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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A prevalência da sensibilidade ao glúten

O New York Times publicou esta semana um artigo que aborda a prevalência da doença celíaca e da sensibilidade ao glúten. Parece-me um artigo bastante equilibrado sobre um tema ainda controverso e relativamente esclarecedor. No entanto, como o próprio artigo refere ainda há poucos dados sobre a sensibilidade ao glúten e as opiniões divergem: enquanto o especialista consultado pelo NY Times estima uma prevalência de 1% de sensíveis ao glúten na população americana, o Dr. Alessio Fasano da Universidade de Maryland, aqui, estima seis por cento.


“Não coma trigo. Este é o mandamento nuclear, draconiano, de uma dieta isenta de glúten, uma proibição que elimina vastas porções da culinária americana - bolachas, pizza, pão e macarrão com queijo, só para citar algumas delas. Para um americano em cada cem que tem uma doença grave chamada doença celíaca, esta é uma directiva médica indiscutivelmente sábia.

Agora os especialistas médicos concordam, em grande parte, que há mais uma condição relacionada ao glúten que não apenas a celíaca. Em 2011, um painel de especialistas em doença celíaca convocado em Oslo, estabeleceram um termo médico para esta doença: sensibilidade ao glúten não-celíaca. O que eles ainda não sabem: quantas pessoas têm sensibilidade ao glúten, quais os seus efeitos a longo prazo, ou até mesmo qual a forma confiável para identifica-la. Na verdade, eles não sabem realmente o que é esta doença.

A definição é mais uma descrição do que um diagnóstico: alguém que não tem doença celíaca, mas cuja saúde melhora com uma dieta isenta de glúten e piora novamente se o glúten é ingerido. Pode até ser mais do que uma doença.

"Nós não temos absolutamente nenhum indício neste momento", disse Stefano Guandalini, director médico do Centro de Doença Celíaca da Universidade de Chicago.

Kristen Golden Testa pode ser uma dos sensíveis ao glúten. Embora não tenha a doença celíaca, ela adoptou uma dieta isenta de glúten no ano passado. Diz que perdeu peso e as suas alergias desapareceram. "É tão evidente", disse a Sra. Golden Testa, que é directora do programa de saúde californiano para a Parceria das Crianças, uma ONG nacional sem fins lucrativos. Não consultou um médico antes de fazer a mudança, e também não sabe se evitar o glúten tem ajudado em tudo. "Estou a especular", disse ela. Na altura, deixou também o açúcar e fez um esforço para comer mais vegetais e frutos secos.

Muitos defensores das dietas sem glúten alertam que a sensibilidade ao glúten não celíaca é uma epidemia, grande e invisível, que mina a saúde de milhões de pessoas. Eles acreditam que evitar o glúten - uma composição de amido e de proteínas que se encontra em certos cereais gramíneos tais como trigo, cevada e centeio - dá-lhes energia adicional e alivia doenças crónicas. A aveia, ainda que seja isenta de glúten, também é evitada, porque é muitas vezes contaminada pelos cereais que contém glúten.

Outros vêm a popularidade de alimentos sem glúten apenas como uma moda recente, destinado a desaparecer tal como a dieta Atkins e a restrição de hidratos de carbono há uma década atrás. Na verdade, os americanos estão a comprar milhões de dólares em alimentos rotulados sem glúten em cada ano. E as celebridades como Miley Cyrus, a actriz e cantora, pedem aos fãs para deixarem o glúten. "A mudança na pele, saúde física e mental é incrível!", postou ela no Twitter em Abril.

Para os especialistas celíacos, o zelo anti-glúten é uma reviravolta dramática, pois não há muitos anos, eles lutavam para aumentar a consciência entre os médicos de que pão e massas podem adoecer bastante algumas pessoas. Agora, eles expressam cautela, diminuindo o impacto das alegações mais extremas sobre as dietas sem glúten.

"Não é uma dieta mais saudável para aqueles que não precisam dela", disse o Dr. Guandalini. Estas pessoas "seguem uma moda, essencialmente." E acrescentou: "E essa é a minha opinião tendenciosa." No entanto, o Dr. Guandalini concorda que algumas pessoas que não têm a doença celíaca recebem um impulso genuíno de saúde aquando duma dieta isenta de glúten. Ele só não consegue dizer quantos.

Tal como acontece com a maioria das controvérsias sobre nutrição, todos concordam com os factos subjacentes. O trigo entrou na dieta humana apenas há cerca de 10.000 anos atrás, com o advento da agricultura. "Durante os últimos 250 mil anos, o homem evoluiu sem ter esta proteína muito estranha no seu intestino", disse o Dr. Guandalini. "E, em resultado, esta é uma proteína muito estranha, diferente, que o intestino humano não consegue digerir. Muitas pessoas não se adaptaram a essas grandes mudanças ambientais, e, para alguns, surgiram efeitos adversos relacionados com a ingestão de glúten nessa altura. "

As proteínas primárias do glúten de trigo são a glutenina e a gliadina, sendo que a gliadina contém padrões de repetição de ácidos aminados que o sistema digestivo humano não consegue quebrar (o glúten é a única substância que contém estas proteínas). As pessoas com doença celíaca têm uma ou duas mutações genéticas que fazem que, de alguma forma, o sistema imune ataque as paredes do intestino quando os fragmentos de gliadina passam no intestino como se fosse um caso de erro de identidade. Isto, por sua vez, faz com que as estruturas digitiformes chamadas vilosidades que absorvem nutrientes no interior dos intestinos atrofiem, e os intestinos podem tornar-se permeáveis, causando estragos. Os sintomas, que variam muito entre os portadores, podem incluir vómitos, diarreia crónica ou prisão de ventre, e atraso de crescimento em crianças.

A grande maioria das pessoas que têm a doença celíaca não sabe disso. E nem toda a gente que tem as mutações genéticas desenvolve a doença celíaca. O que preocupa os médicos é que o problema parece estar a crescer. Depois de testarem amostras de sangue colhidas no século passado, os investigadores descobriram que a taxa de doença celíaca parece estar a aumentar. Porquê é outro mistério. Alguns culpam o trigo, pois algumas variedades cultivadas agora contêm níveis mais elevados de glúten, glúten esse que ajuda a fornecer o interior elástico e o exterior crocante tão desejáveis no pão (culpem os padeiros artesanais).

Também há também pessoas que são alérgicas ao trigo (não necessariamente ao glúten), mas até há pouco tempo atrás, a maioria dos especialistas pensava que a doença celíaca e a alergia ao trigo eram os únicos problemas causados ​​pela ingestão deste cereal.

