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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O Dr. Alessio Fasano em Portugal

Irá decorrer a 10 de Maio deste ano, em Braga, a 2ª Reunião de Doença Celíaca, evento que irá contar com a participação do conhecido especialista nesta temática, o Dr. Alessio Fasano, uma referência comum neste blog. Os mais curiosos podem ler sobre a pesquisa feita por este italiano e a sua equipa de investigadores nos seguintes posts:


A reunião, organizada pela Sociedade Portuguesa de Pediatria, sob a "batuta" da reconhecida especialista em doença celíaca, Dra. Henedina Antunes do Hospital Escala Braga, terá também outros intervenientes na pessoa de médicos que lidam com esta condição nas suas práticas o que, no conjunto, promete ser uma sessão muito esclarecedora. As informações iniciais que possuo indicam que terá um custo de 50 euros e que está aberta ao público em geral (interessado no tema, obviamente), mas que se dirige principalmente a profissionais de saúde. Para mais informações, é favor usar o seguinte endereço de correio electrónico: 2reuniao.doenca.celiaca@transalpino-viagens.pt

O programa é o seguinte:

8.30 Abertura do secretariado

9.00 Diagnóstico de doença celíaca:
Boas práticas e novas guidelines da ESPGHAN, por Eunice Trindade
Moderadora: Inês Pó

9.30 Conferência
Time of gluten introduction in at-risk infants and onset of celiac disease: Do we have an answer yet? Por Alessio Fasano
Moderador: Leopoldo Matos

10.30 Coffee break / Intervalo sem glúten

11.00 Doença celíaca: reduzir o hiato entre prevalência e incidência
Dermatologia: Artur Sousa Basto
Cuidados de saúde primários: Virgílio Gomes
Moderador: Jorge Amil

12.00 Doença celíaca em Portugal
Henedina Antunes
Moderadora: Piedade Sande Lemos

13.00 Almoço sem glúten

14.30 Associação Portuguesa de Celíacos: informar para os direitos
Presidente da Associação Portuguesa de Celíacos
Moderadora: Almerinda Ferreira

15.00 Conferência
Future trends in research in celiac disease: news in epidemiology, diagnosis and management
Por Alessio Fasano
Moderador: Fernando Pereira

15.40 Casos clínicos/trabalhos de investigação
Moderadores: Filipa Neiva e Jean-Pierre Gonçalves

16.30 Rastreio em grupos de risco
Raquel Gonçalves
Moderadora: Ana Isabel Lopes

17.00 “Take home messages”
Ricardo Ferreira

17.15 Coffee break / Intervalo sem glúten


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Glúten e enxaquecas

Imagem retirada da Net
Hoje, trago um artigo da Livestrong Foundation que aborda a temática do glúten e as enxaquecas, que não são um sintoma em que se pense de imediato quando se trata de uma condição associada a esta proteína. Gostaria, contudo, de chamar a atenção para o facto de que o conselho dado para experimentar a dieta sem glúten é aplicável apenas aqueles que já despistaram a doença celíaca, e tiveram um resultado negativo; a prova terapêutica serve apenas para estabelecer um diagnóstico de sensibilidade ao glúten não-celíaca.

"As enxaquecas são dores de cabeça graves e crónicas. Muitas vezes, a dor de uma enxaqueca é tão grave que os pacientes têm dificuldades em seguir uma vida normal. A causa das enxaquecas não é conhecida, mas os investigadores e os pacientes notam cada vez mais uma ligação entre enxaquecas e o consumo de glúten.



Significado

O glúten é uma proteína encontrada em grãos de trigo, cevada e centeio. Aproximadamente, uma em cada 100 pessoas sofre de um distúrbio auto-imune chamado doença celíaca, e a quem o glúten danifica realmente o intestino. Ocasionalmente, os pacientes com doença celíaca também sofrem de enxaquecas desencadeadas pelo glúten. Contudo, alguns médicos acreditam que é possível ser sensível ou intolerante ao glúten, sem ter a doença celíaca ou danos intestinais. Estes pacientes são mais propensos a ter sintomas neurológicos, tais como enxaquecas, quando consomem glúten.



Função

Em indivíduos sensíveis, o glúten pode causar inflamação no sistema nervoso central, que, por sua vez, conduz às enxaquecas. Num estudo de 2001 publicado na revista médica "Neurology", o Dr. Marios Hadjivassiliou, um médico de Sheffield, Reino Unido, testou 10 pacientes com cefaleias crónicas e descobriu que todos eram sensíveis ao glúten. Algumas delas também tinham outros sintomas tais como falta de equilíbrio ou de coordenação, e todos tinham inflamação do sistema nervoso central, de acordo com o estudo.



Tipos

O Dr. Rodney Ford, um pediatra em Christchurch, Nova Zelândia, escreveu em 2009 na revista médica "Medical Hypotheses" que a enxaqueca e outros sintomas neurológicos devidos ao consumo de glúten, podem ocorrer tanto em pacientes com doença celíaca, bem como em pacientes que não têm qualquer dano intestinal induzido pelo glúten. Além de enxaquecas, o glúten pode causar atrasos no desenvolvimento, distúrbios de aprendizagem, depressão e outras desordens do sistema nervoso, diz o Dr. Ford.



