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DADOS, DICAS E RECEITAS DE VIDAS SEM GLÚTEN



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A gravidez e o glúten


Imagem retirada da Net

 Já é conhecido o facto da intolerância ao glúten poder causar infertilidade masculina e feminina. Mas o que é que acontece quando a gravidez acontece e a ingestão de glúten continua? Encontrei dois artigos muito interessantes que aproveito para divulgar. O primeiro com base num estudo indiano que aborda o tema dos efeitos da doença celíaca latente, ie, com serologia positiva e biopsia negativa, sobre a capacidade reprodutiva da mulher; o segundo é um artigo da Associação Portuguesa dos Nutricionistas que refere um estudo dinamarquês que pesquisou os efeitos da dieta sem glúten (ou a sua falta) no desenvolvimento da gravidez.


1º “Doença celíaca latente no desempenho reprodutivo das mulheres
As mulheres com doença celíaca latente – com anticorpos celíacos positivos, mas com uma biopsia do intestino delgado normal - podem ter um risco aumentado de problemas reprodutivos, reportam pesquisadores indianos num trabalho publicado a 24 de Novembro de 2010 na revista online “Fertility and Sterility.”

"As mulheres com infertilidade inexplicada, abortos de repetição, nados-mortos ou fetos com restrição do crescimento intra-uterino podem ter a doença celíaca sub-clínica, que pode ser detectada por testes de triagem serológica," diz o Dr. Ashok Kumar à Reuters Health por e-mail.

Dr. Kumar, do Maulana Azad Medical College & Hospital Lok Nayak, de Nova Deli, e os seus colegas observam que "a prevalência de doença celíaca latente ou sub-clínica têm aumentado" devido à disponibilidade de melhores e mais acessíveis ferramentas de triagem diagnóstica.

As mulheres com doença celíaca activa e não tratada, confirmada pela biopsia, são conhecidas por terem problemas reprodutivos se não cumprirem rigorosamente uma dieta livre de glúten. Mas, como ressaltam os autores, "Há muitos poucos estudos sobre o efeito da doença celíaca latente no desempenho reprodutivo; a associação nunca foi investigada na Índia."

Para isso, os pesquisadores estudaram 893 mulheres. Destas, 104 sofriam de abortos recorrentes idiopáticos, 104 tiveram nados-mortos sem razão conhecida, 230 tinham infertilidade inexplicada, e 150 estavam grávidas e tiveram restrição de crescimento intra-uterino idiopático. As restantes 305 mulheres, com histórias normais de obstetrícia, actuaram como controle.

Comparando com o grupo-controle, e com base em títulos de anticorpos IgA tTG, a doença celíaca latente tinha 5.43 vezes mais hipóteses de ocorrer no grupo com aborto espontâneo recorrente. A prevalência foi de 4.61 vezes maior no grupo com nados-mortos, 7.75 vezes no grupo com restrição de crescimento intra-uterino, e 4.51 vezes naquele com infertilidade inexplicada.

Os pesquisadores também observam que as taxas de nascimentos prematuros anteriores, de baixo peso ao nascer, e cesariana foram maiores nos seropositivos do que em indivíduos seronegativos.

Os pesquisadores admitem que nem todos os estudos reflectem uma associação com a redução da fertilidade, mas um número deles indica que existe um maior risco de resultados desfavoráveis. Os riscos também podem ser reduzidos quando a doença for reconhecida e tratada com uma dieta sem glúten.

Além disso, estes salientam que a “a apresentação clássica de diarreia e má-absorção é cada vez menos comum, e as apresentações atípicas e silenciosas estão a aumentar.”

À luz destas conclusões, o Dr. Kumar afirma que “a serologia para a doença celíaca deveria estar incluída no conjunto de exames nos casos idiopáticos de fraco desempenho reprodutivo.”



2º “Gestantes celíacas e risco de nascimento de bebés prematuros 
Um estudo realizado por um grupo de investigadores dinamarqueses verificou que, mulheres celíacas que não aderem ao tratamento da exclusão de glúten da dieta, podem apresentar uma maior probabilidade de terem filhos prematuros ou com baixo peso no momento do nascimento.

