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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Os frutanos e a dieta sem trigo

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Foi publicado recentemente na revista Gastroenterology um novo estudo que traz uma outra acha para a fogueira da sensibilidade não celíaca ao glúten, uma entidade que se sabe existir, mas talvez não com o impacto que se pensa ter. Esta pesquisa encontrou alguma evidência (sendo que a amostra é pequena) que os frutanos no trigo seriam os culpados pelos distúrbios gastrointestinais normalmente atribuídos ao glúten em pessoas que não são doentes celíacos. Em todo o caso, o resultado final seria sempre a expulsão do trigo da dieta.

Não me parece de todo estranho o resultado desta pesquisa: sabe-se que o trigo é um alimento de difícil digestão e acho que é normal assumir que vários dos seus componentes, para além do glúten, possam causar distúrbios gastrointestinais. Como já partilhei antes, o meu filho mais velho, que é um celíaco diagnosticado sem qualquer dúvida, reage com febre à ingestão de produtos com amido de trigo sem glúten. Daí que, cá em casa, não entram produtos com esse ingrediente e acho preocupante que se esteja a vulgarizar nos produtos aptos para celíacos.

Deixo então um artigo que noticia esta nova pesquisa.


"O frutano, e não o glúten, pode ser o verdadeiro culpado por muitas dores de barriga

Uma nova pesquisa sugere que o frutano, e não o glúten, pode ser o vilão que causa azia a muitas pessoas.

Embora apenas um por cento da população seja afectada pela doença celíaca, as dietas sem glúten tornaram-se uma tendência alimentar importante nos últimos anos. A sensibilidade ao glúten não celíaca é um tema controverso entre muitos investigadores, com cerca de 13% da população a alegar sofrer desta síndrome. Um novo estudo sugere agora que os frutanos, e não o glúten, podem ser a fonte dos distúrbios gastrointestinais em muitas pessoas.

Com pesquisas recentes a apontarem para uma relação entre dietas de baixo teor de glúten e um maior risco de diabetes tipo 2, a tendência moderna em evitar o glúten é vista cada vez mais como uma moda dietética perigosa, que pode potencialmente fazer mais mal do que bem. No entanto, o peso anedótico de pessoas que não são doentes celíacos e que afirmam sentir-se melhor ao evitar o glúten, não pode ser negado. Uma grande parte destes relatos certamente pode ser associada a um efeito psicológico, ou placebo, mas e se houver outro culpado responsável?

O frutano é um tipo de hidrato de carbono encontrado no trigo, e muitos cientistas estão a começar a suspeitar que poderá ser o vilão por detrás das perturbações gastrointestinais agudas de muitas pessoas, em vez do glúten. O frutano também se encontra em cebolas, alhos, espargos, couves e alcachofras.

Um novo estudo de uma equipa internacional de investigadores agrupou 59 indivíduos que estavam numa dieta isenta de glúten auto-imposta, mas que também não eram doentes celíacos. Cada pessoa passou sete dias a comer barras de muesli com glúten, frutano ou nenhum destes. Com uma semana para limpar os seus sistemas entre cada desafio, todos os participantes alternaram entre os três grupos enquanto avaliavam os seus sintomas gastrointestinais.

Os resultados foram fascinantes, com a barra de muesli com o frutano a induzir a maioria dos sintomas em geral. Em média, o estudo também não encontrou diferença nos sintomas relatados entre os grupos do glúten e o placebo.

Enquanto estudos anteriores encontraram uma ligação entre os frutanos e os sintomas da síndrome do intestino irritável, este é o primeiro a examinar de perto a ligação naqueles que alegam padecer duma sensibilidade ao glúten não celíaca.

"O glúten foi originalmente considerado culpado por causa da doença celíaca e o facto de que as pessoas se sentiam melhores quando pararam de comer trigo", diz um dos autores do estudo, Peter Gibson, à revista New Scientist. "Agora, parece que a suposição inicial estava errada".

A sensibilidade ao glúten não celíaca pode certamente ser uma condição real, mas há uma possibilidade crescente de que aqueles que se sentem inchados e desconfortáveis após certas refeições estão, na realidade, a reagir aos frutanos e a confundir isso com uma intolerância ao glúten.

O estudo foi publicado na revista Gastroenterology."


quinta-feira, 28 de julho de 2016

Novo estudo sobre sensibilidade não celíaca ao trigo

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Aos poucos, a ciência avança e dá razão a todos aqueles que se queixam de sintomas associados ao consumo de glúten e/ou trigo, mas não preenchem os critérios para o diagnóstico de doença celíaca. Os estudos parecem apontar agora a mira ao trigo, ao invés de se culpar apenas o glúten, o que poderia, em parte, explicar porque alguns celíacos reagem também quando consomem produtos isentos de glúten, mas em que se utilizou amido de trigo desglutinizado na sua confecção. Deixo a tradução de um artigo da Fox News desta semana em que se aborda este novo estudo publicado na revista Gut.


"Sensibilidade ao glúten pode ser causada por resposta imune, é a conclusão de estudo.
Os indivíduos que sofrem de sensibilidade ao glúten, mas não têm a doença celíaca, podem finalmente ter uma explicação para a sua condição, de acordo com um novo estudo da Columbia University Medical Center (CUMC).

A equipa, em colaboração com a Universidade de Bolonha, na Itália, descobriu que os pacientes que experimentam vários sintomas gastrointestinais em resposta à ingestão de trigo podem sofrer de uma reacção inflamatória imune inespecífica que não é encontrada em pacientes com doença celíaca.

A inflamação, os investigadores disseram, deve-se a um intestino permeável, e a condição é referida como sensibilidade não celíaca ao glúten ou trigo (SNCGT). Os sintomas de SNCGT incluem problemas intestinais, bem como fadiga, dificuldades cognitivas ou distúrbios do humor.

"O nosso estudo mostra que os sintomas relatados pelos indivíduos com esta condição não são imaginados, como algumas pessoas têm sugerido," disse em comunicado à imprensa o co-autor do estudo Dr. Peter H. Green, professor de Medicina Phyllis e Ivan Seidenberg na CUMC e director do Celiac Disease Center. "Isto demonstra que existe uma base biológica para estes sintomas num número significativo destes pacientes."

Em pessoas com doença celíaca, o sistema imunitário ataca o revestimento do intestino delgado após a ingestão de glúten de trigo, centeio ou cevada. Isto produz vários sintomas gastrointestinais, como dor de estômago, diarreia e distensão abdominal. Os indivíduos com doença celíaca mostram dano intestinal, mas, ao contrário de pacientes com SNCGT, não demonstram uma resposta imune sistemática em grande escala.

Num estudo publicado na revista Gut, os investigadores examinaram 160 participantes: 80 com SNCGT, 40 com doença celíaca e 40 com nenhuma das condições. Descobriram que a SNCGT está ligada a uma barreira intestinal enfraquecida que permite que o movimento de micróbios e moléculas alimentares passem dos intestinos para o resto do corpo. Isto, os investigadores sugerem, em última instância, resulta na resposta imune inespecífica que os pacientes encontram em resposta ao glúten.