Benefícios

É difícil dizer se a enxaqueca é desencadeada pelo glúten porque os alimentos que contêm esta proteína são tão omnipresentes, e a maioria das pessoas consome trigo, cevada ou centeio várias vezes ao dia, todos os dias. Nenhuma medicação está disponível para reduzir os efeitos do glúten em alguém que lhe é sensível, mas uma dieta isenta de glúten (uma dieta isenta de produtos de trigo, cevada e centeio), geralmente, acaba com as enxaquecas quase completamente.



Prevenção/Solução

Para determinar se o glúten desencadeia as enxaquecas, um paciente de enxaqueca deve eliminar estritamente o glúten durante, pelo menos, um mês (dois a três meses, seria melhor), e depois reintroduzi-lo. A maioria das pessoas cujas enxaquecas são causadas ​​pelo glúten verá as suas dores de cabeça desaparecerem durante a sua experiência no período de eliminação, e depois regressarem reforçadas assim que reintroduzirem o glúten na sua alimentação."

Outros artigos
Fewer Headaches for Gluten-free Celiac Patients?
Rare Neurological Manifestation of Celiac Disease
Gluten migraine
Risk of Headache-Related Healthcare Visits in Patients With Celiac Disease: A Population-Based Observational Study.
Neurological disorders and celiac disease.
Celiac Disease and Headaches



sexta-feira, 19 de julho de 2013

Um novo livro e o poder dos números

O Centro de Doença Celíaca da Universidade de Chicago editou este mês um e-book, intitulado "Jump Start Your Gluten Free Diet", disponível gratuitamente no seu website, onde reúne informação importante e muito útil para todos aqueles que lidam com condições associadas ao glúten. Na sua descrição, é dito que "Com este guia grátis, você vai entender as diferenças entre a doença celíaca, intolerância e alergias; aprender sobre os mais de 300 sinais e sintomas associados à doença celíaca, as análises genéticas e de anticorpos, o diagnóstico e o devido acompanhamento, e compreender quais os ingredientes seguros/proibidos, como cozinhar com segurança em casa, e obter dicas sobre comer fora dela."

Muito bem concebido a nível de conteúdo e estética, são os números, as estatísticas que me impressionam e que tornam real o alcance da doença celíaca (onde não se incluem sequer os números da sensibilidade ao glúten não-celíaca) e ainda que sejam estatísticas americanas:

"A doença celíaca é uma condição rara? Não. A doença celíaca afecta pelo menos 1% de americanos, quase 3 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Que outras doenças crónicas são comuns nos Estados Unidos?
· A doença de Alzheimer afecta aproximadamente 2milhões de pessoas
• A epilepsia afecta 2,7 milhões
• A fibrose cística afecta 30.000 pessoas
• 17.000 pessoas vivem com hemofilia
• A doença de Parkinson afecta 1 milhão de pessoas
• A colite ulcerativa afecta 500 mil pessoas
• A doença de Crohn afecta 500 mil norte-americanos
• 2,1 milhões de americanos vivem com artrite reumatóide
• O lúpus afecta 1,5 milhões de pessoas
• A esclerose múltipla afecta 400 mil pessoas nos Estados Unidos"

Sobre o diagnóstico tardio e a sua ligação a um maior risco de desenvolvimento de outras doenças auto-imunes:

"A incidência das doenças auto-imunes na população em geral é de 3,5% nos EUA. Num estudo de 1999, Ventura descobriu que aqueles com um diagnóstico de doença celíaca feito entre os 2-4 anos de idade, tinham uma probabilidade de 10,5% de desenvolver uma doença auto-imune. Resultados adicionais estão descritos na tabela a seguir:

Idade ao diagnóstico                Probabilidade de desenvolver uma doença autoimune
4 – 12 anos                                                                       16.7%
12 – 20 anos                                                                      27%
Mais de 20 anos                                                                 34%"

Todos conhecemos várias pessoas com as doenças acima mencionadas. Quantas conhecemos com doença celíaca? Apesar de, ultimamente, os diagnósticos estarem a ser feitos em maior número e mais precocemente, ainda há muito por fazer. Como se vê, quanto mais cedo, melhor.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Novo e-livro sobre DC e Sensibilidade ao Glúten

Já está disponível para download gratuito um livro editado por Amado Salvador Pena e Luis Rodrigo Saéz, dois conhecidos especialistas em condições associadas ao glúten. Dividido em 25 capítulos, aborda as mais variadas questões relacionadas com esta temática, com a participação de vários investigadores da área, espanhóis e ibero-americanos. Como tal, está escrito em Espanhol, mas é de fácil compreensão e muito útil para quem se interessa por esta temática.

Pode ser descarregado aqui, seleccionando a opção "Export as PDF". 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Dieta sem testes


Imagem retirada da Net

Ultimamente com a dieta sem glúten na moda, existem muitas pessoas que iniciam a mesma sem o devido aconselhamento ou apoio por parte de nutricionista. O objectivo é, para a maior parte delas, o emagrecimento, mas não se trata aqui a questão de tal se justificar ou não, visto que as opiniões divergem.


O que me preocupa são os casos daquelas pessoas que podem até ter doença celíaca ou sensibilidade ao glúten não-celíaca e, por falta ou fraca orientação, iniciam a dieta sem os despistes necessários. Muitas fizeram exames sem validade científica e foram aconselhadas a deixarem o trigo, entre outros inúmeros alimentos. Sem a devida motivação, e perante uma dieta muito restrita, desistem, quando, na realidade, algumas necessitavam mesmo de uma dieta isenta de glúten.

Deixo aqui alguns motivos para que se faça os devidos despistes, antes de iniciar uma dieta isenta de glúten (baseado neste artigo de uma médica norte-americana).

