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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Doença celíaca e endometriose

Mais um excelente post do blog The Patient Celiac.

"Doença celíaca e endometriose
Imagem retirada da Net
Enquanto estava a “folhear” a base de dados da PubMed (www.pubmed.gov), como sempre faço todas as semanas, deparei-me com uma carta interessante para o editor da revista Archives of Gynecology and Obstetrics, intitulada "Doença Celíaca e Endometriose: Qual é o Nexo?" A endometriose é uma desordem ginecológica comum, que afecta cerca de 10% das mulheres em idade fértil. Implica o desenvolvimento de endométrio, que é o tecido que reveste o útero, em áreas do corpo que ficam fora deste. Os sintomas da endometriose incluem períodos menstruais pesados​​, dor abdominal e pélvica, ciclos menstruais anormais e infertilidade. Embora a causa exacta da endometriose seja desconhecida, as teorias incluem a menstruação retrógrada (células do endométrio do útero a fluirem para trás, para as trompas de Falópio em vez de para o exterior, durante a menstruação), um posicionamento anormal de células estaminais embrionárias na cavidade pélvica que produzem tecido endometrial , e/ou uma doença do sistema imunológico.

A endometriose está associada com os genes HLA-DQ2 e DQ8 (que também estão presentes em aproximadamente 96% dos pacientes com doença celíaca), bem como o gene DQ7, que tem sido associado com a doença celíaca em alguns italianos do sul, da Sicília e da Sardenha.

Dois estudos publicados nos últimos anos demonstraram uma associação entre doença celíaca e endometriose. Investigadores na Suécia (Stephansson, et al.) reviram os registros médicos de mais de 11000 mulheres com doença celíaca em 2011. Foi encontrado um risco muito maior de ter endometriose, comparando com os controlos, nas mulheres com doença celíaca, especialmente no primeiro ano após o diagnóstico de doença celíaca (rácio global de risco de 1,39). Os autores postulam que deve haver um processo inflamatório comum entre as duas doenças. Da mesma forma, investigadores no Brasil constataram que 2,5% das mulheres diagnosticadas com endometriose também tinham a doença celíaca (Aguiar et al, 2009).

A dieta sem glúten foi recentemente recomendada como uma estratégia para controlar a dor da endometriose. Num estudo piloto na Itália, 75% das mulheres com endometriose tiveram uma diminuição nos sintomas de dor após 12 meses na dieta sem glúten. Isto sugere fortemente que a sensibilidade ao glúten e/ou a doença celíaca desempenham um papel na endometriose.

Embora eu não tenha endometriose, tenho interagido com muitas mulheres através das redes sociais que têm tanto a intolerância ao glúten como endometriose. Posso dizer que os meus períodos tornaram-se significativamente mais curtos e menos dolorosos desde que iniciei a dieta sem glúten depois do meu diagnóstico de DC em 2010. Também posso dizer, sem sombra de dúvida, que a minha sensibilidade ao glúten parece fluir com o meu ciclo menstrual. Parece-me que fico mais sensível ao glúten por contaminação cruzada no espaço de 7 a 10 dias antes do meu período, quando os meus níveis de estrogénio estão mais elevados.

Com o tempo, espero que mais pesquisa seja feita que examine a relação entre a doença celíaca e distúrbios ginecológicos. Depois de ler sobre a endometriose, fiz uma pesquisa na PubMed sobre "Doença Celíaca e Síndrome do Ovário Policístico (SOP)" e apareceu um artigo de 2002, publicado na Turquia que não encontrou uma associação entre as duas condições. Tenho a sensação de que, se o estudo fosse reproduzido nos EUA, em grande escala, se demonstraria uma associação entre doença celíaca e SOP.

Para mais informações sobre a endometriose, visite o site da Mayo Clinic. A Rebecca, do blog "Pretty Little Celiac", escreveu também sobre a endometriose neste post de Janeiro de 2013."

Neste blog:

segunda-feira, 10 de março de 2014

A diabetes e a doença celíaca

O post de hoje traz um artigo de Janeiro deste ano da revista Today's Dietitian e que aborda a temática da ligação frequente entre a Doença Celíaca e a Diabetes Tipo 1, o que tem sido atribuído a uma causa genética comum. Dada a sua extensão, traduzi apenas algumas partes.

"Sem Glúten Com Diabetes Tipo 1
Um diagnóstico de diabetes tipo 1 exige mudanças de estilo de vida, que incluem alterações alimentares, actividade física regular e um rigoroso regime de medicação. Um diagnóstico de doença celíaca também requer mudanças significativas de estilo de vida que envolvem uma dieta isenta de glúten (DIG).

Cada doença é difícil de gerir individualmente, mas se ambas são diagnosticadas, simultaneamente ou com anos de diferença, a vida dos afectados pode tornar-se ainda mais complicada. (...)

Diabetes Tipo 1 e Doença Celíaca
A Associação Americana de Diabetes relata que cerca de 1% da população dos EUA tem doença celíaca, enquanto que cerca de 10% das pessoas que têm diabetes tipo 1, também têm doença celíaca. Vários estudos têm explorado a possível ligação entre estas duas condições.

