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DADOS, DICAS E RECEITAS DE VIDAS SEM GLÚTEN



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Peso a mais


Imagem retirada da Net

Uma amiga minha, cujos problemas de saúde poderiam ser explicados por uma condição associada ao glúten e que está no processo de obter um diagnóstico, comentou comigo que uma outra amiga dela lhe tinha dito que ela não podia ser doente celíaca porque tem peso a mais. Este é um dos maiores mitos à volta das condições associadas ao glúten, a sua ligação apenas a quadros de desnutrição.

Já vários estudos confirmaram que tal não é correcto, mas a noção persiste entre médicos menos informados: este recente estudo inglês conclui que "uma porção significativa de doentes celíacos (quase metade dos afectados) tinham um índice de massa corporal superior a 25 aquando do seu diagnóstico. Comparadas com os homens, as mulheres têm um índice mais alto e têm mais probabilidade de serem obesas (IMC igual ou maior de 30)." Um caso clínico argentino de 2012 reporta cinco pacientes  com obesidade mórbida que descobriram ser doentes celíacas em exame endoscópico de rotina enquanto se preparavam para uma cirurgia bariátrica.

Logo e porque nem todos os celíacos ou sensíveis ao glúten são magros; deixo hoje um testemunho de uma jovem americana que chegou a um diagnóstico de doença celíaca porque ganhou peso, ao invés de perder.

“Tudo começou no início deste ano, eu tinha ganho mais ou menos 10 quilos, dependia do dia. No início, pensei que fossem quilos do Natal, ou do tempo em que tinha estado a recuperar de uma fractura por volta do dia de Acção de Graças e ter deixado de ser tão activa. No entanto, aumentei os meus níveis de actividade, e comia de maneira ainda mais saudável do que o normal, mas os quilos não desapareciam, na realidade eu ainda ganhei um pouco mais de peso. A coisa mais estranha foi que todo o meu ganho de peso estava no abdómen, e eu costumo ganhar peso primeiro na cara. As minhas roupas não serviam bem, e eu sentia-me como se a minha barriga estivesse sempre inchada.

Tudo se precipitou quando me pesei numa manhã de sexta-feira para ver como tinha valido a pena a minha semana de dieta e exercício, para ver apenas que tinha ganho três quilos. O QUÊ?!? No total, eu tinha ganho 12-15 quilos desde o nosso casamento em Junho passado, dependendo do dia. Isso não era normal para mim. Normalmente, sou bastante consistente com o meu peso.

Sendo que há um histórico de problemas de tiróide na minha família, o que pode ser uma causa de ganho ou perda de peso inexplicável, eu queria fazer análises. Na minha pesquisa no Google sobre o ganho de peso inexplicável, também me deparei com algo mais: Doença Celíaca. De acordo com a Mayo Clinic, a doença celíaca é uma alergia ao glúten, e faz com que seu intestino seja basicamente desgastado, e fique incapaz de absorver nutrientes. O glúten é encontrado principalmente no trigo, cevada, aveia e centeio.

Eu sabia um pouco sobre a doença, porque a filha da minha amiga Amy foi diagnosticada em criança, e a Amy gere o blog Savvy Celiac para aumentar a consciencialização sobre a doença. Entrei em contacto com a Amy e perguntei-lhe se os meus sintomas pediam que fizesse análises quando fosse ao médico, e ela disse que sim. Ela alertou-me também para o facto de alguns médicos estarem muito desinformados sobre a doença, e poderem tentar dissuadir-me de fazer o teste, mas que eu deveria insistir.

A Amy estava certa. O médico que consultei (não era o meu médico habitual) estava hesitante em pedir a análise dizendo que a maioria das pessoas que têm doença celíaca, perdem peso, não ganham (um grande mito, aprendi eu). Contudo, insisti em fazer a análise, nem que fosse apenas para ter paz de espírito. Eu tenho um bom seguro de saúde, eu iria fazer análises de sangue de qualquer maneira, o que era mais um teste?

Ele concordou pela minha insistência, e quando recebi os meus resultados na semana seguinte, tinha um exame positivo para Doença Celíaca. O valor normal superior era 20, e o meu teste estava a 132. Estava tão contente por ter insistido em fazer essa análise.

Na quinzena seguinte, fiz a biópsia do intestino delgado, que se revelou positiva para doença celíaca. Encontrei-me com uma enfermeira de gastrenterologia que me falou mais sobre como a minha dieta teria que mudar. Ela disse-me que, por causa do dano significativo do meu intestino, eu precisava de  entrar numa dieta restrita, "sem uma migalha de glúten".

