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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Ataques de pânico


Imagem retirada da Net
aqui falei dos efeitos a nível do cérebro da ingestão de glúten em pessoas geneticamente predispostas a condições associadas a esta proteína. A propósito de um estudo italiano de 2002 que encontrei recentemente, aproveito para falar dos ataques de pânico que podem ser, em algumas pessoas, um sintoma de doença celíaca ou sensibilidade ao glúten não celíaca.



O resultado deste estudo evidencia um aumento de anticorpos peroxidase da tiróide em pacientes com doença celíaca em relação a indivíduos saudáveis, 31% em pacientes com doença celíaca, contra 10% dos indivíduos saudáveis​​. Os pacientes com doença celíaca também tiveram um número de sintomas depressivos ou de ansiedade significativamente maior do que as pessoas saudáveis, ​​e ainda maior em pacientes com doença celíaca e transtornos da tiroide.

Como já tínhamos visto aqui, a probabilidade de existir concomitantemente doença celíaca e doença da tiroide é elevada. Este estudo acrescenta mais um dado à equação e conclui que os pacientes com doença celíaca têm uma maior prevalência de ataques de pânico, ataques de pânico ou transtornos depressivos, e o relacionamento com doença da tiróide é um factor de risco para o desenvolvimento desses distúrbios psiquiátricos.

Este estudo levou-me ao testemunho que trago hoje de uma jovem norte-americana que se curou dos ataques de pânico de que padecia com uma dieta isenta de glúten.


“A minha história celíaca

Em Abril do ano passado, tive um vôo horrivelmente turbulento pouco antes do fim-de-semana de Páscoa e, naquela noite, o meu primeiro ataque de pânico. Eu nunca tinha sentido nada parecido - uma completa perda de controlo, agitando os membros, e o medo palpável de que eu estava perto da morte. Implorei ao Shawn para levar-me a um hospital, pensando que algo estava muito mal. Ele tentou acalmar-me e preparou-me um banho quente, o que ajudou um pouco. Rezámos e pedi aos meus pais e a alguns amigos para rezarem, o que também ajudou. Mas era ainda um mistério porque é que isso tinha acontecido. Era diferente de tudo o que eu já tinha experimentado, e não sinto que estivesse numa época particularmente estressante na vida. O vôo tinha sido assustador, mas não o suficientemente mau para causar tais graves sintomas.

Com os dias e semanas a passarem, não tive mais outro ataque em grande escala, mas sentia pânico a cada duas semanas e as minhas pernas tremiam (como nos grandes calafrios). Outros sintomas começaram a aparecer também. Desenvolvi uma aborrecida dor de cabeça constante que aumentava e reduzia em gravidade. E depois de comer, quase sempre eu sentia-me enjoada e tonta e tinha que deitar-me até que passasse. Tornei-me uma especialista em fingir que estava bem, mas mesmo se eu parecia completamente normal para os amigos, normalmente não estava bem.

Havia também sintomas gastrointestinais, tais como acordar a meio da noite esfomeada. Eu tinha tanta fome às duas ou três horas da manhã que corria cegamente para o frigorífico, comer um pouco de manteiga de amendoim ou pão e, em seguida, voltar a dormir por algumas horas. Eu acordaria novamente o mais tardar às cinco horas pelo mesmo motivo.

Como pode ver, esta não era uma boa maneira de viver.

Isto durou cinco a seis meses, e durante este tempo, visitei cinco médicos diferentes. Os dois primeiros médicos achavam que eu estava "apenas grávida" e rejeitaram os meus sintomas como de uma gravidez incipiente. Para que conste, eu não estava grávida, e fiquei frustrada porque realmente eles não me tinham ouvido. Para os tremores nas pernas, um médico disse: "Não se preocupe, você não tem MS" e prescreveu um potente relaxante muscular com efeitos colaterais horríveis, que eu optei por não tomar.