"Um modelo de activação imune sistémica seria consistente com o início geralmente rápido dos sintomas, relatado por pessoas com sensibilidade não-celíaca ao trigo," disse em comunicado à imprensa o principal autor do estudo Armin Alaedini, PhD, professor assistente de Medicina na CUMC.

Os autores do estudo estimam que cerca de 3 milhões de americanos sofrem de SNCGT. No entanto, também constataram que os pacientes com SNCGT que excluiram o trigo e glúten das suas dietas durante seis meses relataram melhorias significativas tanto nos sintomas intestinais como não intestinais.

Os investigadores esperam que estudos futuros lhes permitiram compreender melhor os mecanismos responsáveis pela SNCGT e pela doença celíaca. "Estes resultados mudam o paradigma do nosso reconhecimento e compreensão da sensibilidade não-celíaca ao trigo e, provavelmente, vai ter implicações importantes para o diagnóstico e tratamento", disse no comunicado de imprensa outro co-autor, o Dr. Umberto Volta, professor de Medicina Interna na Universidade de Bolonha. "Considerando o grande número de pessoas afectadas pela patologia e o seu significativo impacto negativo na saúde dos pacientes, esta é uma área importante de pesquisa que merece muito mais atenção e financiamento."


terça-feira, 31 de maio de 2016

Má absorção de vitamina B-12

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Para fechar o Mês do Celíaco, deixo um relato na primeira pessoa de um diagnóstico de doença celíaca feito por uma médica de Urgência americana: é um exemplo de diagnóstico que todos os celíacos merecem, pois a médica em questão foi para além das evidências e pensou "fora da caixa". A maioria dos médicos perante um cidadão chinês (país onde os casos de DC são raros ou eram, até há pouco, considerados raros) com falta de vitamina B-12 poderia ter-se limitado a prescrever suplementos. Mas ela não o fez. E isto é o que precisamos, médicos que vejam para além das anemias, das tiroidites, do excesso de peso ou da falta de sintomas gastrointestinais, e rastreiem para doença celíaca. Aos poucos, um dia, chegamos lá.

"Medicina de Urgências: queda no chuveiro leva a dieta sem glúten

(...) Um jovem estudante universitário entrou no nas Urgências com dor no ombro depois de cair no chuveiro. Estes são lugares habituais em quedas, por isso, não era uma situação incomum. No início. Disse então que tinha perdido o equilíbrio depois de fechar os olhos e inclinar a cabeça para trás para retirar o champô do cabelo. Ele caiu e bateu na parede com o ombro. Para um jovem de 20 anos, manter o equilíbrio normalmente não é um grande desafio.

Enquanto disse que o ombro lhe doía um pouco, mostrou-se mais preocupado com a dormência nos pés, que, juntamente com fraqueza generalizada e fadiga ao longo das últimas semanas, levou-o a visitar o seu médico para fazer exames. Os exames de sangue mostraram que o paciente tinha uma anemia leve, o que levou o médico a verificar o seu nível de vitamina B-12, que estava baixo. O médico tinha começado então a fazer mais testes para descobrir a causa da deficiência de B-12. (...)

(...) Assumindo que a dormência nos pés do meu paciente estava, de facto, relacionada com a sua deficiência de vitamina, a sua condição provavelmente melhoraria à medida que os níveis de B-12 normalizassem. O próximo passo era determinar porque o seu nível estava tão baixo.

Como a sua ingestão de B-12 era suficiente, a segunda causa provável era pouca absorção de B-12 no estômago ou intestinos. A anemia perniciosa, uma das causas mais frequentes de baixa B-12 por má absorção, é marcada pela ausência de uma proteína no estômago. Os pacientes geralmente são mulheres de ascendência do Norte da Europa e, mais frequentemente, com idade superior a 60 anos. Uma vez que o meu paciente era um homem asiático de 20 anos de idade, a anemia perniciosa seria um tiro no escuro. Outras possibilidades eram a doença celíaca, HIV, inflamação crónica do pâncreas e até mesmo um tipo de infecção por ténia.

Quando perguntamos mais sobre a sua recente história dietética, o meu paciente disse que estava nos Estados Unidos há seis meses com um visto de estudante. Apesar de ter aderido a uma dieta mais tipicamente chinesa, rica em peixe e arroz, recentemente tinha vindo a comer muita pizza. Esta está cheia de glúten, será que ele poderia ter a doença celíaca? É uma condição auto-imune que faz com que o corpo ataque as células que absorvem o glúten no intestino delgado. Embora mais comummente associado com algum tipo de desconforto gastrointestinal, tais como diarreia ou cólicas abdominais, a doença celíaca pode ter poucos ou nenhum sintoma. Também pode prejudicar a capacidade do intestino em absorver a vitamina B-12.

As pessoas de ascendência chinesa, normalmente, não têm doença celíaca, mas alguma literatura recente sugere que esta pode ser mais comum do que pensávamos.

Entretanto, os raios-X do ombro do meu paciente estavam normais, e diagnostiquei uma separação menor no ombro, que não requeria cirurgia.

(...) Por fim, o paciente reuniu-se com um gastrenterologista que lhe diagnosticou a doença celíaca, e ele pode verificar o retorno dos níveis de B-12 ao normal quando eliminou o glúten da sua dieta. Posso informar que a dormência está a melhorar também."


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Contar ou não?

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Um post recente no blog Anti-Wheat Girl chamou-me à atenção um artigo de opinião que saiu no jornal Washington Post em que uma mãe relata como optou por, durante um mês, não contar à filha de 11 anos que tinha sido diagnosticada com doença celíaca. A criança já tinha um diagnóstico de tiroidite de Hashimoto e a mãe não a queria “sobrecarregar”. Aliás, os pais tentaram encontrar um médico que lhes dissesse que podiam esquecer o diagnóstico de doença celíaca. Felizmente, ninguém lhes disse isso.

Contudo, não partilharam o resultado da biópsia com a filha inicialmente porque esta estava a frequentar um campo de férias. Decidiram contar-lhe quando regressasse, mas entretanto foram passar uma temporada à praia e continuaram sem lhe contar, isto enquanto a viam ingerir glúten despreocupadamente. Foi na viagem de regresso que a menina perguntou pelo resultado da biópsia e os pais lhe explicaram o resultado. Surpreendentemente para os pais, a criança aceitou bem o diagnóstico e aderiu à dieta sem problemas.

Enquanto resisto ao impulso de criticar estes pais, tento compreender: a criança, aparte dores de barriga ocasionais, era assintomática. Eles não tinham feito o percurso de muitos pais que vêm os filhos a adoecerem dia após dia, sem resposta por parte dos médicos; nesta situação, quando aparece o diagnóstico de doença celíaca, o que domina é a sensação de alívio, porque já tantos cenários terríveis lhes tinham ocorrido. Além disso, ela já tinha outra doença auto-imune que, apesar de controlada, gera sempre preocupações. Como diz a mãe a dada altura, ”Eu não queria lidar com isso. Para além da minha auto-comiseração, sentia-me mal em pensar como a minha filha, sendo tão nova, teria que estar hiper-vigilante acerca da sua saúde e dieta”. 