Para as 99 em cada 100 pessoas que não têm doença celíaca - e aqueles que não têm uma alergia ao trigo - os fragmentos não digeridos da gliadina geralmente passam de forma inofensiva através do intestino, e os possíveis benefícios de uma dieta isenta de glúten são nebulosos, talvez inexistentes para a maioria delas. Mas não todas.

De uma forma empírica, pessoas como a Sra. Golden Testa dizem que uma dieta sem glúten melhorou a sua saúde. Algumas pessoas com doenças como a síndrome do intestino irritável e artrite também relatam alívio nos seus sintomas, e outros agarram-se ao glúten como a causa de uma série de outras condições, embora não haja evidência científica para a maioria das reivindicações. Os especialistas são cépticos. Não há um sentido óbvio, por exemplo, que alguém perca peso numa dieta isenta de glúten. Na verdade, o oposto acontece frequentemente em pacientes com doença celíaca, quando os seus intestinos danificados recuperam.

Os especialistas também temem que as pessoas possam acabar por comer de uma forma menos saudável. Um muffin sem glúten geralmente contém menos fibras do que um à base de trigo e ainda oferece os mesmos perigos nutricionais - gordura e açúcar. Os alimentos sem glúten também não costumam ser enriquecidos com vitaminas. Contudo, essas opiniões mudaram. Os resultados de uma experiência na Austrália, publicados em 2011 no American Journal of Gastroenterology, foram cruciais na compreensão crescente do glúten. Neste estudo duplo-cego, as pessoas que sofriam de síndrome do intestino irritável, que não tinham doença celíaca e que tinham iniciado uma dieta isenta de glúten receberam pão e bolos para comer durante seis semanas. A alguns deles foram dados produtos sem glúten, aos restantes muffins e pão com glúten. Trinta e quatro pacientes completaram o estudo. Aqueles que comeram glúten relataram que se sentiram significativamente pior.

Isso influenciou muitos especialistas que reconhecem que a doença não está apenas na cabeça dos pacientes. "Não é apenas um efeito placebo", disse Marios Hadjivassiliou, neurologista e especialista em doença celíaca na Universidade de Sheffield, na Inglaterra. Embora agora haja provas convincentes de que a sensibilidade ao glúten existe, isso não ajudou a estabelecer o que faz com que ela aconteça. Os pesquisadores da experiência australiana observaram, "As questões sobre o seu mecanismo não foram elucidadas."

O que se sabe é que a sensibilidade ao glúten não se correlaciona com as mutações genéticas da doença celíaca, por isso parece ser algo distinto desta. A sua incidência é outro ponto de controvérsia.

O Dr. Thomas O'Bryan, um quiroprático que se tornou cruzado anti-glúten, disse que quando testou os seus pacientes, 30 por cento deles tinham anticorpos à gliadina no sangue. "Se uma pessoa tem pode escolher entre comer ou não comer trigo", ele disse, "então, para a maioria das pessoas, evitá-lo seria o ideal."

O Dr. O'Bryan auto-diagnosticou-se com sensibilidade ao glúten. "Eu tinha umas anormalidades no açúcar no sangue e não percebia donde vinham", disse ele. Um teste de sangue mostrou anticorpos à gliadina, e começou a evitar o glúten. "Demorei alguns anos para ficar completamente livre de glúten", disse ele. "Ainda comia um pedaço de bolo de vez em quando. E eu percebia mais tarde que não me sentia tão bem no dia seguinte ou dois dias depois. Nada muito óbvio, mas eu percebia. "

Contudo Suzy Badaracco, presidente da Culinary Tides Inc., uma empresa de consultoria, disse que ultimamente as pessoas referem menos os benefícios de dietas sem glúten. Disse que uma pesquisa recente de pessoas que compraram alimentos sem glúten descobriu que 35 por cento disseram acreditar que os produtos sem glúten são geralmente mais saudáveis, abaixo dos 46 por cento em 2010. Ela prevê que a utilização de produtos sem glúten diminuirá.

O Dr. Guandalini diz que descobrir se se é sensível ao glúten não é tão simples como os testes de anticorpos do Dr. O'Bryan, porque estes apenas indicam a presença dos fragmentos no sangue, o que pode ocorrer por uma variedade de razões, e não necessariamente indicar uma doença crónica. Para diagnosticar a sensibilidade ao glúten, "Não há nenhum teste de sangue que possa ser útil", disse ele. Duvida também que a ocorrência de sensibilidade ao glúten seja quase tão alto quanto o Dr. O'Bryan afirma. "Não mais do que um por cento", disse o Dr. Guandalini, embora concorde que, actualmente, todos os números são especulações.

Ele disse que o seu grupo de pesquisa está a trabalhar para identificar testes biológicos que possam determinar a sensibilidade ao glúten. Alguns dos resultados são promissores, disse, mas são muito preliminares para discuti-los. Os especialistas celíacos exortam as pessoas a não fazer o que a Sra. GoldenTesta fez – um auto-diagnóstico. Se estas pessoas tiverem doença celíaca, os exames para a diagnosticar tornam-se pouco confiáveis se não estiverem a comer glúten. Recomendam também uma visita a um médico antes de iniciar uma dieta isenta de glúten.”


Outros artigos:
A Patient's Journey, Non-celiac Gluten Sensitivity
Puede ser el gluten perjudicial a pacientes no celiacos?
Clinical, Serologic, and Histologic Features of Gluten Sensitivity in Children
Patients with Suspected Non-celiac Gluten Sensitivity React Adversely to Gluten


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Intolerância ao Glúten

Neste artigo que coloco hoje, aborda-se a questão das variantes dentro do espectro da intolerância ao glúten e a dificuldade que há em estabelecer um diagnóstico, muito devido a falta de informação na comunidade médica.
Nota: o autor opta por usar vagamente a designação de "intolerância ao glúten" o que se entende commumente como sensibilidade ao glúten não-celíaca.

Doença Celíaca e Intolerância ao Glúten

Imagem retirada da Net

"Você é gorda demais para ter a doença celíaca," comentou o médico à Jaime replicando um de muitos equívocos. Muitos com alergia ao trigo ou intolerância ao glúten não são diagnosticados, sem razão nenhuma. Apesar de uma forte história familiar de doença celíaca e muitos sintomas que encaixam nalgum tipo de intolerância ao glúten, Jaime King (não é o nome verdadeiro) descobriu que o seu médico de família se recusou a aceitar a ideia. Ele não iria pedir um simples exame de sangue. Debitou as coisas que tinha aprendido na universidade sobre alergia ao glúten/trigo e doença celíaca:

·         a doença celíaca é quase sempre encontrada em bebés – as crianças mais velhas e adultos não podem ter doença celíaca;
·         a alergia ao glúten e outros problemas causam desnutrição extrema, que resulta em perda de peso drástica, logo os bebés gordos não podem ter (e adultos gordos definitivamente não podem tê-la);
·         Hereditariedade não é um factor na doença celíaca.

