim como variadas escalas de sintomas. Sete deles foram seguidos aos 1, 2, 3, e 6 meses, em dieta isenta de glúten.

Resultados
Pré-dieta, os adolescentes portadores de doença celíaca com depressão tinham rácios significativamente mais baixos de triptofano / aminoácidos (CAA) e concentrações de triptofano livre, assim como níveis significativamente mais elevados de prolactina na manhã da biópsia em comparação com aqueles sem depressão. Uma redução significativa dos sintomas psiquiátricos foi encontrada aos três meses de dieta isenta de glúten em relação à condição basal do paciente, que coincide com a reduzida actividade da doença celíaca e dos níveis de prolactina, e a um aumento significativo nas concentrações séricas de aminoácidos.

Conclusão
Embora os resultados da análise de aminoácidos e os níveis de prolactina em adolescentes sejam preliminares, suportam descobertas anteriores em pacientes com doença celíaca, sugerindo que a disfunção serotonérgica, devido à deficiente disponibilidade de triptofano, podem desempenhar um papel na vulnerabilidade a doenças depressivas e comportamentais também entre os adolescentes com doença celíaca não tratada.”

*Ludvigsson JF, Reutfors J, Osby U, et al. Coeliac disease and risk of mood disorders--a general population-based cohort study. J Affect Disord. 2007 Apr;99(1-3):117-26.

Outros artigos:



segunda-feira, 4 de março de 2013

Conselhos para uma dieta sem glúten em crianças

Hoje publico um artigo recente que saiu no The Washington Post sobre como iniciar uma dieta sem glúten em crianças. Apesar de este artigo incluir dicas já dadas anteriormente, este jornal dá mais alguns conselhos muito interessantes.

Imagem do The Washington Post
"Elaine Taylor-Klaus iniciou a filha Bex na dieta sem glúten há 8 anos e meio, depois de um nutricionista ter sugerido que a menina irritável e sensível poderia ter uma sensibilidade ao glúten. Duas semanas após ter eliminado o glúten da sua dieta, Bex, agora com 18 anos, revelou-se uma criança diferente.
O filho de Melissa Berardi, Anthony de cinco anos, estava a definhar há dois anos atrás. Era extremamente pequeno para a sua idade, diz ela, e vomitava constantemente. Acontece que ele tinha a doença celíaca. Berardi, de Bellwood, Pensilvânia, mudou a dieta dele e diz que Anthony tornou-se uma criança saudável.
Seja por doença celíaca diagnosticada ou suspeita de sensibilidade ao glúten, muitos pais estão a mudar os seus filhos para dietas sem glúten. Os pais com pouco tempo podem sentir-se avassalados pelo pensamento de uma grande reformulação alimentar para as suas crianças, já de si esquisitas com a comida (e mudanças, em geral). Mas comer sem glúten não tem de ser assustador.
"Os pais estão com medo de tentar porque parece que seria muito difícil", disse Taylor-Klaus, uma formadora em Parentalidade, de Atlanta. "Eu era um desses pais. Eu não estou a dizer que não é difícil. Mas [a Bex] tornou-se tão mais fácil de gerir que a troca foi mais vantajosa do que eu pensei que seria. "
A vantagem é ainda mais pronunciada em crianças com a doença celíaca, uma incapacidade para digerir o glúten, uma proteína encontrada em produtos que contêm trigo, cevada ou centeio. Esta afecta cerca de uma em cada 100 pessoas na Europa e América do Norte, de acordo com o National Institute of Health. A Clínica Mayo estima que o número de pessoas afectadas quadruplicou nos últimos 50 anos, embora a razão não seja clara.
Não existe tratamento para a doença celíaca - que pode causar diarreia, inchaço e obstipação em alguns pacientes e alterações de humor e sintomas neurológicos noutros - mas pode ser gerida eliminando o glúten da dieta.
Aqui estão algumas sugestões de especialistas e pais de crianças numa dieta sem glúten sobre como tornar a mudança mais fácil para si e para o seu filho.

