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terça-feira, 2 de maio de 2017

Dificuldades a bordo

Nada como começar o mês de Maio, mês da consciencialização celíaca, com uma notícia que seria cómica se não fosse uma mostra do que ainda há para evoluir nesse campo: um passageiro inglês, celíaco, pediu com antecedência uma refeição sem glúten para o seu vôo de nove horas entre Tóquio e Sidney, com a companhia japonesa ANA. Isto foi o que lhe entregaram como pequeno almoço:

















Notícia daqui.


quinta-feira, 14 de abril de 2016

Publicidade enganosa

... ou quando "Sem Glúten" não quer dizer mesmo sem glúten, só um bocadinho sem glúten...








Pelos vistos, a empresa The Love Food criou uma Linha Sem Glúten, só que não... Entre parênteses, explicam que estes produtos não são aptos para celíacos. Alguém devia explicar-lhes que, se não são suficientemente "sem glúten" para que os celíacos os possam comer, não são sem glúten. Chamem-lhes "baixo glúten", "só com um bocadinho de glúten", o que quiserem desde que não digam que são sem glúten. A legislação pode não proibir estas situações, mas qualquer celíaco que veja estes produtos sentir-se-à enganado, aliás a designação "sem glúten" foi criada para proteger os celíacos. 

Além disso, também se lhes deveria dizer que os seus produtos não só não são aptos para celíacos, como também não o são para sensíveis ao glúten não celíacos e alérgicos ao trigo/glúten. No fundo, os produtos da The Love Food só são aptos para quem faz a dieta por moda, porque alguém que tenha um diagnóstico sério por detrás da sua dieta sem glúten, não os irá consumir.















A confusão continua, por exemplo, com estas bolachas com pepitas de chocolate: fazem parte da Linha Sem Glúten, mas afinal dizem que "contém glúten e soja". Em que ficamos? Inclusive, eu vi uma foto de uma embalagem destas bolachas no post da pessoa que denunciou esta situação no grupo de Facebook Viva Sem Glúten Portugal, e no rótulo surgia a imagem da espiga traçada, símbolo internacional de um produto seguro para celíacos. Onde está a ASAE quando precisamos dela? Isto é nitidamente um caso de (in)segurança alimentar.

* Clicar nas imagens para aumentar

Actualização:
A APC emitiu hoje, 18 de Abril, um comunicado acerca desta situação e que diz o seguinte:

"ALERTA IMPORTANTE 
Informamos que a empresa The Love Food - Cozinha Saudável NÃO ESTÁ CERTIFICADA pela APC/Biotrab com o programa Gluten Free e usa indevidamente a sinalética «isento de glúten» uma vez que os produtos não são aptos a celíacos. Este é um programa rigoroso e de confiança para os celíacos em Portugal pelo que a empresa irá ser contactada com urgência e serão tomadas as devidas providências de correção."



terça-feira, 6 de outubro de 2015

Recall de Cheerios Gluten Free nos EUA

Hoje de manhã ao passar os olhos pelas notícias no meu Facebook, li que a General Mills estava a recolher alguns lotes dos cereais Cheerios Gluten Free por suspeita de contaminação. Ainda há cerca de duas semanas tinha lido um post no blog Gluten Free Homemaker acerca deste mesmo produto e de como vários celíacos se queixavam de sintomas após a sua ingestão.

O problema que se detectou na altura foi que os métodos de confecção dos Cheerios não seria o mais adequado: a empresa que os produz usa farinha de aveia como ingrediente principal, no entanto, por alegada falta de matéria-prima, não usava grãos de aveia certificados como sem glúten. Fazia, em vez disso, uma filtragem de grãos para eliminar possíveis grãos de trigo ou cevada que viessem misturados, um processo que não é isento de falhas.

Por sua vez, no controlo pós-produção, fazia uma média de ppm: juntava vários lotes, reduzia-os a pó e analisava os ppm contidos nesta mistura. Ora isto permitia que, por exemplo, um lote com 90 ppm se misturasse com vários lotes de 10 e 20 ppm e se obtivesse uma média segura. O facto é que sairiam para o mercado lotes com 90 ppm, mas marcados como “gluten free”.