No entanto, o facto é que enquanto estivesse a comer glúten, apesar de uma aparência saudável, o seu intestino deteriorar-se-ia cada vez mais. Até que ponto é que eles iam “esquecer” o diagnóstico? E como é que aguentavam vê-la comer glúten quando sabiam o mal que lhe fazia? Considerando que se trata de uma criança de 11 anos, capaz de compreender e gerir as consequências do seu diagnóstico, ainda se compreende menos que os pais tomassem esta decisão por ela. Especialmente, como se veio a verificar, quando não havia razões para dramatizar a situação.

Aceito, apesar de ter dificuldades em compreender, que um adulto queira ignorar um diagnóstico de doença celíaca (até conheço alguns). Que pais o façam já não consigo aceitar. Por mais que custe “digerir” um diagnóstico de doença celíaca, principalmente com o impacto que ainda tem na vida social dos seus portadores, é essencial, após um compreensível período de luto pela realidade que já não o é, focarmos os seus aspectos positivos: a dieta recupera a saúde sem necessidade de medicamentos e pode evitar o desenvolvimento de outras doenças a longo prazo. Que pai/mãe não deseja isso para a sua criança?

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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Anemia ferropénica e o glúten

Houve recentemente algum falatório na blogosfera sobre a anemia e a sua alta prevalência na sociedade portuguesa. A anemia é também o sintoma clássico da doença celíaca na idade adulta; vai daí, lembrei-me desta minha falha, nunca ter publicado nada sobre este tema. Hoje faço essa correcção, traduzindo um artigo do site About.com.

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"A anemia é um sintoma muito comum da doença celíaca. Por que é que a anemia e a doença celíaca muitas vezes aparecem juntas? Em primeiro lugar, vamos rever algumas informações básicas sobre anemia.

Na anemia, a capacidade do sangue de transportar oxigénio aos tecidos é prejudicada por causa de uma falta de hemoglobina (a proteína molécula complexa nos glóbulos vermelhos que transporta o oxigénio). Os sintomas da anemia podem incluir falta de ar, fadiga, fraqueza, tonturas, sensação de frio habitual, pulso rápido, palpitações e dor de cabeça.

A anemia tem múltiplas causas. O tipo mais comum de anemia - quer a nível mundial, e na doença celíaca - é conhecida como anemia por deficiência de ferro. O ferro é um componente crítico da hemoglobina, por isso, quando uma pessoa está deficiente em ferro, o corpo não a pode produzir em quantidades suficientes.

As pessoas com doença celíaca também podem ter anemia crónica, que está relacionada com o dano no intestino resultante da ingestão de glúten.

Anemia por deficiência de ferro

Na população em geral, a anemia por deficiência de ferro é geralmente causada por perda de sangue. A perda de sangue pode ser óbvia (por exemplo, com trauma ou hemorragia menstrual) ou invisível (tal como com uma úlcera de sangramento ou pólipo hemorrágico no tracto gastrointestinal). A anemia por deficiência de ferro também é, ocasionalmente, devida a uma dieta pobre em ferro ou gravidez, pois é necessário ferro extra para satisfazer as necessidades do feto e porque o corpo da mãe contém muito mais sangue durante a gravidez.

No entanto, entre as pessoas com anemia por deficiência de ferro que não é explicada por qualquer um desses outros problemas, há uma alta prevalência de doença celíaca. Por exemplo, de acordo com a American Gastroenterological Association (AGA), entre as pessoas com deficiência de ferro e sem sintomas gastrointestinais típicos de doença celíaca, 2% a 5% terão testes sanguíneos positivos para doença celíaca e 3% a 9% terão biópsias positivas.

Em pacientes com anemia por deficiência de ferro que têm sintomas gastrointestinais, a prevalência de doença celíaca é ainda maior: 10% a 15%. Portanto, a AGA recomenda que qualquer adulto com anemia por deficiência de ferro inexplicável (incluindo mulheres menstruadas) seja testado para a doença celíaca.

Porque é que a anemia por deficiência de ferro é tão comum entre os celíacos? Quando a doença celíaca não é tratada com uma dieta isenta de glúten, o revestimento do intestino delgado é danificado, o que leva à má absorção de ferro e outros nutrientes. Quando a quantidade de ferro absorvido por via gastrointestinal é inadequada, o resultado é anemia por deficiência de ferro. (Outras condições que estão associadas com má absorção e anemia por deficiência de ferro incluem a doença de Crohn, o uso excessivo de anti-ácidos e a cirurgia de bypass gástrico.)

Anemia por doença crónica

Enquanto a anemia por deficiência de ferro é uma consequência bem conhecida da doença celíaca, investigadores da Universidade de Columbia relataram pela primeira vez em 2006 que os pacientes com doença celíaca recém-diagnosticada têm uma "prevalência inesperadamente alta de anemia, não unicamente devida à deficiência de ferro." Especificamente, cerca de 12% dos seus pacientes anémicos tinha uma forma conhecida como "anemia por doença crónica." Este tipo, por vezes referido como "anemia de inflamação crónica", é normalmente observada em pacientes com infecções de longa data e doenças inflamatórias ou malignas. Nestas condições, a resposta do sistema imunitário para combater a inflamação pode interferir com a produção de células vermelhas do sangue.

Assim, e como as pessoas com doença celíaca que ingerem glúten têm uma intensa resposta inflamatória nos seus intestinos, não é surpreendente que a anemia por doença crónica se possa desenvolver. Um estudo italiano posterior mostrou que os pacientes com doença celíaca não tratada podem ter ambas formas, ao mesmo tempo: a anemia por deficiência de ferro e anemia por doença crónica.

Os testes para Anemia

O ensaio que revela mais comumente a anemia é um hemograma, em que os componentes do sangue são contados e analisados. Especificamente, as medidas das células vermelhas do sangue, glóbulos brancos, a quantidade de hemoglobina no sangue, a proporção de sangue representado por células vermelhas do sangue (conhecido como o hematócrito), e o tamanho médio dos glóbulos vermelhos (volume corpuscular médio). Outras informações – através de um exame microscópico de forma, cor e tamanho de células vermelhas do sangue e estudos de ferro - podem ajudar a determinar a causa da anemia."

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terça-feira, 18 de agosto de 2015

As doenças reumatológicas e a sensibilidade ao glúten

No post anterior abordei a questão dos sintomas músculo-esqueléticos na doenca celíaca; o post de hoje segue o mesmo tema, mas aborda a questão das doenças reumatológicas na ausência de doença celíaca. Como já sabemos, o problema com o glúten não se esgota na doença celíaca- existe ainda a sensibilidade não celíaca ao glúten e a alergia ao trigo. 