Consulte um médico
John Snyder, chefe da divisão de Gastrenterologia, Hepatologia e Nutrição no Centro Infantil Médico Nacional em Washington, disse, por correio electrónico, que os pais devem consultar um médico antes de mudar a dieta de uma criança, para garantir que esta continua a receber a nutrição adequada.
Há muitas razões para os pais considerarem colocar uma criança a fazer uma dieta isenta de glúten, incluindo alterações de humor, eczema e transtornos do espectro do autismo. Mas se acha que o seu filho pode ter a doença celíaca ou uma grave intolerância ao glúten, é importante testá-lo antes de mudar a dieta dele. "O teste para a doença celíaca só é eficaz se a criança estiver numa dieta que contenha glúten", disse Snyder.

Seja um detective
Só porque um rótulo ou menu diz que algo é isento de glúten não significa que seja seguro para os celíacos, disse Jerry Malitz, presidente da organização Metro Celiac, em Washington. Além de ler os ingredientes, os pais precisam de verificar como são preparados e armazenados os alimentos. As batatas fritas podem ser rotuladas como sem glúten no menú, Malitz disse, porque são feitas com batatas. Mas se forem preparadas numa frigideira que tenha sido usada para anéis de cebola ou camarão frito que foram revestidos com farinha, pode haver contaminação cruzada.
"Um alimento pode ser isento de glúten, mas nada na sua preparação, armazenamento ou qualquer outra coisa ser isento", disse Malitz. "Isso é um problema muito grande."
O mesmo serve para verificar os rótulos no supermercado. Mesmo se algo estiver rotulado como isento de glúten, Malitz disse, os pais precisam de olhar para onde e como o alimento foi preparado para decidir se é seguro.

Faça os seus alimentos
Embora os produtos sem glúten estejam muito mais facilmente disponíveis agora do que eram há alguns anos atrás, estes são mais caros do que os seus congéneres tradicionais.
Os pais podem economizar comprando a granel ou comprando os grãos inteiros e processá-los em casa. Cindy Miller, de Boring, Oregon, usa um moinho para moer as suas farinhas favoritas.
"Não é preciso muito tempo para moê-los", disse Miller, cujo filho, Lucas, tem 17 anos e segue uma dieta isenta de glúten porque os médicos notaram que ele não estava a crescer adequadamente e suspeitaram que ele pudesse ter a doença celíaca. "Pode colocá-las no frigorífico e usa à vontade para fazer o pão de milho, os cereais de pequeno-almoço quentes ou panquecas."
Kelly Courson, uma técnica de saúde holística, em Nova Iorque, que tem a doença celíaca e escreve o blog Celiac Chicks, recomenda que as famílias que estão acostumadas a comer muito pão invistam numa máquina de fazer pão. "Você pode ter os ingredientes medidos e prontos a usar em sacos de plástico de maneira a que só tenha de acrescentar fermento e água", disse Courson. "Ajuda muito se tem que contar os tostões."

Faça reservas
Mantenha uma reserva de bolachas ou queques sem glúten no congelador de casa e no refeitório da escola ou escritório, para que o seu filho possa ter um “miminho” nas festas de aniversário.
"Antecipe para onde vão e o que podem vir a precisar", disse Taylor-Klaus. Todos os três filhos de Taylor-Klaus e o seu marido fazem uma dieta isenta de glúten por várias razões, incluindo eczema e dificuldade de concentração. "Antecipe o que pode fazer para normalizar esta situação por eles, para que não sintam que são diferentes de todos os outros. Pode ser uma sobremesa diferente, mas ainda assim é uma sobremesa. "
Stephanie Epstein de Gaithersburg também faz mimos especiais para seu filho Jeremy, de oito anos, para levar às festas. "Certifique-se de que tudo o que envia para a criança é uma sobremesa com muito bom aspecto, de modo que, mesmo sabendo que os outros estão a comer algo diferente, seja uma sobremesa à maneira", disse Epstein, que muitas vezes decora bolinhos de Jeremy com guloseimas. "Assim, as outras crianças vão querer o que ele tem, o que o faz sentir-se bem."

