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DADOS, DICAS E RECEITAS DE VIDAS SEM GLÚTEN



terça-feira, 11 de outubro de 2011

A Fibromialgia e o glúten


Imagem retirada da Net

Recentemente, e por acaso, encontrei um blog de um senhor que relatava todos os episódios de doença de que tinha padecido ao longo da vida, e eram muitos. A maior parte deles poderia ter sido explicada com a doença celíaca/ sensibilidade não celíaca ao glúten, mas ele afirmava a dada altura que o diagnóstico final tinha sido a fibromialgia e assim se identificava, como um doente de fibromialgia. Pareceu-me na altura que já tinha visto referências à fibromialgia como uma doença ligada às condições associadas ao glúten. Ontem ao ler este boletim da Associação de Celíacos de Madrid, encontrei um artigo que menciona um estudo feito em Espanha nesse mesmo sentido. Coloco a versão original aqui, visto que a grande maioria dos portugueses consegue compreender o Espanhol (as duas palavras que me parecem mais específicas, são traduzidas no final do artigo).

"I JORNADAS INTERNACIONALES SOBRE EL ESTUDIO DE LA FIBROMIALGIA
Alcorcón (Madrid), 12-14 mayo 2010

La Universidad Rey Juan Carlos de Madrid organizó el pasado mes de mayo unas jornadas en las que expertos internacionales se dieron cita y pusieron en común sus experiencias en el estudio de la fibromialgia.

Esta enfermedad, atribuida tradicionalmente a algún tipo de desorden neurológico, provoca una sensación de dolor y fatiga que llega a ser incapacitante, hasta tal punto que las personas que la padecen, sobre todo mujeres, dejan de hacer vida normal y pueden llegar a quedar postradas en cama y sometidas a tratamientos farmacológicos agresivos.

Entre las ponencias* se incluyó una titulada Fibromialgia y Dieta sin Gluten, pronunciada por el Dr. Carlos Isasi, reumatólogo del Hospital Puerta de Hierro de Madrid, que está llevando a cabo, en colaboración con la Asociación de Celíacos de Madrid, un estudio con el que pretende establecer la relación entre la fibromialgia y la sensibilidad al gluten.

Algunas personas aquejadas de fibromialgia manifiestan una clara sensibilidad al gluten y su evolución es favorable cuando eliminan el gluten de su dieta. Una de las cuestiones pendientes de esclarecer es si dichas personas son celíacas, ya que frecuentemente no llegan a presentar atrofia en las vellosidades intestinales, simplemente una alteración de éstas.

La enfermedad celíaca es considerada en la actualidad como un trastorno inmunológico multisistémico, y no una mera enfermedad intestinal, a la vista de los diferentes síntomas y signos con los que se puede manifestar, lo que dificulta mucho el diagnóstico, especialmente en personas adultas. Un estúdio realizado en Finlandia demostró que la enfermedad celíaca afecta a 1 de cada 40 personas mayores de 55 años en dicho país, la mayoría de las cuales desconoce que padecen la enfermedad.

El grupo de pacientes que participan en el estudio son personas que han sido previamente diagnosticadas de fibromialgia, fatiga crónica, síndrome de intestino irritable, migrañas** o depresión y no han experimentado mejoría pese a los distintos tratamientos a los que han sido sometidos. A todos ellos se les aplican de forma sistemática a las pruebas de diagnóstico de enfermedad celíaca: niveles de anticuerpos en sangre, biopsia intestinal y análisis genético. Algunos de los participantes en el estúdio han resultado ser celíacos (com anticuerpos positivos y atrofia vellositaria), por lo que su evolución ha sido favorable al seguir la dieta sin gluten. Los casos realmente complicados resultan ser aquellos en los que existe una sintomatologia clara pero muestran niveles negativos de anticuerpos y una lesión intestinal leve (Marsh I-II) sin atrofia. Son éstos los que realmente motivan el estudio. Mostró ejemplos de éstos pacientes con resolución de la fibromialgia con dieta sin gluten. Los resultados preliminares muestran que hasta un 50% experimentan clara mejoría con dicha dieta.

La experiencia del Dr. Isasi fue recibida con gran interés por su novedad y por sus resultados tan prometedores. No hay que olvidar que la fibromialgia es una enfermedad relativamente frecuente que en la mayoría de los casos tiene un pronóstico muy poco favorable.