Um estudo de 2002 por Barera e colegas publicado na revista Pediatrics investigou a prevalência de doença celíaca em 274 crianças e adolescentes no início da diabetes tipo 1 e a ocorrência de novos casos durante um período de seis anos de acompanhamento. Os pesquisadores descobriram que a prevalência de doença celíaca em pacientes com diabetes tipo 1 foi aproximadamente 20 vezes maior do que na população em geral. "A prevalência de doença celíaca confirmada por biópsia em toda a coorte de pacientes foi de 6,2%", escreveram os autores. Estes concluíram que "60% dos casos de doença celíaca já estão presentes no início da diabetes, maioritariamente por diagnosticar, mas os restantes 40% desenvolvem a doença celíaca alguns anos após o início da diabetes."  

A pesquisa sugere que a diabetes tipo 1 e a doença celíaca compartilham uma etiologia genética. O Instituto Nacional de Saúde informou num artigo de Fevereiro de 2013, "Pesquisa Encontra Partilha Genética de Susceptibilidade entre a Doença Celíaca e Diabetes Tipo 1 - Campanha de Consciencialização da Doença Celíaca", que "um número crescente de pesquisas sugere que a diabetes tipo 1 é desencadeada pela exposição ao glúten... Adicionando ainda mais peso à teoria de que as duas condições compartilham causas genéticas comuns. "

O artigo referia-se aos resultados de um estudo britânico publicado em 25 de Dezembro de 2008, na edição do The New England Journal of Medicine. De acordo com esses investigadores, "Duas desordens inflamatórias, diabetes tipo 1 e doença celíaca, co-segregam em populações, sugerindo uma origem genética comum." Concluíram que "uma susceptibilidade genética para tanto a diabetes tipo 1 e doença celíaca partilham alelos comuns [locais num cromossoma]. Estes dados sugerem que mecanismos biológicos comuns, tais como o dano tecidual relacionado com auto-imunidade, e a intolerância a antigénios alimentares, podem ser características etiológicas [causais] das duas doenças."

O estudo alemão BABYDIAB, publicado na edição de Outubro de 2003 do The Journal of the American Medical Association, seguiu recém-nascidos entre 1989-2003 e examinou se a introdução precoce de alimentos que contêm glúten influenciou o risco de desenvolver diabetes tipo 1 e auto-anticorpos da doença celíaca. Os pesquisadores descobriram que a suplementação alimentar com alimentos que contenham glúten antes da idade de três meses aumentou significativamente o risco de auto-anticorpos da diabetes tipo 1, mas que a exposição precoce ao glúten não aumentou significativamente o risco de desenvolver auto-anticorpos da doença celíaca.

O Estudo TEDDY (The Environmental Determinants of Diabetes in the Young- Os Determinantes Ambientais da Diabetes nos Jovens) iniciado em 2002, é o acompanhamento de cerca de 8.000 crianças na Europa e América do Norte, investigando possíveis gatilhos para a diabetes tipo 1, incluindo a doença celíaca. Jill Norris, PhD, MPH, presidente do departamento de epidemiologia da Colorado School of Public Health e uma das investigadoras do estudo, diz que o Estudo TEDDY faz o rastreio da autoimunidade celíaca por causa do risco de diabetes tipo 1 em pessoas diagnosticadas com a doença celíaca. Ela acredita também que a diabetes tipo 1 e a doença celíaca partilham um marcador genético e diz que o Estudo TEDDY está à procura de factores ambientais compartilhados, incluindo factores dietéticos.

Há uma ligação com a diabetes tipo 2?
Enquanto as pesquisas sugerem uma associação entre diabetes tipo 1 e doença celíaca, não parece haver uma ligação entre a doença celíaca e a diabetes tipo 2, uma vez que esta não é uma doença auto-imune e não compartilha genes com a doença celíaca. De acordo com a Celiac Sprue Association, os indivíduos podem ser geneticamente predispostos a diabetes tipo 2, mas esses genes não aumentam o risco de doença celíaca. (...)

Efeitos do glúten na glicémia
Imagem retirada da Net
Os diabéticos tipo 1 com doença celíaca que fazem uma dieta sem glúten não só se sentem melhor, mas também têm leituras glicémia mais estáveis. Em pessoas com doença celíaca, o glúten impede a absorção de hidratos de carbono no intestino, o que, muitas vezes, causa inexplicáveis picos de açúcar no sangue, explica a dietista Linda Reineke, que trabalha com pacientes com diabetes tipo 1 e doença celíaca, enquanto parte do programa de diabetes do University of New Mexico Hospital. Outros componentes dos alimentos também afectam as flutuações de açúcar no sangue, quando combinados com a ingestão de hidratos de carbono. Por exemplo, a gordura retarda a digestão. "Às vezes, os alimentos são absorvidos, outras vezes não, dependendo da diversidade na refeição", explica.