1. Você tem doença celíaca

Se você tiver doença celíaca (DC) e parar de comer glúten, o que é que acontece? Você sente-se melhor! Se tem sensibilidade ao glúten não-celíaca (SGNC) e parar de comer glúten, o que é que acontece? Você sente-se melhor! Não consegue ver a diferença entre estas duas entidades, sem testes. Porque é que isso é importante? Ainda não se sabe muito sobre a SGNC, mas até agora parece ser diferente da DC em aspectos importantes. Os testes celíacos não a encontram, e a biópsia não a mostra. Não parecem ser a mesma doença, e é importante saber qual tem.


A SGNC é real. Algumas pessoas ficam muito doentes ao comer glúten e não têm a DC. Mas, ao contrário do que se encontra pela Internet, neste momento, não há nenhuma maneira cientificamente comprovada para diagnosticar a SGNC com um teste de laboratório. A SGNC só pode ser diagnosticada através de um processo de exclusão, sob a supervisão de um médico para certificar-se de que outras doenças graves com sintomas semelhantes não são ignoradas. Primeiro, deve descartar a DC. Se os resultados forem negativos, pode eliminar o glúten da sua dieta, incluindo as fontes de contaminação cruzada. Se uma dieta isenta de glúten resolve os seus sintomas, você e o seu médico podem concluir que tem SGNC. Fazer os testes à DC é o primeiro passo no diagnóstico apropriado da SGNC.

3. Pelo bem-estar dos seus filhos

A DC é genética. Se você tem a DC, há uma hipótese dos seus filhos terem ou poderem vir a desenvolvê-la. Se tem a DC, mas não faz o diagnóstico e apenas assume que é SGNC, toda a sua família pode ser afectada por esta escolha. Recomenda-se que todos os parentes de primeiro grau (irmãos, filhos, pais) de qualquer pessoa diagnosticada com DC devam ser rastreados para a mesma, tenham ou não quaisquer sintomas. Os parentes de segundo grau sintomáticos (tias, tios, primos, sobrinhos e sobrinhas) também devem ser rastreados.

Há mais probabilidades do pediatra do seu filho solicitar o rastreio da DC, se algum familiar directo tiver sido devidamente diagnosticado. Nos casos de apresentação atípica isto é ainda mais importante, porque nem todos os médicos estão familiarizados com as diferentes apresentações da DC, pelo que um antecedente familiar assume particular relevância. Se se colocar na categoria dos SGNC, iniciando a dieta sem fazer testes, é menos provável que o médico dê credibilidade a esse “diagnóstico”. Se não se testa para o seu próprio bem, faça-o pelos seus filhos.

4. Precisa de saber que nível de cuidados ter

Sabemos que basta uma migalha de glúten para adoecer um paciente celíaco. Tendo sintomas ou não, o dano está a acontecer. Sabemos como as pessoas com DC têm que ser cuidadosas com a contaminação cruzada. Mas não sabemos que cuidados os pacientes com SGNC precisam de ter. Normalmente, a maioria dos pacientes sensíveis ao glúten não é tão cuidadosa como os pacientes com DC. Será que o facto de terem SGNC lhes permite serem mais despreocupados? Cientificamente falando, simplesmente, não se sabe.

E se tiver a doença celíaca, mas não está consciente disso? Talvez pense que é "apenas sensível ao glúten", e vai ingerindo um pouco de glúten aqui e ali, ou é menos cuidadoso com a contaminação cruzada. Será que essas pequenas quantidades de glúten o colocam em risco de complicações? Se tiver a DC, a resposta é sim. Mesmo se não tiver sintomas externos da ingestão de pequenas quantidades de glúten – o que acontece a alguns - o dano está a acontecer e os riscos aumentados para a saúde acumulam-se.

5. Quer poupar dinheiro

É mais provável os custos com as análises para a DC serem comparticipados do que um teste de sensibilidade ao glúten sem comprovação científica. Faça o painel de análises necessário e válido para a DC antes de iniciar uma dieta isenta de glúten e ignore a oferta, habitualmente cara, de sites de laboratórios com validação científica aparente para testar a SGNC. Ao descartar a DC, então pode eliminar o glúten da sua dieta (de graça) e ver se os seus sintomas desaparecem.


Se descartou a DC e não viu melhoras com uma dieta isenta de glúten, neste momento, com o conhecimento de que dispomos, isso quer dizer que o glúten não o afecta. Assim, tendo descartado as duas condições mais comuns associadas ao consumo de glúten, não há qualquer necessidade de manter uma dieta isenta de glúten sobrecarregando as suas finanças pessoais.

7. Há ajudas do Estado

O Estado português atribui, de há uns anos para cá, um complemento ao abono de família no valor de 59,48€, até aos 24 anos de idade no caso de DC. Mesmo nos casos em que não há lugar à atribuição de um abono de família, este complemento é pago aos portadores de DC. Mas há que fazer prova de diagnóstico e a maior parte dos médicos só irá atestar que o diagnóstico de DC é real quando foram realizadas provas conclusivas. Deste modo, caso opte por não fazer as provas ao seu filho, não poderá solicitar esta importante ajuda  quando se ponderam os custos de uma dieta isenta de glúten.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Sensibilidade ao glúten no El País

A edição de ontem do jornal espanhol El País traz um artigo muito actual e completo sobre a amplitude das condições associadas ao glúten, escrito pela directora da Associação de Celíacos e Sensíveis ao Glúten da Comunidade de Madrid, Manuela Márquez. Para quem é novo nestas andanças, a sua leitura é essencial pois em poucos parágrafos se resumem os avanços e dilemas da temática da sensibilidade ao glúten.