Felizmente, a senhora King procurou um especialista e foi diagnosticada com a doença celíaca, assim como a sua mãe havia sido diagnosticada 15 anos antes. Agora, ela incentiva os outros a serem testados, quer acreditem ou não que têm a doença celíaca ou algum outro tipo de intolerância ao glúten.

Diagnóstico de problemas relacionados com a intolerância ao glúten não são comuns
Muitos diagnósticos não foram feitos porque os médicos orientaram-se por informações incorrectas e ultrapassadas. O diagnóstico pode ser difícil no melhor dos casos. Na Conferência Anual CSA em 2000, o Dr. Robert Dahl, disse: "De 100 pacientes com DC (doença celíaca), pouco mais de dez apresentam os sintomas clássicos evidentes de má absorção."

A má absorção é considerado o sintoma clássico da doença celíaca, mas a má absorção de nutrientes não significa, necessariamente, estar abaixo do peso. Muitos dos que têm problemas com o glúten (seja por doença celíaca, alergia ao glúten ou intolerância ao glúten) estão com sobrepeso. A dificuldade na perda de peso pode ser considerada um sintoma de intolerância ao glúten. O Dr. Dahl passou a explicar que aproximadamente 80% dos pacientes com doença celíaca não mostram os sinais clássicos. Eles ou apresentam a forma atípica, ou têm a versão clínica silenciosa ou latente da doença celíaca.

É agora do conhecimento geral que os adultos podem ter a doença celíaca e que esta não é a única condição que envolve a intolerância ao glúten. As pessoas podem ser diagnosticadas com a doença celíaca, alergia alimentar ou intolerância alimentar em todas as fases da vida. Celiac Disease Foundation e a Celiac Sprue Association ambas procuram educar o público em geral assim como os celíacos. Eles mantêm sites que oferecem informações e recursos.

Os livros, artigos e notícias sensibilizam para os problemas que o glúten provoca no corpo humano. Há mais alimentos sem glúten nas prateleiras das lojas, para o deleite de:

  • celíacos;
  • pessoas com alergias alimentares, como alergia ao trigo ou alergia ao glúten;
  • pais de crianças com distúrbios comportamentais, autismo e asma.

Intolerância ao glúten não está limitada à Doença Celíaca
A doença celíaca é um tipo muito específico de condição associada a um problema com o glúten. A doença celíaca é uma doença auto-imune. A Celiac Disease Foundation salienta que a doença celíaca não é uma alergia alimentar.

A alergia ao trigo e alergia ao glúten não são a mesma coisa que a doença celíaca. O mesmo se passa com a intolerância ao glúten ou intolerância ao trigo. Para a maioria das pessoas, no entanto, a distinção entre a doença celíaca e as outras condições não é importante, porque, para todos os efeitos, para o leigo, são os mesmos.

  • Em cada condição, comer glúten pode causar muitos sintomas, que podem incluir dor (variando de leve a excruciante), gases, diarreia e outros problemas intestinais;
  • Em ambos os casos, consumir glúten pode levar a outros problemas de saúde;
  • O tratamento para a doença celíaca e as outras condições (intolerância ao glúten, alergia ao glúten, alergia ao trigo) é o mesmo - uma dieta isenta de glúten.

Os pacientes informados podem solicitar aos seus médicos que considerem se a intolerância ao glúten, a doença celíaca, a alergia ao trigo ou a alergia ao glúten, pode ser o culpado pelos seus sintomas.”

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Top 10


Imagem retirada da Net

Existem várias razões para se iniciar uma dieta sem glúten que não se prendem exclusivamente com um diagnóstico de doença celíaca. É uma opção individual que normalmente só afecta quem a toma, logo não é passível de ser julgada. Isto digo eu e diz a Nicole Hunn do blog Gluten Free on a Shoestring no seu último post que me pareceu muito interessante. Traduzi-o assim como os comentários de alguns visitantes que responderam à questão que ela coloca.

"Top 10 de razões para fazer uma dieta sem glúten

Vou começar este post por dizer uma coisa: seja qual for a sua razão para fazer uma dieta livre de glúten, todos são bem-vindos aqui. Não me cabe a mim julgar. Estou cá para ajudar, através do blog e do livro de receitas (tem uma cópia? O que está à espera?). E se alguém na sua vida não suporta a sua dieta, o problema é dele. Não seu.
Contudo, talvez eu possa julgar um pouco a razão nº 10.

1. Você tem doença celíaca.
2. Um familiar vive sem glúten. Solidariedade!
3. Você tem ou o seu filho tem um transtorno do espectro do autismo.
4. Você sente-se melhor desde que cortou com o glúten.
5. Ninguém deveria comer glúten. Os homens das cavernas não o comiam!
6. Você foi a um naturopata que lhe disse para cortar com glúten e os seus problemas de saúde iriam embora.
7. Você tem uma outra doença auto-imune, tal como a Doença de Crohn, que responde bem a uma dieta isenta de glúten (entre outras coisas).
8. Você é alérgico ao trigo.
9. Você tem tido problemas de fertilidade.
10. Porque a Gwyneth Paltrow faz uma dieta sem glúten.

Porque é que você faz uma dieta isenta de glúten?

"Adoro o teu blog... e ter recebido o teu livro como prenda de aniversário. Como sem glúten por causa da razão nº 1. Desde Outubro que descobrimos que sou celíaca, os meus dois filhos têm a doença celíaca, os testes da minha filha foram inconclusivos, e o meu marido é provavelmente sensível ao glúten. Venho a gastar uma pequena fortuna alimentando três adolescentes sem glúten, mas o teu blog ajuda muito! "

"Nós todos fazemos a dieta em casa, porque o nosso filho tem a doença celíaca. É mais fácil não ter o glúten em casa! "

"Razões nº 1, 2 e 7. Totalmente sem glúten durante um ano e meio. A barriga sente-se muito melhor e a psoríase quase desapareceu. O meu filho de 11 anos não tem tantas enxaquecas. Há uma diferença enorme entre ter que viver sem glúten (para não ficar enrolado no chão da casa de banho, com tantas dores, que a morte parece ser uma boa opção) e escolher viver sem glúten porque é a dieta da moda desta semana. Ainda estarão a fazer a dieta daqui a 10 anos? Alguns de nós terão que estar... "

"A fadiga crónica, fibromialgia e, basicamente, sentir-me uma porcaria - todas as minhas articulações a doer, dores de cabeça todos os dias... Tudo se foi agora! Sem glúten, para sempre. "