O artigo de hoje é um estudo espanhol publicado na revista Reumatologia Clínica e, sendo algo extenso, extraí daí alguns casos de pacientes que melhoraram significativamente das suas queixas, tendo despistado negativamente a doença celíaca, com a dieta isenta de glúten. É um artigo um pouco técnico, mas quem sofre destas doenças conseguirá certamente reconhecer os exames abordados.

"Sensibilidade não celíaca ao glúten e espondiloartrite

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Caso 1: mulher de 28 anos, com dor inflamatória crónica nas costas e fadiga com 10 anos de evolução. As radiografias simples mostraram sacroileíte bilateral evidente. Na RM da sacroilíaca foram observados os seguintes sinais de sacroileíte: Esclerose, marcadas erosões periarticulares e edema ósseo e bilateral. O B27 foi positivo, de modo que o diagnóstico da espondilite anquilosante foi estabelecido. Tinha uma irmã com DC. Não tinha quadro digestivo associado. A sorologia para DC com teste de despistagem de anticorpos transglutaminase e anti-peptídeos desaminados da gliadina, tanto IgG como IgA, foi negativa. A tipagem HLA mostrou DQ7 homozigótico, na ausência de DQ2 e DQ8. A biópsia duodenal mostrou uma infiltração intraepitelial de 37 por 100 enterócitos CD3, sem atrofia das vilosidades. A melhoria da dor nas costas e astenia ficou clara depois de três meses desde o início da dieta isenta de glúten. Aos 10 meses, houve resolução da dor lombar crónica, com recorrência após a ingestão inadvertida de glúten.

Caso 2: mulher de 28 anos, com dor lombar crónica e dor generalizada de características inflamatórias com critérios de Fibromialgia, um ano de evolução. O HLA B27 tinha título negativo e positivos os ANA em 1/80, sem especificidade. As radiografias simples mostraram esclerose de ambos as sacroilíacas com um diagnóstico diferencial difícil entre condensação osteíte do ilíaco e sacroileíte. A RM mostrou esclerose, erosões ósseas e edema demonstrativo de sacroileíte. A paciente reunia portanto critérios ASAS de espondiloartrite axial. Além disso, tinha um quadro digestivo associado com dispepsia, náuseas e vómitos. A sorologia para DC foi negativa. A tipagem HLA mostrou DQ7 e DQ6, com ausência de DQ2 e DQ8. A biópsia duodenal mostrou infiltração de 44 linfócitos intra-epiteliais CD3 por 100 enterócitos, sem atrofia das vilosidades. O quadro clínico foi remetido após sete meses de dieta isenta de glúten, tanto de dor nas costas, dor no corpo, e quadro digestivo. Aos 20 meses de acompanhamento, a remissão clínica foi mantida e referiu dor e a recorrência do quadro digestivo quando o glúten era retomado.

Caso 3: mulher de 50 anos de idade diagnosticada com espondilite anquilosante nos três anos anteriores, com sacroileíte bilateral em radiografia simples, com HLA B27 positivo. Tinha dor lombar inflamatória refratária incapacitante e grave, com resposta insuficiente a anti-inflamatórios. A RM da sacroilíaca mostrava esclerose, erosões ósseas e edema demonstrativo de sacroileíte activa. Sem esteróides, e difícil de gerir devido à coexistência de obesidade, espondiloartrose, hipertensão, alteração crónica das transaminases, diabetes mellitus, hipotireoidismo auto-imune e diarreia. A dor condicionada a uma vida limitada usando muletas e cadeira de rodas, dependentes de outras pessoas para o cuidado pessoal. Ileocolonoscopia com biópsias do íleo e cólon eram normais. A sorologia para DC era negativa; o HLA mostrou DQ5 homozigótico com ausência de DQ2 e DQ8. Foi oferecida a possibilidade de biópsia duodenal, mas a paciente optou por tentar a dieta isenta de glúten sem a fazer. Com a dieta e vitamina D a evolução foi muito favorável, com a remissão da dor incapacitante nas costas e diarreia em sete meses. Persistia a lombalgia mecânica e astenia. Foi adicionada uma dieta sem produtos lácteos com melhoria da fadiga. Na RM da sacroilíaca realizada aos 17 meses de follow-up foi observada remissão de edema ósseo. A paciente tinha recuperado a vida activa normal e voltado a trabalhar. Não voltou a ingerir glúten.

Caso 4: um homem de 39 anos, com dor lombar crónica com mais de 15 anos de evolução, espondilite psoriática diagnosticado com base em sacroileíte com edema ósseo na RM da sacroilíaca e psoríase. A condição do paciente era refractária e tinha sido proposta terapia biológica antagonista do factor de necrose tumoral. Teve uma criança celíaca, não tinha associados sintomas digestivos. A sorologia para DC foi negativa e mostrou DQ2.2 HLA (DQA1 * 02-DQB1 * 02). A biópsia duodenal marcava infiltração de 60 linfócitos intra-epiteliais CD3 por 100 enterócitos, sem atrofia das vilosidades. A dor nas costas melhorou notavelmente em cerca de um mês com dieta isenta de glúten. Num ano de acompanhamento, permaneceu em remissão da dor lombar com recidiva após ingestão de glúten. Não houve melhoria da psoríase.

Estes quatro pacientes com espondiloartrite axial, dois deles com espondilite anquilosante e um com espondiloartrite psoriática. São sensíveis ao glúten, com resposta clínica claro à dieta isenta de glúten apesar da DC ter sido descartada. Em dois casos, há um familiar celíaco. A melhoria da dor lombar crónica foi muito significativa, a ponto de haver resolução do quadro clínico, e em um caso foi observado remissão de edema da sacroilíaca mesmo depois de um longo tempo de acompanhamento. Além disso, em três pacientes nos quais houve exposição ao glúten, esta foi seguida de recaída clínica. É improvável que uma melhoria clínica como a descrita seja devido a uma coincidência ou efeito placebo. A observação de linfocitose intraepitelial juntamente com a evolução clínica apoia o conceito de espondiloartrite enteropática por sensibilidade não-celíaca ao glúten.

Sensibilidade não celíaca ao glúten e autoimunidade

Caso 5: mulher de 51 anos, seguida noutro centro artrite reumatoide erosiva, anti-CCP positivo. A sua situação clínica estava mal-controlada apesar de tratamentos químicos e biológicos. Era refractária ao tratamento anti-TNF e tinha sido incluída em ensaios clínicos de novos biológicos, como o ocrelizumab. Fez tratamento com metotrexato, rituximab, corticóides, indometacina, inibidores da bomba de prótons e sertralina. Embora a inflamação estivesse razoavelmente controlada com o tratamento com imunossupressores, ela tinha dor e astenia, diarreia, distensão e candidíase oral. A dor severa e a astenia condicionavam uma vida dependente. A sorologia para DC foi negativa. Decidiu-se tentar uma dieta isenta de glúten sem fazer tipagem HLA ou biópsia duodenal. A dieta foi seguida por clara melhoria em todos os quadros clínicos em seis meses. Aos quatro anos de dieta, mantinha-se em excelente estado clínico e tinha vida independente, fazia excursões ao campo e dançava zumba. Mantinha o tratamento com metotrexato 15mg semanais e prednisona por via oral 2,5 mg diários. Ao retomar o glúten tinha recorrência de diarreia, astenia e artrite, corroborando a sensibilidade ao glúten.