Outro médico supôs que eu tinha problemas de açúcar no sangue, e mandou-me para casa com um monitor de glicose. Eu sabia que não era a candidata típica para diabetes, mas eu aceitei a sua ideia. Testei o meu açúcar no sangue a cada duas horas ou quando os sintomas ocorriam, mas os números não coincidiam com os meus sintomas, como eu esperava. Tinha muito baixa de açúcar no sangue (hipoglicemia) às vezes, mas nunca um valor muito alto, o que indicaria diabetes. E isso não respondia por todos os sintomas que eu estava a ter.

Este miserável "não saber" durou sete meses, até que tivéssemos uma resposta. Eu fiz 16 exames de sangue diferentes, e o único que apareceu como anormal indicou que eu poderia ter uma intolerância ao glúten ou doença celíaca. Eu pensei que o glúten era como a glicose (de volta para os problemas de açúcar no sangue), mas quando fiz mais pesquisas, descobri que este é uma proteína encontrada no trigo, cevada e centeio.

Nessa altura, eu estava disposta a tentar qualquer coisa, mas estava muito céptica de que algo que eu comia podia causar sintomas neurológicos. Mas, ainda assim, cortei o glúten completamente da minha dieta. Você ficaria surpreso com o quão isso é difícil no início! Nem pão, nem massa, nem bolachas, nenhum cereal de pequeno-almoço. E não pára aí - o glúten é encontrado em muitas sopas, molhos, molho de soja, e até mesmo em certos aromas de café, leite de soja e sacos de chá que são selados com pasta de trigo! É um campo minado da culinária! Tornei-me uma leitora incessante de rótulos, tentando detectar se havia fontes de glúten escondidas em alguma coisa que eu comesse (o glúten pode até ser disfarçado como "amido modificado", por exemplo).

Mas funcionou.

Algumas semanas após iniciar a minha nova dieta, senti-me eu própria novamente! Não tinha mais ataques de pânico, nem tremores nas pernas, nem dores de cabeça, nem náuseas, nem tontura. E agora, três meses depois, a minha saúde foi completamente restaurada! Louvado seja o Senhor!

O problema é que, quando se afasta do glúten, o seu corpo torna-se ainda mais intolerante com ele. Assim, se eu ingerir um vestígio de glúten (como no caso do meu frango que era grelhado juntamente com outro frango coberto com molho com glúten), eu poderei ficar muito doente e a vomitar durante horas. Logo, eu tomo muito, muito cuidado.

Uma pergunta que me faziam muito era: Se sempre foste alérgica ao glúten, como é que só agora descobriste? Bem, pelo que eu li, a doença celíaca é uma doença complicada e manifesta-se de muitas maneiras diferentes ao longo da vida. Olhando para trás na minha própria história, as peças do puzzle encaixam-se e faz todo o sentido que eu tenha sempre sido intolerante ao glúten e não o soubesse durante muitos anos. Por exemplo, eu tinha asma e alergias e bronquite crônica no ensino básico, e refluxo crónico no ensino secundário. Estes sintomas e outros apontam para a doença celíaca, embora muitos não sejam diagnosticados até aos seus vinte e poucos anos ou mais tarde, quando o seu corpo diz "basta" finalmente, e há uma reacção mais aguda. A maioria vivencia sintomas gastrointestinais, alguns nunca os têm.”

Outros posts sobre o tema:

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Um novo livro e o poder dos números

O Centro de Doença Celíaca da Universidade de Chicago editou este mês um e-book, intitulado "Jump Start Your Gluten Free Diet", disponível gratuitamente no seu website, onde reúne informação importante e muito útil para todos aqueles que lidam com condições associadas ao glúten. Na sua descrição, é dito que "Com este guia grátis, você vai entender as diferenças entre a doença celíaca, intolerância e alergias; aprender sobre os mais de 300 sinais e sintomas associados à doença celíaca, as análises genéticas e de anticorpos, o diagnóstico e o devido acompanhamento, e compreender quais os ingredientes seguros/proibidos, como cozinhar com segurança em casa, e obter dicas sobre comer fora dela."

