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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Férias na Serra do Açor

O post de hoje é uma proposta da já nossa conhecida Ana Pimenta. É uma óptima sugestão de férias cá dentro sem glúten, mesmo a tempo das férias de fim de ano.
 
"Fim-de-semana outonal na Serra do Açor
 
Para um breve descanso (ou férias em família) aconselho a Serra do Alvor com múltiplos recantos encantadores a descobrir.

A região, declarada como área de Parque Nacional, mantém assim, tanto quanto possível, inalterada a sua paisagem de montes cobertos de mato rasteiro e lindas flores silvestres de todas as cores, de florestas de pinheiros, eucaliptos, carvalhos, castanheiros, e até mesmo alguns sobreiros, de maravilhosos vales onde serpenteiam rios, de prados verdejantes os quais fazem parte da agricultura de subsistência da região. Em qualquer estação do ano se encontra beleza nestas terras.
 
São vários os motivos de interesse histórico, nos arredores sejam eles vestígios da ocupação romana, da ocupação muçulmana ou vestígios relativos as invasões espanholas e francesas.
 
A mata da Margaraça com sua luxuriante vegetação, cascatas, regatos e locais para piquenique fazem a delícia de pequenotes e adultos!
 
Os rios: o Alva e o Alvôco encontram-se na cercania proporcionando banhos nas suas praias fluviais (Coja, Barril do Alva, Avô, Serzedo, Cecarias, Góis).

Uma visita à serra do Açor com vistas deslumbrantes e às aldeias de xisto (Piodão) impõe-se.
 
Para alojamento com sabor a casa e refeições sem glúten o “Boutique hotel rural Quinta da Geia”, na aldeia das Dez, é o ideal! Esta pitoresca localidade localiza-se no concelho de Oliveira do Hospital, a cerca de 450 metros de altitude na encosta norte da Serra do Açor, entre as serras da Estrela e Lousã. Beneficia de uma extraordinária vista panorâmica onde se podem admirar serras, montes, vales e florestas verdejantes.
 
O “Boutique Hotel Rural Quinta da Geia”, projeto glamoroso, nitidamente originado do coração dos proprietários Fir Tiebout e Frenkel de Greeuw, é constituído por um aglomerado de edifícios em granito datados do século passado e por estes elegantemente reconstruídos. Geia é um nome de origem grega referente à divindade que personificava a terra (nasceu de si própria, gerou Úrano com quem se uniu e com quem concebeu os Titãs, os Gigantes, etc.). Esta designa na linguagem dos habitantes da Aldeia das dez 'uma quinta tão vasta, impossível de lavrar num só dia'.
 
A Quinta distribui-se em patamares, nos quais se encontram, para além de árvores de frutos, vinhas, duas piscinas exteriores para adultos e crianças, jacuzzi e campo de jogos. O Hotel conta com varias tipologias de quartos (e ainda 2 apartamentos / 2 casas) todos decorados com extremo bom gosto proporcionando um ambiente calmo, relaxante, mesmo aconchegante, em ampla harmonia com o ambiente rural. O salão de estar e a biblioteca  são ideais para o ameno convívio ao sabor de um bom livro e bom vinho português junto do calor da lareira de granito. A zona de banhos permite relaxar em privacidade na sauna, banho turco ou jacuzzi sob as luzes da cromoterapia.
 
Mas para qualquer celíaco o restaurante João Brandão é como uma estrela caída do Céu! As maravilhosas refeições são concebidas pelo chefe Frenkel de Greeuw e elaboradas pela simpatiquíssima sub-chefe Margarida Graça, numa combinação dos estilos português, francês e italiano segundo as estações do ano, num ambiente familiar e caloroso ao som de árias e melodias de encantar. A acessibilidade à cozinha e seus colaboradores é extraordinária.
 