Caso 6: mulher de 39 anos, enviada por poliartrite simétrica, incluindo a participação da MCF e IFP, seis anos de evolução. RF, anti-CCP, ANA e HLA B27 foram negativos. Tinha recebido tratamento com sulfassalazina e corticosteróides, com melhoria parcial. Tinha associada astenia importante, candidíase oral e história de anemia por deficiência de ferro. Ela tinha sido previamente diagnosticada com síndrome do intestino irritável. A sorologia para doença celíaca foi negativa. A tipagem HLA mostrou a presença de HLA DQ8 e a biópsia duodenal mostrou 34 CD3 por 100 enterócitos. Aos nove meses após começar dieta isenta de glúten, teve resolução do quadro clínico. Encontrava-se assintomática, mantendo apenas sulfassalazina 1,5 g por dia, e tinha resolvido a anemia anterior. Aos dois anos de iniciar a dieta, permanecia assintomática, sem medicação. Recusou reintroduzir o glúten.

Caso 7: mulher de 49 anos, com diagnóstico de esclerose sistémica de forma limitada. Tinha Raynaud severo, com anticorpos centrómeros 1 / 2560. O resto das análises eram normais excepto Hb 11,5 g/dl. A gastroscopia mostrou gastropatia hipertensiva com angiodisplasia gástrica (water melon). O estudo do envolvimento cardiopulmonar foi negativo. O quadro clínico tinha quatro anos de evolução. Ela tinha fadiga severa, incapacidade de concentração e memória, distensão, diarreia intermitente, refluxo gastro-esofágico e candidíase oral. Não tinha tolerado o tratamento com esteróides. A coloração imuno-histoquímica da biópsia duodenal anteriormente considerada normal apresentou 25 CD3 por 100 enterócitos. Tinha o haplótipo HLA DQ2.5. Aos seis meses após o início da dieta, os sintomas digestivos tinham melhorado, assim como a fadiga e a Raynaud. Deixou de tomar a nifedipina. Adicionou-se suplementos minerais multivitamínicos, coenzima Q10 e Omega 3. Aos 18 meses após dieta estava assintomática, com resolução de sintomas digestivos, fadiga e cansaço mental. A Raynaud retornava ocasionalmente. Os anticorpos centrómero eram positivos a 1/160. A ingestão ocasional de glúten era seguida imediatamente por astenia, aftas e recidiva da sintomatologia digestiva.

Caso 8: mulher de 46 anos, com um quadro de mais de 10 anos de evolução com poliartrite e síndrome seco ao que posteriormente se juntou o fenómeno de Raynaud, teleangiectasias e úlceras digitais. Os dados analíticos mostraram FR 556 U, ENA anti-SS-A / Ro> 600, anti-ENA 140 U1 RNP RNP e anti-ENA-70 114. A capilaroscopia foi consistente com esclerose sistémica. A biópsia de glândula salivar foi consistente com a doença de Sjögren. Tinha-lhe sido sido prescrito o tratamento com corticosteróides, metotrexato, azatioprina, antimaláricos, leflunomida, estatinas, terapia antiplaquetária, anti-inflamatórios não esteróides, inibidor da bomba de prótons e antidepressivos. Ela tinha efeitos colaterais da medicação e baixa adesão ao tratamento. Tinha associada fadiga grave, diarreia e aftas orais. A sorologia para doença celíaca foi negativa e a biópsia duodenal normal. A tipagem HLA mostrou DQ2.2 (DQA1 * 02-DQB1 * 02) e DQ8. Aos quatro meses de iniciar dieta isenta de glúten teve clara melhoria nos sintomas gastrointestinais, fadiga e aftas assim como melhoria do inchaço nas mãos e lesões digitais. Se retomar o glúten, tem recorrência da diarreia. Dois anos mais tarde, a paciente está bem tratada com a dieta, leflunomida 10 mg por dia, Dacortín® 2,5 mg diários e suplementos vitamínicos e minerais. Os marcadores de autoimunidade mantiveram-se positivos para títulos similares.

Caso 9: mulher de 44 anos, encaminhada para outro hospital por repetição de artrite. Tinha ANA positivo flutuante e anticardiolipina IgG e IgM positivo em título baixo. Diarreia e astenia importante associadas; tinha sido diagnosticada com a síndrome do intestino irritável, e tinha uma filha com doença celíaca. A DC foi descartada pela sorologia negativa e biópsia duodenal, no entanto a paciente seguia desde há três anos uma dieta isenta de glúten não rigorosa, com clara melhoria nos seus sintomas, e pioria se ingeria glúten. Não quis fazer provocação. Os ANA foram positivos 1/160 e os anticorpos anticardiolipina foram negativos. Tinha o haplótipo HLA DQ2.5 e a revisão da biópsia duodenal anterior mostrou enteropatia Marsh tipo 1, 33 CD3 por 100 enterócitos. Foi recomendada uma restrita dieta isenta de glúten assim como a remoção de lácteos; foram adicionados suplementos de vitaminas e minerais, e Omega 3. No acompanhamento aos dois anos estava em remissão dos sintomas digestivos, da fadiga e do quadro articular. Os ANA estavam positivos a título 1/80 , a anticardiolipina mantinha-se negativa.

Neste artigo, postulamos a hipótese, com base em motivos razoáveis e observações clínicas, que a sensibilidade não celíaca ao glúten está associada a uma grande variedade de manifestações reumatológicas, incluindo fibromialgia, espondiloartrite e doenças autoimunes sistémicas. Na nossa experiência, os dados clínicos mais importantes que indicam a presença desta condição são a fadiga inexplicável grave, aftas, os sintomas digestivos associados, anemia por deficiência de ferro e ter um familiar celíaco. Estes dados clínicos devem ser particularmente considerados quando os pacientes com doença sistémica têm associado um quadro de fibromialgia. O bom desempenho após a dieta isenta de glúten, tanto nas manifestações do tipo da fibromialgia, bem como da artrite e sacroileíte, fazem-nos pensar que a sensibilidade ao glúten pode ter um papel etiopatogénico que funciona como gatilho em alguns pacientes com doenças autoimunes sistémicas."



quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Sintomas músculo-esqueléticos e o glúten

Imagem retirada da Net
Este novo estudo americano relembrou-me a importância em chamar a atenção para os sintomas músculos-esqueléticos tantas vezes associados às condições associadas ao glúten. São inúmeros os relatos que já encontrei de pessoas cuja primeira evidência de que a dieta sem glúten estava a funcionar prendia-se com o desaparecimento das dores nas articulações. Deixo um artigo da Healthline sobre o mesmo estudo.


"Novo estudo mostra que crianças com problemas nas articulações devem ser rastreadas para a condição auto-imune que é a doença celíaca.