Marsh I: linfocitosis intraepitelial; Marsh II: hiperplasia de las criptas; Marsh III: atrofia vellositaria"

* apresentações
** dores de cabeça

domingo, 9 de outubro de 2011

Pão de queijo sem esforço

Em domingo de preguiça e com um "ratinho" no estômago, nada melhor do que pão de queijo congelado. Compro da Primo, no Continente e fica pronto em 15 minutos no forno. Já tentei fazer mas os meus "clientes" não gostaram pois sabia muito a queijo. Este tem um sabor menos intenso e desaparece num instante. Claro que é "sem glúten", pelo menos assim o diz na embalagem.



















Pão integral sem glúten

Para um centésimo post festivo, trago hoje a receita de pão integral sem glúten que encontrei no site Nourishing Meals. É, sem dúvida, o melhor pão sem glúten que já provei e, a nível de sabor, não faz diferença do pão integral de trigo. A textura é muito similar ao pão do Dan Lepard mas com farinhas mais "saudáveis". A autora desta receita usa sementes de chia que creio que se vendem no El Corte Inglés e no Celeiro, mas como não as tinha em casa, substituí pelas sementes de linhaça e psílio, pois as sementes de chia têm um poder aglutinador mais forte que as de linhaça. Da mesma maneira, substituí a farinha de teff pela de millet pois não a encontro à venda em Portugal.

Ingredientes líquidos:
500 ml de água a 38ºC
2 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de xarope de àcer (maple syrup)
20 gramas de sementes de linhaça moídas

Ingredientes secos:
140 gramas de farinha de millet
140 gramas de farinha de sorgo
70 gramas de farinha de milho
70 gramas de farinha de arroz glutinoso
1 ½ colher de sal
6 gramas de fermento seco activo

Misture as farinhas e o sal. De seguida, acrescente o fermento e misture até obter uma farinha de cor uniforme.

Junte o azeite e o xarope de àcer na àgua e misture. De seguida acrescente as sementes de linhaça e o psílio e torne a misturar, deixando repousar por 2 minutos para que as sementes libertem o gel que irá dar estrutura ao pão.

Verta os ingredientes líquidos nos secos na cuba da batedeira e usando o gancho de amassar (ou uma colher normal, para quem não tem batedeira), bata bem a massa durante 5 minutos, até formar uma bola. Deixe levedar em local morno, tapada com um pano húmido, durante 45 a 60 minutos, até duplicar o volume.

Ao aproximar-se o final da levedação, ligue o forno a 200ºC e coloque aí (se tiver) uma pedra de forno a aquecer (as lojas Casa vendem um artigo similar, uma "pedra para pizza"). Retire a massa da tijela onde levedou, coloque por cima de papel vegetal, dê-lhe uma forma de bola ou outra que preferir e deixe repousar, tapada, mais 15 minutos. Por fim coloque no forno, em cima da pedra com o papel vegetal, durante cerca de 40 minutos. Para uma crosta mais estaladiça, pode optar por colocar uma pequena panela com àgua quente no chão do forno.

Deixe arrefecer completamente antes de fatiar, de preferência aguardar uma hora.









































Actualização: tenho vindo a descobrir, a cada vez que repito esta receita (e são muitas vezes), que esta é muito flexível e permite várias alterações, pelo que aconselho a quem não tenha os ingredientes originais, que experimente: o maple syrup pode-se trocar por açúcar ou mel; pode-se reduzir à água para 450ml, 480ml, consoante se queira um pão mais ou menos húmido, também já troquei o millet por arroz integral e, por sua vez, o arroz glutinoso por fécula de batata. Já acrescentei 1 colher de chá de fermento em pó, o que fez a massa levedar mais e melhor, já até me esqueci de juntar o fermento seco às farinhas, tendo-o acrescentado à massa já batida, diluído num pouco de água. O importante é a dupla psílio + linhaça ou psílio + chia e bater muito bem a massa. De resto, fica sempre bem.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Novo livro de receitas

A Raquel Benati da ACELBRA-RJ enviou-me um simpático email a informar que acabaram de editar mais um livro em PDF, disponível para download no site. São 25 receitas da Gilda Moreira que é celíaca e colabora com a Associação de Celíacos de Rio Grande do Sul. O livro chama-se Cozinhando Sem Glúten e nele oferece receitas que vão desde biscoitos, a bolos, empadas e pão. Muito útil, portanto. Parabéns pela iniciativa!