Khashan A.S. et al analisaram o peso ao nascimento e o tempo de gestação de mais de 1400 bebés nascidos de mães celíacas. Destes, 1105 bebés nasceram de mães diagnosticadas com a doença, que seguiam o tratamento com dieta sem glúten, e 346 bebés nasceram de mães, cuja doença foi diagnosticada apenas após o nascimento dos seus filhos (consideradas como “celíacas não tratadas” durante a gestação). A equipa considerou que as mães com diagnóstico de doença celíaca seguiam uma dieta isenta de glúten, e aquelas com doença celíaca não diagnosticada seguiam uma dieta que incluía glúten. Os resultados foram baseados na análise do peso ao nascimento e da idade gestacional.

Foi verificado que, no caso das mães celíacas não tratadas, o peso dos bebés ao nascimento foi significativamente menor que o peso de crianças nascidas de mães não celíacas, mesmo daquelas com o mesmo tempo de gestação. Além disso, a probabilidade de estas terem um parto prematuro era maior no caso de mães celíacas não tratadas. No entanto, não foram encontradas diferenças entre o peso e tempo de gestação de recém-nascidos de mães não celíacas e mães celíacas tratadas para a doença.

Este estudo conduz-nos para a importância do diagnóstico precoce da doença e de mulheres grávidas com doença celíaca manterem uma dieta isenta de glúten no sentido de reverterem os efeitos da doença sobre o peso final e gestação do feto.”

Outros artigos:
Intolerância ao Glúten, Infertilidade e Gestação de Risco
Reproductive Changes Associated with Celiac Disease
Celiac disease: an underappreciated issue in women’s health
Celiac disease linked to miscarriages and preterm deliveries

Asma e o glúten


Imagem retirada da Net

 A pedido de uma amiga, procurei estudos que explicassem uma possível ligação entre a asma e a ingestão de glúten. Já tinha lido algo nesse sentido, mas ainda não tinha pesquisado a sério. Parece que há uma ligação, ainda que, como em todas as ligações que se fazem entre o glúten e uma míriade de condições, a dieta sem glúten não seja uma panaceia global. O estudo que encontrei no site celiac.com encontra uma ligação entre ambas as condições, mas não encontra uma relação de causalidade.



"DOENÇA CELÍACA ASSOCIADA A RISCO DE ASMA
Ao longo dos anos, os pesquisadores têm vindo a descobrir mais e mais sobre a doença celíaca, uma doença auto-imune que é causado pelo glúten, uma proteína encontrada no trigo, cevada e centeio. Estudos têm relacionado a doença com uma variedade de outras condições médicas, como a síndrome do intestino irritável, artrite reumatóide e osteoporose. Pesquisadores descobriram agora uma ligação entre doença celíaca e asma.

A asma é uma doença pulmonar crónica que faz com que as passagens nos pulmões se tornem inflamadas e apertadas, resultando numa respiração ofegante, falta de ar, aperto no peito e tosse. Isto começa, muitas vezes, na infância, e, de acordo com o Departamento dos EUA de Saúde e Serviços Humanos, mais de 22 milhões de pessoas sofrem desta condição. Muitos estudos têm relacionado a asma aos alergéneos no ar, mas os médicos começam a olhar para os alimentos também como culpados. Um desses estudos mostra uma ligação para a doença celíaca, que não é uma alergia, mas sim uma resposta auto-imune ao glúten.

Num estudo publicado no Jornal de Alergia e Imunologia Clínica, pesquisadores europeus descobriram que os indivíduos celíacos têm 60 por cento mais hipóteses de desenvolver asma do que aqueles sem esta condição. A doença celíaca afecta aproximadamente um por cento da população e, sem tratamento que consiste numa dieta livre de glúten, pode causar uma variedade de sintomas físicos e mentais, incluindo fadiga crónica, dores de cabeça, desnutrição, dores de cabeça crónicas e problemas estomacais.

O Dr. Jonas Ludvigsson da Orebro University Hospital e do Karolinska Institutet, na Suécia, e os seus colegas compararam mais de 28.000 pacientes celíacos suecos com mais de 140.000 pessoas sem a doença. O estudo concluiu que se pode demonstrar uma ligação entre as duas, mas não que uma condição causa a outra; os pesquisadores não foram capazes de identificar o motivo para a associação.