A doença celíaca afecta pelo menos 1 em 133 pessoas nos Estados Unidos - muitos deles crianças. Cerca de 300.000 crianças nos EUA vivem com artrite juvenil. Agora, pode-se ter descoberto uma ligação.

Crianças com sintomas reumáticos, tais como dor nas articulações, inchaço das articulações ou problemas vários do tecido conjuntivo devem ser examinado para a doença celíaca (DC). Essa é a recomendação de um novo estudo publicado na revista Pediatrics.

Investigadores da Unidade de Reumatologia Pediátrica do Hospital for Special Surgery, em Nova Iorque (HSSNY), bem como da Divisão de Reumatologia do Mount Sinai Medical Center, em Nova Iorque e da Divisão de Reumatologia Pediátrica da Robert Wood Johnson Medical School, em Nova Jérsia, passaram sete anos a investigar uma possível ligação entre a apresentação pediátrica de dor nas articulações e doença celíaca.

Dor nas articulações na infância e a doença celíaca
Entre junho de 2006 e dezembro de 2013, a equipe de investigadores estudou 2.125 pacientes com idades entre os 2 e os 16 anos que foram tratados na Divisão de Reumatologia do HSSNY.

Destes, 36 eram suspeitos de ter doença celíaca "silenciosa" (sem sintomas gastrointestinais). 30 destes 36 tiveram a suspeita de doença celíaca confirmada através de exames de sangue e endoscopia. 22 destes pacientes apresentaram apenas dor músculo-esquelética e nenhum dos sintomas gastrointestinais clássicos da doença celíaca. Apenas 12 dos pacientes relataram sintomas intestinais, provando quão ampla pode ser a lista de possíveis sintomas celíacos.

Actualmente, nem o Colégio Americano de Gastrenterologia, nem a Sociedade Norte-Americana de Gastroenterologia Pediátrica, Hepatologia e Nutrição, consideram como grupo de risco os doentes com artrite juvenil ou crianças que apresentam problemas nas articulações ou dor músculo-esquelética. Os investigadores deste estudo querem que isso mude. Afirmaram que, "Os nossos dados sugerem que pode haver um subgrupo de pacientes com DC silenciosa que se apresenta com sintomas músculo-esqueléticos isolados e que, talvez, [a artrite idiopática juvenil] não é um diagnóstico adequado nestes casos. Os clínicos devem estar atentos em casos como estes de modo a avaliar adequadamente para DC. "

O que pensam os especialistas?
De acordo com o Hospital for Special Surgery, em Nova Iorque, "As pessoas com doença celíaca são mais propensas a ter doenças auto-imunes como a artrite reumatóide ou lúpus, mas a relação exacta ainda está sob investigação."

A Dra. Margalit Rosenkranz, uma reumatologista pediátrica da Divisão de Reumatologia Pediátrica do Hospital Infantil de Pittsburgh, concorda. Ela disse ao Healthline, "A doença celíaca é uma doença sub-diagnosticada e há alguns pacientes que se apresentam com dores nas articulações e queixas extra-abdominais. Há uma conhecida associação entre a doença celíaca e dor nas articulações ou artrite comum. Normalmente, esses pacientes já têm um diagnóstico de doença celíaca e, em seguida, desenvolvem sintomas nas articulações ou músculos. "

A Dra. Rosenkranz acrescentou que uma dieta sem glúten - o único tratamento para a doença celíaca - nem sempre é uma maneira infalível para acabar com a dor nas articulações: "Entre quem tem dor nas articulações associada a doença celíaca, algumas crianças poderão responder a uma dieta isenta de glúten, mas não é certo que eliminar o glúten tratará sempre a dor nas articulações."

Esta médica reconheceu o valor em continuar esta linha de investigação e potencialmente fazer o rastreio para a doença celíaca em crianças com dor nas articulações.

"A triagem de anticorpos celíacos em todas as crianças com dor nas articulações ou inchaço das articulações não é feito rotineiramente, mas como é demonstrado pelo estudo recente [do] Hospital for Special Surgery, pode valer a pena o rastreio de todas estas crianças para a doença celíaca", disse a Dra. Rosenkranz.

A Arthritis Foundation reconhece que iniciar uma dieta sem glúten para tratar a artrite pode ser benéfico, mas muitos dos seus especialistas afirmam que ainda não está provada esta relação. No entanto, os autores do estudo argumentam que os resultados destacam o quanto é importante para, ainda assim, fazer um rastreio à doença celíaca em crianças que se apresentam para uma avaliação de reumatologia."

Outros artigos:

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Dez remédios em caso de ingestão acidental de glúten

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Na semana passada, o site celiac.com publicou um artigo interessante sobre como minorar os sintomas de uma ingestão acidental de glúten que é uma das questões mais colocadas em fóruns de ajuda a quem faz uma dieta sem glúten. Ficam então as dicas.




“Para as pessoas com doença celíaca ou sensibilidade ao glúten, ingerir acidentalmente esta proteína pode ter inúmeras consequências indesejáveis.

Os sintomas da exposição ao glúten entre as pessoas com doença celíaca pode variar, mas os principais problemas e queixas incluem: enjoo, dor de estômago, inflamação, diarreia, gases, inchaço, indigestão, azia, irritação cutânea, dores nas articulações, entre outros.

Oficialmente, além de simplesmente esperar que passe, não há nenhum tratamento clinicamente aceite para as pessoas com doença celíaca ou sensibilidade ao glúten que acidentalmente ingerem glúten. No entanto, há remédios que muitas pessoas afirmam que poderão reduzir a dor e promover a cura. Aqui estão os melhores remédios caseiros para a ingestão acidental de glúten, tal como apresentados pelos leitores do nosso fórum Sem Glúten, sem nenhuma ordem em particular.

1) Jejum- estudos recentes indicam que o jejum durante alguns dias pode ajudar a re-iniciar o sistema imunológico, o que pode ser benéfico para aqueles que sofrem de uma reação adversa ao glúten. Verifique esta opção com um médico antes de iniciar o jejum, de modo a certificar-se que é seguro;

2) Enzimas Digestivas- para muitas pessoas, as enzimas digestivas parecem ajudar com o inchaço. Muitos afirmam que essas enzimas aliviam, especialmente contra pequenas quantidades de glúten;

3) Chá verde ou hortelã-pimenta- muitas pessoas relataram que o chá verde também é útil. O chá de hortelã-pimenta promove o relaxamento muscular, e pode ajudar com problemas de gases;

4) Imodium- parece ajudar algumas pessoas a controlar a diarreia associada. Se tiver diarreia, não se esqueça de beber água com eletrólitos para ajudar a repor os líquidos perdidos;

5) Medicamentos de venda livre para a indigestão- algumas pessoas tomam este tipo de medicamentos para aliviar a dor de estômago;

6) Raíz de alteia- pode ajudar a acalmar a dor de estômago e os gases;

7) Anti-histamínicos- algumas pessoas afirmam encontrar alívio com anti-histamínicos;

8) Probióticos- muitos acham que os probióticos são úteis, especialmente como parte de um programa de manutenção geral do intestino. Os probióticos são geralmente mais úteis antes da exposição acidental ao glúten, mas muitas pessoas tomam-nos após a exposição;

9) Caldos- de carne vermelha, frango ou peixe, muitas pessoas com doença celíaca, problemas intestinais e / ou questões nutricionais optam por caldos para desenvolver a saúde do intestino e obter uma nutrição adequada;

10) Smoothie salva-barrigas: esta receita foi desenvolvida por um leitor do nosso fórum em resposta à sua própria "emergência com o glúten". As propriedades curativas de cada ingrediente encontram-se listadas. Triture todos os ingredientes no liquidificador até ficar homogéneo e espesso. Mais calmante quando consumido ainda quente, este smoothie é mais eficaz quando bebido em pequenos goles durante uma hora ou mais.