Coloque a escola do seu lado
Fale com o professor do seu filho e a enfermeira da escola, especialmente com crianças mais jovens, e peça a sua ajuda. Maria Roglieri de Sleepy Hollow, Nova Iorque, conta que a enfermeira na escola da sua filha tratou para que ela falasse com os pais de outras crianças sem glúten, para compartilhar informações.
A filha de Roglieri, Sara Friedman, de 16 anos, escreveu o "Guia Sem Glúten para Washington, DC," quando tinha 13 anos, e Roglieri editou o livro. A doença celíaca de Sara foi diagnosticada quando ela tinha seis anos. Roglieri sugere também procurar que a escola coloque um grupo de duas ou mais crianças sem glúten juntas na mesma turma, para que estas tenham um amigo com restrições dietéticas semelhantes.
Epstein disse que os professores têm ajudado o seu filho a fazer a transição para uma dieta isenta de glúten. "Eles dão recompensas por bom comportamento na escola, e uma das recompensas foi almoçar pizza com o professor. Ela pediu pizza para toda a mesa ", disse Epstein. "A sua professora especificamente pediu pizza sem glúten para [o Jeremy]… Ela até comeu a pizza com ele. Mostrava-lhe assim que não há problema em fazer uma dieta sem glúten. Todos somos diferentes, por razões diferentes. "

Dê uma uma oportunidade aos alimentos não processados
As crianças são notoriamente fastidiosas quando se trata de alimentos, e quase tudo do que é rotulado como amigo das crianças em restaurantes é carregado com glúten: nuggets de frango, massa com queijo, hambúrgueres e cachorros quentes ou esparguete com almôndegas.
Apesar de existirem versões sem glúten da maioria dessas receitas básicas para miúdos, Kelly Dorfman, nutricionista em Potomac, acha que o foco de uma dieta sem glúten deve ser em alimentos integrais, não processados. Abasteça-se de frutas, vegetais, sementes, nozes, carnes, queijos e outros alimentos saudáveis, em vez de se focar nas versões sem glúten dos seus alimentos processados favoritos, disse Dorfman. Esta sugere fazer um vegetal diferente por noite durante duas semanas e dizer ao seu filho que ele tem de dar duas dentadas pelo menos, para ajudá-lo a acostumar-se a comer alimentos variados.
"Eles não têm que adorá-los, têm apenas que os tolerar", disse Dorfman, autora de "O que Está o Seu Filho a Comer". "Eventualmente, se eles comerem muitas vezes, começam a gostar."

Faça-o em família
Iniciar uma dieta sem glúten com o seu filho, pelo menos durante o primeiro mês, pode facilitar a transição para uma nova dieta, disse Dorfman. "Você não quer que a criança se sinta como há algo de errado com ele", disse Dorfman. "Esta é apenas uma coisa estranha na vida moderna. Fazer juntos, ajudando o vínculo familiar desta forma, é muito importante. "
Epstein disse que, embora o seu marido, Brian, seja celíaco, o resto da família não comia sem glúten até Jeremy ser diagnosticado no último Verão. Agora todos comem sem glúten em casa, e ela e a sua filha Lauren, de cinco anos, comem glúten apenas quando estão fora. "Nós não podíamos ter "Esta é a comida do papá e do Jeremy e esta é da mamã e da Lauren'", disse Epstein. "Eu não posso deixar a minha filha tenha uma coisa e não deixar que ele tenha, porque isso não é justo."


domingo, 3 de março de 2013

Bolo de laranja e azeite

Um bolo ideal para tomar com chá numa tarde fria. Fácil e rápido de fazer.
 