Um possível factor pode ser a vitamina D. De acordo com a Reuters Health, o Dr. Ludvigsson disse num e-mail, "Pessoalmente, acho que o papel da deficiência de vitamina D deve ser enfatizado." Tem sido demonstrado que a vitamina D é um factor no desenvolvimento da tuberculose e da osteoporose, condições que os celíacos são mais propensos a desenvolver. Na doença celíaca, o glúten provoca uma reacção auto-imune que faz com que o sistema imunológico ataque o intestino delgado, especificamente as vilosidades, estruturas semelhantes a dedos, que absorvem os nutrientes dos alimentos; assim, os pacientes celíacos, geralmente, apresentam deficiências em vitaminas e minerais. Se um paciente celíaco não receber uma quantidade suficiente de vitamina D no seu sistema, de acordo com o Dr. Ludvigsson, o risco de asma pode ser aumentado.

De acordo com o Dr. Ludviggson, os pacientes celíacos da Suécia aderem bem à dieta isenta de glúten. O estudo não determina quantos dos 28 mil indivíduos cumpriam as suas dietas, mas Ludviggson disse à Reuters Health, "Geralmente, na Suécia, o cumprimento da dieta é elevado, então acredito realmente que os pacientes com boa adesão também correm maior risco de asma."

É recomendado que as pessoas que suspeitem poder ter a doença celíaca ou asma consultem um médico qualificado para testes, diagnóstico e tratamento."

Outros artigos:
Northeastern researchers connect diseases based on their molecular similarities
"For example, they found that asthma, a res­pi­ra­tory dis­ease, and celiac dis­ease, an autoim­mune dis­ease of the small intes­tine, are local­ized in over­lap­ping neigh­bor­hoods sug­gesting shared mol­e­c­ular roots despite their rather dif­ferent pathobiologies."


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Croissants!

O meu reino por um croissant destes... se fosse fada do lar, lançava-me a tentar fazer estas preciosidades, mas como não sou, lanço o desafio a quem se achar à altura. Se fizerem, contem, façam-nos verdes de inveja.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Da Colômbia, sem glúten

Continuando com as receitas de pão, deixo-vos o Pan de Bono. Típico da Colômbia, é um primo afastado do pão de queijo brasileiro, mas com um travo menos forte e uma consistência mais próxima do brioche. As receitas são inúmeras, tenho feito a que se segue e que produz uns pãezinhos muito agradáveis para o chá das cinco.

Ingredientes:
175 gramas de requeijão
100 gramas de polvilho
20 gramas de farinha de milho amarela
25 gramas de açúcar
1 colher de chá de sal
1 ovo L

Pré-aqueça o forno a 250ºC.

Coloque o queijo na cuba da sua batedeira e bata até o queijo estar reduzido a pequenos pedaços. Incorpore os ingredientes secos e bata em velocidade média até obter uma mistura homogénea.

Junte o ovo e ligue a batedeira em velocidade alta durante algum tempo até todos os ingredientes formarem uma bola de massa lisa.

Divida a massa em bolas do tamanho de bolas de ping-pong. Coloque-as num tapete de silicone ou num tabuleiro revestido a papel vegetal.

Reduza entretanto a temperatura para 220ºC. Leve os pães ao forno durante 12 a 15 minutos até ficarem dourados em cima.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Baguette francesa

Já tenho neste blog uma receita de baguette, eu sei. Contudo, num blog sem glúten, uma receita de pão nunca é demais. E esta baguette em particular é mesmo francesa. Uns dos primeiros blogs sem glúten que encontrei após o diagnóstico do meu filho mais velho foi o blog da Perrine, francesa, o On Mange Sans Gluten. Deixou de estar activo há quase um ano, não sei porquê, mas continua aberto para quem quiser aproveitar as deliciosas receitas que a Perrine foi criando. A receita de baguette dela ficou-me sempre na memória, mas só há pouco tempo é que me decidi a comprar uma forma de baguette para a experimentar. Outra característica da Perrine é que ela usa quase sempre a farinha da Schar, o que, para quem não quer ou não consegue encontrar farinhas exóticas e alternativas, é uma grande vantagem.

Esta baguette não é excepção. Deixo a receita traduzida para quem quiser experimentar, mas não deixem de clicar no link, ela fez o passo a passo fotográfico, o que ajuda bastante na concretização da receita.