Ao longo de todo este processo, eu lembrei-me de como deveria estar contente por ter insistido em ser testado para esta doença, por ter mantido a minha posição na visita inicial ao meu médico. Pensei no sofrimento e angústia que teria passado por se não tivesse tido a Amy como um recurso para saber que esta condição poderia estar a afectar-me.

Sem tratamento e sem uma dieta adequada, a doença celíaca pode causar danos ao cérebro, sistema nervoso periférico, ossos ou fígado. Ela pode também causar infertilidade e aumentar a probabilidade de se desenvolver cancro.

Como disse anteriormente, a doença celíaca não é algo que muitos médicos fora da especialidade conheçam bem e, muitas vezes, é mal diagnosticada. Os sintomas traduzem-se em situações que muitos pacientes nem sequer referem: ​​inchaço, gases, diarreia, ganho ou perda de peso, só para citar alguns.

No curto espaço de tempo em que desenvolvi a doença celíaca, aproximadamente nos últimos 12-18 meses, suponho eu, descobri que, actualmente, o meu intestino delgado não têm sinais de vilosidades (os dedos pequenos que absorvem alimentos e nutrientes), e sofri perda de densidade óssea significativa, que não pode ser substituída, incluindo 20% na coluna. As minhas vilosidades vão voltar a crescer no próximo ano, porque vou manter uma rigorosa dieta isenta de glúten, a minha massa óssea, no entanto, nunca vai voltar.

O motivo que a Jen tinha para que eu partilhasse esta história com vocês, é para que ela possa abrir os olhos para esta condição que possa existir em si, um amigo ou familiar. Não quero que ninguém tenha que sofrer com esta doença e se sinta tão lento, inchado e desagradável como eu me senti antes do diagnóstico. Também não quero que mais ninguém tenha que suportar as repercussões permanentes da doença celíaca como eu.”

Outros artigos:
Normal Weight or Overweight People Can Also Have Celiac Disease



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Baixa de preços

Numa visita recente a uma loja Celeiro, reparei que alguns produtos da Schar, onde se inclui a farinha para pão Schar Mix B, estão mais baratos. Não é tanto uma promoção, mas mais uma baixa de preços, pelo menos até ao final do ano (indicado em letras pequenas no cartaz). Deste modo, a farinha que custava 5,90€ passa a custar 4,99€. Quem é sócio da APC, beneficia ainda de um desconto de 10%, pelo que o preço final para estas pessoas será de 4,49€. Continua a ser mais caro do que em Espanha ou na loja online Querfood, por exemplo, mas fazer pão em casa ficou definitivamente mais barato.

Já me falaram que o Continente fez a mesma redução de preço, mas ainda não pude conferir na minha loja habitual.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Pão com sidra

Mais uma receita de pão, mais uma tentativa de aproximação ao sabor e textura do pão com glúten, desta vez com uma inspiração do blog da Perrine. Resultou bastante bem, ficou um pão muito agradável e a repetir, com certeza. Não sei se a sidra que usei é semelhante àquela usada pela sua autora, mas não há muitas opções no mercado nacional: achei que a sidra da Somersby adocicou muito o pão, pelo que prefiro a sidra da Strongbow que encontrei no Pingo Doce.



 


 







Ingredientes:
240 gramas de Mix B da Schar
60 gramas de farinha de arroz
60 gramas de polvilho doce
60 gramas de farinha de trigo sarraceno
3 gramas de psílio em pó
5 gramas de fermento seco activo
1 ½ colher de chá de sal
200 ml água morna
180 ml de sidra
1 colher de sopa de óleo vegetal

 
Numa tigela junte as farinhas com o sal e o psílio, misture um pouco e acrescente por fim o fermento. Reserve.

Na cuba da sua batedeira, misture a água morna, a sidra e o óleo e, por fim, a mistura de farinhas que estava reservada.

Amasse a massa até que esteja bastante firme, mas ainda um pouco pegajosa. Retire para um local morno e deixe descansar até dobrar de volume.

De seguida, amasse de novo rapidamente, e com as mãos enfarinhadas dobre-a várias vezes. Dê-lhe a forma que prefere e deixe crescer durante uma hora à temperatura ambiente.