"Razões nº 2 e 11 (sei que não está na sua lista, mas estou a chamá-lo de" Outros "). O meu marido é sensível ao glúten (razão nº 2), e enquanto eu fiz a dieta com ele, logo no primeiro mês, a acne que tinha desde a adolescência (há cerca de 25 anos!) desapareceu! Li que muitos cientistas dizem que não há uma ligação directa entre glúten e problemas de acne, mas a minha experiência diz o contrário. Quando eu me engano na dieta, a acne regressa, por isso, se não é o glúten que a causa, não sei qual é a coincidência! "

"Tenho várias razões. Tive problemas de pele / alergias a minha vida inteira. A minha cunhada teve um ataque de alguma doença auto-imune não identificada há dois anos atrás. Ela viu os meus braços (que estavam cobertos de feridas por causa de coçar) e disse-me que deveria tentar a dieta sem glúten. Isso assustou-me. Tomei a decisão quando o meu filho tinha pouco mais de um mês de idade. Ele tinha um caso de acne do recém-nascido realmente mau. O dia em que eliminei o glúten, a sua acne desapareceu (eu estava a amamentar exclusivamente). Isso convenceu-me. Estou completamente sem glúten há quase dois anos (menos alguns acidentes). Passei a dormir melhor. As minhas alergias estão melhores. A minha pele está melhor. Não estou tão doente. Costumava ter três a quatro sinusites graves por ano. Desde que iniciei a dieta, tive uma. Foi a melhor decisão que já tomei. "

"Tive sinusites horríveis e alergias de pele durante anos e comecei a dieta sem glúten para resolver essas situações. Ironicamente, seis semanas mais tarde a biópsia da minha filha confirmou a doença celíaca que fez depois de se queixar de dores de barriga e fome extrema (eu pensava que a culpa era dos lacticínios). Acontece que o meu marido que achava que tinha apenas Síndrome do Intestino Irritável assim como a minha sogra, foram também diagnosticados. Desde que iniciei a dieta, há já 18 meses que não uso a medicação para a asma e as dores de barriga da minha filha são muito menos frequentes! Para a vida... não por moda. "

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Testemunho de Ataxia

No seguimento deste post, trago hoje mais uma parte do artigo aí mencionado, neste caso um dos três testemunhos apresentados, para elucidar de que modo a ingestão de glúten pode afectar o sistema nervoso em pessoas predispostas geneticamente. 


Imagem retirada da Net

"Carolyn Davison, 39 anos, mãe de dois filhos, de New South Wales, Austrália, viajou meio mundo pelo seu diagnóstico. Davison tinha sido hospitalizada meia dúzia de vezes na sequência de assustadores ataques de paralisia e dormência nas pernas. Quando os médicos cronometraram quanto tempo ela poderia andar antes de desmaiar ou perder o equilíbrio, o melhor tempo era de quatro minutos.

Ela experimentou também outros estranhos sintomas neurológicos. Ela escrevia as suas cartas e o texto saía ao contrário, perdia-se no supermercado, e esquecia-se que estava a falar a meio da frase. Em pouco tempo, Davison não podia trabalhar, tendo desistido do seu trabalho como terapeuta especializada em crianças com atrasos no desenvolvimento e autismo. Como não podia subir escadas, ela mudou-se para uma casa térrea.

Na longa lista de condições para as quais foi testada, incluía-se a síndrome de Guillain-Barré e esclerose múltipla, tendo feito análises de sangue para a doença celíaca. Os seus anticorpos estavam elevados, mas a biópsia não detectou nada. Embora a neurologista de Davison soubesse que pode haver sintomas neurológicos em alguns celíacos, sem um diagnóstico claro de doença celíaca, ela não tinha mais ideias.

Enquanto isso, Davison começou a questionar sua sanidade. Os médicos estavam a desisitir dela, mas os sintomas estavam a piorar. Começou a experimentar episódios assustadores onde não conseguia recuperar o fôlego e não conseguia engolir, engasgando-se com a sua própria saliva. Aterrorizada, Davison assumiu a responsabilidade por si. Entrou on-line e encontrou a pesquisa do Dr. Hadjivassiliou. Mostrou-a à sua neurologista, que a encorajou a atravessar meio mundo para vê-lo.

Armada com pastas cheias com os seus registos médicos, Davison foi para a Inglaterra e reuniu-se com o Dr. Hadjivassiliou. Ele fez apenas um teste adicional, o teste genético para a doença celíaca. O teste não pode diagnosticar a doença celíaca, mas alguns especialistas acreditam que, quando positivo, pode sugerir uma predisposição genética para a sensibilidade ao glúten. Para Davison, o teste genético forneceu mais indícios de que é sensível ao glúten e, depois de três longos anos e tentativas, ela foi finalmente diagnosticada com ataxia pelo glúten.

Depois de ler sobre os muitos atributos da vitamina D, incluindo o possível benefício na esclerose múltipla e outras doenças auto-imunes e neurológicas, Davison começou a completar a sua dieta com esta vitamina. Embora Davison sinta melhoria dos seus sintomas, especialmente no Inverno, os especialistas ainda não endossam a suplementação com vitamina D para a ataxia pelo glúten. A doença celíaca pode causar má absorção nutricional (de cobre e vitaminas B6, B12 e E, por exemplo) que podem afectar o equilíbrio, mas não se considera que a ataxia pelo glúten por si só possa causar deficiências de vitaminas.

Davison também tem que fazer uma coisa de cada vez. Não há como ser polivalente. Depois de dois anos com a dieta livre de glúten, a sua coordenação tem melhorado substancialmente e ela é capaz de andar e fazer suaves exercícios de ioga. Mas não pode abusar:
"O meu problema principal hoje é a fadiga. Ainda não estou a trabalhar, mas comecei a fazer voluntariado várias manhãs por semana na minha área. Essas tardes passo-as na cama." Embora, às vezes, permanecer positiva seja uma luta, olhando para trás, ela consegue ver uma melhoria geral."

Para outro testemunho de ataxia pelo glúten, publicado na revista Living Without, clicar aqui.

Outros artigos
Neuropathy Risk More than Double for Celiac Disease Patients
Neurological disorders and celiac disease.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

O glúten e o cérebro

Entre aqueles afectados pelo glúten, sejam doentes celíacos ou com sensibilidade ao glúten não-celíaca, há uma porção destes que apresenta sintomas neurológicos. O Dr. Marios Hadjivassiliou, neurologista inglês, tem dedicado a sua carreira ao estudo dos efeitos da proteína do glúten nas funções neurológicas. Recentemente, encontrei um artigo da revista norte-americana "Living Without" que aborda a sua pesquisa. Dada a extensão do artigo, incluo neste post a tradução da parte referente aos estudos do Dr. Hadjivassiliou.