Muito bem concebido a nível de conteúdo e estética, são os números, as estatísticas que me impressionam e que tornam real o alcance da doença celíaca (onde não se incluem sequer os números da sensibilidade ao glúten não-celíaca) e ainda que sejam estatísticas americanas:

"A doença celíaca é uma condição rara? Não. A doença celíaca afecta pelo menos 1% de americanos, quase 3 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Que outras doenças crónicas são comuns nos Estados Unidos?
· A doença de Alzheimer afecta aproximadamente 2milhões de pessoas
• A epilepsia afecta 2,7 milhões
• A fibrose cística afecta 30.000 pessoas
• 17.000 pessoas vivem com hemofilia
• A doença de Parkinson afecta 1 milhão de pessoas
• A colite ulcerativa afecta 500 mil pessoas
• A doença de Crohn afecta 500 mil norte-americanos
• 2,1 milhões de americanos vivem com artrite reumatóide
• O lúpus afecta 1,5 milhões de pessoas
• A esclerose múltipla afecta 400 mil pessoas nos Estados Unidos"

Sobre o diagnóstico tardio e a sua ligação a um maior risco de desenvolvimento de outras doenças auto-imunes:

"A incidência das doenças auto-imunes na população em geral é de 3,5% nos EUA. Num estudo de 1999, Ventura descobriu que aqueles com um diagnóstico de doença celíaca feito entre os 2-4 anos de idade, tinham uma probabilidade de 10,5% de desenvolver uma doença auto-imune. Resultados adicionais estão descritos na tabela a seguir:

Idade ao diagnóstico                Probabilidade de desenvolver uma doença autoimune
4 – 12 anos                                                                       16.7%
12 – 20 anos                                                                      27%
Mais de 20 anos                                                                 34%"

Todos conhecemos várias pessoas com as doenças acima mencionadas. Quantas conhecemos com doença celíaca? Apesar de, ultimamente, os diagnósticos estarem a ser feitos em maior número e mais precocemente, ainda há muito por fazer. Como se vê, quanto mais cedo, melhor.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

DC com análises negativas- um testemunho

Nem sempre as análises de anticorpos para doença celíaca vêm positivas, aliás, diria mesmo que raramente vêm positivas. Isto porque existe DC mas com serologia negativa e biópsia positiva, ou não existe DC, mas existe sim sensibilidade ao glúten não-celíaca. Esta última, nos dias que correm, ainda só pode ser diagnosticada pela resposta positiva à dieta, com resolução de sintomas e, preferencialmente, com melhoria noutro tipo de marcadores. Logo, e a menos que haja análises claramente positivas, não se pode ficar apenas pelo resultado da analítica quando os sintomas sugerem o contrário.

Tenho acompanhado alguns casos de pessoas que fazem as análises para DC, que são invariavelmente negativas, e os seus médicos fecham a porta à hipótese de uma condição associada ao glúten, ficando estas pessoas sós com os seus problemas. Este testemunho que encontrei recentemente de uma jovem espanhola chamada Sara García, e que escreve o blog Tarragona Sin Glúten, mostra como a biópsia é importante perante análises negativas.





"Como me detectaram a doença

Tudo começou em 2011... Tive o meu filho em Julho de 2011. A partir daqui, tudo mudou. Aos poucos, comecei a sentir-me mal, em concreto eram "indigestões", mas não tinha desarranjos (o que é habitual num celíaco). Também comecei a perder peso, a cada mês um quilo, e estava muito cansada, exausta, não dormia bem e estava muito, muito sensível.

No início, pensei que estava tudo relacionado com o pós-parto e que a mudança de vida ao ter um filho também me estava a afectar. Mas, aos poucos, percebi que nem sempre tinha tão má digestão, mas sim dependia do que eu comia.