Livro "Healthier Without Wheat"


Nas férias consegui ler um livro que já tinha adquirido há algum tempo, "Healthier Without Wheat" do Dr. Stephen Wangen. Apesar de ser escrito por um médico, a linguagem que usa é acessível a um leigo e passa a sua mensagem sem criar dúvidas. A base da sua teoria é que existem indivíduos que tem uma relação problemática com o glúten e este problema pode assumir a forma de doença celíaca, alergia ao trigo ou intolerância ao glúten não celíaca.

Ele explica com detalhe os sintomas das diferentes formas e meios de as diagnosticar, sendo que o resultado final é sempre uma dieta sem glúten. A intolerância ao glúten será mais prevalecente do que a doença celíaca, mas mais difícil de diagnosticar. Segundo o Dr. Wangen, os doentes celíacos diferenciam-se por sofrerem danos na mucosa intestinal, logo acusam positivo nas análises do anti-endomísio e anti-transglutaminase e na biópsia do duodeno. Os intolerantes não celíacos sofrem mais de sintomas extra-intestinais e normalmente só acusam positivo na análise da anti-gliadina. São aqueles que não recebem um diagnóstico definitivo e positivo mas que melhoram quando iniciam a dieta sem glúten, muitas vezes por conta própria.

Ao longo do livro, vai relatando casos de pacientes que tratou para exemplificar o seu ponto de vista. Ele próprio intolerante ao glúten, conhece bem a dieta, como optimizá-la e quais as condições que aparecem associadas aos problemas com o glúten e como tratá-las. Sem dúvida, um livro essencial para quem se quer educar nesta problemática, numa altura em que a maior parte dos médicos especialistas nacionais ainda vive na ignorância sobre esta condição. Um paciente informado é o melhor defensor da sua saúde.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Milola

Para os sortudos que vão a Barcelona de férias (ou a negócios) e que não podem comer glúten, a eles esta cidade oferece a Milola. Esta pastelaria poderia chamar-se o "céu dos intolerantes" e ninguém ia notar a diferença. Como dizem elas (são três senhoras):

"Milola nace fruto de nuestra pasión por la repostería, y un genuino interés por la salud. Buscando el equilibrio entre la nutrición y el placer, hemos creado una deliciosa carta de pasteles elaborados con harinas especiales, sin gluten, sin azúcar refinado, sin lactosa, y con fruta y verdura de temporada."

O album dos seus bolos é suficiente para entrarmos em coma de açúcar. Resta-nos a vã esperança que a Milola vire franchising e um dia chegue ao nosso cantinho à beira-mar plantado.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dicas para festas

Imagem retirada da Net
Se há algo que preocupa aqueles que se dão mal com o glúten, mesmo aqueles que são uns verdadeiros mestres na dieta, são as festas, principalmente na casa dos outros. Vem este post a propósito de um jantar que tivemos há tempos em casa de familiares. A refeição foi preparada com todo o cuidado por quem lida com os caprichos da dieta sem glúten com algum à-vontade. Sentados a desfrutar o repasto, eis senão que vejo uma mão muito rápida a mergulhar um pedaço de pão cheiinho de glúten na travessa do jantar. Para além de ser uma falta de boas maneiras, ia-me deixando com os nervos à flor da pele a pensar que o meu filho poderia ter sido “aglutinado” não tivesse eu visto o que se passou. Felizmente, o miúdo já estava satisfeito e não quis comer mais.

Sei que a pessoa em questão não o fez por maldade, mas sim por não pensar. E isto é um risco grande quando frequentamos festas em casa de terceiros. O intolerante ao glúten deve então usar algumas técnicas para circum-navegar em segurança as águas da sua vida social:

- Deve informar o anfitrião das suas limitações dietéticas e propor, com simpatia, levar um prato; assim, se não puder comer nada, esse prato é uma segurança;

- Caso o evento envolva o consumo de álcool, leve a sua cerveja sem glúten (se for a sua bebida de eleição, é claro);

- Da mesma maneira, leve um lanche de emergência, tal como umas bolachas, barras de cereais, umas tostas, caso se verifique a primeira situação mencionada e o prato de segurança tiver sido contaminado por outro convidado;

- Deve comer antes de sair de casa. Prepare uma bela e reconfortante refeição e garanta que não sai de casa faminto. Deste modo, resistirá melhor às tentações off-limits com que se vai deparar;

- Como referi na introdução, mesmo uma refeição sem glúten pode não ser isenta: aquela pasta de atum sem glúten, com um aspecto tão inocente, pode ter sido contaminada por uma tosta com glúten mergulhada directamente no seu recipiente;

- Na dúvida, não coma. O anfitrião pode ter tido todos os cuidados mas se não faz ele próprio a dieta, é provável que tenha cometido algum erro. Sempre com educação, peça para ver as embalagens ou rótulos dos produtos usados na festa, em caso de dúvida.