"Ataque do Glúten: Ataxia
O glúten está a atacar o seu cérebro?


Imagem retirada da Net
A ataxia pelo glúten é uma condição neurológica caracterizada pela perda de equilíbrio e coordenação. No entanto, pode até afectar os dedos, mãos, braços, pernas, fala e movimentos dos olhos. Os sintomas típicos incluem a dificuldade para caminhar ou andar com uma passada ampla, quedas frequentes, dificuldade para avaliar distância ou posição, distúrbios visuais e tremores. Os especialistas acreditam que a ataxia pelo glúten pode ser uma forma de sensibilidade ao glúten, que é um amplo espectro de doenças marcadas por uma resposta imunológica anormal ao glúten.

Diferentes órgãos podem ser afectados por diferentes tipos de sensibilidade ao glúten. Na doença celíaca, às vezes chamada de enteropatia sensível ao glúten, o intestino delgado é afectado. Na dermatite herpetiforme, a pele é o alvo, resultando numa erupção cutânea. Com a ataxia pelo glúten, o dano ocorre no cerebelo, o centro de equilíbrio do cérebro que controla a coordenação e movimentos complexos como andar, falar e engolir.
"É melhor descrever a ataxia pelo glúten usando a expressão “sensibilidade ao glúten” porque não contribuiu para o equívoco de que você deve ter a doença celíaca para sofrer algumas destas diversas manifestações", disse Marios Hadjivassiliou, MD, um neurologista no Royal Hallamshire Hospital, em Sheffield, Inglaterra. Hadjivassiliou descreveu pela primeira vez a ataxia pelo glúten na década de 1990. Depois de ver alguns pacientes com problemas inexplicáveis de equilíbrio e coordenação, ele começou a testá-las sistematicamente para a sensibilidade ao glúten utilizando anticorpos anti-gliadina, que apontam para uma elevada resposta imune ao glúten, mas não necessariamente a um diagnóstico de doença celíaca. Hadjivassiliou encontrou uma prevalência muito elevada de anticorpos em pacientes com ataxia, nomeando a condição como ataxia pelo glúten.
Mas nem todos os neurologistas estão de acordo com a ataxia pelo glúten. Embora vários estudos apoiem os resultados de Hadjivassiliou, pelo menos um pequeno estudo, publicado na revista Neurology, em 2000, não conseguiu encontrar uma ligação entre anticorpos antigliadina e ataxia cerebelar. Nenhum dos 32 pacientes no estudo testou positivo para os anticorpos. Mas este estudo é apenas uma parte do problema. Lançando mais dúvidas sobre esta condição são os seus, assim chamados, critérios delicados de diagnóstico. A ataxia pelo glúten diagnostica-se quando testes à anti-gliadina sugerem a sensibilidade ao glúten e quando as outras causas de ataxia já foram descartadas. (A biópsia do intestino delgado é aconselhável em pacientes com anti-gliadina e exames de sangue para doença celíaca positivos). É um diagnóstico de exclusão.
"Há evidências bastante sólidas que mostram que os celíacos podem ter problemas neurológicos como ataxia", diz Joseph Murray, MD, gastrenterologista e especialista em doença celíaca na Clínica Mayo. As deficiências vitamínicas ou um fenómeno chamado mimetismo molecular podem ser o culpado. No mimetismo molecular, algo no cérebro que se parece bastante com o glúten leva a que os anticorpos dirigidos ao intestino delgado façam reacção cruzada contra uma parte do cérebro. "Concluindo, quando a doença celíaca e a ataxia pelo glúten ocorrem em conjunto, a ataxia pelo glúten pode ser um diagnóstico robusto. Mas quando a ataxia pelo glúten ocorre por conta própria, temos menos certeza do diagnóstico ", diz Murray.
Uma nova ferramenta de rastreio pode ajudar, em breve. Hadjivassiliou e a sua equipa recentemente identificaram um anticorpo, a transglutaminase TG6, que pode ser um marcador melhor para a ataxia pelo glúten. TG6 é semelhante ao TG2 anticorpo, detectado na triagem tTG amplamente utilizado para a doença celíaca, mas a TG6 expressa-se principalmente no cérebro. Apesar de promissor, um teste para TG6 ainda não está pronto para uso clínico.
O diagnóstico tardio da ataxia do glúten é a norma, diz Hadjivassiliou, particularmente para aqueles pacientes que não têm a doença celíaca ou sintomas gastrointestinais. Os médicos podem procurar a sensibilidade ao glúten só se os sintomas gastrointestinais estiverem presentes, e é improvável que pensem em sensibilidade ao glúten no contexto de ataxia, diz Hadjivassiliou. Mas a sua pesquisa, publicado em na revista Brain em 2003, encontrou que 40 por cento dos pacientes com ataxia inexplicável têm sensibilidade ao glúten. Hadjivassiliou recomenda que os neurologistas testem os seus pacientes com ataxia inexplicada para a sensibilidade ao glúten.
Aqueles com ataxia pelo glúten não têm tempo a perder, avisa. A dieta sem glúten, a base do tratamento para ataxia pelo glúten pode resultar numa estabilização dos sintomas. Mas, muitas vezes, os danos significativos já foram feitos. O sistema neurológico tende a curar muito mal e muito lentamente, diz Murray. Ao contrário do forro do intestino delgado, as células de Purkinje do cerebelo não têm capacidade para se regenerarem, explica Hadjivassiliou. Depois de a ataxia estar bem estabelecida, o que pode acontecer em apenas seis meses, é raro fazer uma recuperação completa.
Os danos ajudam a explicar porque, mesmo depois de abdicarem do glúten, os pacientes continuam a ter sintomas debilitantes. Não é incomum estarem em cadeiras de rodas na altura do diagnóstico, diz Murray. No entanto, o panorama não é sombrio. Além da intervenção dietética, a terapia física e ocupacional também podem fazer uma grande diferença.
A evidência esmagadora é que a ataxia pelo glúten seja mediada a nível imunitário, dizem os especialistas. Hadjivassiliou e a sua equipa estão actualmente a estudar a forma como a doença lesa as células neurais, com a esperança de um dia melhorar o desenvolvimento de terapias específicas. Por enquanto, é mais importante para os pacientes é repetir o teste de sangue, geralmente após seis meses de tratamento com a dieta livre de glúten, para assegurar a eliminação de todos os anticorpos. Os sintomas podem estabilizar e melhorar quando os anticorpos desaparecerem."



quarta-feira, 23 de maio de 2012

Os atletas e o glúten

Encontrei um artigo interessante sobre a dieta sem glúten e o seu efeito na performance desportiva de vários atletas, que saiu na edição de Novembro do ano passado da revista americana Sports Illustrated. Fica, então, a tradução:


"A Correr do Glúten
A eliminação desta proteína tem dado a muitos atletas um impulso substancial de energia

Alessio Fasano é um homem ainda mais ocupado desde que ele e 15 colaboradores publicaram um estudo na revista BMC Medicine de Março último que mostrou que era possível ser sensível à proteína do glúten que existe no trigo, cevada e centeio, bem como em algumas sopas e espessantes, sem ter doença celíaca com todos os seus sintomas. Atletas de todo o mundo entraram em contacto com Fasano, o director do Centro de Pesquisa Celíaca da Universidade de Maryland, à procura de orientação sobre como limitar a ingestão de glúten. Ciclistas profissionais procuram a ajuda de Fasano desde 2008; agora, ele faz três viagens anuais à Europa para consultar com atletas de elite do ténis, basquetebol, futebol, wrestling e natação.