Ingredientes:
Raspa de uma laranja
2 ovos L
175 gramas de açúcar
100 ml azeite
175 gramas de farinha sem glúten
1 colher de chá de goma xantana
2 colheres de chá de fermento em pó
1/4 colher de chá de sal
90 ml leite
 
Misture a farinha com o sal, a goma xantana e o fermento. Reserve.
 
Na cuba da sua batedeira, coloque a raspa da laranja, junte os ovos, misture e deixe descansar durante 10 minutos para que os óleos da casca “perfumem” os ovos. Depois, ligue a batedeira em velocidade baixa e junte o açúcar aos poucos e, de seguida, o azeite em fio. Alterne depois a farinha reservada com o leite. Bata até obter uma massa homogénea.
 
Coloque a massa na forma untada (eu usei uma frigideira de ferro fundido que pode ir ao forno) e leve a forno pré-aquecido a 160ºC durante 50 a 60 minutos, até dourar.
 
Transfira para uma rede de arrefecimento e quando estiver frio, decore, se quiser, com raspas de laranja e um glacê de laranja (100 gramas de açúcar em pó com uma colher de sopa de sumo de laranja).
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Pão Saloio na Bimby

Como o prometido é devido, aqui está a conclusão do post anterior da Ana Pimenta sobre Pão, desta vez a sua versão do pão saloio.

Pão Saloio na Bimby

Uma mesa não está completa sem um pão saloio, de mistura, para fatiar!

Ingredientes:
100 ml de água gaseificada + 400 ml de água gaseificada morna (Lidl)
Fermento fresco caseiro (fornada pão bijou – Schar Mix B) (ou opcionalmente 7g a 14 g de fermento seco ativo Doves Farm: quantidade a dosear consoante condições de optimização da levedação)
5 gramas de açúcar de coco Iswari. (Pode substituir por outro açúcar de preferência não refinado. O de coco tem o menor índice glicémico. Ou agave)
5 gramas de leite em pó Aptamil pepti junior (opcional)
1 ovo M batido

200 gramas de amido de milho (Maizena)
100 gramas de farinha panificável sem glúten (Schar Mix B)
100 gramas de farinha trigo-sarraceno (Werz)
100 gramas de farinha de arroz (Doves farm)
9 gramas de sal marinho
15 gramas de psílio em pó (Finax)

1 clara de ovo e uma colher de sopa de água ligeiramente batidas
Farinha sem glúten q.b. para enfarinhar

Coloque no copo da Bimby 100 ml de água gaseificada, o fermento e o açúcar. Programe 1 minuto, 37ºC / velocidade 1. Deixe repousar 5 minutos. Se usar fermento seco ativo deve espumar.

Entretanto aqueça durante um minuto os 400 ml de água restantes no micro-ondas (não deixe que exceda os 40º C). Adicione ao fermento.

Adicione o ovo batido e o leite em pó. Programe 4 segundos / velocidade 2 1/2. Junte o amido de milho. Programe 4 segundos / velocidade 3. Junte as restantes farinhas, o sal e o psílio. Programe 5 minutos: “massa”.

Deixe levedar no copo da Bimby até dobrar de tamanho (40 minutos aproximadamente). Para o efeito abafe bem a Bimby como descrito anteriormente.

Findo este tempo coloque a massa num tapete de silicone ligeiramente enfarinhado e amasse de novo, levemente. Dê a forma que desejar. Se a massa pegar um pouco, molhe as mãos para dar a forma desejada. Pincele com a mistura de clara de ovo e água.

Leve ao forno a cozer a 210º C na prateleira do meio por 30 minutos e junte 4 cubos no tabuleiro do fundo. Reduza a temperatura para 180ºC e coza por mais 30 minutos. Junte nesta altura, mais 4 cubos de gelo no tabuleiro do fundo. Apague o forno e deixe cozer aí por mais 15 minutos. Se ao toque o pão estiver leve é porque está cozido.
Deixe esfriar numa grelha de arrefecimento durante 3 horas antes de fatiar. E cá temos o nosso pão. Bem cozido, fofinho, aromático e saboroso. Uma delícia! Bom apetite!