Smoothie salva-barrigas:
1 Chávena de chá quente de folhas de urtiga acabado de fazer (anti-histamínico, anti-espasmódico)
¼ Chávena de sumo de pera (aromatizante/adoçante – as peras são as frutas menos alergénicas)
¼-½ Colher de chá de sementes de funcho (reduz os gases e o inchaço)
2 Colheres de sopa de pó de olmo (curativo e calmante para as membranas mucosas e do intestino)
1 Colher de sopa de óleo de sementes de linhaça (calmante, anti-inflamatório)
¼ - ½ Chávena de leite de arroz (hipoalergénico, use para definir a consistência desejada)


Esta lista não se destina a ser vinculativa ou exaustiva. Também não é um aconselhamento médico, nem um substituto da opinião médica. Como acontece com qualquer outra questão médica, pesquise e escolha de acordo com a sua opinião.”


terça-feira, 2 de junho de 2015

Erros de diagnóstico

O post de hoje traz um artigo do site Celiac.com sobre uma situação conhecida de muitos doentes celíacos: os diagnósticos sucessivos e erróneos que lhes são feitos até chegarem à verdade.

"Sabe quais são os erros de diagnóstico mais comuns na doença celíaca?

Imagem retirada da Net
O facto da doença celíaca ser frequentemente mal diagnosticada não é uma surpresa para quem já passou pelo que, muitas vezes, é um processo de diagnóstico longo e tortuoso. Os sintomas da doença podem ser vagos, e podem espelhar sintomas de numerosas outras condições.

Mesmo que a consciencialização sobre a doença celíaca esteja a melhorar, e os rastreios sejam mais comuns, os erros de diagnóstico continuam a acontecer com as pessoas que, eventualmente, são diagnosticados com esta condição.

Os diagnósticos errados mais frequentes incluem:

Síndrome do intestino irritável (SII): aos doentes celíacos é-lhes dito muitas vezes que sofrem de SII quando, na realidade, têm doença celíaca. Na verdade, a SII é o erro de diagnóstico mais comum entre as pessoas com doença celíaca.

Doença inflamatória intestinal (DII): em segundo lugar, a doença inflamatória do intestino é outro erro de diagnóstico comum das pessoas que realmente têm a doença celíaca.

Doença do refluxo gastro-esofágico: as pessoas com esta doença não têm maiores taxas de doença celíaca do que o resto da população. No entanto, uma percentagem bastante alta de pacientes com doença celíaca recém-diagnosticados tem refluxo e / ou falta de motilidade do esôfago; o que pode explicar a alta prevalência de sintomas de refluxo em pacientes com doença celíaca, e o erro de diagnóstico comum de doença do refluxo gastro-esofágico.

Úlceras: as úlceras são, muitas vezes, erroneamente suspeitas, bem antes da doença celíaca ser finalmente diagnosticada.

Gastroenterite viral: Outra condição que, frequentemente, os médicos suspeitam muito antes de suspeitarem de doença celíaca, é a gastroenterite viral.

Síndrome da fadiga crónica: a fadiga é uma queixa comum de muitas pessoas com doença celíaca, talvez, por isso, seja compreensível que muitos doentes com esta condição tenham tido um diagnóstico de fadiga crónica, ao invés de um diagnóstico preciso de doença celíaca.

Alergias: muitas pessoas são erroneamente diagnosticadas com alergias ambientais muito antes de serem diagnosticadas com a doença celíaca.

Infecção parasitária: os sintomas de doença celíaca podem espelhar outros de infecção por parasitas intestinais, o que é uma razão para muitos doentes celíacos fazerem análises à presença de parasitas muito antes de serem rastreados para a doença celíaca.

Vesícula biliar: os sintomas da doença celíaca podem espelhar os sintomas da doença da vesícula biliar, logo é por isso que muitas pessoas que, na realidade, têm a doença celíaca se encontram diagnosticadas com problemas de vesícula.

Colite: Outro culpado comum para um diagnóstico errado é a colite, que compartilha muitos sintomas com a doença celíaca.

Fibrose cística: muitas pessoas não se percebem que, em vários casos, os sintomas da doença celíaca podem levar os médicos a suspeitar de fibrose cística, ao invés de doença celíaca, prolongando assim o diagnóstico, tratamento e recuperação.

Disfunção psicológica: em muitos casos, os sintomas da doença celíaca podem ser tão difíceis de definir que os médicos perguntam- se os sintomas não estão na cabeça do paciente. Na sua busca pelo diagnóstico, muitos doentes com esta condição têm sido encaminhados para um psicólogo, em vez de avaliadas para a doença celíaca.

Intolerância à lactose: A intolerância à lactose é um erro de diagnóstico comum em pacientes com doença celíaca, porque a lesão da mucosa intestinal pelo glúten deixa-os incapazes de digerirem produtos que contém lactose.

Além de serem frustrantes e dolorosos, os erros de diagnóstico na doença celíaca são um grande problema porque, deixados sem resolução, os danos causados ​​pela doença continuam a aumentar, podendo evoluir para outros problemas de saúde e bem-estar."

Outros artigos:
Delays in Diagnosis of Celiac Disease Worry Experts

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Desabafo

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Quando penso que as coisas estão a melhorar, apercebo-me que, afinal, a mudança está a ser mais lenta do que pensava: falei a um colega meu sobre a doença celíaca quando me referiu os problemas de saúde que a esposa tem tido a nível da tiróide, anemia, depressões e um historial de abortos. Como bem sabe quem lida com a doença celíaca, tudo isto pode ser um sintoma desta condição... O meu colega disse que a esposa, a quem já fizeram inúmeros exames sem nenhuma resposta em concreto, iria a uma consulta à médica de família esta semana. Ora, a senhora doutora, quando confrontada com a hipótese de doença celíaca, disse a seguinte pérola de sabedoria: "Nem pense nisso, a sua esposa já é adulta, logo não pode ter doença celíaca!"