Pressionada pelos grupos de advocacia de celíacos, a General Mills comprometeu-se entretanto a tentar comprar aveia de produtores que não cultivem cevada e aveia certificada. Contudo, continuarão a analisar vários lotes juntos de modo a chegar a uma média de ppm.

Pensei então que o problema reportado hoje nas notícias tivesse a ver com esta situação, mas não. A General Mills está a fazer o recall de alguns lotes cuja farinha de aveia foi contaminada com farinha de trigo  durante o seu transporte  na fábrica de Lodi, na Califórnia.


Reflectindo em todos estes pontos, parece-me de louvar que esta empresa queira tornar os seus produtos acessíveis a celíacos, alérgicos e sensíveis ao glúten (afinal, a empresa não criou uma versão gluten free, mais cara, mas sim estava a transitar os Cheerios habituais para não conterem glúten). Obviamente, isto por questões de lucro, afinal são uma empresa particular. O que me parece também é que a segurança alimentar não foi bem avaliada e são vários os problemas de contaminação que afectam estes produtos. A questão do seu consumo não se coloca em Portugal pois não são comercializados cá, mas se fossem, neste momento e com as informações de que disponho, não os compraria.


Mais info:

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Desabafo

Imagem retirada da Net
Quando penso que as coisas estão a melhorar, apercebo-me que, afinal, a mudança está a ser mais lenta do que pensava: falei a um colega meu sobre a doença celíaca quando me referiu os problemas de saúde que a esposa tem tido a nível da tiróide, anemia, depressões e um historial de abortos. Como bem sabe quem lida com a doença celíaca, tudo isto pode ser um sintoma desta condição... O meu colega disse que a esposa, a quem já fizeram inúmeros exames sem nenhuma resposta em concreto, iria a uma consulta à médica de família esta semana. Ora, a senhora doutora, quando confrontada com a hipótese de doença celíaca, disse a seguinte pérola de sabedoria: "Nem pense nisso, a sua esposa já é adulta, logo não pode ter doença celíaca!"

Como é possível que uma médica, responsável por uma população variada, esteja tão desactualizada sobre uma condição comum e sobre a qual já se vai falando nos meios de comunicação social? Porque é que o Ministério da Saúde não emite uma directiva para o diagnóstico de doença celíaca, tal como fizeram as suas congéneres argentina, brasileira, espanhola ou inglesa? Quantos celíacos estão por diagnosticar porque há outros médicos desinformados como a médica em questão? Não percebo porque é que, num país em crise, o Estado gasta dinheiro em tratamentos e medicamentos para doenças que são apenas sintomas de doença celíaca, que exige somente que se faça uma dieta sem glúten.

Desculpem lá o desabafo, mas hoje tinha que ser.

domingo, 5 de outubro de 2014

Contaminação em padarias

Imagem retirada da Net
Nos últimos tempos, tenho ouvido falar de várias padarias e pastelarias que fazem produtos sem glúten. Indagando sobre a sua situação, invariavelmente são locais com produção de produtos com e sem glúten, em que o único cuidado aparente é a elaboração dos produtos isentos antes ou após a restante produção com limpeza prévia da maquinaria. No entanto, isto não é suficiente: a farinha pode permanecer no ar entre 6 a 24 horas pelo que qualquer limpeza será ineficaz se não houver um período de inactividade entre produções.

Se conhecem algum destes locais, façam as seguintes perguntas antes de consumirem os seus produtos:

  • Existe área própria para armazenamento dos ingredientes dos produtos sem glúten com recipientes fechados?
  • Os ingredientes usados têm fichas técnicas que garantem isenção de glúten?
  • O pessoal faz a sua higiene antes da produção sem glúten? Têm uniformes próprios para a produção sem glúten?
  • Existem equipamentos próprios/bancada própria/forno próprio para a confecção sem glúten?
  • A limpeza que dizem fazer implica o desmontar de alguns equipamentos para limpeza interna?
  • Na zona de venda, os produtos sem glúten estão devidamente acondicionados?