Notas: Ingredientes à data isentos de glúten e lactose segundo as empresas que os comercializam e / ou rótulos.













Ana Pimenta

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Pão bijou e fermento caseiro

O post de hoje é, como diriam os americanos, um "guest post". Hoje, a nossa já conhecida Ana Pimenta presenteia-nos com a sua receita de pequenas carcaças sem glúten e o fermento caseiro que usa para fazer os seus pães. Este festival de (bom) pão continua amanhã com mais um post, desta vez com uma receita de pão saloio. Obrigada Ana, mais uma vez, pela participação, de certeza que quem visita este blog irá ficar tentado por estas receitas!

Pão Bijou adaptado para a Bimby

“Casa onde não há Pão, todos ralham e ninguém tem razão”

Casa onde não há Pão, todos ralham e ninguém tem razão. Assim diz o ditado popular. Ditado este que ouço desde miúda. Contudo, a Guerra chegou a nossa casa: migalhas, migalhinhas, como combatê-las? Falo, claro está, de migalhas com glúten.

Felizmente, estava uma fantástica receita, já anteriormente publicada neste blog, à espera de sair da minha “pasta das receitas a experimentar”. Simples, prática, com poucos ingredientes e fáceis de encontrar. Adaptei-a à Bimby para facilitar ainda mais.

Desde então que não entram na nossa mesa as malfadadas migalhinhas de pão com glúten. E ouço diariamente: Pão… Pão mamã! Agrada a celíacos e não celíacos. Motivo: crocante, estaladiço, branquinho e sem sabor a ázimo.

Ingredientes:
14 gramas de fermento seco activo (Doves Farm Quick Yeast)*
600 ml de água gaseificada (Lidl)**
1 1/2 colher de chá de sal marinho (9 gr)
530 gramas de farinha panificável sem glúten (Mix B Shar)
1 clara de ovo M levemente batida com uma colher de sopa de água

*Se conseguir condições ótimas de levedação e deixar levedar por 40 minutos, e não 20, poderá usar apenas 7 g de fermento.
** Se diminuir na quantidade da água (ex. 580 ml) obterá bolinhas mais altas e com mais miolo.

No copo da Bimby junte o fermento (14 gr) e a água gaseificada (600 ml). Para ativar o fermento programe 3 minutos / 37º C / velocidade 1. Verifique se externamente o copo da Bimby está morno. Caso não esteja, repita o programa anterior mais um minuto.

Deixe descansar por cinco minutos ou até que espume, cubra durante este tempo a máquina com uma manta polar.

Acrescente depois a farinha (530 gr) e o sal (9 gr). Amasse durante cinco minutos: Programa “massa”.

Deixe levedar durante 20 minutos ou até a massa duplicar o seu volume. Para o efeito abafe a Bimby. Use por exemplo uma manta polar coberta com 4 sacos de plástico justos, uma segunda manta polar e um saco extra a envolver tudo.

Findo esse tempo, pré-aqueça o forno a 210º C.

A massa, que deverá ter a consistência de um creme espesso, deverá ser colocada em colheradas generosas no tapete de silicone.


Aproveite e faça neste momento o seu fermento caseiro usando uma colher de sopa desta massa.

Modele as colheradas de massa com o pincel molhado na mistura de clara de ovo e água até ficarem redondas.

Leve ao forno na prateleira do meio e ponha 4 cubos de gelo no tabuleiro do fundo. Coza por 20 minutos, a 210º C. Vigie. Em caso de os pães começarem a ficar logo de início muito corados cubra com papel de alumínio.

Passado esse tempo, reduza para 180º C e coloque mais 4 cubos de gelo no tabuleiro do fundo. Deixe cozer por mais 15 minutos. A crosta deve ficar dourada e sólida.