Esta especialista, enquanto seguia um cliente com diabetes tipo 1 ao longo de vários anos, encontrou-se constantemente com níveis variáveis de glicémia. Um colega na sua equipa sugeriu que o paciente poderia ter doença celíaca. "Ele foi testado e tinha anticorpos positivos para a doença celíaca", lembra. "Assim que começou a ingerir alimentos sem glúten, a sua glicémia ficou muito melhor." (...)

Desafios ao evitar o glúten
No entanto, eliminar todos os alimentos que contenham glúten duma dieta pode complicar a maioria dos aspectos da vida dos pacientes com diabetes tipo 1. Estes fazem a contagem de hidratos de carbono antes de comer as refeições e, em seguida, comparam-nos com a dose de insulina correcta. Eles também devem ter em conta a ingestão de proteínas e fibras alimentares. Isto representa um desafio, porque muitos alimentos processados sem glúten ​​são ricos em hidratos de carbono, mas pobres em proteínas e fibras. (...)

Educação do Paciente
Em última análise, a educação é a chave para viver bem com diabetes tipo 1 e doença celíaca. Os pacientes precisam de estar bem informados sobre as duas doenças e saber geri-las através da actividade física, medicamentos e nutritivos alimentos sem glúten que se encaixam num plano de refeições amigo da diabetes.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Nova pesquisa

Encontrei há pouco um blog muito interessante de uma pediatra, Jess, que também é celíaca e que começou um blog, The Celiac Patient, para divulgar o tema e a sua pesquisa. Tem sido um manancial de informação relevante que visito frequentemente. Um dos posts que me chamou mais a atenção foi o que vos trago hoje, traduzido, no qual ela divulga alguma da mais recente investigação a ser feita no campo da doença celíaca e que, certamente, traz novos conceitos ao que já conhecíamos. Sem dúvida, um blog a não perder.





Apesar de não ter tido tempo suficiente para verificar todos os posters que estavam em exposição no International Celiac Disease Symposium (Simpósio Internacional de Doença Celíaca) - (ICDS) - pessoalmente, todos recebemos um livro encadernado em espiral que continha centenas de posters científicos que foram apresentados. Os resumos apresentam, em poucas linhas, novas pesquisas que, em muitos casos, ainda não foram publicadas num jornal. Comecei a analisar o livro de resumos que recebi do ICDS e há alguns resumos que são verdadeiramente fascinantes. Esperamos ouvir mais sobre estes estudos no futuro, quando forem publicados.

Aqui está um breve resumo de cinco dos estudos mais interessantes que pude ler:

1. "Nove anos de seguimento de doença celíaca potencial em crianças." Um grupo de investigadores de Nápoles, Itália ( Aurrichio, et al), seguiram 156 crianças com doença celíaca potencial, que não estavam numa dieta sem glúten. A doença celíaca potencial, como já foi discutido aqui, é quando um paciente tem anticorpos celíacos anormalmente elevados em exames de sangue, e muitas vezes sintomas também, mas uma biópsia intestinal normal. A gestão disto é actualmente controversa. Neste estudo, ao longo de um período de cinco anos, 46,8% das crianças com doença celíaca potencial desenvolveram a doença celíaca por completo.

2. "Detecção de doença celíaca em crianças assintomáticas de 2 e 11 anos de idade num centro de saúde de cuidados primários através de um teste rápido de anticorpos antitransglutaminase." A equipa espanhola (Vallejo, et al) rastreou para doença celíaca grupos seleccionados de 2 e 11 anos de idade em ambulatório usando testes rápidos. 2% das crianças de 2 anos confirmaram a doença celíaca, e 1,5% das de 11 anos também tinham a doença. A taxa global de doença celíaca na sua população era de 1,7 %, o que é mais elevado do que o descrito anteriormente.

3. " Ausência de HLA-DQ2 e HLA-DQ8 não exclui a doença celíaca em pacientes brasileiros." HLA DQ2 e DQ8 são os dois principais genes da doença celíaca e são os que estão a ser actualmente avaliados pela maioria dos laboratórios norte-americanos. Neste estudo, a equipa brasileira (Kotze, et al) realizou testes de genes em 101 pacientes com doença celíaca confirmada por biópsia. Eles descobriram que 9 (8,9%) dos pacientes com doença celíaca eram negativos para DQ2 e DQ8. Os investigadores suspeitam que isso esteja relacionado com uma população tão etnicamente diversa como a brasileira.

4. "A disfunção neurológica em pacientes com doença celíaca recém- diagnosticada: um grande estudo prospectivo." O Dr. Hadjivassiliou e equipa, do Reino Unido, realizaram avaliações neurológicas em 73 pacientes com doença celíaca recém-diagnosticada. 63% queixaram-se de sintomas neurológicos , o mais comum sendo frequentes dores de cabeça, problemas de equilíbrio, e sintomas sensoriais. 32% tinham lesões anormais na substância branca por ressonância magnética e 43% tinham uma espectroscopia anormal do vérmis do cerebelo. O cerebelo é a parte do cérebro envolvida no equilíbrio e postura.