A outra alternativa para manter uma vida social e não por em causa a dieta é organizar a festa em sua casa. Não ofereça nenhuma opção com glúten e esteja descansado pois não há possibilidade de contaminação. Há suficientes pratos deliciosos e sem glúten  para que toda a gente fique satisfeita. Caso os seus convidados perguntem o que podem trazer, mencione bebidas, saladas sem molhos ou uma salada de frutas para a sobremesa. Por fim, para um evento feliz, tente concentrar-se na festa e nos amigos, não no que não pode comer, o que não é fácil, mas é o melhor que se pode fazer.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Blog em Podcast

Do vídeo saltamos para o audio... hoje falo do blog Hold the Gluten da Maureen que é mais uma pessoa a trabalhar pela "causa". Isto com a particularidade do seu blog ter um Podcast o que permite ouvir as reportagens, entrevistas e críticas a produtos que ela faz. O blog tem também muitas receitas e dicas para melhor sobrevivermos neste mundo sem glúten.
Usando as palavras da Maureen, "Hold the Gluten é um local que espero que venha visitar, se sentir que precisa de contacto com um companheiro celíaco. Quando a tia Matilde faz o seu pão de abóbora famoso (com toneladas de glúten) e fica totalmente ofendida quando você não o quer comer, pare um momento e lembre-se que há outras pessoas lá fora a passar pela mesmíssima situação".Mais um bom exemplo do que uma só pessoa pode fazer.
Tal como no post anterior, deixo a tradução do seu testemunho e de como chegou ao diagnóstico de Doença Celíaca, um percurso difícil como quase sempre acontece.

"A Minha História
Olá! O meu nome é Maureen e tenho a Doença Celíaca. A última vez que comi glúten (bem, pelo menos conscientemente) foi em Agosto de 2005. Qual é a minha história, pergunta você? Tudo começou num dia fatídico, em Março de 2005. Lembro-me vividamente porque foi quando a malvada "D" (leia-se diarreia) começou. Antes de prosseguir, quero deixar um aviso: vou falar a partir de agora e de seguida, sobre caca e vou tentar não enjoar ninguém. Ok, você está avisado!
Acho que se poderia dizer que 2005 foi um ano stressante para mim. Em Março de 2005, eu estava grávida de seis meses com o nosso segundo filho enquanto corria atrás do nosso primeiro e energético filho. O meu marido e eu estávamos a vender a nossa casa de então e a construir uma nova. Aparentemente, factores como stress e / ou gravidez (bingo!) podem desencadear o aparecimento da doença celíaca (eu, sem o saber, tinha o gene, que estava inactivo). Assim, em Março de 2005, a caca começou.
Foi ridículo – tantas vezes ao dia que nem valia a pena contar. Ninguém sabia o que fazer comigo – nem o meu médico de família, nem o meu primeiro gastrenterologista, nem o meu obstetra. Ninguém queria tocar na mulher grávida que se desfazia em caca. Após três internamentos, o diagnóstico da "D" foi "Diarreia induzida pela gravidez" e que desapareceria depois do nascimento do meu filho. Em Maio de 2005, apesar estar doente e fraca como estava, o meu filho felizmente nasceu forte e saudável (ele deve ter devorado todos os meus nutrientes!). Mas a caca continuou.
De seguida, veio o diagnóstico de Retocolite Ulcerativa. Então começou a alegria (inserir sarcasmo): clisters e medicação extensa (pelo gastrenterologista número dois). No entanto, a caca (inserir palavrão) continuou... Por fim, desesperada por um pouco de alívio e com receio de que eu nunca iria ter uma vida saudável, fui a uma ervanária local em busca de medicinas alternativas. Foi aí que a minha vida mudou. Eles tinham uma nutricionista a trabalhar lá e, enquanto eu descrevia os meus sintomas, ela disse-me, com assertividade, que parecia que eu tinha a Doença Celíaca. Esta pessoa maravilhosa anotou as análises exactas que eu precisava de fazer. Liguei para meu médico de imediato e solicitei que me fizesse esses testes. E não é que eu tinha a Doença Celíaca? Não era diarreia induzida pela gravidez, não era Colite Ulcerativa, mas sim Doença Celíaca. Finalmente tive uma resposta e descobri que poderia curar-me sem medicação (ou clisters, graças a Deus), mas omitindo o glúten da minha dieta. Totalmente fácil, certo?"


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