Entretanto, aqueça uma pedra de pizza no forno a 230ºC durante 20 minutos. Pincele o pão com uma mistura de água e azeite (para dourar), faça alguns rasgos com uma faca afiada e, em seguida, leve ao forno pré-aquecido a 225ºC durante 25 minutos a cozer em cima da pedra (este passo é opcional; quem não tem este utensílio pode utilizar um tabuleiro normal).







quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

La Trattoria

Recentemente, tivemos a oportunidade de jantar no restaurante italiano “La Trattoria”, localizado em Lisboa e que possui uma carta de pratos sem glúten. Esta carta, na realidade, é a carta normal, mas com indicações dos pratos que podem ser feitos sem glúten.

Apesar da selecção estar limitada a alguns pratos de massa e risotto, a massa é fresca, feita no local. Optamos pelo tagliatelle de gambas com molho de tomate e natas, que veio com um tempero bem conseguido e a massa, ainda que nitidamente “sem glúten”, estava uns degraus acima da massa comercial. O serviço é profissional e simpático, e nota-se que houve cuidado na formação do pessoal de mesa.

Vale sobretudo pela “normalidade” que consiste em ir a um restaurante italiano e pedir um prato de massa, algo que está habitualmente vedado aos intolerantes ao glúten, e que seria um velho prazer do qual muitos tiveram que abdicar.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Noglu

Há mais uma razão para visitar Paris: para além da Euro Disney, do Louvre, e da Helmut Newcake, abriu um restaurante/mercearia sem glúten chamado Noglu. No centro de Paris, na zona de Faubourg-Montmartre, este estabelecimento segue as regras do movimento With Love, Allergen Free que estipulam que:

“- Nenhum alimento com alérgenos listados será permitido na cozinha e outras oficinas culinárias onde se façam doces e pratos para degustar.
- As matérias-primas utilizadas nas receitas serão certificadas sem glúten e sem lactose em algumas receitas.
- A cozinha do estabelecimento será limpa de acordo com as regras de higiene impostas e nenhuma mesa de trabalho ou utensílios à disposição apresentarão vestígios de alérgenos excluídos.
- Cada receita, prato, pastelaria ou produtos de mercearia à venda deve mencionar claramente os alérgenos excluídos.
- Todos os funcionários (cozinha e sala) receberão uma formação adequada ao tipo de serviços e produtos disponíveis no estabelecimento, bem como na filosofia NOGLU da cozinha com bons produtos.”

Visitem o site e vejam as fotos dos seus produtos, as imagens das madalenas e das sandes são motivo suficiente para se desejar uma ida a Paris.





quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A prevalência da sensibilidade ao glúten

O New York Times publicou esta semana um artigo que aborda a prevalência da doença celíaca e da sensibilidade ao glúten. Parece-me um artigo bastante equilibrado sobre um tema ainda controverso e relativamente esclarecedor. No entanto, como o próprio artigo refere ainda há poucos dados sobre a sensibilidade ao glúten e as opiniões divergem: enquanto o especialista consultado pelo NY Times estima uma prevalência de 1% de sensíveis ao glúten na população americana, o Dr. Alessio Fasano da Universidade de Maryland, aqui, estima seis por cento.


“Não coma trigo. Este é o mandamento nuclear, draconiano, de uma dieta isenta de glúten, uma proibição que elimina vastas porções da culinária americana - bolachas, pizza, pão e macarrão com queijo, só para citar algumas delas. Para um americano em cada cem que tem uma doença grave chamada doença celíaca, esta é uma directiva médica indiscutivelmente sábia.

Agora os especialistas médicos concordam, em grande parte, que há mais uma condição relacionada ao glúten que não apenas a celíaca. Em 2011, um painel de especialistas em doença celíaca convocado em Oslo, estabeleceram um termo médico para esta doença: sensibilidade ao glúten não-celíaca. O que eles ainda não sabem: quantas pessoas têm sensibilidade ao glúten, quais os seus efeitos a longo prazo, ou até mesmo qual a forma confiável para identifica-la. Na verdade, eles não sabem realmente o que é esta doença.

A definição é mais uma descrição do que um diagnóstico: alguém que não tem doença celíaca, mas cuja saúde melhora com uma dieta isenta de glúten e piora novamente se o glúten é ingerido. Pode até ser mais do que uma doença.

"Nós não temos absolutamente nenhum indício neste momento", disse Stefano Guandalini, director médico do Centro de Doença Celíaca da Universidade de Chicago.