Ingredientes:
350 ml água a 38ºC
8 gramas de fermento seco activo
2 colheres de sopa de azeite
350 gramas de farinha Schar
1 colher de chá de sal fino
1 colher de açúcar

Misture a farinha com o sal e o açúcar e reserve. Dissolva, entretanto, o fermento na água morna. Junte as duas colheres de azeite e mexa bem.

Coloque a farinha na água e, com a ajuda de uma batedeira, bata a mistura até dissolver todos os grumos. Cubra o recipiente e deixe levedar durante 30 minutos.

Enfarinhe a superfície de trabalho e coloque aí a massa levedada (enfarinhe também as mãos, a massa colará um pouco). Com a ajuda de uma faca molhada, divida a massa em quatro e dê a essas porções a forma de cilindro. Se tiver uma forma de baguette coloque aí os pães, senão use um tabuleiro normal de ir ao forno. Cubra com um pano húmido e deixe a levedar mais 30 minutos.

Terminada esta segunda levedação, ligue o forno a 250ºC. Faça uma mistura com uma colher de sopa e azeite e uma colher de sopa de água e pincele as baguettes uniformemente. Leve ao forno durante 25 minutos até terem uma cor dourada. Nessa altura, retire e deixe arrefecer numa rede de arrefecimento.



1ª tentativa, receita original

















1ª tentativa, receita original




















A 2ª tentativa, com 360 gramas de farinha e 330 ml de água




















segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Fritos de maçã

A entrada em Novembro faz sentir o Natal mais perto. Apetece-nos pratos reconfortantes, o sabor da canela, uma sobremesa decadente, com o seu q.b. de gordura, a verdadeira "comida conforto", como tão bem lhe chamam os nossos amigos anglófonos. Esta receita da Nicole do Gluten Free on a Shoestring é tudo isso e ainda usa maçãs, esta fruta tão Outonal que abunda nos supermercados nestes dias.

Ingredientes:
150 gramas de farinha
1 1 / 4 colheres de chá de fermento em pó
3 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de canela em pó, (mais para polvilhar)
1/2 colher de chá de sal
1 ovo extra-grande, levemente batido
120 ml de leite
30 gramas de manteiga sem sal, derretida e arrefecida
1 colher de chá de extracto de baunilha
2-3 maçãs médias
Óleo neutro para fritar
Açúcar em pó para polvilhar (opcional)

Numa tigela grande, coloque a farinha, o fermento, o açúcar, a canela e o sal e bata até ficar bem combinado. Adicione o ovo, leite, manteiga e a baunilha, misturando bem após cada adição. Bata bem até a massa ficar homogénea, e a massa começar a engrossar. Reserve, enquanto prepara as maçãs.

Aqueça o óleo em lume médio. Descasque as maçãs, e corte-as em pequenos quadrados. Coloque as maçãs na tigela grande da massa.

Quando o óleo começar a borbulhar, deverá estar pronto para fritar. Coloque uma quantidade muito pequena de massa no óleo. Se esta espumar e fritar rapidamente, mas sem queimar, o óleo está pronto. Se não, ajuste a temperatura do óleo em conformidade.

Coloque pequenas bolas de massa - usando uma colher de gelado pequena ou uma colher de sopa- no óleo quente, e frite cerca de 1 minuto de cada lado, ou até estas obterem um tom dourado escuro. Remova os fritos do óleo com uma escumadeira e coloque-os sobre papel absorvente.

Enquanto os bolinhos ainda estão quentes, polvilhe com a canela e o açúcar em pó. Sirva imediatamente.








































sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Síndrome dos ovários poliquísticos

Imagem retirada da Net
Parafraseando da Acta Médica Portuguesa, "A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino-ginecológico que se caracteriza, principalmente, por anovulação crónica e hiperandrogenismo, afetando entre 5 a 10% das mulheres em idade reprodutiva. As principais manifestações da SOP incluem os seguintes sintomas: irregularidade menstrual, hirsutismo, infertilidade, acne, alopecia androgenética, obesidade e acantose nigricans. Esses sintomas apresentam- se de forma bastante heterogênea, havendo diferenças marcantes na sua prevalência e intensidade entre diferentes grupos de mulheres que apresentam SOP. Apesar da condição biológica, a SOP não é apenas um problema físico, mas também psicossocial, interferindo e comprometendo a qualidade de vida das mulheres que a apresentam."