Se não cumprem estes preceitos ou parecem hesitar nas suas respostas, não consumam pois o risco de contaminação é elevado. A elaboração de produtos sem glúten deve ser feita em áreas fechadas com produção exclusiva, equipamentos próprios e com fluxo de ar controlado para as áreas de produção com glúten.

A farinha que permanece no ar e a farinha residual nos equipamentos são problemas que não se resolvem com uma limpeza normal. Convém também lembrar que a legislação só permite que se vendam produtos rotulados como “sem glúten” quando têm menos de 20 ppm; quantos destes locais fazem análises aos seus produtos para garantir o cumprimento da lei? Perguntem pelas análises, quem não deve, não teme.

A grande maioria destes locais pretende servir o crescente número de clientes que fazem a dieta para emagrecer- para os celíacos, alérgicos ao trigo e pessoas com sensibilidade ao glúten não celíaca apresentam um grande risco. O facto de não apresentarem sintomas após o consumo dos produtos destes locais não serve como garantia de que são isentos. Infelizmente, a “factura”, às vezes, só aparece mais tarde. Na dúvida, pela vossa saúde, não consumam.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Paris e Disneyland sem glúten

Bolos comprados
na Helmut Newcake
Depois de Barcelona, parámos em Paris. A cidade das luzes está coberta num post “em trabalho” que vou actualizando quando sei de novos locais onde se pode comer sem glúten, pelo que, neste campo, não tenho muitas novidades.

Lanchamos muito bem tanto no Helmut Newcake, como no Biosphére Café, ainda que tenha sido muito caro, mas achámos que valia a pena o “investimento” porque ocasiões para lanchar fora de casa sem glúten são poucas.

Fizemos um almoço no Thank You My Deer, onde há poucas opções, ainda que sejam todas sem glúten, e com base em sandes e saladas. Há algumas sobremesas, girando entre queques e fatias de bolos caseiros. Contudo, tudo o que provámos era saboroso e o atendimento simpático. O espaço é que é limitado, pelo que pode ter que esperar por uma mesa livre.

Também aproveitámos uma passagem junto ao Louvre para parar na padaria do Eric Kayser (4, Rue de L'Echelle) e experimentar os seus produtos sem glúten. Não oferecendo a típica baguette, existem 3 ou 4 opções de pães sem glúten integrais: o que escolhemos, fazia lembrar ligeiramente a broa de milho- era agradável, mas não deixou saudades. Obviamente, sendo um produto Eric Kayser e sem glúten, foi caro.

Os nossos jantares e pequenos-almoços foram feitos no aparthotel onde ficamos, escolhido particularmente pela sua localização, a uma paragem de metro da Disneyland Paris, um dos objectivos da viagem. A outra grande vantagem deste hotel, além de ficar situado ao lado da dita estação de metro, era ter um enorme hipermercado Auchan por trás, onde havia alguma selecção de produtos sem glúten. “Alguma” é uma vantagem, porque tirando os hipermercados, não encontramos produtos sem glúten em mais locais de compra. Aliás, a França, no aspecto da rotulagem, tem qualquer coisa a aprender com outros países europeus, porque raramente vimos descrição de alergéneos nas embalagens. E se a situação é difícil para aqueles que fazem uma dieta sem glúten, os intolerantes à lactose não têm sorte nenhuma.


Quanto à Disneyland Paris, que fez a alegria dos petizes, é um pesadelo com glúten desde a entrada à saída. No site, há menção de menus sem alergéneos nos seus variados restaurantes, os menus Natama, mas 1)nem todos os restaurantes que tinham estes menus estavam abertos à hora de almoço e 2) os que estavam abertos, não tinham sequer todas as opções de menús: no nosso caso, fizeram-nos pagar à entrada um menú com sopa, prato principal e sobremesa (15€ cada), mas não havia sopa, e a sopa do dia no restaurante era gaspacho… Obviamente, pedimos o reembolso da sopa e não houve qualquer problema da parte dos funcionários. No entanto, estamos a falar de comida congelada, aquecida no micro-ondas e trazida para a mesa na embalagem original… Enquanto todos os outros clientes se refastelavam prato atrás de prato no “Buffet Coma o que Quiser”. Definitivamente, mais vale levar sandes, fruta e bolachas. Parece que a situação na Disneyland em Orlando, E.U.A., é melhor, mas, para já, ficamos pela visita à congénere de Paris. Vale sobretudo a pena pela alegria que traz às crianças.