Demorou muitos meses, mas a cada vez que o meu estômago doía, apontava num papel o que tinha comido nesse dia. Por fim, tinha uma lista completa dos alimentos: pão, massas, bolos, doces... Com esta lista, fui à minha médica de família. Ela viu a comida descrita na lista, e a primeira coisa que disse que poderia ser era o glúten. Era a primeira vez que ouvia as palavras “doença celíaca”, e não sabia o que é que ela estava a falar. Explicou-me em traços largos em que consistia esta doença, mas disse que não me angustiasse pois tinha que ser testada.

O primeiro teste que fiz foi uma análise de sangue. Esta análise acusou que o cálcio, ferro e vitaminas estavam no limite normal baixo. Mas o mais estranho é que as análises ao glúten estavam negativas. Isto é, de acordo com a análise não era celíaca. A médica ficou surpreendida e referenciou-me para a consulta da especialidade.

O gastrenterologista pediu-me diferentes testes: lactose, frutose, sacarose. Eu fiz todos: a frutose deu positivo e os outros negativos. A frutose poderia explicar porque alguns alimentos me caíam mal, mas outros não. E, entretanto, estava a perder peso, já tinha perdido sete quilos e continuava sem me sentir bem, e muito, muito cansada.

Finalmente, fui encaminhada para a endoscopia digestiva. A endoscopia foi fácil e rápida, estive sempre adormecida e não me apercebi de nada. Após 10 dias, exactamente a 31 de julho de 2012, recebi os meus resultados: Grau 3a da escala de Marsh. O médico disse-me que o glúten tinha danificado as paredes do intestino e, por isso, este não absorvia nada, logo nem vitaminas, gorduras, cálcio, ou ferro... Nada de nada, tudo o que eu comesse, ia fora. Assim, tinha perdido muito peso. Estava preocupada e ​​perguntei ao médico, “e como é que me posso curar?” ao que ele me respondeu: "é preciso eliminar o glúten da tua vida". Mas isto depois de já ter perdido 10 quilos..."

Outros artigos:
Low serological positivity in patients with histology compatible with celiac disease in Perú

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A história da Shannon

Porque nunca é demais lembrar dos efeitos que uma condição associada ao glúten pode exercer na fertilidade, o post de hoje é um testemunho recente de uma jovem americana chamada Shannon que sofre de abortos recorrentes cuja causa parece ser a doença celíaca. Do blog The Daily Diatribe.

"Faz quatro anos em Julho que eu e o meu marido nos casámos. Em Outubro de 2010, descobri que estava grávida. Estávamos muito satisfeitos. Várias semanas depois, abortei a 1 de dezembro de 2010. Eu pensei que o meu mundo tinha acabado. Nenhuma dor poderia ser pior do que aquilo.


Imagem do The Daily Diatribe

Continuámos a nossa jornada para nos tornarmos pais. Depois do meu aborto, o meu período ainda não tinha chegado. O meu ginecologista deu-me um medicamento para que este aparecesse. Mas umas vezes aparecia, outras não. Finalmente, após vários meses nisto, o médico disse para tomar também Clomid para me ajudar a engravidar e funcionou! Os meus ciclos eram tão irregulares que eu não tinha ideia de quando ovulava. Estávamos tão animados, mas com medo de outro aborto. Parece que tive de suster a respiração até ao fim do primeiro trimestre. Então, no dia de Acção de Graças, fiz a ecografia do segundo trimestre para certificar-me de que o bebé era saudável. Foi então que o técnico descobriu que ele não tinha um diafragma no seu lado esquerdo.

Em 6 de dezembro de 2011, fui para a minha primeira consulta no Hospital Infantil de Filadélfia. Estivemos lá 13 horas, e soubemos de um defeito de nascença possivelmente fatal que nunca nenhum de nós tinha ouvido falar antes. O meu filho tinha uma hérnia diafragmática congénita do lado esquerdo. Tinha uma hipótese de sobrevivência de 50%.

Foi-me dito para continuar grávida e divertir-me. Em 6 de abril de 2012 às 9:07, dei à luz um menino com 4,100 kgs e 54 centímetros, a quem demos o nome de Michael Thomas. O Michael não chorou ao nascer, ele não era capaz de o fazer. Os intestinos, estômago e parte do fígado estavam todos na sua cavidade torácica, devido à falta de diafragma. Foi levado para a UCI Neonatal e fui ter com ele uma hora mais tarde. Eu sabia que o prognóstico não era bom porque levaram-me a vê-lo de imediato após a minha cesariana.