Mais e mais atletas que fazem uma dieta isenta de glúten acreditam que esta aumenta a sua energia. Alguns, como a corredora de longa distância, norte-americana, Amy Yoder Begley, fazem-no porque têm a doença celíaca; outros, incluindo o quarterback dos Saints, Drew Brees, e o tenista de topo Novak Djokovic, fazem-no porque são sensíveis ao glúten, e uns quantos intrépidos, incluindo a equipa de ciclismo profissional Garmin-Transitions, fazem-no porque procuram um diferencial competitivo. Com a consciencialização do glúten em ascensão por causa do crescente número de pessoas com problemas de saúde decorrentes da ingestão desta proteína, a dieta isenta de glúten ou a dieta com baixo teor de glúten não são susceptíveis de se juntar aos programas “baixos hidratos/altas proteínas” (para não mencionar os “altos hidratos/ baixas proteínas”) que se encontram no caixote de lixo das tendências de alimentação para atletas.

Embora o glúten possa ser uma fonte de proteína para a maioria das pessoas, a pesquisa de Fasano revela que 6% da população dos EUA pode ser sensível ao glúten, experimentando dores de estômago, dores de cabeça ou depressão após a ingestão da proteína. Menos prevalente (mas ainda em crescimento) é a doença celíaca, que faz com que o sistema imunitário do corpo ataque e inflame o intestino após a ingestão da proteína.

O glúten, que não fazia parte da dieta humana até as pessoas começarem a cultivar ervas selvagens para alimento há 10.000 anos atrás, não consegue ser totalmente processado pelas enzimas no organismo, mesmo em pessoas que não são sensíveis ao glúten. Considere o seguinte: de acordo com Fasano, os sucos digestivos no estômago são tão corrosivos para a proteína da carne que se mergulhasse um dedo neles, se veria o osso em 30 segundos, mas os mesmos sucos não conseguem polir o glúten de um pequeno pedaço de pão que seja. "Algumas partes do glúten tem a digestibilidade de uma rocha", diz Chaitan Khosla, um professor de engenharia química de Stanford. "Ele fica por lá, a marcar passo, até ir para o intestino."

A comunidade médica ainda não sabe porque é que alguns atletas sentem mais energia após a eliminação do glúten, mas Fasano acredita que é por causa da estadia prolongada do glúten no tracto digestivo: o sangue que é necessário nas extremidades e no cérebro é desviado para o estômago para ajudar na digestão do glúten, diminuindo o fornecimento de energia e desempenho. Inquirido sobre o porquê da incidência da doença celíaca ter duplicado nos últimos 15 anos, Fasano diz que os produtores de trigo têm, cada vez mais, cultivado as suas colheitas de modo a ter mais (e, possivelmente, diferente) glúten para dar à comida um sabor e textura mais agradáveis. "Os cereais do seu bisavô não são os seus cereais", diz ele.

Amy Yoder Begley, uma norte americana campeã olímpica nos 10.000 metros, viaja com um guia de restaurantes que têm menus sem glúten. Para obter os hidratos de carbono que o seu corpo precisa para transformar glicose em combustível para o exercício, ela come alimentos ricos nesses nutrientes mas que não são preenchidos com gordura ou açúcar, como bananas, massa de arroz, polenta e batata-doce. A sua dieta é um modelo para um número crescente de atletas. "Tudo que ela conhecia enquanto hidratos de carbono [sem glúten] eram coisas como batatas e doces", diz Krista Austin, uma fisiologista que ajudou a formatar a dieta à medida de Amy Yoder Begley. "Hoje em dia, quase todos os atletas com quem trabalho, por lazer ou profissão, perguntam sobre o glúten."

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Mais sobre a sensibilidade ao glúten

Há dois, três anos atrás só se ouvia falar em sensibilidade ao glúten, para além da doença celíaca, em fóruns e sites de médicos alternativos. Há aproximadamente um ano atrás, esta condição passou a ser mainstream quando o Dr. Alessio Fasano do Centro de Pesquisa Celíaca da Universidade de Maryland, um dos pesquisadores mais conhecidos neste campo, a reconheceu e designou como Sensibilidade ao Glúten Não- Celíaca.

Ainda pouco se sabe, e como a pesquisa na área continua a evoluir, é provável que o que se sabe agora, deixe de ter validade daqui a algum tempo. No entanto, o National Foundation for Celiac Awareness reuniu o conhecimento que existe neste momento e compôs um artigo que pode ajudar a esclarecer algumas dúvidas daqueles que lidam com a intolerância ao glúten. Este panfleto sumariza o conteúdo do artigo.




"Sensibilidade ao Glúten Não-Celíaca

O seu exame de sangue para a doença celíaca veio negativo. E agora? Se tem tido sintomas que parecem relacionados com o glúten, é possível que tenha sensibilidade ao glúten não-celíaca. As pesquisas estimam que 18 milhões de americanos têm sensibilidade ao glúten não-celíaca. Isto é 6 vezes mais a quantidade de americanos que têm doença celíaca.

Os pesquisadores começam agora apenas a explorar a sensibilidade ao glúten não-celíaca, mas gostaríamos de educá-lo sobre o que aprendemos até agora. Siga-nos enquanto apresentamos uma série de Perguntas & Respostas sobre a sensibilidade ao glúten não-celíaca durante 2012. Esta secção foi projectada para o ajudar a entender melhor a sensibilidade ao glúten não-celíaca e o que a diferencia da doença celíaca e das alergias ao trigo.

O que é a sensibilidade ao glúten não-celíaca?
A sensibilidade ao glúten não-celíaca foi um termo cunhado para descrever aqueles indivíduos que não podem tolerar o glúten e experimentam sintomas semelhantes àqueles da doença celíaca, mas que ainda que não têm os mesmos anticorpos e danos intestinais, que surgem na doença celíaca. A pesquisa inicial sugere que a sensibilidade ao glúten não-celíaca é uma resposta imune, em oposição a uma resposta imunitária adaptativa (tais como nas doenças auto-imunes) ou à reacção alérgica.