“SENSIBILIDADE AO GLÚTEN
Comer sem glúten representa um custo adicional de cerca de 1500 euros por pessoa por ano

Actualmente, presume-se que o glúten esteja por detrás de múltiplas patologias. A mais estudada e mais conhecida é a doença celíaca, que afecta 1% da população. Embora muito menos comum, também existe uma alergia alimentar ao glúten. No entanto, a mais comum condição patológica causada pela ingestão de glúten (estimativas afirmam que afecta até 6% da população) é chamada de sensibilidade ao glúten não celíaca. Esta entidade, para a qual ainda não há testes de diagnóstico, ganhou grande popularidade nos últimos anos. Esta é a razão pela qual muitas pessoas seguem uma dieta isenta de glúten.

A doença celíaca é a forma de sensibilidade ao glúten mais estudada e mais conhecida. De acordo com a definição mais recente, publicado em 2012 pela Sociedade Europeia de Gastroenterologia Pediátrica, Hepatologia e Nutrição (ESPGHAN), a doença celíaca é uma doença sistémica de base imunológica causado pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. É caracterizada pela presença de uma concentração variável de condições dependentes do glúten, de anticorpos específicos no sangue e enteropatia. Esta é a doença crónica mais comum e afecta o intestino de 1% da população, em média, com uma distribuição mundial. No caso da Comunidade de Madrid, de acordo com os resultados de um estudo de prevalência realizado pelo Ministério da Saúde na região, em 2008, em crianças em idade escolar entre os 6-18 anos, a doença celíaca afecta 1 em cada 79 indivíduos nessa faixa etária, mas é diagnosticada em apenas 35% (1 em 3, aproximadamente). Estima-se que 85% dos pacientes com doença celíaca (6 em 7) não sabem que têm a doença.

A doença celíaca não diagnosticada pode prejudicar a saúde a longo prazo. Estão descritas numerosas desordens auto-imunes, doenças endócrinas, neurológicas, psiquiátricas ou reprodutivas cujo aparecimento pode ser favorecido pelo consumo contínuo de glúten. A estas devem ser adicionadas outras situações que afectam a qualidade de vida dos pacientes, como fadiga intensa e contínua, fraqueza muscular e osteoporose.

A sensibilidade ao glúten não-celíaca é um conceito mais amplo e que abrange aqueles pacientes em que o glúten parece responsável pelo sofrimento da patologia, com base em evidências clínicas, embora os testes de diagnóstico para a doença celíaca sejam negativos. Neste momento, não há testes de diagnóstico específicos para a sensibilidade ao glúten não-celíaca, assim que primeiro se exige que o diagnóstico de doença celíaca seja excluído (ou qualquer outra suspeita de patologia, incluindo a alergia ao glúten), e se faça depois uma dieta isenta de glúten para ver se o paciente recupera. Se assim for, recomenda-se reintroduzir temporariamente na sua dieta o glúten para verificar se há uma recaída. Deste modo, será diagnosticado com sensibilidade ao glúten não-celíaca. Nos últimos dois anos tem havido muitos estudos científicos relacionados com esta questão que é cada vez mais difundida na sociedade. Os primeiros estudos têm encontrado prevalências de cerca de 6%. Talvez esta seja a razão pela qual um número crescente de pessoas faz uma dieta isenta de glúten, apesar de não serem celíacos, ou que optam por fazê-lo por conta própria, sem qualquer orientação médica.

A alergia aos cereais com glúten pode ser causada pelo próprio glúten ou por outros componentes desses cereais. Em geral, afecta um número não superior a 0,1% da população. Se a alergia é causada pelo glúten, geralmente é um tipo de alergia a alimentos e deve-se efectuar o diagnóstico correspondente que requer testes cutâneos (skin prick test) e de sangue para avaliar os níveis de imunoglobulina E (IgE) específica. Em caso de alergia, isto deve ser confirmado por um teste de desafio controlado num centro médico.

As manifestações clínicas da sensibilidade ao glúten, seja a doença celíaca ou a sensibilidade ao glúten não celíaca, incluem uma vasta gama de sinais e sintomas clínicos que se sobrepõem com os de outras doenças, tais como a síndrome do intestino irritável ou até fibromialgia e fadiga crónica. Isto para além da variedade de sintomas digestivos com que se podem apresentar (vómito, diarreia, obstipação, distensão abdominal, flatulência, dispepsia, etc.) e problemas relacionados com a má absorção de nutrientes (atraso do crescimento, anemia por deficiência de ferro, osteoporose), que podem ser acompanhados por alterações auto-imunes e endócrinas (diabetes tipo 1, tiroidite auto-imune), neurológicas (enxaqueca, deficit de atenção, perda de memória, demência precoce), psiquiátricas (ansiedade, depressão, anorexia) ou reprodutivas (infertilidade, menarca tardia, menopausa precoce, abortos de repetição). A gravidade ou intensidade dos sintomas pode variar desde muito discreta ou ausente, a muito grave.