5. "A doença celíaca potencial ou definitiva: o input da enteroscopia muda o diagnóstico." Uma equipa de pesquisa celíaca, do Reino Unido, liderada pelo Dr. Eross, avaliou 16 pacientes com doença celíaca "potencial". Doença celíaca potencial, como dito acima, é o termo utilizado quando um paciente tem títulos de anticorpos celíacos anormalmente elevados, mas sem evidência de doença celíaca na biópsia do intestino delgado. Esta equipa descobriu que, quando as suas biópsias duodenais originais foram reavaliadas e foram realizadas biópsias do jejuno (2 ª parte do intestino delgado, que não é normalmente avaliada quando um paciente é examinado para doença celíaca) 15 dos 16 pacientes, na realidade, tinham doença celíaca. A equipa adverte que o diagnóstico de doença celíaca potencial só pode ser feito se o jejuno tiver sido avaliado por biópsia.”


Outros posts sobre o ICDS:

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Infertilidade de causa desconhecida

Imagem retirada da Net
Não sei porque é que a ignorância sobre as condições associadas ao glúten ainda me espanta. Um caso que é recorrente, e cada vez mais comum, é o casal com "infertilidade de causa desconhecida". Os médicos não percebem porque é que aquela mulher não engravida, ou engravidando, aborta sistematicamente. As análises estão perfeitas, as ecografias estão perfeitas, logo só pode ser azar, porque "Deus não quis". Hoje, quando já muitos estudos apontam para uma doença celíaca ou sensibilidade ao glúten como explicação para estes casos, os médicos parecem continuar sem saber mais do que apenas rotular os seus pacientes com o frustrante rótulo da "infertilidade de causa desconhecida".

Um testemunho recente no Foro de Celiacos lembrou-me que é necessário continuar a "insistir na tecla". O post da utilizadora Yogliadina que decorre de Fevereiro a Novembro deste ano é um exemplo perfeito de que não se deve aceitar rótulos, mas sim insistir na procura da causa.

15/Feb/2013, 20:12
Olá Fórum! Ontem, fui ao médico e pedi uma análise para ver se sou alérgica a algum alimento e fazem-mas para a semana. O meu assunto é infertilidade desconhecida. Uma amiga da minha irmã, com um problema semelhante, descobriu recentemente que era celíaca. Então, soube desta doença por acaso, e quanto mais eu descubro, mais relevante e familiar se torna no meu dia-a-dia.
(…)

Fui uma menina "fraca", extremamente magra, com falta de apetite, pálida, distraída e tímida. Não podia nem posso comer “doces” ao pequeno-almoço, os bolos caem-me mal, leite com Colacao fazia-me baixar a tensão, sempre tive alguns gases e gastroenterites, mas especialmente obstipação crónica, com a qual aprendi a viver. Sempre na fronteira da anemia. O meu esmalte dentário é escuro, tornei-me mulher aos 16 anos. A minha personalidade "difícil" ficou mais inquieta na adolescência. Apareceram as minhas enxaquecas típicas, cãibras musculares principalmente à noite, ansiedade, cansaço, azia, sensação de enfartamento e erupções cutâneas... Acne, dermatite seborreica (nervosismo?) no couro cabeludo, parte inferior do pescoço, costas, peito, e na cara, nas sobrancelhas, testa e nariz (como li nalgum lugar). Eu nunca me bronzeio facilmente, há alguns anos que tenho algumas manchas brancas nas pernas e braços, e a gordura do rosto escurece com o sol e um sem fim de pequenas coisas mais.

O pior... A minha infertilidade desconhecida, porque está tudo bem, depois de engravidar naturalmente tive um aborto espontâneo, os anos passaram-se e nada. Fomos para uma clínica de fertilidade... Perdi mais dois. Estou frustrada! Supõe-se que não haja nenhum problema aparente, sou uma mulher saudável, bem-parecida, caucasiana (de acordo com os médicos, é fruto do azar, resultado da má sorte). Eu não acho que seja assim, é claro que alguma coisa impede o seu correcto desenvolvimento.

Curiosamente... Disse à minha mãe sobre a doença celíaca e, para minha surpresa, ela disse-me que, embora adore o pão, a verdade é que lhe cai mal e há muito tempo que não come sopas de pacote, porque percebeu que a punham doente.

13/Mar/2013, 13:44
Olá fórum, como "temia", o resultado da analítica é NORMAL e não sou alérgica a coisa alguma, nem tenho problemas de tiróide. Há duas semanas que reparo na quantidade de glúten que entra na minha dieta e, talvez seja psicológico, mas sinto-me mal. Pedi ao médico consulta de gastrenterologia, mas só daqui a dois meses. Já pensei em fazer uma dieta sem glúten a ver como me dou... Mas o que faço, espero pela consulta? Ou começo já? Isto porque tenho uma enorme distensão abdominal e a minha pele está seca, com alguma comichão e vermelhidão no rosto que até… Uff! Esta situação mata-me! 