Às 4h03, o Michael deixou-nos para estar com os anjos no céu.

Quando pensei que o meu aborto espontâneo no ano anterior tinha sido o fim do mundo, estava errada. Nenhuma dor se pode comparar à dor de perder um filho.

Vários meses depois de perder o Michael, o meu marido e eu começamos a consultar com um especialista em fertilidade dado que o meu ciclo menstrual nunca foi normal e precisava de alguém para nos ajudar. Tomei medicamentos de fertilidade em formato comprimido e passei dias a injectar-me com hormonas. Finalmente, depois de oito meses, no dia 1 de janeiro de 2013, tive um teste de gravidez positivo. Estava sob supervisão cerrada do meu especialista, mas apesar de o bebé ter uma pulsação forte, os meus níveis hormonais estavam a descer e a 6 de Fevereiro de 2013 tive outro aborto. Tristemente, este não foi tão emocionalmente doloroso como o primeiro ou como perder o meu filho.

Nessa altura, comecei a ficar mais vigilante com o que comia e com as minhas rotinas de exercícios. Perdi cerca de dez quilos num período de dois meses, e no dia anterior ao que teria sido o primeiro aniversário do Michael, tive um teste de gravidez positivo. Pensei que fosse uma bênção de Deus e do meu anjo bebé.

Voltei a estar sob constante supervisão do médico, mas sem sucesso. Cerca de duas semanas depois, abortei novamente. Foi nesse momento que o meu médico me mandou fazer um painel genético com análises sanguíneas. Dezoito frascos depois, tínhamos a esperança de obter alguns resultados. Esta semana recebi um telefonema dele a informar que, nos meus exames, os marcadores para a doença celíaca estavam muito altos. Fui a um gastrenterologista ontem e, após examinar as minhas análises, confirmou que estes eram, de facto, bastante elevados. Ele irá realizar uma endoscopia na segunda-feira para confirmar que tenho doença celíaca.

O que eu não sabia é que há uma forte ligação entre a doença celíaca e aborto/ infertilidade. Aparentemente, mesmo que eu nunca tenha estado fisicamente doente ou que tivesse sinais exteriores de uma questão com o glúten, os meus intestinos estariam tão danificados que o meu corpo não poderia absorver os nutrientes e passá-los para o feto, daí as perdas. Assim, estou a mudar a minha dieta, não só porque tem de ser (e, no fim, vou-me sentir muito melhor e mais saudável), eu estou a fazer isso com a perspectiva de poder ter um filho forte e saudável que vou conseguir segurar nos meus braços mais do que uma vez. Uma criança que chora e que me mantém acordada a noite toda. Uma criança que vai pintar a parede com os lápis. Uma criança que vai precisar de uma apoiante no seu primeiro jogo / claque / bailado. Uma criança que vai voltar para casa depois do primeiro encontro e ter vergonha de me dizer se tudo correu bem, mas, ao olhar para o seu rosto, saberei que ele deu o seu primeiro beijo. Uma criança que vai participar de um baile. Uma criança que eu vou ajudar a planear o casamento e acompanhar até ao altar. Uma criança que vai fazer de mim uma avó. Uma criança que vai ter que enterrar os seus pais, e não um pai a enterrar o seu filho novamente."

Outros posts sobre o mesmo tema:


sexta-feira, 10 de maio de 2013

Cosméticos sem glúten


Imagem retirada da Net

Frequentemente, alguém pergunta se é necessário usar cosméticos sem glúten. A resposta não é fácil e depende do grau de sensibilidade ao glúten ou até do tipo de condição associada ao glúten que se tem, pois a ligação é óbvia no caso da dermatite herpetiforme ou alergia ao glúten, mas não na doença celíaca. No entanto e apesar de haver quem afirme que glúten nos cosméticos não afecta os doentes celíacos, o facto é que há pessoas que afirmam fazer reacção se usarem produtos "contaminados". Este artigo  americano aborda o assunto de forma esclarecedora, expondo os diferentes argumentos que se debatem.