OK, então o que é uma resposta imune inata?
Os seres humanos nascem com um sistema imune inato. Uma resposta imune inata não é específica para um antigénio, o que significa que não é específica quanto ao tipo de organismo com que luta. Embora a sua resposta seja imediata contra os organismos invasores, o sistema imune inato não tem uma memória imunológica para os organismos invasores. A sua resposta não é dirigida para o próprio tecido, o que resultaria em doença auto-imune.

Ao contrário da sensibilidade ao glúten não-celíaca, a doença celíaca é específica para um antígeno (onde se inclui a transglutaminase tecidual, endomísio, anticorpos desamidados da gliadina, e, em algumas crianças pequenas, também os anticorpos à gliadina) e resulta num ataque contra o seu próprio tecido. Dano intestinal, ou enteropatia, é o resultado directo.

Quais são os sintomas da sensibilidade ao glúten não-celíaca?
A sensibilidade ao glúten não-celíaca partilha muitos sintomas com a doença celíaca. No entanto, de acordo com um relatório colaborativo (Sapone et al,2012), os indivíduos com sensibilidade ao glúten não-celíaca têm uma prevalência de sintomas extra-intestinais ou não-gastrointestinais, como dores de cabeça, "mente nebulosa," dor nas articulações, e dormência nas pernas, braços ou dedos. Os sintomas normalmente aparecem horas ou dias após o glúten ter sido ingerido, uma resposta típica para condições imunológicas inatas como a sensibilidade ao glúten não-celíaca.

Se os sintomas são tão semelhantes, como é que é diferente da doença celíaca?
A sensibilidade ao glúten não-celíaca foi reconhecida como, de um ponto de vista clínico, menos grave do que a doença celíaca. Não é acompanhada pela "enteropatia, as elevações da transglutaminase tecidual, endomísio, ou anticorpos desamidados da gliadina, e aumento da permeabilidade da mucosa que são característicos da doença celíaca" (Ludvigsson et al, 2012). Por outras palavras, os indivíduos com sensibilidade ao glúten não-celíaca não testam positivo para a doença celíaca com base em análises de sangue, nem têm o mesmo tipo de dano intestinal encontrado em indivíduos com doença celíaca. Alguns indivíduos podem sofrer danos intestinais mínimos, e isso desaparece com uma dieta livre de glúten.

A investigação mostrou também que a sensibilidade ao glúten não-celíaca não resulta no aumento da permeabilidade intestinal, que é característico da doença celíaca. O aumento da permeabilidade intestinal permite que as toxinas, bactérias e proteínas dos alimentos não digeridos se infiltrem, através da barreira gastrointestinal, na corrente sanguínea; as pesquisas sugerem que esta é uma alteração precoce biológica que vem antes do aparecimento de várias doenças auto-imunes.

A sensibilidade ao glúten não-celíaca é diferente de uma alergia ao trigo?
Sim. As alergias, incluindo aquelas ao trigo, estão associadas a medições positivas de IgE. O diagnóstico é feito através de testes cutâneos, análises de sangue ao IgE específico do trigo, e um desafio de alimentos. Os indivíduos que apresentam sintomas relacionados com o glúten mas testam negativo para alergia ao trigo podem ter sensibilidade ao glúten não-celíaca."

Este artigo foi, de seguida, continuado aqui, abordando agora os testes de diagnóstico e a sensibilidade ao glúten não-celíaca:

"Como posso fazer o teste para sensibilidade ao glúten não-celíaca?
Actualmente, não existem métodos recomendados para testar a sensibilidade ao glúten não-celíaca. Alguns médicos oferecem exames ao sangue, saliva ou um exame parasitológico de fezes. No entanto, estes testes não foram validados e, portanto, não são aceites.

No webcast da NFCA, o Dr. Guandalini afirma:

"Efectivamente, agora, (eles) dizem que não há absolutamente nenhuma leitura biológica que, de modo algum, possa suportar este diagnóstico por qualquer investigação laboratorial. Os anticorpos no sangue não são suficientemente específicos, ou suficientemente sensíveis, para esta condição. Nenhum anticorpo nas fezes pode ser utilizado para diagnosticar ou rastrear esta condição. "

O Dr. Fasano também falou sobre este tema e afirmou que a sua equipa está a realizar pesquisas para identificar biomarcadores que possam ajudar a testar e diagnosticar a sensibilidade ao glúten não-celíaca:

“ (...) Como o Dr. Guandalini explicou, a única maneira de fazer um diagnóstico da sensibilidade ao glúten é por critérios de exclusão, pois não temos testes que apontem nessa direcção. E é aí que os nossos esforços actuais se concentram. Agora que entendemos que é uma entidade diferente, queremos ter certeza de que podemos, eventualmente, identificar os biomarcadores para esta condição, pelo que estamos a realizar um ensaio duplo-cego para identificar os biomarcadores que acabarão por preencher a lacuna que o Dr. Guandalini se referia ".

Então, como faço para receber o diagnóstico?
A sensibilidade ao glúten não-celíaca é diagnosticada por um processo de exclusão. Os especialistas recomendam que primeiro deve-se fazer o teste de alergia ao trigo e da doença celíaca. Se ambos são negativos, então o seu médico pode recomendar uma dieta de eliminação do glúten. Se os sintomas melhoram com uma dieta livre de glúten, então você provavelmente tem sensibilidade ao glúten não-celíaca.

É muito importante que um médico experiente supervisione todo este processo, o que pode ajudar a omitir um autodiagnóstico do paciente e a reduzir a probabilidade que ocorra um efeito placebo durante a intervenção dietética.

Eu já estou sem glúten e sinto-me muito melhor do quando comia glúten. Posso assumir que tenho sensibilidade ao glúten não celíaca?
É possível que você tenha a doença celíaca e não a sensibilidade ao glúten não-celíaca. Contudo e porque a doença celíaca é uma condição de vida que exige adesão estrita a uma dieta sem glúten e uma boa gestão por um médico experiente, é importante que um diagnóstico preciso seja feito. Além disso, se você tem a doença celíaca, é importante confirmar o diagnóstico, pois membros da sua família podem estar em risco para a doença e não o sabem.

Uma opção é conversar com o seu médico sobre os testes genéticos para a doença celíaca. Um teste genético negativo excluiria a doença celíaca, mas um teste genético positivo pode significar que são necessários mais ensaios. Outra opção é conversar com o seu médico sobre a possibilidade de voltar a fazer uma dieta com glúten por um período de tempo, a fim de confirmar se tem ou não a doença celíaca, uma alergia ao trigo, ou sensibilidade ao glúten não-celíaca.