Mais informação
O glúten é uma proteína encontrada no trigo, cevada, centeio e, em menor extensão, a aveia. É responsável pela elasticidade das massas feitas a partir da farinha de cereais e permite, com a fermentação, que o volume dos pães aumente, obtendo uma consistência elástica e esponjosa. Além disso, a sua utilização na indústria alimentar, quer como um ingrediente ou aditivo por razões tecnológicas, é comum no desenvolvimento de produtos que não vêm de cereais, tais como, por exemplo, um iogurte de morango ou molho de tomate. Por esta razão, a maioria dos produtos manufacturados que podemos encontrar em qualquer estabelecimento não podem ser consumidos por pessoas que sofrem de uma sensibilidade ao glúten.

A dieta sem glúten requer, portanto, que se evite todos os produtos cuja matéria-prima é o trigo, cevada, centeio ou aveia (farinha, pão ralado, massas, cereais matinais e toda a gama de produtos de padaria, pastelaria e bolos), bem como aqueles que têm utilizado derivados destes grãos (glúten, amido, farinha, etc.) na sua preparação. É importante ressaltar que, de acordo com o Regulamento CE Europeu 41/2009, os produtos rotulados "sem glúten", ou aqueles considerados "adequados para celíacos" nas listas produzidas pelas associações de doentes, pode conter até 20 partes por milhão (ppm) de glúten, ou seja, 20 mg de glúten por kg de produto. Portanto, é aconselhável basear a dieta isenta de glúten, em alimentos de preferência naturais, não processados ​​(frutas, verduras, legumes, carnes, peixes, frutos do mar, ovos, etc.), já que uma dieta baseada em produtos industrializados, mesmo se "sem glúten", pode ​​impedir a recuperação do paciente adequada ou mesmo ser um gatilho para recaídas.

A que se deve o auge ou a moda da dieta isenta de glúten? Por um lado, a doença celíaca, embora permaneça amplamente desconhecida, mesmo para os médicos responsáveis ​​pelo diagnóstico, especialmente os clínicos não pediátricos, os diagnósticos são cada vez mais fáceis. A isto deve ser adicionado o grande número de casos de sensibilidade ao glúten não-celíaca que estão a ser diagnosticados e que, portanto, também devem uma fazer dieta sem glúten. Isso faz com que a dieta isenta de glúten se esteja a tornar mais conhecida na sociedade. Por outro lado, são os fabricantes de produtos especiais sem glúten (que utilizam matérias-primas alternativas aos cereais com glúten), bem como aqueles que desenvolvem produtos de consumo geral, que cada vez mais evitam o uso de ingredientes que contêm glúten. Estes contribuem também para uma melhor compreensão da dieta isenta de glúten. Sem dúvida, há um novo e grande grupo emergente de consumidores potenciais aos quais interessa chegar. Com o que se sabe até agora, se todos os casos de sensibilidade ao glúten fossem diagnosticados, 7% da população teria que seguir uma dieta isenta de glúten.

Também se deve ter em mente o papel das associações de doentes que, dado o aumento do número de casos, têm mais recursos para exigir uma melhor qualidade de vida para estes, e trabalhar com o governo, profissionais de saúde, fabricantes, profissionais de hotelaria e meios de comunicação para atingir este fim.

Finalmente, considere que o que se come normalmente é pouco saudável e para resolver este problema muitas pessoas decidem fazer uma dieta. Entre as opções disponíveis no mercado, a dieta isenta de glúten está a ganhar terreno, talvez por causa da sua novidade, em relação às outras, tais como as dietas de emagrecimento. Em si, a dieta sem glúten não é mais saudável do que uma dieta normal bem regrada, mas como a dieta habitual, na prática, não é tão variada e equilibrada como deveria, a dieta isenta de glúten torna-se uma opção para melhorar os hábitos alimentares, já que comer sem glúten implica consumir alimentos, de preferência, naturais e seleccionar cuidadosamente os produtos fabricados a consumir.

6 em cada 7 doentes celíacos desconhecem que padecem desta condição
A doença celíaca deve ser considerada um problema de saúde pública devido à sua alta prevalência, especialmente se se começar a considerar os casos de sensibilidade ao glúten não-celíaca. Estas condições não envolvem sérias complicações quando detectadas precocemente. No entanto, o atraso no diagnóstico faz com que o paciente acabe com uma doença crónica e veja reduzida a sua qualidade de vida, para além de isto gerar mais gastos com a saúde. Portanto, é importante que o governo se envolva na melhoria do diagnóstico destas doenças e facilite o acompanhamento da dieta isenta de glúten, seja por uma adequada regulação da rotulagem de produtos sem glúten ou ajudando as famílias a lidar com o alto custo dos chamados produtos especiais sem glúten, tais como pães, massas e cereais de pequeno-almoço. Estima-se que o alimentar-se sem glúten traga um custo adicional de cerca de 1500 euros por pessoa por ano."

sexta-feira, 8 de março de 2013

O significado de sensibilidade ao glúten

A condição intitulada, por investigadores tais como Alessio Fasano, como Sensibilidade ao Glúten Não-Celíaca vai saíndo do pântano de indefinição a que estava votada à medida que surgem mais estudos dedicados a clarificá-la. Este interessante artigo publicado este mês no blog da revista Scientific American e intitulado "O Que é que Significa Realmente Sensibilidade ao Glúten?" faz um apanhado do que se tem descoberto até agora.