4/Nov/2013, 15:36
Olá novamente! Ainda que tenha passado um longo tempo, eu queria abrir este tópico para continuar com a minha história e dizer que estou a fazer a dieta isenta de glúten. Graças a vocês, achei-a muito fácil e estou fenomenal. Apesar de não estar diagnosticada como celíaca, tenho-o muito claro! Aliás, ao remover o glúten da minha vida, também consegui, em menos de quatro meses,  o que não consegui durante anos e com muito sacrifício... Engravidar naturalmente. Então, estamos super felizes, mais que felizes, estamos num sonho! Sim, se alguém passou pelo que eu passei, saiba que o glúten causava-me rejeição imunológica. (...) Eu estou de quatro meses e está tudo a correr muito bem!”

Artigos sobre infertilidade e DC:
Celiac disease: an underappreciated issue in women’s health

terça-feira, 15 de outubro de 2013

DC e linfomas

Recentemente, uma pessoa que conheço foi diagnosticada com um linfoma. Pelo menos duas pessoas chamaram a atenção dos médicos que acompanham esta pessoa da existência de doença celíaca na sua família; ambos afirmaram que não há relação entre linfomas e esta doença hereditária, inclusivé uma médica cirurgiã disse que a família não se deveria preocupar porque "a doença celíaca não passava de pais para filhos". A possibilidade não foi sequer ponderada. Perante tanta ignorância, trago hoje um artigo do website Alert Online, que qualquer pessoa minimamente interessada encontraria rapidamente numa pesquisa do Google. Só para registo.


Doença celíaca associada ao desenvolvimento de linfoma
Estudo publicado nos “Annals of Internal Medicine”
08 Agosto 2013

Os indivíduos com doença celíaca descontrolada apresentam um maior risco de desenvolver linfoma, defende um estudo publicado nos “Annals of Internal Medicine”.

A doença celíaca é uma doença autoimune caracterizada por lesões na mucosa do intestino delgado que, ao longo do tempo, reduzem a capacidade do corpo de absorver os componentes dos alimentos. Estes danos são resultantes da reação ao glúten, o qual pode ser encontrado no trigo, cevada e centeio.

Os investigadores da Columbia University Medical Center, nos EUA, explicam que quando um doente é inicialmente diagnosticado, a biópsia intestinal mostra um achatamento das vilosidades que estão envolvidas na absorção de nutrientes e fluidos. Os sintomas resultantes da doença celíaca, que incluem diarreia, perda de peso e anemia, resultam dos danos ocorridos nas vilosidades. Apesar de não ser prática universal, é realizada uma biópsia de acompanhamento alguns meses a anos após o diagnóstico, de forma a monitorizar os efeitos das alterações dietéticas e cicatrização das vilosidades.

Estudos anteriores já tinham sugerido que os pacientes celíacos apresentavam um maior risco de desenvolver linfoma, mas a razão desta associação ainda permanece desconhecida. Neste estudo os investigadores identificaram pacientes com doença celíaca que foram submetidos a uma biópsia de acompanhamento entre seis meses a cinco anos após o diagnóstico inicial. Cerca de nove anos após este procedimento, 57% dos 7.625 indivíduos com doença celíaca apresentaram melhorias, enquanto os restantes tinham ainda as vilosidades afetadas.

O estudo apurou que comparativamente à população geral, os pacientes com doença celíaca apresentavam um risco 2,81 maior de desenvolver linfoma, um cancro que afeta um tipo de células sanguíneas, os linfócitos. Foi também verificado que os indivíduos que apresentavam uma atrofia das vilosidades persistente tinham um risco ainda maior (105,4 por 100.00), comparativamente àqueles em que os intestinos tinham cicatrizado (31,5 por 100.000).

De acordo com os autores do estudo, a cicatrização dos intestinos parece ser deste modo importante na diminuição do risco de desenvolvimento de linfoma. Contudo, não se sabe ao certo por que motivo alguns pacientes continuam a apresentar as vilosidades do intestino atrofiadas.” Estudos anteriores demonstraram que o processo de cicatrização ocorre mais frequentemente nos pacientes que adotaram à risca uma dieta sem glúten”, revelou, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo, Benjamin Lebwohl.

Uma vez que danos persistentes nas vilosidades foram observados mesmo neste tipo de pacientes, existem outros fatores, ainda não identificados, que afetam o processo e cicatrização, concluem os investigadores.

ALERT Life Sciences Computing, S.A.”

Outros artigos:

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Vitiligo e o glúten

Como temos visto ao longo de vários posts neste blog, há uma ligação entre o consumo de glúten e as doenças auto-imunes, em pessoas geneticamente predispostas. O artigo de hoje, da organização Vitiligo Support, aborda uma possível ligação entre o vitiligo, que é uma doença auto-imune da pele caracterizada por despigmentação (vulgo "manchas brancas") e a doença celíaca.

"Vitiligo e Doença Celíaca (DC): Existe uma ligação?

( ... )

Existe uma ligação entre DC e vitiligo?

Os dados que apontam para esta ligação específica mudaram um pouco ao longo do tempo. Foi apenas recentemente que a ciência começou a revelar as inter-relações complexas entre algumas doenças auto-imunes. À medida que novos genes no campo da auto-imunidade continuam a ser descobertos e identificados, mais ligações previamente desconhecidas começam a vir à superfície. Enquanto pesquisas mais antigas mostraram pouca ou nenhuma evidência de uma ligação, os dados de estudos recém-publicados parecem sugerir uma possível ligação.