"São necessários os cosméticos sem glúten?

Sempre que Afton Jones usava maquilhagem nos olhos, estes ficavam inchados, pesados, e a lacrimejar. Uma noite, ela optou por um look mais natural e não teve queixas. "O que acontecia era que o meu rímel tinha glúten", diz Jones, uma nativa do Texas de 20 e poucos anos e que, desde então, fundou o site glutenfreemakeupgal.com, que analisa produtos sem glúten. Jones tem doença celíaca, que é caracterizada por uma resposta imune hiperactiva ao glúten. Isso leva a sintomas tais como dores de estômago, inchaço, diarreia crónica e anemia, podendo danificar o intestino delgado e impedindo a absorção adequada de nutrientes. "Depois disso, tudo se encaixou e fui à caça de cosméticos sem glúten ", diz ela. "A erupção que eu tinha no rosto desapareceu, e os meus olhos deixaram de estar pesados e cansados."

Não há cura para a doença celíaca, que é tipicamente gerida eliminando o glúten, uma proteína encontrada no trigo, cevada e centeio, assim como muitos aditivos alimentares comuns. Mas quem sofre, como Jones, está a descobrir que pode haver mais uma alteração, para além das mudanças na dieta, no estilo de vida sem glúten: o glúten é sorrateiro. Como Jones descobriu, este  pode estar também à espreita na maquilhagem e nos produtos de higiene pessoal que formam parte dos seus cuidados diários. É usado para dar liga e ajudar os ingredientes a unirem-se, assim como acrescentar humidade aos produtos através de óleos derivados do glúten.

"Batom, gloss, anti-séptico bucal, pasta de dentes, todos podem desencadear uma reacção em pessoas com doença celíaca", diz Alice Bast, fundadora e presidente da Fundação Nacional para a Consciencialização Celíaca (NFCA). "Se você é sensível ao glúten, deverá usar cosméticos e produtos de higiene sem glúten. Mesmo que não sinta quaisquer sintomas, pode estar a causar danos ao seu interior." Este conselho, apesar de aceite por muitos, ainda está longe de se tornar a norma. Os especialistas estão divididos sobre se os doentes celíacos devem evitar cosméticos que contenham glúten. Alguns insistem que os cosméticos sem glúten previnem crises, enquanto outros suspeitam que a quantidade de glúten na composição é pequena demais para provocar problemas reais. Não há nenhum protocolo padrão e a questão permanecerá obscura até existir mais investigação.

Pouco se sabe sobre quanto glúten exatamente é que os produtos cosméticos contêm, e quanto é preciso para causar efeitos secundários nocivos. Algumas pessoas são tão sensíveis que podem até experimentar sintomas após a ingestão de um pouco de batom contaminado com glúten, enquanto outros não (em média, estima-se que uma mulher consuma quatro quilos de batom ao longo da vida). Os especialistas acreditam que o glúten não pode ser absorvido diretamente através da pele. Mas, se um produto que contém glúten, tal como uma loção ou um protector solar, toca na boca e nos lábios, este pode ser ingerida dessa forma. E algumas pessoas desenvolvem reacções na pele devidas à maquilhagem porque também têm uma alergia a trigo ou a outros cereais.