Mais importante, você deve sempre falar com o seu médico sobre os seus sintomas e problemas de saúde antes de iniciar qualquer tipo de tratamento por sua própria iniciativa. Começar uma dieta sem glúten antes de ser devidamente testado, pode complicar o processo de diagnóstico. Um médico experiente será capaz de o ajudar a navegar entre testes e diagnóstico de uma doença relacionada com o glúten."

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Por falar em médicos

Eis mais notícias do Dr. Oz, que tem trabalhado a favor da divulgação da intolerância ao glúten junto do público americano, através do seu famoso programa e que, em Portugal, passa na SIC Mulher. Desta vez, trago o Dr. Oz em dose dupla: uma entrevista que deu ao canal Fox News acerca da intolerância ao glúten e que serve de prenúncio ao início da nova temporada; o primeiro episódio desta conta com a colaboração de Elisabeth Hasselbeck, uma conhecida apresentadora de TV americana e doente celíaca.

O Dr. Oz revela-se como um acérrimo defensor da dieta sem glúten e afirma, a dada altura da sua entrevista, que, quando um paciente se queixa de que não se sente bem, a sua primeira recomendação é uma dieta sem glúten. Pessoalmente, parece-me extremo se não realizar testes para a doença celíaca antes do início da dieta e estabelecer (ou não) o diagnóstico. Peca por excesso quando tantos outros pecam por falta; eu defendo, como diz o povo, que a virtude deverá estar no meio. Se se pode estabelecer o diagnóstico de DC, é óptimo que haja médicos informados; caso se trate de um caso de sensibilidade ao glúten não-celíaca, por outro lado, é óptimo que haja médicos capazes de aconselhar a dieta quando as análises e/ou biópsia são negativas, mas os sintomas continuam a apontar para o glúten.

Enquanto não temos exemplos destes nos media portugueses, podemos sempre entreter-nos com o exemplo dos outros.

Imagem retirada da Net

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Entrevista com o Dr. Fasano

Imagem retirada da Net
A revista Gluten Free Living fez uma extensa entrevista com o Dr. Alessio Fasano, um dos mais experientes e conhecidos investigadores na área da intolerância ao glúten. Este especialista já foi mencionado neste blog, aqui e aqui. Esta entrevista é muito interessante e elucidativa sobre o estado actual e futuro do estudo da intolerância ao glúten. O original está disponível aqui ; deixo, então, alguns excertos da entrevista:

 




Acerca do motivo que desencadeia a DC:
“Outro assunto importante foi um recente estudo do Centro que encontrou, surpreendentemente, a duplicação da doença celíaca a cada 15 anos desde 1974. Fasano disse que o estudo, que mostrou a doença celíaca a aumentar à medida que as pessoas envelhecem, sugere que genes e glúten não são os únicos responsáveis ​​pelo desenvolvimento da doença celíaca. As bactérias também podem estar envolvidas.”

Sobre um possível tratamento, um comprimido que está na fase final de estudo:
“Para mim, o comprimido terá a grande vantagem de paz de espírito, apenas isso. Não o vejo como uma alternativa para a dieta isenta de glúten. Vejo-o como um complemento ou um apoio à dieta livre de glúten.”

O problema da falta de diagnóstico:
“Saímos de uma situação onde a doença celíaca foi completamente negligenciada para outra onde os Centros de Controle de Doenças consideram-na uma ameaça à saúde pública, pelo seu carácter único que dá origem a muitos não diagnosticados. (...) Noventa por cento e mais das pessoas com a doença não são diagnosticadas. Elas consomem o sistema de saúde.”

Alteração no método de diagnóstico da DC:
“Nós publicamos um artigo que dizia que vamos ser um pouco mais flexíveis. Vamos definir cinco critérios principais e dizer que você tem de preencher quatro dos cinco:
Um, tem que ter sintomas que sabemos estar relacionados com a doença celíaca, diarreia, anemia, qualquer um;
Dois, tem que ter os auto-anticorpos que usamos para o diagnóstico- anti-transglutaminase tecidual e anticorpos anti-endomísio;
Três, tem que ter os genes HLA-DQ2 e / ou HLA-DQ8;
Quatro, a biópsia mostra danos;
Cinco, os sintomas têm de desaparecer com o início da dieta sem glúten.
Com esta fórmula, se tiver sintomas, os auto-anticorpos, os genes HLA e sintomas que desaparecem, você pode evitar a biópsia.”

“É raro, mas 2 a 3 por cento das pessoas que são diagnosticadas com DC não tem os genes HLA-DQ2/DQ8. Nestes casos, a biópsia seria essencial. É óbvio que a grande maioria daqueles que têm a doença celíaca vai preencher todos os cinco critérios, mas há excepções.”

“Fui eu que disse que a regra de ouro era a biópsia. Agora digo que estava errado. (...) Talvez em 90 de 100 casos, a biópsia seja a regra de ouro, mas em dez casos a biópsia não é exacta.”

Quando fazer a introdução do glúten na alimentação infantil:
“Há duas escolas de pensamento. Uma diz que se você atrasar a introdução do glúten, apenas retarda o aparecimento da doença celíaca. A outra diz que talvez se deva dar tempo ao sistema imunitário para amadurecer e lidar melhor com o glúten. Eu diria que se der tempo para o sistema imunológico amadurecer e o microbioma se tornar o correcto, está a dar uma oportunidade à tolerância ao glúten, se não para a vida, pelo menos, por um longo, longo tempo.”

Acerca da sensibilidade ao glúten não-celíaca:
“Fizemos, no nosso Centro, uma análise de quase 6.000 pessoas. Uma pequena percentagem tem alergia ao trigo, cerca de 0,01 por cento. As pessoas que têm doença celíaca formam um por cento. O que é espantoso é que a grande parte são pessoas que têm sensibilidade ao glúten. Eles compõem 6-7 por cento dos pacientes que atendemos. A nível nacional são 20 milhões de pessoas (...).”

“A forma como abordamos esta história é a seguinte: se você tiver sintomas relacionados com a exposição ao glúten, olhamos para onde irá cair no espectro. Tem alergia a trigo-não. Tem a doença celíaca- não. Então, por exclusão, você é visto como sensível ao glúten. Temos pesquisas a sair que começam a dar-nos pistas para alguns possíveis marcadores com que podemos contar, para fazer o diagnóstico de sensibilidade ao glúten.”

Frases avulsas:
“O mercado sem glúten vale 1,7 mil milhões de dólares e cresce, agora, 20 por cento ao ano.”

“Agora, o meu objectivo principal é mudar o nome de doença celíaca para condição celíaca. Não quero mesmo ter a palavra "doença" ali.”
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