Deixe arrefecer numa rede para bolos antes de fatiar ou delicie-se com um pãozinho morninho acabado de sair do forno. Bom apetite!

Nota: Se desejar pode incorporar cerca de 30g de grãos ricos em nutrientes tal como trigo-sarraceno, amaranto, milho painço, quinoa, arroz integral, sorgo e teff, melhorará o valor nutricional do seu pão e obterá “bolinhas saloias” de sabor diversificado, ricas em fibras, proteínas e aminoácidos essenciais e minerais.










Fermento caseiro

“Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão” versus a Guerra anti-glúten tal como referi anteriormente. Contudo, já os três seres vivos envolvidos no fabrico do pão - o grão, a levedura (Saccharomyces cerevisiae) e o padeiro – trabalham em verdadeira harmonia de modo a levarem a cabo uma complexa teia de alterações químicas e físicas cujo resultado é o produto saboroso e fofo, presente em todas as mesas: o Pão!

Tal como referido anteriormente podemos usar um pouco da massa levedada para criar fermento caseiro.

Para tal basta colocar uma colher de colher de sopa da massa, após a levedação do pão, num frasco de vidro e cobri-lo com um pouco de farinha. Uso trigo-sarraceno ou outra farinha simples, sem agentes espessantes e levedantes incorporados.

As células desta levedura, através dum processo metabólico chamado fermentação, vão consumir os açúcares livres provenientes do amido das farinhas e produzir álcool etílico, um gás (o dióxido de carbono) e vários outros compostos que conferem ao pão o seu fantástico sabor e aroma. O dióxido de carbono (CO2) produzido vai-se acumulando dentro da massa e, se a “liga” tiver a “força” adequada para o reter, vai-se expandindo dada a sua elasticidade. Pode ficar com mais do dobro do seu volume inicial. Nesta massa sem glúten e em particular na farinha Mix B da Shar o agente espessante e aglutinante é a hidroximetilcelulose.

O consumo de pequenas quantidades de alimentos fermentados é aconselhado por nutricionistas regulando a flora intestinal. Melhoramos também o sabor do nosso pão e ainda economizamos.

Para o efeito, deixa-se a levedar perto do forno enquanto se coze a massa do pão (ou ao sol) e enquanto a cozinha estiver quente. Em 15 a 30 minutos leveda dobrando de volume.

Veda-se o frasco com película aderente, na qual se faz 3 furos, e guarda-se num armário escuro e a temperatura amena até ao dia seguinte. Usa-se como fermento (“isco”) de uma próxima fornada de pão, por exemplo, tipo saloio. Se preferir pão ázimo deixe levedar por mais um ou dois dias. Pode congelar e usar após reativar.

Para levedar a próxima fornada de pão necessitará de mais tempo do que se usar fermento fresco comprado ou fermento seco ativo. Contudo, confere um sabor mais agradável ao pão final.














Ana Pimenta
 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Bolo russo

Não sei porque se chama bolo russo, mas é uma das receitas clássicas da minha infância, feita inúmeras vezes pela minha mãe. Com uma quantidade negligenciável de farinha de trigo na receita original, foi fácil criar uma versão sem glúten. Estava tão bom como me lembrava.

Ingredientes:
100 gramas de nozes moídas
100 gramas de amêndoas sem pele moídas
30 gramas de farinha sem glúten
1 colher de chá de fermento em pó
6 ovos
130 gramas de açúcar
100 gramas de ovos moles para rechear
Açúcar em pó para enfeitar (opcional)

Prepare os ovos moles. Reserve.

Misture bem as nozes com as amêndoas, a farinha e o fermento. Reserve.

Separe as gemas das claras e bata estas últimas em castelo. Reserve.

Na cuba da sua batedeira, bata as gemas com o açúcar até obter um creme esbranquiçado. Junte então a mistura de farinhas e bata até obter uma boa distribuição dos ingredientes. Com uma colher, acrescente as claras em castelo e envolva-as delicadamente na massa.