Kristen Golden Testa pode ser uma dos sensíveis ao glúten. Embora não tenha a doença celíaca, ela adoptou uma dieta isenta de glúten no ano passado. Diz que perdeu peso e as suas alergias desapareceram. "É tão evidente", disse a Sra. Golden Testa, que é directora do programa de saúde californiano para a Parceria das Crianças, uma ONG nacional sem fins lucrativos. Não consultou um médico antes de fazer a mudança, e também não sabe se evitar o glúten tem ajudado em tudo. "Estou a especular", disse ela. Na altura, deixou também o açúcar e fez um esforço para comer mais vegetais e frutos secos.

Muitos defensores das dietas sem glúten alertam que a sensibilidade ao glúten não celíaca é uma epidemia, grande e invisível, que mina a saúde de milhões de pessoas. Eles acreditam que evitar o glúten - uma composição de amido e de proteínas que se encontra em certos cereais gramíneos tais como trigo, cevada e centeio - dá-lhes energia adicional e alivia doenças crónicas. A aveia, ainda que seja isenta de glúten, também é evitada, porque é muitas vezes contaminada pelos cereais que contém glúten.

Outros vêm a popularidade de alimentos sem glúten apenas como uma moda recente, destinado a desaparecer tal como a dieta Atkins e a restrição de hidratos de carbono há uma década atrás. Na verdade, os americanos estão a comprar milhões de dólares em alimentos rotulados sem glúten em cada ano. E as celebridades como Miley Cyrus, a actriz e cantora, pedem aos fãs para deixarem o glúten. "A mudança na pele, saúde física e mental é incrível!", postou ela no Twitter em Abril.

Para os especialistas celíacos, o zelo anti-glúten é uma reviravolta dramática, pois não há muitos anos, eles lutavam para aumentar a consciência entre os médicos de que pão e massas podem adoecer bastante algumas pessoas. Agora, eles expressam cautela, diminuindo o impacto das alegações mais extremas sobre as dietas sem glúten.

"Não é uma dieta mais saudável para aqueles que não precisam dela", disse o Dr. Guandalini. Estas pessoas "seguem uma moda, essencialmente." E acrescentou: "E essa é a minha opinião tendenciosa." No entanto, o Dr. Guandalini concorda que algumas pessoas que não têm a doença celíaca recebem um impulso genuíno de saúde aquando duma dieta isenta de glúten. Ele só não consegue dizer quantos.

Tal como acontece com a maioria das controvérsias sobre nutrição, todos concordam com os factos subjacentes. O trigo entrou na dieta humana apenas há cerca de 10.000 anos atrás, com o advento da agricultura. "Durante os últimos 250 mil anos, o homem evoluiu sem ter esta proteína muito estranha no seu intestino", disse o Dr. Guandalini. "E, em resultado, esta é uma proteína muito estranha, diferente, que o intestino humano não consegue digerir. Muitas pessoas não se adaptaram a essas grandes mudanças ambientais, e, para alguns, surgiram efeitos adversos relacionados com a ingestão de glúten nessa altura. "

As proteínas primárias do glúten de trigo são a glutenina e a gliadina, sendo que a gliadina contém padrões de repetição de ácidos aminados que o sistema digestivo humano não consegue quebrar (o glúten é a única substância que contém estas proteínas). As pessoas com doença celíaca têm uma ou duas mutações genéticas que fazem que, de alguma forma, o sistema imune ataque as paredes do intestino quando os fragmentos de gliadina passam no intestino como se fosse um caso de erro de identidade. Isto, por sua vez, faz com que as estruturas digitiformes chamadas vilosidades que absorvem nutrientes no interior dos intestinos atrofiem, e os intestinos podem tornar-se permeáveis, causando estragos. Os sintomas, que variam muito entre os portadores, podem incluir vómitos, diarreia crónica ou prisão de ventre, e atraso de crescimento em crianças.

A grande maioria das pessoas que têm a doença celíaca não sabe disso. E nem toda a gente que tem as mutações genéticas desenvolve a doença celíaca. O que preocupa os médicos é que o problema parece estar a crescer. Depois de testarem amostras de sangue colhidas no século passado, os investigadores descobriram que a taxa de doença celíaca parece estar a aumentar. Porquê é outro mistério. Alguns culpam o trigo, pois algumas variedades cultivadas agora contêm níveis mais elevados de glúten, glúten esse que ajuda a fornecer o interior elástico e o exterior crocante tão desejáveis no pão (culpem os padeiros artesanais).