Recentemente, encontrei refererências em pesquisas várias que a SOP poderia resultar de uma intolerância ao glúten, em pessoas que têm problemas com essa proteína. Gostava então de divulgar dois testemunhos que encontrei e que reflectem essa realidade.

Testemunho 1 de cjshanks no site Soul Cysters


“Olá a todos. Escrevo isto na esperança de que ajude algumas de vocês. Há 8 anos atrás comecei a ganhar peso sem motivo, eu era uma atleta a sério e comia saudável. Também comecei a ter enxaquecas e pensamento turvo, e estava sempre cansada. Os meus períodos eram muito esporádicos e, às vezes, eu não menstruava durante meses. Mês após mês e ano após ano, tentei encontrar as respostas na comunidade médica. Médicos e médicos tratavam os sintomas separadamente, ou com dúvidas. Receitaram remédios e planos de saúde, nada funcionou. Finalmente, depois de seis anos, fui diagnosticada com a Síndrome dos Ovários Políquísticos (SOP), e, nesse momento, já tinha ganho 50 quilos, sentia-me muito doente e com dores por causa das minhas enxaquecas.

Tentei todas as dietas e medicamentos que os médicos me disseram que faziam perder peso, quase não perdi nenhum quilo. Eu fazia exercício até ficar azul, nada funcionou. Fiquei sem esperança.

Descobri então a ligação entre a resistência à insulina e a SOP. Tentei uma dieta para resistentes à insulina, que cortou todo o arroz, batatas e produtos de trigo da minha dieta. Comecei a perder algum peso e a sentir-me um pouco melhor. Um dia, depois de perder cerca de 20 quilos, decidi tentar fazer uns muffins de farelo, com baixo índice glicémico. Passado uma hora depois de os comer, eu tinha uma enxaqueca terrível. Tentei dias depois e a mesma coisa aconteceu.

Isso levou-me à minha grande descoberta. Eu tenho um problema em comer glúten, que está no trigo. A SOP desenvolveu-se porque o glúten fez o meu corpo auto-atacar-se. A SOP, as enxaquecas, o pensamento turvo e o cansaço eram todos sintomas da causa raiz... glúten. Eu não sou celíaca, mas sou intolerante ao glúten. Por favor, por favor, por favor, peço-lhe, quer tenha os mesmos sintomas que eu ou outros, para tentar uma dieta sem glúten durante duas semanas ou, melhor, um mês. Veja se as coisas começam a melhorar para si.

Desejo-lhe toda a sorte na sua caminhada. Os meus ovários já não são policísticos, voltaram ao normal. Eu perdi 35 quilos. Não tenho mais enxaquecas ou pensamento turvo e o cansaço foi-se. Sinto-me eu mesma novamente e estou aos poucos, a cada dia, sentindo-me melhor enquanto o meu corpo recupera.”

Testemunho 2 de mamachun no blog Hormones and Highchairs


“Já escrevi sobre uma possível ligação entre a doença celíaca e a SOP, sendo que, para mim, essa possibilidade é mais forte do que nunca. O meu ciclo menstrual durava de 65 a 90 dias, antes do diagnóstico da doença celíaca. Eu sempre pensei que era a SOP que me fazia ter peso a mais, um inchaço constante, e explosões hormonais. Em particular, no ano passado, além das doenças, não tive períodos que tivessem menos de três meses de intervalo. O diagnóstico e o início da dieta sem glúten aconteceram em meados de Março. O meu primeiro período "real" iniciou a 10 de Maio (ver blog anterior). Eu estava à espera para ver se teria que esperar três meses ou se este poderia tornar-se regular novamente.

Façam rufar os tambores... Cinco semanas... Isto são apenas 35 dias... Tive um outro período. Consegue acreditar? E acredito que ovulei também. Acordei, há um par de semanas atrás, com uma dor extrema no abdómen inferior direito. Pensei que o meu apêndice tinha estourado, e não me podia mover, quase acordei o maridinho para me levar às Urgências. Obriguei-me a deitar-me no lado direito, o que tornou a dor pior. Então virei-me para a esquerda, e a dor diminuiu lentamente. Um par de dias depois, deparei-me com um comentário de outra mulher, num site do qual não me lembro o nome, que disse que, depois de fazer a dieta sem glúten durante algum tempo (ela também tinha SOP), teve uma dor súbita e pensou que o seu apêndice tinha estourado. Ela foi ao centro de saúde, e não era o seu apêndice. Um dos quistos no seu ovário tinha rebentado, e ela ovulou. Acendeu-se uma lâmpada!