Coloque a massa num tabuleiro forrado a papel vegetal e leve a forno pré-aquecido a 160ºC durante 15 minutos, ou até dourar ligeiramente.

Retire do tabuleiro puxando pelas pontas do papel e coloque sobre uma rede de arrefecimento. Determine qual o meio do bolo e corte aí. Quando as duas metades tiverem arrefecido, acerte os lados, barre-as com os ovos moles e sobreponha-as. Decore com açúcar em pó.


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Peso a mais


Imagem retirada da Net

Uma amiga minha, cujos problemas de saúde poderiam ser explicados por uma condição associada ao glúten e que está no processo de obter um diagnóstico, comentou comigo que uma outra amiga dela lhe tinha dito que ela não podia ser doente celíaca porque tem peso a mais. Este é um dos maiores mitos à volta das condições associadas ao glúten, a sua ligação apenas a quadros de desnutrição.

Já vários estudos confirmaram que tal não é correcto, mas a noção persiste entre médicos menos informados: este recente estudo inglês conclui que "uma porção significativa de doentes celíacos (quase metade dos afectados) tinham um índice de massa corporal superior a 25 aquando do seu diagnóstico. Comparadas com os homens, as mulheres têm um índice mais alto e têm mais probabilidade de serem obesas (IMC igual ou maior de 30)." Um caso clínico argentino de 2012 reporta cinco pacientes  com obesidade mórbida que descobriram ser doentes celíacas em exame endoscópico de rotina enquanto se preparavam para uma cirurgia bariátrica.

Logo e porque nem todos os celíacos ou sensíveis ao glúten são magros; deixo hoje um testemunho de uma jovem americana que chegou a um diagnóstico de doença celíaca porque ganhou peso, ao invés de perder.

“Tudo começou no início deste ano, eu tinha ganho mais ou menos 10 quilos, dependia do dia. No início, pensei que fossem quilos do Natal, ou do tempo em que tinha estado a recuperar de uma fractura por volta do dia de Acção de Graças e ter deixado de ser tão activa. No entanto, aumentei os meus níveis de actividade, e comia de maneira ainda mais saudável do que o normal, mas os quilos não desapareciam, na realidade eu ainda ganhei um pouco mais de peso. A coisa mais estranha foi que todo o meu ganho de peso estava no abdómen, e eu costumo ganhar peso primeiro na cara. As minhas roupas não serviam bem, e eu sentia-me como se a minha barriga estivesse sempre inchada.

Tudo se precipitou quando me pesei numa manhã de sexta-feira para ver como tinha valido a pena a minha semana de dieta e exercício, para ver apenas que tinha ganho três quilos. O QUÊ?!? No total, eu tinha ganho 12-15 quilos desde o nosso casamento em Junho passado, dependendo do dia. Isso não era normal para mim. Normalmente, sou bastante consistente com o meu peso.

Sendo que há um histórico de problemas de tiróide na minha família, o que pode ser uma causa de ganho ou perda de peso inexplicável, eu queria fazer análises. Na minha pesquisa no Google sobre o ganho de peso inexplicável, também me deparei com algo mais: Doença Celíaca. De acordo com a Mayo Clinic, a doença celíaca é uma alergia ao glúten, e faz com que seu intestino seja basicamente desgastado, e fique incapaz de absorver nutrientes. O glúten é encontrado principalmente no trigo, cevada, aveia e centeio.

Eu sabia um pouco sobre a doença, porque a filha da minha amiga Amy foi diagnosticada em criança, e a Amy gere o blog Savvy Celiac para aumentar a consciencialização sobre a doença. Entrei em contacto com a Amy e perguntei-lhe se os meus sintomas pediam que fizesse análises quando fosse ao médico, e ela disse que sim. Ela alertou-me também para o facto de alguns médicos estarem muito desinformados sobre a doença, e poderem tentar dissuadir-me de fazer o teste, mas que eu deveria insistir.