Num desses estudos, a equipe de investigação de um hospital belga pretendiam avaliar a prevalência de DC num grupo de 400 pacientes com diabetes tipo 1, uma condição auto-imune, também. Durante o curso do estudo, observaram que o vitiligo era mais comum entre os pacientes com diabetes que também tinham DC.

Noutro estudo de investigadores universitários na Turquia, estes analisaram 55 crianças e adolescentes diagnosticados com DC ao longo de um período de seis anos para ver se havia condições de pele associadas com esta condição. Observaram que uma maior taxa de prevalência de diversas doenças da pele, incluindo vitiligo. Mais de 9% dos doentes de DC tinha vitiligo, uma frequência maior do que a observada na população em geral (½ - 1%). Curiosamente, os únicos casos de vitiligo apareceram nas crianças e adolescentes que não seguiam uma rigorosa dieta sem glúten. Na verdade, nenhumas das alterações da pele observadas nos pacientes do estudo com DC surgiram naqueles que seguiam uma dieta isenta de glúten.

A mesma equipa turca de cientistas fez um segundo estudo no qual avaliaram 61 crianças e adultos portadores de vitiligo, para ver se havia uma maior prevalência de DC. Novamente encontraram uma incidência acima da média de DC em pacientes com vitiligo: 11 pacientes com diagnóstico de vitiligo (18%), com DC, enquanto que a taxa de incidência na população em geral é de cerca de 1%.

Curiosamente, várias pessoas com vitiligo têm relatado alívio com uma dieta isenta de glúten, mas na ausência de uma revisão científica desses relatórios, não podemos saber se a melhoria foi ou não devida a este ou outros factores. A relação de intolerância ao glúten com outras doenças auto-imunes, só se tornou objeto de discussão mainstream nos últimos anos. Como a pesquisa continua, a evidência de ligações podem continuar a vir à tona.

Uma maior sensibilidade para todo o assunto foi, provavelmente, o que levou à recente observação relatada por um médico de uma jovem com vitiligo que melhorou desta doença após iniciar uma dieta isenta de glúten. A paciente era uma menina de 9 anos afectada por vitiligo generalizado, com lesões despigmentadas típicas no rosto, tronco e membros. Não tinha respondido ao tratamento para vitiligo há mais de um ano, e tinha um histórico de hipotireoidismo bem controlado há dois anos. Depois de um ano com dieta isenta de glúten e sem tratamento activo para vitiligo, a pele despigmentada progressivamente repigmentou-se, e manteve a sua pigmentação sete anos após o início da dieta sem glúten.
( ... )

O que poderia ligar DC e vitiligo?

Uma ligação auto-imune?
O potencial da DC para desencadear uma doença auto-imune subjacente como o vitiligo foi apresentado num estudo recente. Investigadores num estudo de 172 pacientes com doença auto-imune da tireoide encontraram que 3,4% destes pacientes tinha doença celíaca, uma percentagem superior a 0,6% e 0,25 % encontradas nos dois grupos de controlo do estudo. O estudo concluiu que a doença celíaca não diagnosticada pode realmente ser parte do processo que desencadeia uma doença auto-imune subjacente, como a tireoidite auto-imune. Nas suas conclusões, eles escreveram: “Acreditamos que a doença celíaca não diagnosticada pode causar outras doenças, através de algum mecanismo imunológico ainda desconhecido "

A DC tem sido objecto de relatos em que é associada a várias outras doenças auto-imunes, incluindo a diabetes tipo 1, doença hepática auto-imune, artrite reumatoide, doença de Addison, e síndrome de Sjogren. Poderia a DC também desencadear o vitiligo, uma outra doença auto-imune? É uma pergunta razoável dado o que sabemos até ao momento.

Uma ligação com a doença da tireoide?
Tem sido demonstrado que os portadores de vitiligo têm uma incidência significativamente maior do que a população normal, de doença auto-imune da tiroide. É, na verdade, a doença auto-imune mais comum entre os pacientes com vitiligo e/ou os seus familiares. A doença auto-imune da tiroide também ocorre na população de DC com uma taxa mais elevada do que na população em geral. Poderiam vitiligo e DC estar ligados através de um possível gene comum também compartilhado com doença tiroideia?

Uma ligação genética comum?
Sabemos pela pesquisa genética financiada pelo governo federal de que o gene NLRP1 (anteriormente conhecido como NALP1), foi confirmado como estando associado ao vitiligo, bem como à doença celíaca, doença de Addison, esclerose sistémica e lúpus, e com diabetes tipo 1 em dois de três estudos. Há pouco, soubemos de um estudo recém-lançado sobre outro gene comum, o LPP, que está associado com vitiligo, doença celíaca e artrite reumatoide. Talvez esses genes possam estar envolvidos na mediação entre vitiligo e DC.