"A senhora é a enfermeira? Parece tão jovem", disse eu à minha mãe enquanto emergia lentamente do sono induzido pela anestesia, aparentemente não suficientemente coerente para saber quem ela era (mas agradecida por o meu discurso drogado ter sido tão educado). Tinha acabado de fazer uma endoscopia, ou seja, um médico havia inserido um pequeno tubo flexível pela minha boca abaixo até ao meu intestino delgado. Ao retirar amostras do tecido intestinal, ele seria capaz de me dizer se eu tinha a doença celíaca, uma doença autoimune em que comer alimentos com glúten provoca a destruição do revestimento interno do intestino delgado.

O diagnóstico chegou rapidamente: negativo. O meu médico explicou que, em vez da doença celíaca, a causa do inchaço e dor abdominal de que eu padecia era provavelmente uma "sensibilidade ao glúten". Se eu removesse ou reduzisse o glúten da minha dieta, provavelmente poderia reduzir os meus sintomas. Assim o fiz. E, quase sempre, ficar longe do glúten significava que o desconforto ficava longe também.

Mas, eventualmente, a minha formação científica venceu-me, e eu tinha que saber o que objectivamente estava a acontecer com o meu corpo. O que significa realmente "sensibilidade ao glúten"?

Infelizmente, não há uma resposta fácil. Quando os pacientes sem doença celíaca exibem sintomas que melhoram com uma dieta livre de glúten, são, muitas vezes, classificados como "sensíveis ao glúten." Esses sintomas podem variar desde a dor abdominal, ao inchaço e à fadiga.

No passado, a própria existência da condição tinha sido questionada pela falta de um diagnóstico claro. No entanto, como observa o New York Times, novos estudos sugerem que a sensibilidade ao glúten existe.

O que este e outros artigos recentes não mencionam é que os pesquisadores descobriram alguns pontos interessantes sobre como isso poderá funcionar. Descobriram também que a chamada "sensibilidade ao glúten" pode não ser causada, de todo, pelo glúten.

Para compreender as novas pesquisas sobre a sensibilidade ao glúten, é importante primeiro entender as outras duas condições induzidas pelo glúten, a doença celíaca e a alergia ao trigo. Ambas as condições envolvem o sistema imunitário.

Na doença celíaca, a presença de glúten no intestino delgado provoca uma resposta do sistema imunitário adaptativo, que é a parte do sistema imunitário que reage a invasores específicos através da produção de anticorpos. A reacção imunitária indesejável, em última análise, leva o corpo a atacar os seus próprios enterócitos saudáveis, as células que revestem o intestino delgado.

Um dos motivos dessa resposta indesejada é porque as pessoas com doença celíaca têm um "intestino esburacado*". Os enterócitos que revestem o intestino delgado estão normalmente “colados” em junções apertadas. Nas pessoas com doença celíaca, a cola não segura. Fragmentos do glúten podem esgueirar-se através desses buracos e provocar uma resposta imune adaptativa que danifica o revestimento intestinal (o mecanismo completo é descrito em detalhe neste artigo de 2009 da Scientific American).

A segunda condição induzida pelo glúten, a alergia ao trigo, também é mediada, em parte, pelo sistema imunitário adaptativo. Nesta condição, o glúten leva a uma síntese de anticorpos IgE, que causam a inflamação. A inflamação pode causar desconforto local e danos no tecido saudável.

As pessoas com "sensibilidade ao glúten", por outro lado, não apresentam evidências para o tipo de reacções imunitárias que ocorrem nos pacientes com doença celíaca ou alergia ao trigo.

Então, o que causa a sensibilidade ao glúten? Algumas pesquisas recentes sugerem que a questão ainda está no sistema imunitário. No entanto, em vez de a parte adaptativa ser a culpada, pensa-se que seja o sistema imune inato o culpado.

Se o sistema imunitário adaptativo é um alfaiate que desenha casacos personalizados, o sistema imune inato usa ponchos de tamanho único. Em vez de produzir anticorpos que reconhecem invasores específicos, as células do sistema imune inato tem receptores conhecidos como TLR que reconhecem os padrões gerais presentes numa variedade de invasores. Em seguida, os TLR desencadeiam uma rápida resposta inflamatória.

Um estudo de 2011 concluiu que os pacientes sensíveis ao glúten têm uma maior expressão dos TLR em comparação com pacientes do grupo de controlo. Esta descoberta sugere o envolvimento do sistema imune inato. Além disso, o estudo confirmou a ideia de que o sistema imunitário adaptativo não está envolvido na "sensibilidade ao glúten." Os enterócitos de pacientes sensíveis ao glúten estão firmemente colados entre si, ao contrário de pacientes com doença celíaca. Em resultado, os fragmentos de glúten não podem entrar por entre as células para activar o sistema imunitário adaptativo.


Mas essa resposta imune inata é realmente causada pelo glúten? Dados de outro estudo publicado em Dezembro sugerem que uma família de proteínas do trigo pode ser a culpada. As proteínas, inibidoras da amílase e tripsina, ou ATI, activaram um tipo de TLR e causaram uma resposta imune inata em células imunes humanas e em ratos vivos.



Curiosamente, o conteúdo de ATI no trigo tem aumentado dramaticamente nos últimos anos. As proteínas ATI protegem naturalmente o trigo de pragas. Como o trigo é produzido para ser cada vez mais resistentes a pragas, o teor de ATI também aumenta. Um aumento das ATI poderia explicar o que parece ser uma quantidade cada vez maior de pessoas sensíveis ao glúten.