Para aqueles que têm a doença celíaca ou intolerância ao glúten E SOP, há esperança. Comer sem glúten é extremamente importante. É difícil e frustrante, mas quando penso em como me sinto bem, como já não tenho explosões emocionais, inchaço zero, e estou a perder peso de forma constante, sem dor física, não quero comer mais alimentos com glúten. Houve dias em que sucumbi, e conscientemente e voluntariamente comi uma refeição com glúten. Desde o diagnóstico, penso que tive três refeições destas. Também houve momentos em que, sem eu saber, ingeri glúten. Mas estes pequenos solavancos são normais, e precisamos de voltar à pista depois. Por favor, compartilhe as suas histórias. Eu gosto  realmente de ler sobre como as vidas se mudam para melhor assim que o glúten deixa os nossos corpos.

Para aqueles de vocês que têm SOP, mas não sabem se tem a doença celíaca ou não, por favor, descubram. E mesmo se não a tiver, tente cortar o trigo e alimentos com glúten. Coma muitas frutas, legumes e proteínas (sem molhos com glúten).”



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A ciência do pão


Imagem retirada da Net

O site Food Navigator oferece um manancial de informação sobre a indústria e pesquisa alimentar, incluindo a divulgação das últimas notícias do mundo dos produtos sem glúten. Uma pesquisa por Gluten Free traz páginas e páginas de artigos. Lendo na diagonal, chegamos a duas conclusões: primeiro, o mundo dos produtos sem glúten está em constante desenvolvimento, devido ao crescente número de consumidores interessados (por opção ou por necessidade) nesta dieta; segundo, há também um grande interesse por parte das empresas que oferecem produtos sem glúten em torná-los mais nutritivos e saborosos - os consumidores estão mais exigentes e a combinação “amido de milho + goma xantana” já foi mais apelativa do que hoje é, com uma variedade imensa de novos (pseudo)cereais a explorar.

Nesta linha de orientação, a farinha de trigo-sarraceno e a farinha de amaranto parecem as mais estudadas e promissoras a nível do pão com fins comerciais. Deixo aqui alguns estudos que me pareceram mais úteis e interessantes para o padeiro de trazer por casa que existe dentro de nós, os confessos da dieta sem glúten.


Neste estudo valida-se a hipótese de que a substituição de 40% do total de amidos na fórmula da farinha sem glúten por farinha de trigo-sarraceno melhora a qualidade sensorial e nutricional do pão sem glúten.


A combinação de farinha de trigo-sarraceno com farinha de arroz pode produzir pães sem gluten aceitáveis pelos consumidores sem recorrer a hidrocolóides, como a goma xantana ou o CMC. O melhor rácio seria 80:20 entre, respectivamente, farinha de arroz e farinha de trigo-sarraceno.


A combinação de farinha de trigo-sarraceno e goma guar pode criar um pão francês, estilo baguette, com mais qualidade. A fórmula seria 1,9% goma guar + 5% farinha de trigo-sarraceno do total de farinhas na formulação.


Este estudo defende que a adição de proteínas e fibras presentes no isolado de proteína de ervilha e fibra de psílio podem melhorar a estrutura física da massa sem glúten e melhorar o conteúdo nutricional. A melhor formulação encontrada por este estudo é 52% amido de milho + 40% amaranto + 6% isolado de proteína de ervilha + 2% casca de psílio.


Uma pesquisa italiana concluiu que um extracto do grão de amaranto pode prolongar o prazo de conservação do pão com e sem glúten. Aparentemente este grão possui componentes fungicidas que retardam o aparecimento do bolor.


Ainda que seja difícil de encontrar em Portugal estas farinhas (pelo menos sem risco de contaminação cruzada) os seus grãos encontram-se com alguma facilidade nas ervanárias e grandes superfícies, podendo-se moer em casa com a ajuda de um moinho de cereais ou a bimby.
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