Na reunião anual do Colégio Americano de Gastrenterologia no ano passado, os pesquisadores apresentaram um estudo de caso de uma mulher de 28 anos que conseguiu, com sucesso, controlar a sua doença celíaca através da dieta. No entanto, depois de experimentar um novo creme para o corpo, ela desenvolveu uma erupção cutânea pruriginosa nos braços, assim como distensão abdominal e diarreia. Assim que parou de usar o creme, os sintomas desapareceram. Um estudo recente publicado no Jornal da Academia de Nutrição e Dietética, por outro lado, testou quatro conhecidos produtos para os lábios e duas loções feitos com ingredientes que continham glúten. Os pesquisadores descobriram que estes tinham "um nível não quantificável ​​de glúten". Ainda que isto sugira que esses produtos não contêm glúten suficiente para causar problemas, o tamanho da amostra não era suficientemente grande para tirar conclusões definitivas, diz a autora do estudo, Tricia Thompson, uma nutricionista e autora de O Guia da Nutrição Sem Glúten.

Ainda assim, muitos especialistas concordam que os cosméticos sem glúten não prejudicam e podem ajudar a manter os sintomas afastados. Se são ou não necessários, continua a ser uma questão pessoal e, provavelmente, varia de pessoa para pessoa. Jones, por exemplo, descobriu que para ela, a isenção completa é essencial. "O glúten, na minha pele, tem uma reacção quase instantânea", diz ela, acrescentando que abandonou o seu champô com glúten após achá-lo culpado pelas bolhas dolorosas que desenvolveu no couro cabeludo. "Eu não posso sequer ajudar a arrumar a cozinha depois das refeições, porque se eu tocar em algo que contenha glúten, ganho urticária nas minhas mãos ou uma horrível erupção cutânea. Os cosméticos sem glúten têm permitido que a minha pele e corpo se comportem normalmente."

E se todos os doentes celíacos optarem por cosméticos sem glúten? Não há uma resposta certa. "É uma decisão muito pessoal que as pessoas precisam de tomar", diz a nutricionista Nancy Patin Falini, que actua no conselho consultivo científico e médico do NFCA. "Não há qualquer conhecimento científico definitivo sobre este assunto ainda. Algumas pessoas querem estar absolutamente certas de que tudo o que colocam nos seus lábios é isento de glúten, talvez porque os seus sistemas imunológicos são hipersensíveis. Para outros, não é uma preocupação tão grande. "

Ao tomar uma decisão, pense em quantas vezes usa maquilhagem. Recusa-se a sair de casa todos os dias se não estiver maquilhada? Cosméticos sem glúten podem ser um investimento mais vantajoso do que se apenas usa batom em ocasiões especiais. Um punhado de empresas começou a fornecer a comunidade da doença celíaca e da alergia ao glúten. Marcas como Hourglass, Lavanila e Alterna, por exemplo, oferecem produtos sem glúten na Sephora*. E todos os produtos da Afterglow Cosméticos são isentos de glúten-tanto a mãe e a irmã da fundadora Kristin Adams têm a doença celíaca, e ela acredita firmemente na importância dos produtos sem glúten.

Se um produto não está explicitamente rotulado como isento de glúten, leia o rótulo cuidadosamente, pois o glúten pode aparecer em muitos ingredientes diferentes. Evite aqueles que contenham trigo, cevada, malte, centeio, aveia, Triticum vulgare, Hordeum vulgare, Secale Cereale, e Avena Sativa. Também é importante entrar em contacto com o fabricante para confirmar se o produto contém glúten, diz Bast: "É demorado, mas quando encontrar uma marca que funciona para si, pode mantê-la", diz ela. "Há trabalho de casa que precisa de ser feito para nos mantermos saudáveis."

Mesmo que não faça alterações ao seu kit de maquilhagem, pode tomar medidas para se proteger. Lave as mãos após a aplicação de qualquer tipo de produto cosmético ou de higiene pessoal. E telefone ao seu dentista com um mês de antecedência a uma consulta para se certificar de que ele usa produtos sem glúten, Bast sugere. Caso contrário, a visita poderia provocar um reaparecimento de sintomas.

"Quando vive com algo todos os dias da sua vida, você tende a descobrir as coisas através de um insuportável processo de erro e tentativa", diz Jones. "Depende mesmo de cada um decidir se os cosméticos sem glúten são para si. Para algumas pessoas, é uma escolha. Para outros, é uma necessidade."

* NT- Informação aplicável apenas aos EUA
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