Como é possível que uma médica, responsável por uma população variada, esteja tão desactualizada sobre uma condição comum e sobre a qual já se vai falando nos meios de comunicação social? Porque é que o Ministério da Saúde não emite uma directiva para o diagnóstico de doença celíaca, tal como fizeram as suas congéneres argentina, brasileira, espanhola ou inglesa? Quantos celíacos estão por diagnosticar porque há outros médicos desinformados como a médica em questão? Não percebo porque é que, num país em crise, o Estado gasta dinheiro em tratamentos e medicamentos para doenças que são apenas sintomas de doença celíaca, que exige somente que se faça uma dieta sem glúten.

Desculpem lá o desabafo, mas hoje tinha que ser.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

As variadas formas da doença celíaca

O post de hoje traz um artigo muito actual e interessante que saiu esta semana  na Reuters Health sobre um estudo italiano publicado este mês na revista BMC Gastroenterology sobre a evolução na apresentação que a doença celíaca tem sofrido nos últimos anos.

"A doença celíaca, mostrando-se com muitas formas e em todas as idades

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Um conjunto de sintomas clássicos da doença celíaca já não reflecte o perfil dos pacientes diagnosticados mais recentemente, de acordo com um novo estudo italiano. Em vez disso, os médicos precisam de ter outros sintomas em conta e analisar a possibilidade de doença celíaca, mesmo quando os pacientes não se encaixam na velha imagem desta condição, dizem os investigadores.

"Tem sido um fenómeno gradual desde a década de 1970 em que menos pessoas apresentam a diarreia clássica, mas mais com uma apresentação não-clássica ou silenciosa, tanto em adultos como em crianças", disse o Dr. Peter Green, que não esteve envolvido no estudo. "Realmente não sabemos porque uma pessoa está com diarreia e outros apresentam-se com dor abdominal ou osteoporose", disse o Dr.Green, director do Centro de Doença Celíaca da Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

O Dr. Umberto Volta e os seus co-autores escreveram na revista BMC Gastroenterology que há apenas 15 anos atrás, a doença celíaca ainda era pensada principalmente como uma intolerância alimentar pediátrica rara, cujos sinais mais comuns eram diarreia e danos intestinais diagnosticados através de uma biópsia.

A doença é agora conhecida por ser uma doença auto-imune, causada por uma incapacidade em tolerar a proteína do glúten no trigo, cevada e centeio. Em pessoas com doença celíaca, comer glúten, normalmente, provoca inflamação da mucosa intestinal e faz com que seja difícil absorver nutrientes.

As pesquisas mostram que mais de um por cento das pessoas no mundo têm a doença, mas a maioria pode não sabê-lo, destacam os autores do estudo. O diagnóstico baseia-se num teste de sangue para detectar sinais de resposta imune anormais, tais como anticorpos, bem como, em alguns casos, a biópsia.

Com os seus colegas, o Dr. Volta, um professor de medicina na Universidade de Bolonha, em Itália, e vice-presidente da Comissão de Ética do Hospital Universitário de St. Orsola Malpighi, estudou os doentes celíacos diagnosticados ao longo de 15 anos nesse hospital. O estudo envolveu 770 pacientes, 599 deles do sexo feminino, diagnosticados entre 1998 e 2007. Cerca de metade foram diagnosticados durante os primeiros 10 anos do período de estudo e os demais nos últimos cinco anos, indicando um aumento acentuado nas taxas de diagnóstico.

Entre todos os pacientes, 610 pessoas, ou 79 por cento, tinham sintomas quando foram diagnosticados. Mas a maioria dos seus problemas não era a diarreia e perda de peso anormal, mas sim questões "não-clássicas" como inchaço abdominal, osteoporose e anemia. A diarreia era um sintoma em apenas 27 por cento dos pacientes.

Na verdade, os sintomas clássicos tornaram-se menos comuns ao longo dos anos, passando de 47 por cento dos pacientes durante os primeiros 10 anos a 13 por cento nos últimos cinco anos. Entretanto, outros problemas, assim como a falta de qualquer doença significativa relacionada, um aumento de mais de 86 por cento.

"A mudança mais notável na apresentação clínica da doença celíaca ao longo do tempo tem sido a redução da diarreia como o principal sintoma e o aumento progressivo de outros sintomas gastrointestinais não-clássicos (como prisão de ventre, inchaço abdominal e hábitos intestinais alternados, bem como refluxo gastro-esofágico, náuseas, vómitos e dispepsia) ", disse o Dr. Volta por e-mail à Reuters Health.

"Uma grande proporção de pacientes com doença celíaca não apresentam qualquer sintoma gastrointestinal, mas exibem manifestações extra-intestinais, tais como a anemia por deficiência de ferro, osteoporose inexplicável, anormalidades nos testes de função hepática e abortos recorrentes", disse.

A doença mais comum associada com doença celíaca foi a doença da tireoide. Apenas metade dos pacientes tinham danos intestinais graves, e 25 por cento tinham danos parciais.

Recentemente, mais pacientes são diagnosticados através de exames de sangue. Isto pode ser um factor responsável pelo padrão em mudança dos sintomas típicos, disse o Dr. Volta, porque os pacientes são diagnosticados mais cedo, antes que o glúten exerça o seu dano. "Os efeitos do glúten não eram tão graves ainda", disse. "A história de doença celíaca foi radicalmente alterada pela descoberta dos anticorpos relacionados com a doença celíaca, que identificam muitos casos de baixa suspeita."

O Dr. Green concorda que o teste melhorou muito o diagnóstico da doença. Disse que no Reino Unido qualquer pessoa com deficiência de ferro ou enxaqueca é testado para a doença celíaca. Enquanto a maioria dos especialistas conhece os sintomas variados da doença celíaca, mas outros médicos podem não conhecer, disse. O Dr. Green salientou que, nos Estados Unidos, apenas 17 por cento das pessoas com a doença são realmente diagnosticadas.

"Qualquer um pode ter a doença celíaca, é comum e sub-diagnosticada", disse o Dr. Green. "A mensagem que importa passar é que se achar que tem a doença celíaca, não basta começar uma dieta isenta de glúten, tem que ser testado."

O Dr. Volta espera que o estudo lembre aos médicos os muitos problemas que podem sinalizar a doença celíaca. "Espero que os médicos tenham em mente que a doença celíaca é uma intolerância alimentar muito frequente, que deve ser investigada não só em pacientes com diarreia e má absorção manifesta, mas também em pessoas com outros sintomas", disse. "O tratamento com dieta isenta de glúten melhora a qualidade de vida de pacientes sintomáticos e previne complicações em todos os pacientes com doença celíaca, incluindo aqueles sem sintomas", disse também."

Outros artigos:
Extraintestinal manifestations of coeliac disease
Celiac disease patients presenting with anemia have more severe disease than those presenting with diarrhea.
5 Weird Signs You Have Celiac Disease
A large variety of clinical features and concomitant disorders in celiac disease - A cohort study in the Netherlands.
Symptoms and Mucosal Changes Stable During Rapid Increase of Pediatric Celiac Disease in Norway.
RISK FACTORS FOR OSTEOPOROSIS AND CELIAC DISEASE





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