As ATI não são a única molécula, que não o glúten, acusada de estar por trás da chamada "sensibilidade ao glúten." Os hidratos de carbono do trigo, conhecidos como FODMAP**, também têm sido implicados. No entanto, estas moléculas não causam desconforto abdominal ou outros sintomas capazes de provocar uma resposta imune. Em vez disso, a natureza destes indigestos hidratos de carbono pode provocar retenção de líquidos e gases no intestino delgado, criando inchaço.

Embora tenhamos feito alguns progressos para compreender melhor o que pode causar "sensibilidade ao glúten", muitas perguntas permanecem. Enquanto isso, para aqueles cujos médicos recomendam uma dieta isenta de glúten, haverá abundância de alimentos para escolher, à medida que o mercado de produtos sem glúten continua a crescer."

* Leaky Gut, no original.
** “Fermentable Oligo-, Di- and Mono-saccharides And Polyols”

Outros artigos sobre o tema:

segunda-feira, 4 de março de 2013

Conselhos para uma dieta sem glúten em crianças

Hoje publico um artigo recente que saiu no The Washington Post sobre como iniciar uma dieta sem glúten em crianças. Apesar de este artigo incluir dicas já dadas anteriormente, este jornal dá mais alguns conselhos muito interessantes.

Imagem do The Washington Post
"Elaine Taylor-Klaus iniciou a filha Bex na dieta sem glúten há 8 anos e meio, depois de um nutricionista ter sugerido que a menina irritável e sensível poderia ter uma sensibilidade ao glúten. Duas semanas após ter eliminado o glúten da sua dieta, Bex, agora com 18 anos, revelou-se uma criança diferente.
O filho de Melissa Berardi, Anthony de cinco anos, estava a definhar há dois anos atrás. Era extremamente pequeno para a sua idade, diz ela, e vomitava constantemente. Acontece que ele tinha a doença celíaca. Berardi, de Bellwood, Pensilvânia, mudou a dieta dele e diz que Anthony tornou-se uma criança saudável.
Seja por doença celíaca diagnosticada ou suspeita de sensibilidade ao glúten, muitos pais estão a mudar os seus filhos para dietas sem glúten. Os pais com pouco tempo podem sentir-se avassalados pelo pensamento de uma grande reformulação alimentar para as suas crianças, já de si esquisitas com a comida (e mudanças, em geral). Mas comer sem glúten não tem de ser assustador.
"Os pais estão com medo de tentar porque parece que seria muito difícil", disse Taylor-Klaus, uma formadora em Parentalidade, de Atlanta. "Eu era um desses pais. Eu não estou a dizer que não é difícil. Mas [a Bex] tornou-se tão mais fácil de gerir que a troca foi mais vantajosa do que eu pensei que seria. "
A vantagem é ainda mais pronunciada em crianças com a doença celíaca, uma incapacidade para digerir o glúten, uma proteína encontrada em produtos que contêm trigo, cevada ou centeio. Esta afecta cerca de uma em cada 100 pessoas na Europa e América do Norte, de acordo com o National Institute of Health. A Clínica Mayo estima que o número de pessoas afectadas quadruplicou nos últimos 50 anos, embora a razão não seja clara.
Não existe tratamento para a doença celíaca - que pode causar diarreia, inchaço e obstipação em alguns pacientes e alterações de humor e sintomas neurológicos noutros - mas pode ser gerida eliminando o glúten da dieta.
Aqui estão algumas sugestões de especialistas e pais de crianças numa dieta sem glúten sobre como tornar a mudança mais fácil para si e para o seu filho.

Consulte um médico
John Snyder, chefe da divisão de Gastrenterologia, Hepatologia e Nutrição no Centro Infantil Médico Nacional em Washington, disse, por correio electrónico, que os pais devem consultar um médico antes de mudar a dieta de uma criança, para garantir que esta continua a receber a nutrição adequada.
Há muitas razões para os pais considerarem colocar uma criança a fazer uma dieta isenta de glúten, incluindo alterações de humor, eczema e transtornos do espectro do autismo. Mas se acha que o seu filho pode ter a doença celíaca ou uma grave intolerância ao glúten, é importante testá-lo antes de mudar a dieta dele. "O teste para a doença celíaca só é eficaz se a criança estiver numa dieta que contenha glúten", disse Snyder.

Seja um detective
Só porque um rótulo ou menu diz que algo é isento de glúten não significa que seja seguro para os celíacos, disse Jerry Malitz, presidente da organização Metro Celiac, em Washington. Além de ler os ingredientes, os pais precisam de verificar como são preparados e armazenados os alimentos. As batatas fritas podem ser rotuladas como sem glúten no menú, Malitz disse, porque são feitas com batatas. Mas se forem preparadas numa frigideira que tenha sido usada para anéis de cebola ou camarão frito que foram revestidos com farinha, pode haver contaminação cruzada.
"Um alimento pode ser isento de glúten, mas nada na sua preparação, armazenamento ou qualquer outra coisa ser isento", disse Malitz. "Isso é um problema muito grande."
O mesmo serve para verificar os rótulos no supermercado. Mesmo se algo estiver rotulado como isento de glúten, Malitz disse, os pais precisam de olhar para onde e como o alimento foi preparado para decidir se é seguro.