Mais info:

Paris – Manger sans gluten


quarta-feira, 11 de junho de 2014

Pequenos dramas de uma vida sem glúten

Um diagnóstico de doença celíaca não tem que ser um problema, mas pode trazer pequenos percalços ao quotidiano de quem faz uma dieta sem glúten. Recentemente, o meu filho mais velho teve mais uma pequena festa de aniversário de um dos seus colegas, na escola. O normal é ele levar uma fatia de bolo feito em casa para poder festejar com os colegas e não ficar à parte; para ele, isto é o normal e nunca se melindrou com isso. No entanto, em relação a esta ocasião, a situação alterou-se um pouco, pois o aniversariante pediu à sua mãe um bolo de aniversário sem glúten para que o meu filho também pudesse comer.

Por mais simpático e sensível que seja este pedido, imediatamente entrei em prevenção: pedi ao meu filho que agradecesse ao menino, mas que, por razões de segurança, seria melhor ele continuar a levar a sua fatia de bolo habitual. Ora, chegado a casa, este informou-me que a mãe do menino já tinha feito uma encomenda de bolo sem glúten numa pastelaria local! Impossível, não há nenhuma pastelaria na zona apta a preparar produtos sem glúten... Face a isto e ainda que muito sensibilizada com o colega dele e a sua mãe, disse ao meu filho que agradecesse e pedisse desculpa, mas que não ia poder comer o bolo. Expliquei-lhe todos os problemas da contaminação cruzada, para que pudesse, por sua vez, explicar à professora.

Chegado o dia do aniversário, o miúdo chegou triste à casa da avó: tinha-se recusado terminantemente a comer uma fatia, ainda que a professora tivesse insistido, e sentia que a tinha desapontado. Tinha agradecido ao menino e pedido desculpa, mas sentia que tinha falhado. Perante isto, no dia seguinte, a avó foi falar com a professora: perante a explicação da minha mãe sobre o porquê de uma pastelaria "normal" não ter condições para produzir produtos sem glúten, percebeu que não deveria ter insistido para que ele comesse o bolo. Disse que a mãe do menino falou na pastelaria em questão e que lhe afiançaram que "bastava a senhora trazer a farinha que eles tratavam do resto, como já tinham feito para outros celíacos". E então os utensílios contaminados? A farinha que anda pelo ar e se infiltra por todo o lado? E o forno? E os outros ingredientes que não a farinha: o fermento em pó é isento? Se usaram corantes, eram isentos? O pacote de açúcar estava devidamente isolado da farinha?

Perante o enorme sentimento de gratidão ao menino e à mãe por quererem incluir o meu filho, o que tão raramente acontece, mesmo na família alargada, fica também uma enorme incredulidade e até frustração por haver locais mal preparados que enganam celíacos mal informados. Onde está a ASAE quando é precisa? A minha vontade, realmente, era fazer uma denúncia a esta instituição, mas esta pastelaria é apenas uma gota no oceano: frequentemente ouço falar da padaria X ou da pastelaria Y que fazem produtos sem glúten. Vai-se averiguar e afinal só usam farinhas naturalmente isentas de glúten (sem ficha técnica que comprove a isenção, sem contaminação) mas que até são usadas em espaços partilhados. Ainda que prometam que limpam o equipamento entre produções, a única segurança só advém do uso de instalações separadas. Encontramos vários locais em Itália que ofereciam produtos sem glúten, mas ou tinham instalações estanques ou apenas produziam estes produtos. A Associação Italiana de Celíacos é muito vigilante nestes aspectos.