A Amy estava certa. O médico que consultei (não era o meu médico habitual) estava hesitante em pedir a análise dizendo que a maioria das pessoas que têm doença celíaca, perdem peso, não ganham (um grande mito, aprendi eu). Contudo, insisti em fazer a análise, nem que fosse apenas para ter paz de espírito. Eu tenho um bom seguro de saúde, eu iria fazer análises de sangue de qualquer maneira, o que era mais um teste?

Ele concordou pela minha insistência, e quando recebi os meus resultados na semana seguinte, tinha um exame positivo para Doença Celíaca. O valor normal superior era 20, e o meu teste estava a 132. Estava tão contente por ter insistido em fazer essa análise.

Na quinzena seguinte, fiz a biópsia do intestino delgado, que se revelou positiva para doença celíaca. Encontrei-me com uma enfermeira de gastrenterologia que me falou mais sobre como a minha dieta teria que mudar. Ela disse-me que, por causa do dano significativo do meu intestino, eu precisava de  entrar numa dieta restrita, "sem uma migalha de glúten".

Ao longo de todo este processo, eu lembrei-me de como deveria estar contente por ter insistido em ser testado para esta doença, por ter mantido a minha posição na visita inicial ao meu médico. Pensei no sofrimento e angústia que teria passado por se não tivesse tido a Amy como um recurso para saber que esta condição poderia estar a afectar-me.

Sem tratamento e sem uma dieta adequada, a doença celíaca pode causar danos ao cérebro, sistema nervoso periférico, ossos ou fígado. Ela pode também causar infertilidade e aumentar a probabilidade de se desenvolver cancro.

Como disse anteriormente, a doença celíaca não é algo que muitos médicos fora da especialidade conheçam bem e, muitas vezes, é mal diagnosticada. Os sintomas traduzem-se em situações que muitos pacientes nem sequer referem: ​​inchaço, gases, diarreia, ganho ou perda de peso, só para citar alguns.

No curto espaço de tempo em que desenvolvi a doença celíaca, aproximadamente nos últimos 12-18 meses, suponho eu, descobri que, actualmente, o meu intestino delgado não têm sinais de vilosidades (os dedos pequenos que absorvem alimentos e nutrientes), e sofri perda de densidade óssea significativa, que não pode ser substituída, incluindo 20% na coluna. As minhas vilosidades vão voltar a crescer no próximo ano, porque vou manter uma rigorosa dieta isenta de glúten, a minha massa óssea, no entanto, nunca vai voltar.

O motivo que a Jen tinha para que eu partilhasse esta história com vocês, é para que ela possa abrir os olhos para esta condição que possa existir em si, um amigo ou familiar. Não quero que ninguém tenha que sofrer com esta doença e se sinta tão lento, inchado e desagradável como eu me senti antes do diagnóstico. Também não quero que mais ninguém tenha que suportar as repercussões permanentes da doença celíaca como eu.”

Outros artigos:
Normal Weight or Overweight People Can Also Have Celiac Disease



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Baixa de preços

Numa visita recente a uma loja Celeiro, reparei que alguns produtos da Schar, onde se inclui a farinha para pão Schar Mix B, estão mais baratos. Não é tanto uma promoção, mas mais uma baixa de preços, pelo menos até ao final do ano (indicado em letras pequenas no cartaz). Deste modo, a farinha que custava 5,90€ passa a custar 4,99€. Quem é sócio da APC, beneficia ainda de um desconto de 10%, pelo que o preço final para estas pessoas será de 4,49€. Continua a ser mais caro do que em Espanha ou na loja online Querfood, por exemplo, mas fazer pão em casa ficou definitivamente mais barato.

Já me falaram que o Continente fez a mesma redução de preço, mas ainda não pude conferir na minha loja habitual.
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