Faça os seus alimentos
Embora os produtos sem glúten estejam muito mais facilmente disponíveis agora do que eram há alguns anos atrás, estes são mais caros do que os seus congéneres tradicionais.
Os pais podem economizar comprando a granel ou comprando os grãos inteiros e processá-los em casa. Cindy Miller, de Boring, Oregon, usa um moinho para moer as suas farinhas favoritas.
"Não é preciso muito tempo para moê-los", disse Miller, cujo filho, Lucas, tem 17 anos e segue uma dieta isenta de glúten porque os médicos notaram que ele não estava a crescer adequadamente e suspeitaram que ele pudesse ter a doença celíaca. "Pode colocá-las no frigorífico e usa à vontade para fazer o pão de milho, os cereais de pequeno-almoço quentes ou panquecas."
Kelly Courson, uma técnica de saúde holística, em Nova Iorque, que tem a doença celíaca e escreve o blog Celiac Chicks, recomenda que as famílias que estão acostumadas a comer muito pão invistam numa máquina de fazer pão. "Você pode ter os ingredientes medidos e prontos a usar em sacos de plástico de maneira a que só tenha de acrescentar fermento e água", disse Courson. "Ajuda muito se tem que contar os tostões."

Faça reservas
Mantenha uma reserva de bolachas ou queques sem glúten no congelador de casa e no refeitório da escola ou escritório, para que o seu filho possa ter um “miminho” nas festas de aniversário.
"Antecipe para onde vão e o que podem vir a precisar", disse Taylor-Klaus. Todos os três filhos de Taylor-Klaus e o seu marido fazem uma dieta isenta de glúten por várias razões, incluindo eczema e dificuldade de concentração. "Antecipe o que pode fazer para normalizar esta situação por eles, para que não sintam que são diferentes de todos os outros. Pode ser uma sobremesa diferente, mas ainda assim é uma sobremesa. "
Stephanie Epstein de Gaithersburg também faz mimos especiais para seu filho Jeremy, de oito anos, para levar às festas. "Certifique-se de que tudo o que envia para a criança é uma sobremesa com muito bom aspecto, de modo que, mesmo sabendo que os outros estão a comer algo diferente, seja uma sobremesa à maneira", disse Epstein, que muitas vezes decora bolinhos de Jeremy com guloseimas. "Assim, as outras crianças vão querer o que ele tem, o que o faz sentir-se bem."

Coloque a escola do seu lado
Fale com o professor do seu filho e a enfermeira da escola, especialmente com crianças mais jovens, e peça a sua ajuda. Maria Roglieri de Sleepy Hollow, Nova Iorque, conta que a enfermeira na escola da sua filha tratou para que ela falasse com os pais de outras crianças sem glúten, para compartilhar informações.
A filha de Roglieri, Sara Friedman, de 16 anos, escreveu o "Guia Sem Glúten para Washington, DC," quando tinha 13 anos, e Roglieri editou o livro. A doença celíaca de Sara foi diagnosticada quando ela tinha seis anos. Roglieri sugere também procurar que a escola coloque um grupo de duas ou mais crianças sem glúten juntas na mesma turma, para que estas tenham um amigo com restrições dietéticas semelhantes.
Epstein disse que os professores têm ajudado o seu filho a fazer a transição para uma dieta isenta de glúten. "Eles dão recompensas por bom comportamento na escola, e uma das recompensas foi almoçar pizza com o professor. Ela pediu pizza para toda a mesa ", disse Epstein. "A sua professora especificamente pediu pizza sem glúten para [o Jeremy]… Ela até comeu a pizza com ele. Mostrava-lhe assim que não há problema em fazer uma dieta sem glúten. Todos somos diferentes, por razões diferentes. "

Dê uma uma oportunidade aos alimentos não processados
As crianças são notoriamente fastidiosas quando se trata de alimentos, e quase tudo do que é rotulado como amigo das crianças em restaurantes é carregado com glúten: nuggets de frango, massa com queijo, hambúrgueres e cachorros quentes ou esparguete com almôndegas.
Apesar de existirem versões sem glúten da maioria dessas receitas básicas para miúdos, Kelly Dorfman, nutricionista em Potomac, acha que o foco de uma dieta sem glúten deve ser em alimentos integrais, não processados. Abasteça-se de frutas, vegetais, sementes, nozes, carnes, queijos e outros alimentos saudáveis, em vez de se focar nas versões sem glúten dos seus alimentos processados favoritos, disse Dorfman. Esta sugere fazer um vegetal diferente por noite durante duas semanas e dizer ao seu filho que ele tem de dar duas dentadas pelo menos, para ajudá-lo a acostumar-se a comer alimentos variados.
"Eles não têm que adorá-los, têm apenas que os tolerar", disse Dorfman, autora de "O que Está o Seu Filho a Comer". "Eventualmente, se eles comerem muitas vezes, começam a gostar."

Faça-o em família
Iniciar uma dieta sem glúten com o seu filho, pelo menos durante o primeiro mês, pode facilitar a transição para uma nova dieta, disse Dorfman. "Você não quer que a criança se sinta como há algo de errado com ele", disse Dorfman. "Esta é apenas uma coisa estranha na vida moderna. Fazer juntos, ajudando o vínculo familiar desta forma, é muito importante. "
Epstein disse que, embora o seu marido, Brian, seja celíaco, o resto da família não comia sem glúten até Jeremy ser diagnosticado no último Verão. Agora todos comem sem glúten em casa, e ela e a sua filha Lauren, de cinco anos, comem glúten apenas quando estão fora. "Nós não podíamos ter "Esta é a comida do papá e do Jeremy e esta é da mamã e da Lauren'", disse Epstein. "Eu não posso deixar a minha filha tenha uma coisa e não deixar que ele tenha, porque isso não é justo."


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