Fica o alerta. Da nossa parte, oferecemos uma pequena lembrança ao menino para que soubesse o quão apreciado foi o seu  gesto e que, em momento algum, duvidamos dele e da mãe. Apenas do "bolo envenenado" duma pastelaria ou muito mal informada ou com uma ética muito duvidosa que, juntamente com outras, colocam, desnecessariamente, os celíacos nestes pequenos dramas de uma vida sem glúten.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Primavera sem glúten

Este mês, como se pode ver pelos posts anteriores, tem sido fértil em novidades. Parece que com a chegada da Primavera, o mundo deixa a hibernação de Inverno e a vida acontece, e o mundo sem glúten não é excepção. Estas novidades chegaram-me aos ouvidos no Grupo Viva Sem Glúten Portugal do Facebook.

Novos rótulos Amanhecer
A marca própria Amanhecer do Recheio Cash and Carry (da Jerónimo Martins) já traz rótulos "Sem Glúten" em alguns dos seus produtos, inclusivamente alguns destes têm o logotipo da APC. Da última vez que lá fui, trouxe estes gelados para experimentarmos:














Sol de Inverno e a doença celíaca
Não costumo ver telenovelas, mas quase que apetece começar a seguir a novela da SIC, Sol de Inverno, só para ver o tratamento que vai ser dado a esta trama da história:

"Os dramas na vida de Manel não vão terminar tão cedo e o pior está para vir! Vasco, o filho do contabilista, adoece e os médicos não conseguem perceber do que se trata... O problema surge quando o menino começa a perder peso e a sofre de indisposições frequentes. Ao ver o filho sempre pálida, sem forças e sem a energia que lhe é habitual, Manel fica desorientado. Consulta então vários especialistas e as idas ao hospital tornam-se frequentes. Porém, apesar de todos os esforços, os exames médicos são inconclusivos e não conseguem direcionar os clínicos para um diagnóstico. Manel fica desesperado. 

Em pânico, procura então Ana e conta-lhe tudo o que se passa com o menino. Também a gestora fica aflita e sente-se incapaz de ajudar a criança. A verdade é que o antigo casal teme por Vasquinho. O desespero só chega ao fim quando um dos médicos aconselha o menino a fazer testes às alergias e se descobre que ele sofre de doença celíaca. Manel e Ana respiram de alívio, pois passaram-lhe cenários mais graves pela cabeça. Porém, sabem que Vasco irá agora enfrentar uma nova realidade. O menino vai ter de conviver com uma doença crónica e dali para a frente não poderá ingerir alimentos com glúten. Todos os seus hábitos alimentares vão ter de mudar da noite para o dia..." (in Mais Televisão)

Á parte o facto de doença celíaca não se diagnosticar com "testes às alergias" (que pode ser um erro de quem escreveu a notícia, não da novela em si), este desenvolvimento na vida da personagem pode ajudar a divulgar a doença celíaca, os seus sintomas e dificuldades de diagnóstico, assim como a gestão da dieta, informação que, de outra forma, não chegaria ao público em geral. Provavelmente, da próxima vez que disser que o meu filho tem doença celíaca, talvez ouça um "ah, como o Vasco da novela" em vez de "Como?", e isso já é uma evolução, sintomática do aumento de número de diagnósticos e maior visibilidade desta condição.

Vitaminas impróprias para consumo
A cadeia de fast-food Vitaminas, presente em muitos centros comerciais, começou a disponibilizar opções sem glúten. Contudo, um contacto com o seu serviço de Apoio ao Cliente bastou para perceber que não é uma verdadeira opção para celíacos e sensíveis ao glúten que têm de fazer uma dieta estrita:

"Na verdade iniciamos em Março, a comercialização de produtos sem glúten, massa e pão exclusivamente, nos nossos restaurantes Vitaminas.
Relativamente à questão que nos colocou, é que mesmo sendo produtos sem Glúten, não aconselhamos a celíacos, pois operacionalmente não conseguimos garantir a 100%, que não tenham quaisquer vestígios de glúten, devido à sua manipulação e acondicionamento.
De fato por receio de poder existir alguma contaminação cruzada (pese embora tenha sido dada formação aos colaboradores para a evitar, bem como tenham sido adquiridos os utensílios próprios e exclusivos para uso com estes produtos), não aconselhamos o seu consumo a celíacos, apenas a clientes que pretendam efetuar uma dieta sem glúten, sem ter por base questões de saúde.
Esta opção, reiteramos, traduz-se no fato de não nos ser possível assegurar que não possa existir um erro na manipulação desses produtos por um dos nossos colaboradores (de entre as centenas de colaboradores que temos) e que tal possa resultar na contaminação do produto que é algo que não podemos sequer correr o risco de acontecer, uma vez que a nossa principal preocupação é a saúde e satisfação dos nossos Clientes.
Agradecemos a sua preferência, esperando que compreenda esta situação."

É o dar sem dar, o "gaste o seu dinheirinho connosco, mas, se ficar doente, não temos nada a ver com isso". É uma opção apenas para os que se baldam à dieta porque acham que não há consequências ou para quem faz a dieta por moda. É pena que assim seja, pois já vimos neste blog exemplos de como é possível vender sandes isentas de glúten sem obrigar a a grandes acomodações. Assim, a imagem que a empresa transmite, a meu ver, é "podíamos fazer melhor, mas não estamos para nos chatear". 

terça-feira, 18 de março de 2014

99% sem glúten

Não resisti a traduzir este post do Gluten Free Dude...












“Ontem, alguém enviou-me a foto acima para o Facebook e estou muito contente que o tenha feito. Embora me tenha perturbado, ainda deu para rir muito.

Estes brownies foram encontrados numa loja em Hong Kong. É isso mesmo... A moda sem glúten tornou-se global.

Estou espantado com a honestidade da empresa e, em parte, enojado com o que isso faz à consciencialização celíaca. Não se pode ser 99% sem glúten. O um porcento faz com que não seja isento de glúten.

Para quem é este marketing? E com que raios é que eles chegaram ao número 99?

Vejam... Existem certas verdades absolutas neste mundo louco em que vivemos. Ou se é ou não se é. Mas não se pode ser ambos.

Não se pode ser 99% virgem. Ou já o fizeste ou não o fizeste.

Não se pode ser 99% grávida. Ou se está a fazer um bebé ou não se está.

Não se pode estar 99% sóbrio. Ou se inalou ou não.

Não se pode estar 99% comprometido. Ou se está dentro ou se está fora.

Não se pode estar 99% a horas. Ou se está a horas ou se está atrasado.

Não se pode ser 99% honesto. Ou se é verdadeiro ou se é um mentiroso.

Não se pode estar a ouvir a 99%. Ou se ouve ou não.

Não se pode ser 99% vitorioso. Ou se ganha ou se perde.

Não se pode ser 99% fiel. Ou se pode confiar em ti ou és um crápula.

E não se pode ser 99% isento de glúten. Isso faz com que NÃO SEJA SEM GLÚTEN.

Que parte de SEM é que as pessoas não entendem?

Os celíacos vivem num jogo de zeros e o 100% absoluto é nosso amigo.

Agora, estou 99 % certo de que terminei este post.”

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Agora sim, H3 sem glúten


Há mais de um ano atrás, escrevi um post em que comentava sobre o facto de a cadeia de hambúrgueres H3, uma marca nacional, disponibilizar um menu sem glúten em Espanha e em Portugal não. Na altura, a H3 respondeu que estava a tratar do assunto e, assim que tivessem um menu pronto, informariam a APC.


Entretanto, já fomos várias vezes à loja H3 local e nunca vimos o dito menu, nem sequer informação se o mesmo existia. Recentemente, soube pelo blog Sem Glúten, Por Favor! que a H3 Brasil, aberta há pouco tempo, já disponibilizava no seu website e na sua página de Facebook o menu apto para celíacos. Questionei a APC se esse mesmo menu já existiria em Portugal, ao que esta respondeu que não recebeu nenhuma informação da H3 nesse sentido.


Sendo assim, contactei a H3 Portugal para expressar o meu descontentamento com a situação. Outros celíacos com quem falei fizeram o mesmo. Soubemos, entretanto, por alguns celíacos que os menus já estariam disponíveis nas lojas, a pedido, há algum tempo. A informação de que os mesmos existem é que é nula.