Também há também pessoas que são alérgicas ao trigo (não necessariamente ao glúten), mas até há pouco tempo atrás, a maioria dos especialistas pensava que a doença celíaca e a alergia ao trigo eram os únicos problemas causados ​​pela ingestão deste cereal.

Para as 99 em cada 100 pessoas que não têm doença celíaca - e aqueles que não têm uma alergia ao trigo - os fragmentos não digeridos da gliadina geralmente passam de forma inofensiva através do intestino, e os possíveis benefícios de uma dieta isenta de glúten são nebulosos, talvez inexistentes para a maioria delas. Mas não todas.

De uma forma empírica, pessoas como a Sra. Golden Testa dizem que uma dieta sem glúten melhorou a sua saúde. Algumas pessoas com doenças como a síndrome do intestino irritável e artrite também relatam alívio nos seus sintomas, e outros agarram-se ao glúten como a causa de uma série de outras condições, embora não haja evidência científica para a maioria das reivindicações. Os especialistas são cépticos. Não há um sentido óbvio, por exemplo, que alguém perca peso numa dieta isenta de glúten. Na verdade, o oposto acontece frequentemente em pacientes com doença celíaca, quando os seus intestinos danificados recuperam.

Os especialistas também temem que as pessoas possam acabar por comer de uma forma menos saudável. Um muffin sem glúten geralmente contém menos fibras do que um à base de trigo e ainda oferece os mesmos perigos nutricionais - gordura e açúcar. Os alimentos sem glúten também não costumam ser enriquecidos com vitaminas. Contudo, essas opiniões mudaram. Os resultados de uma experiência na Austrália, publicados em 2011 no American Journal of Gastroenterology, foram cruciais na compreensão crescente do glúten. Neste estudo duplo-cego, as pessoas que sofriam de síndrome do intestino irritável, que não tinham doença celíaca e que tinham iniciado uma dieta isenta de glúten receberam pão e bolos para comer durante seis semanas. A alguns deles foram dados produtos sem glúten, aos restantes muffins e pão com glúten. Trinta e quatro pacientes completaram o estudo. Aqueles que comeram glúten relataram que se sentiram significativamente pior.

Isso influenciou muitos especialistas que reconhecem que a doença não está apenas na cabeça dos pacientes. "Não é apenas um efeito placebo", disse Marios Hadjivassiliou, neurologista e especialista em doença celíaca na Universidade de Sheffield, na Inglaterra. Embora agora haja provas convincentes de que a sensibilidade ao glúten existe, isso não ajudou a estabelecer o que faz com que ela aconteça. Os pesquisadores da experiência australiana observaram, "As questões sobre o seu mecanismo não foram elucidadas."

O que se sabe é que a sensibilidade ao glúten não se correlaciona com as mutações genéticas da doença celíaca, por isso parece ser algo distinto desta. A sua incidência é outro ponto de controvérsia.

O Dr. Thomas O'Bryan, um quiroprático que se tornou cruzado anti-glúten, disse que quando testou os seus pacientes, 30 por cento deles tinham anticorpos à gliadina no sangue. "Se uma pessoa tem pode escolher entre comer ou não comer trigo", ele disse, "então, para a maioria das pessoas, evitá-lo seria o ideal."

O Dr. O'Bryan auto-diagnosticou-se com sensibilidade ao glúten. "Eu tinha umas anormalidades no açúcar no sangue e não percebia donde vinham", disse ele. Um teste de sangue mostrou anticorpos à gliadina, e começou a evitar o glúten. "Demorei alguns anos para ficar completamente livre de glúten", disse ele. "Ainda comia um pedaço de bolo de vez em quando. E eu percebia mais tarde que não me sentia tão bem no dia seguinte ou dois dias depois. Nada muito óbvio, mas eu percebia. "

Contudo Suzy Badaracco, presidente da Culinary Tides Inc., uma empresa de consultoria, disse que ultimamente as pessoas referem menos os benefícios de dietas sem glúten. Disse que uma pesquisa recente de pessoas que compraram alimentos sem glúten descobriu que 35 por cento disseram acreditar que os produtos sem glúten são geralmente mais saudáveis, abaixo dos 46 por cento em 2010. Ela prevê que a utilização de produtos sem glúten diminuirá.

O Dr. Guandalini diz que descobrir se se é sensível ao glúten não é tão simples como os testes de anticorpos do Dr. O'Bryan, porque estes apenas indicam a presença dos fragmentos no sangue, o que pode ocorrer por uma variedade de razões, e não necessariamente indicar uma doença crónica. Para diagnosticar a sensibilidade ao glúten, "Não há nenhum teste de sangue que possa ser útil", disse ele. Duvida também que a ocorrência de sensibilidade ao glúten seja quase tão alto quanto o Dr. O'Bryan afirma. "Não mais do que um por cento", disse o Dr. Guandalini, embora concorde que, actualmente, todos os números são especulações.