A ligação do stress?
Outra consideração por que pode passar o aparecimento ou agravamento de vitiligo num indivíduo que esteja a passar por uma crise de DC é o papel que o stress pode desempenhar no sistema imunológico. Há estudos bem estabelecidos que mostram que os indivíduos que estão sob stress crónico (emocional e/ou físico) sofre infecções virais graves e mais frequentes (constipação comum, gripe), têm uma menor taxa de aceitação de vacinas (contra a gripe e hepatite), e tem processos de cicatrização prolongados. Pode este tipo de stress, que é conhecido por enfraquecer o sistema imunológico, também deixá-lo mais susceptível aos efeitos negativos de outras condições subjacentes?

Ao longo dos anos, muitos indivíduos com doenças auto-imunes têm relatado um factor de stress significativo: como uma morte na família, a luta com uma doença não relacionada, ou outro trauma como um acidente automobilístico, que precede o aparecimento ou agravamento das suas doenças auto-imunes.
( ... )

O que ter em mente?
Isso não significa que só o stress possa provocar estas doenças auto-imunes/inflamatórias. A pessoa em questão teria que transportar os genes para as doenças auto-imunes específicas. Pelo menos 20 regiões de genes em 15 cromossomas diferentes estão associadas à predisposição para a doença auto-imune em roedores e seres humanos. Se o stress vai precipitar ou agravar as condições já disponíveis é apenas um dos muitos factores potenciais a considerar.
(…)"

Outros estudos:

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Glúten e enxaquecas

Imagem retirada da Net
Hoje, trago um artigo da Livestrong Foundation que aborda a temática do glúten e as enxaquecas, que não são um sintoma em que se pense de imediato quando se trata de uma condição associada a esta proteína. Gostaria, contudo, de chamar a atenção para o facto de que o conselho dado para experimentar a dieta sem glúten é aplicável apenas aqueles que já despistaram a doença celíaca, e tiveram um resultado negativo; a prova terapêutica serve apenas para estabelecer um diagnóstico de sensibilidade ao glúten não-celíaca.

"As enxaquecas são dores de cabeça graves e crónicas. Muitas vezes, a dor de uma enxaqueca é tão grave que os pacientes têm dificuldades em seguir uma vida normal. A causa das enxaquecas não é conhecida, mas os investigadores e os pacientes notam cada vez mais uma ligação entre enxaquecas e o consumo de glúten.



Significado

O glúten é uma proteína encontrada em grãos de trigo, cevada e centeio. Aproximadamente, uma em cada 100 pessoas sofre de um distúrbio auto-imune chamado doença celíaca, e a quem o glúten danifica realmente o intestino. Ocasionalmente, os pacientes com doença celíaca também sofrem de enxaquecas desencadeadas pelo glúten. Contudo, alguns médicos acreditam que é possível ser sensível ou intolerante ao glúten, sem ter a doença celíaca ou danos intestinais. Estes pacientes são mais propensos a ter sintomas neurológicos, tais como enxaquecas, quando consomem glúten.



Função

Em indivíduos sensíveis, o glúten pode causar inflamação no sistema nervoso central, que, por sua vez, conduz às enxaquecas. Num estudo de 2001 publicado na revista médica "Neurology", o Dr. Marios Hadjivassiliou, um médico de Sheffield, Reino Unido, testou 10 pacientes com cefaleias crónicas e descobriu que todos eram sensíveis ao glúten. Algumas delas também tinham outros sintomas tais como falta de equilíbrio ou de coordenação, e todos tinham inflamação do sistema nervoso central, de acordo com o estudo.



Tipos

O Dr. Rodney Ford, um pediatra em Christchurch, Nova Zelândia, escreveu em 2009 na revista médica "Medical Hypotheses" que a enxaqueca e outros sintomas neurológicos devidos ao consumo de glúten, podem ocorrer tanto em pacientes com doença celíaca, bem como em pacientes que não têm qualquer dano intestinal induzido pelo glúten. Além de enxaquecas, o glúten pode causar atrasos no desenvolvimento, distúrbios de aprendizagem, depressão e outras desordens do sistema nervoso, diz o Dr. Ford.



Benefícios

É difícil dizer se a enxaqueca é desencadeada pelo glúten porque os alimentos que contêm esta proteína são tão omnipresentes, e a maioria das pessoas consome trigo, cevada ou centeio várias vezes ao dia, todos os dias. Nenhuma medicação está disponível para reduzir os efeitos do glúten em alguém que lhe é sensível, mas uma dieta isenta de glúten (uma dieta isenta de produtos de trigo, cevada e centeio), geralmente, acaba com as enxaquecas quase completamente.



Prevenção/Solução

Para determinar se o glúten desencadeia as enxaquecas, um paciente de enxaqueca deve eliminar estritamente o glúten durante, pelo menos, um mês (dois a três meses, seria melhor), e depois reintroduzi-lo. A maioria das pessoas cujas enxaquecas são causadas ​​pelo glúten verá as suas dores de cabeça desaparecerem durante a sua experiência no período de eliminação, e depois regressarem reforçadas assim que reintroduzirem o glúten na sua alimentação."