Ainda não recebi uma resposta da H3, mas foi disponibilizado ontem um link no website português, à imagem do brasileiro, para descarregar o menu para celíacos. O menu ainda não está disponível na página de Facebook, mas quero acreditar que será apenas uma questão de tempo. Da mesma maneira, quero acreditar que, tal como em Espanha e como podem ver na imagem de uma loja nesse país, a existência de menu próprio vai estar bem à vista nas lojas. Nem todos gostam ou têm acesso às redes sociais ou Internet, pelo que a informação na loja é muito importante.


Imagem retirada da Internet





















Update 16/08-
A H3 respondeu-me da seguinte forma em relação à questão que lhes havia colocado do diferente tratamento da informação em Portugal, Espanha e Brasil:


“Qualquer ação de divulgação aos clientes veiculada pela h3 Espanha ou h3 Brasil tem de ser apoiada, promovida ou aprovada pela “Empresa mãe” sediada em Portugal. Por isso, a informação a que teve acesso pela h3 Espanha ou pela h3 Brasil, foram facultadas pela h3 Portugal e a sua forma de divulgação sujeita a aprovação pela mesma.

A forma como promovemos as nossas ações de marketing ou como transmitimos informação aos nossos clientes segue uma política interna específica à qual os nossos clientes são alheios, como é normal. Existem razões para o fazermos de uma determinada forma e não de outra, que se prendem com a gestão interna da empresa. No entanto, não queremos com isto dizer que não ouvimos os clientes e que as suas sugestões não são bem vindas. Muito pelo contrário, estamos sempre atentos às suas sugestões e principalmente reclamações, pois estas são sempre excelentes oportunidades de melhoria à nossa forma de trabalhar.”



quinta-feira, 23 de maio de 2013

Notícias sem glúten Maio 2013

Jamie Oliver

O jornal Telegraph noticia que um dos restaurantes britânicos do famoso chef Jamie Oliver foi recentemente multado em oito mil libras por ter servido massa com glúten a uma cliente celíaca que ficou doente em resultado disso. A senhora repetiu três vezes que precisava de uma refeição sem glúten e foi-lhe assegurado que disponibilizariam um produto apto à sua condição. No entanto, a empregada que a atendeu pensou que ela era vegetariana, daí o engano que foi gerado por uma óbvia falta de formação do pessoal.


Jessie

Uma recente polémica nos EUA envolve a Disney e a comunidade de americanos intolerantes ao glúten: num episódio da série Jessie, uma personagem já de si irritante e que faz uma dieta sem glúten é vítima de bullying por causa dessa sua condição, sendo-lhe inclusivamente atirada uma panqueca com glúten à cara.
A mãe de duas crianças celíacas não gostou da mensagem que tal episódio trazia e lançou uma petição online pedindo que o episódio fosse retirado do ar. Nela, a mãe conta que as suas crianças “ muitas vezes se sentem excluídas ou diferentes, porque têm que evitar doenças graves. No entanto, a Disney deu permissão às crianças, e um exemplo, para isolar ainda mais os meus filhos e outros como eles por causa das suas condições médicas. Os seus personagens fizeram com que não fosse errado caracterizar uma doença real como um aborrecimento e que é justificação para os "miúdos fixes" gozarem com os "outros". Isto não é aceitável para ninguém”.
O autor do blog Gluten Dude fez um post sobre essa petição, aumentando exponencialmente o número de assinaturas. De imediato, a Disney retirou o episódio do ar.


Lidl

Desde hoje e até ao próximo Domingo, o Lidl vai vender, em quantidades limitadas, massa sem glúten da sua marca própria, Combino, nas versões esparguete, fusilli e penne, sendo que cada embalagem de 500 gramas custa 1,49€.


Pingo Doce

O Pingo Doce começou a comercializar Pastéis de Nata sem glúten congelados de marca própria com o selo da APC. Custa 3,39 euros a caixa de seis unidades, e deverá encontrar-se na zona dos produtos refrigerados Pura Vida.
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