É colocado sempre um cuidado extremo na escolha da ementa e sua adaptação para isenção em glúten, sempre de acordo com a preferência do hóspede. Pratos como risotto de tomate com posta de bacalhau e gambas, pato com laranja, carré de borrego com molho de mel e tomilho ou sobremesas como o merengue com gelado e calda de frutos silvestres, fazem algumas das honras da casa.
 
Também ao pequeno-almoço são tomadas todas as precauções para servir sem glúten (alimentos acondicionados) e estando sempre presente o pão, a manteiga, os doces (caseiros), fiambres, todos de marcas sem glúten. Mesmo a rotação dos empregados (Mila Lourenço, Célia Madeira) é impecavelmente conseguida sem descurar todos os cuidados anteriormente descritos. Isabelle Dockx contribuiu para uma calorosa receção e assegura-se que toda a estadia decorre glutenfrei.
 
Para uma estadia “em casa” com maravilhosas refeições sem glúten contaremos sempre com a equipa da Geia!"
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Testemunho " O Glúten e a Gravidez"

Imagem retirada da Net
O post de hoje é um relato em primeira mão dos possíveis efeitos da ingestão de glúten durante a gravidez em grávidas susceptíveis de intolerância a esta proteína. Aproveito para agradecer a colaboração da Ana Pimenta, a autora deste testemunho, por partilhar connosco a sua história de uma maneira tão completa. Num país em que a informação ainda não circula como deveria e a maioria dos médicos não está actualizada como deveria, são relatos como estes que podem ajudar mulheres em situações semelhantes a perceber o que se passa com elas. Obrigada Ana!


"Em Julho de 2010 uma nova “sementinha” pegou cá por casa… Novas aspirações…e muitas aventuras por vir!

A gravidez anterior tinha decorrido de forma impecável… Tirando náuseas e vómitos constantes! Lá para o fim dessa gravidez sempre que comia bolos, bolachas ou pão ficava com um sabor horrendo na boca. Brincava com o meu marido e dizia que o bebé não gostava de “amido”. Sobrevivi a iogurtes, leitinhos, queijinhos sempre com grande mau estar e vómitos infindáveis. Findo o parto nunca mais tal se verificou.

Nova gravidez vida nova… e que vida!

No segundo trimestre a barriga aumentou descomunalmente! O aumento de peso era insignificante e o bebé grande. Comecei a ter meteorismo e cólicas marcadas. O timpanismo abdominal era incrível…parecia um tamborzinho. Costumávamos brincar e dizíamos que o bebé era tão grande que empurrava de tal forma o intestino que este andava aprisionado: daí as cólicas.

Nos últimos quinze dias antes do parto e, por necessidade médica, tive de ficar em repouso absoluto. Não conseguia comer nada. O leite, esse, passei a regurgitá-lo! Tinha cólicas de tal forma intensas que, literalmente, chorava agarrada à cabeceira da cama. Claro que o culpado era o bebé que será com certeza “karateca”!

Após o parto e apesar de só ter aumentado 5,5 kg, o abdómen manteve-se com muito meteorismo. Era gozada por todos… parecia que nunca mais ia recuperar a forma. Ora isto não fazia sentido, não tinha aumentado de peso, recuperei de imediato o peso anterior e, tirando a barriguinha, até estava magra!

Amamentei com sucesso … bebé competente e mamã motivada – uma fórmula de sucesso! Nunca tinha tido tanta fome na minha vida. Chegava a beber uns 10 iogurtes por dia com reforços de queijinhos frescos, pãezinhos e bolachinhas pelo meio.

Progressivamente as minhas cólicas foram aumentando. A flacidez abdominal (posteriormente descoberto de causa neurológica) mantinha-se de tal modo que as ansas intestinais doridas e distendidas pareciam flutuar dentro de mim.

Este quadro durou uns 3 meses. Mantinha obstipação mas, com episódios de esteatorreia. Até que surgiu diarreia tipo tropical…parecia ter regressado de uma viagem ao norte de África!