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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sarcoidose e DC

Costumo seguir o blog Raising Jack With Celiac que é feito pela mãe do Jack, que tem doença celíaca. Há alguns posts atrás, ela contava que o seu marido, Jeff, estava com suspeita de ter também doença celíaca, já depois de ter sido diagnosticado com sarcoidose, e de, inicialmente, após o diagnóstico de Jack, ter tido um rastreio negativo para DC. O teste genético estava positivo e esperavam agora pelos resultados das análises.  
No seu post mais recente, ela conta que se confirmou a DC pelo que se pode concluir que: um rastreio inicial negativo não invalida que a doença celíaca não possa aparecer mais tarde; doença celíaca e sarcoidose podem aparecer de mãos dadas, como se pode ver também nos estudos que estão mencionados no fim deste post. Deixo então parte do seu relato traduzido: 







“As doenças auto-imunes existem na nossa família. O papá do Jack, Jeff, foi diagnosticado com sarcoidose, em Fevereiro de 2011, depois de cinco meses de testes, raios-x, uma ressonância magnética, uma biópsia, etc. A sua mãe também tinha sido diagnosticada há cerca de cinco anos. É interessante, no mínimo. Há semelhanças entre a sarcoidose e doença celíaca pois ambas podem ter uma ampla variedade de sintomas! Foi então desta maneira que o meu marido foi diagnosticado com sarcoidose... E depois, então, com a doença celíaca.



Fizemos uma grande mudança do Indiana para o Tennessee, em Fevereiro de 2011, por causa do trabalho do meu marido, e o stress da sua função demasiado exigente logo teve o seu impacto. Em Outubro de 2011 o meu marido começou a ter um inchaço ocasional nos tornozelos, um tornozelo pior que o outro. Por altura da festa de Acção de Graças, os seus tornozelos ficaram tão inchados que ele mal conseguia andar. Foi às Urgências e diagnosticaram-no ou com uma possível picada de carrapato ou com artrite reumatóide - deram-lhe um antibiótico caso fosse picada e saímos...



Não houve melhoria no inchaço, então o Jeff visitou o seu médico que pediu alguns testes e colocou-o numa pequena dose de cortisona. Esta reduziu significativamente o inchaço. Ele foi, então, encaminhado para um reumatologista e um cirurgião ortopédico. O reumatologista sugeriu possível gota ou sarcoidose e o cirurgião ortopédico sugeriu que os seus pés tinham sido mal feitos de raíz!



Para verificar se a sarcoidose era uma possibilidade, era necessário um raio-X do peito de Jeff - com sarcoidose, há um aumento dos gânglios linfáticos na cavidade torácica. Bem, o raio-x estava anormal o que levou a uma ressonância magnética que, em seguida, levou a uma biópsia! Sarcoidose e cancro imitam-se, logo era necessária uma biópsia dos gânglios linfáticos. Após a biópsia e uma cicatriz de 2 polegadas na parte superior do peito, logo abaixo do pescoço, o Jeff foi mandado a um pneumologista que, finalmente, lhe diagnosticou a sarcoidose.



Ao Jeff foi dado um corticosteroide a tomar durante mais dois meses para diminuir os seus nódulos linfáticos. Basicamente, o processo decorreu de Outubro de 2011 a Junho de 2012 - a partir de uma possível picada de carrapato para uma biópsia. Hoje, a sarcoidose de Jeff está em remissão. Pode nunca mais ter um novo episódio.



AGORA, é aqui que a doença celíaca entra em jogo... Ao longo destes últimos dois anos, o corpo de Jeff mudou definitivamente. No ano passado, lentamente, novos sintomas foram aparecendo, o que fez com que ele quisesse tentar uma dieta isenta de glúten. Desde enxaquecas, barriga inchada, fadiga e mais visitas à casa de banho, ele queria ver se se iria sentir melhor mudando para uma dieta sem glúten. Após dois meses de iniciar a dieta, perguntei-lhe se sentia alguma diferença; respondeu-me "Acho que sim... " (…). Então disse: " Jeff, quero que voltes a comer glúten para ver se há uma diferença, e fazer o teste para a doença celíaca. Precisamos de saber com certeza. Precisamos de levar a sério a contaminação cruzada, o que não estás a fazer agora ". Então, ele voltou ao glúten. Numa semana, os sintomas começaram a voltar: enxaquecas, mais idas à casa de banho, etc. O Jeff disse: " Posso definitivamente ver a diferença agora."



Liguei para levá-lo a fazer o painel de análises para a doença celíaca. Os resultados chegaram em poucos dias com o ANTICORPO ANTI-ENDOMISIO POSITIVO... Infelizmente, o laboratório não fez o teste de anticorpos tTG –IgA (anticorpo anti-tranglutaminase), que é um grande indicador de doença celíaca. Então, na consulta com o gastrenterologista, mencionei isso para que fizessem mais análises. Descobrimos ontem que o seu tTG -IgA é positivo.



Não faremos uma endoscopia para confirmar. Na minha opinião, não sinto que seja necessário e assim defende também o Dr. Alessio Fasano do Centro de Pesquisa Celíaca do Hospital de Massachusetts.”

Estudos que apontam para uma possível ligação entre sarcoidose e DC:






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