Ele disse que o seu grupo de pesquisa está a trabalhar para identificar testes biológicos que possam determinar a sensibilidade ao glúten. Alguns dos resultados são promissores, disse, mas são muito preliminares para discuti-los. Os especialistas celíacos exortam as pessoas a não fazer o que a Sra. GoldenTesta fez – um auto-diagnóstico. Se estas pessoas tiverem doença celíaca, os exames para a diagnosticar tornam-se pouco confiáveis se não estiverem a comer glúten. Recomendam também uma visita a um médico antes de iniciar uma dieta isenta de glúten.”


Outros artigos:
A Patient's Journey, Non-celiac Gluten Sensitivity
Puede ser el gluten perjudicial a pacientes no celiacos?
Clinical, Serologic, and Histologic Features of Gluten Sensitivity in Children
Patients with Suspected Non-celiac Gluten Sensitivity React Adversely to Gluten


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

"Folhados" de amêndoa e chila

As aspas na palavra folhados aparecem porque esta massa não é mesmo uma massa folhada. Mas é parecida. Já a tinha usado aqui, e pareceu-me que seria um bom complemento a este recheio de amêndoa e chila. O meu marido mencionou que estes docinhos "davam uns ares" dos Sidónios da pastelaria Natário, em Viana do Castelo. Pareceu-me um elogio...

Ingredientes:
1 receita de massa
125 gramas de açúcar mascavado claro (da RAR)
3 ovos
125 gramas de amêndoas em pó
125 gramas de doce de chila (marca Sabores do Campo)

Prepare com antecedência a massa usando a receita indicada. Reserve.

Numa tigela, bata muito bem os ovos com o açúcar. Junte depois as amêndoas e a chila, misturando bem. Reserve.

Retire a massa do frigorífico e estique-a entre duas folhas de papel vegetal. Corte a massa no tamanho desejado e forre as formas para queques (ou formas de pastéis de nata).

Coloque as formas no congelador durante cinco minutos para a massa endurecer um pouco, retire e recheie com a massa de amêndoas até 2/3 da forma. Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 25 a 30 minutos, até dourar.

Retire das formas e polvilhe com açúcar em pó e canela (opcional).
























sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Pãezinhos fofos

Para começar bem o mês, nada melhor do que mais uma receita de pão, desta feita inspirada neste post. Usei um produto ainda pouco usado, a Vitamina C (o científico ácido ascórbico) em pó da Doves Farm que cria um ph mais ácido, logo mais propício à propagação do fermento e a uma melhor levedação. Efectivamente, a massa duplicou rapidamente de volume e no forno continuou a crescer. Resulta num pão muito macio, um pouco similar ao pão de hamburguer.

Ingredientes:
300 gramas de farinha Mix B da Schar
100 gramas de farinha de arroz (marca A Ceifeira)
50 gramas de farinha de trigo-sarraceno (marca Bauckhof )
50 gramas de farinha de grão-de-bico (marca Bauckhof / Doves Farm)
20 gramas de psílio em pó
5 gramas de fermento activo seco
1/2 colher de chá de açúcar
450 ml de água com gás
¼ colher de chá de vitamina C (marca Doves Farm) ou 1 colher de chá de vinagre
1 colher de chá de sal
2 colheres de sopa de azeite

Numa tigela, misture bem as farinhas com o psílio, o fermento e o açúcar. Reserve.

Na cuba da sua batedeira, coloque a água e junte a vitamina C, o sal e o azeite. Junte a farinha reservada e bata em velocidade média durante 6 a 8 minutos.

Tape a cuba com um pano húmido e deixe levedar em local morno durante uma hora ou até que tenha duplicado de volume.

Unte as mãos com azeite e faça pequenas bolas com a massa. Coloque-as num tabuleiro forrado com papel vegetal/tapete de silicone e leve ao forno frio.

Coloque uma pequena tigela com água no fundo do forno e ligue-o a 180ºC durante 20 a 25 minutos, sendo que o pão deverá crescer ainda nos minutos iniciais.

Retire passado esse tempo e envolva os pãezinhos com um pano limpo e húmido durante alguns minutos para que permaneçam fofos mais tempo.









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