Comecei a associar as cólicas ao leite e a suspeitei que tinha intolerância à lactose. Daí a pensar que também tinha intolerância ao glúten foi um pulinho! A última ingestão de uma fabulosa fatia de pão alentejano quentinho e acabado de sair do forno foi desastrosa … quase derreti e fiquei sem iões.

A gravidez, grande desafio imunológico que é, pregou-me uma partida*. Em vez de me trazer um só presentinho, trouxe-me dois… O Pedro e a doença celíaca.

Inverti a marcha diagnóstica / terapêutica… Optei por não realizar biopsia intestinal e pesquisa de anticorpos específicos antes de iniciar a dieta sem glúten. Estava envolta em tantos outros problemas de saúde que, na verdade, a doença celíaca, da qual estava segura, era apenas mais uma pedrinha no sapatinho.

Procurei uma dietista, e iniciei dieta isenta de glúten e lactose. As melhoras foram lentas, mas graduais.

Passados 10 meses de dieta sem glúten consigo associar com precisão os sintomas que derivam do glúten (diarreia, meteorismo, cólicas abdominais, cefaleias e astenia), e quais se devem à lactose (diarreia, flatulência, cólicas abdominais intensíssimas e marcado meteorismo).

A biopsia, 10 meses passados com dieta sem glúten, ainda mostrava ligeiros sinais sugestivos de doença celíaca e os anticorpos foram negativos. Contudo, e mais importante, a clínica estava e sempre esteve lá. Foi como juntar as peças de um pequeno puzzle:

Ainda eu andava na faculdade (hmmmm…há uns bons aninhos atrás…na verdade umas duas décadas!) e ocasionalmente surgiam “bagos de arroz” nas fezes. Primeiro pensei em parasitas, mas a pesquisa destes foi negativa. Ficou a má absorção de gorduras … não fazia sentido…não tinha qualquer outro sintoma. Fiquei sempre com uma pulguinha atrás da orelha.

Na primeira gravidez surgiu bócio embora eutiroideu e as náuseas e vómitos (emese gravídica? intolerância ao glúten e lactose?). Tive zona por duas vezes. Mais uma vez, desconcertante. Outra pulguinha atrás da orelha … mas o que se passaria com a minha imunidade? (Só por causa da gravidez não fazia sentido!). Antes da última gravidez alguns marcadores imunológicos inespecíficos positivaram. Segunda gravidez … zona novamente … e … Bingo … doença celíaca instalada.

Bendita dieta! Pelo meio houve muitos erros. Na verdade, continuo a aprender diariamente.

Citando Kathleen Moris, autora de “Amazing Grace " –  Life is easier to take than you think; all that is necessary is to accept the impossible, do without the indispensable and bear the intolerable!”.
* O efeito da gravidez na doença celíaca

Existe preocupação sobre a reactivação ou o desmascarar de doença celíaca não diagnosticada durante a gravidez e no período pós parto. Vários autores relataram casos em que a doença celíaca foi diagnosticada apenas após o parto.  

Malnick et al 1 relatou 3 casos nos quais mulheres previamente saudáveis apresentaram diarreia, perda ponderal e má absorção após o parto e por doença celíaca de novo. Também, Corrado et al 2 relatou 10 casos de doença celíaca diagnosticada durante a gravidez.

O surgir de doenças auto-imunes durante a gravidez (artrite reumatoide, Lupus eritematoso sistémico e outras conectivites) não é tão raro como se possa pensar. É, no entanto, necessário elevado nível de suspeição clínica para efetuar diagnóstico precoce e preciso.

1.     Malnick SD, Atali M, Lurie Y, et al: Celiac sprue presenting during the puerperium: A report of three cases and a review of the literature. J Clin Gastroenterol 1998;26:164–166
2.     Corrado F, Magazzu G, Sferlazzas C: Diagnosis of celiac disease in pregnancy and puerperium: Think about it. Acta Obstet Gynecol Scand 2002;81:180–181"
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